segunda-feira, 15 de junho de 2009

O corneteiro

Ele está lá. Ele sempre está lá. Esbravejando. Xingando todas as gerações da família do treinador, do goleiro, do zagueiro, do massagista, do roupeiro... Ele é atemporal. Mediante um ataque nuclear ele sobreviveria, junto com as baratas. Ele é nada menos do que o corneteiro. Figura já institucionalizada nas arquibancadas dos estádios de futebol. O Inter, o Grêmio, o Palmeiras, o Cruzeiro, o Flamengo, o ABC de Natal, todos os times tem os seus corneteiros.

Os corneteiros colorados, por exemplo, andam dando o ar da graça em grande escala nas últimas semanas. Nada está bom para eles. E quando está bom, está bom apesar de estar ruim. Não há glória ou feito que satisfaça um corneteiro. O Inter está na final de uma Copa do Brasil depois de 17 anos? Grande coisa! Afinal, perdeu para o Coritiba, fraquíssimo time que chegou às semifinais do torneio por sorte, e ontem tocou cinco no Flamengo também por sorte. O Inter divide a liderança do Brasileirão mesmo jogando quatro de seis partidas com time reserva? Grande coisa, grande coisa, grande coisa! Sofreu pra ganhar do Avaí e tropeçou contra o Vitória. O Inter foi Campeão do Mundo? Foi, mas pediu pra perder com Edinho e Wellington Monteiro no meio... E aquele enganador do Fernandão, então? Nem fez gol no Mundial!

O corneteiro é um eterno insatisfeito. É, acima de tudo, um personagem do futebol. É o ser constantemente irritadiço, ranzinza, incomodado, que hoje brada aos quatro ventos coisas como: "Esse D'alessandro não joga nada mesmo! E o Kléber? Não sei como é titular da seleção! Sem contar o Taison, guri pipoqueiro. O colorado tá tendo é mais sorte do que juízo!"

Entretanto, apesar disso tudo, e acima de qualquer coisa, ele é um apaixonado. Ele ama o seu Inter. Talvez mais do que qualquer torcedor "normal". É um amor desvairado, de fazê-lo descabelar-se, ao melhor estilo "tu não presta mas eu te amo". Ele leva esse sentimento nas veias, e chia, enche o saco, esperneia, xinga, esbraveja, porque ele quer sempre mais. Ele quer sempre o melhor para o seu time. Nunca está satisfeito porque teme o surgimento de um comodismo nefasto para o clube do seu coração. Na verdade, acho que o futebol não sobreviveria sem o corneteiro.

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