terça-feira, 30 de junho de 2009

Um gigante chamado Fernando Carvalho

Todos sabem a importância histórica que Fernando Carvalho tem para o Sport Club Internacional. É o maior dirigente de toda a gloriosa existência do Inter até hoje. Pegou um clube estraçalhado por gestões que tratavam o colorado como time pequeno, para elevá-lo ao que é hoje, devolvendo-o o status e o prestígio que sempre caracterizaram o Internacional.

O vídeo apresentado pelo atual vice de futebol do Inter é esclarecedor (ver http://www.hotmedia.com.br/tvinter/420-4253). Ali, fica evidente, cristalino, gritante, aquilo que muitos já sabiam mas não se prestaram a provar por a+b: o Corinthians conta com arbitragens favoráveis a si. Isso sem contar as manobras políticas escancaradas, como a anulação das partidas de 2005. Apenas naquilo que é visível a todos, dentro das quatro linhas, pode-se confirmar, pelo somatório um tanto estranho de "coincidências", que o único time grande paulistano que nunca ganhou Libertadores obtém muitas, muitas, e muitas vantagens. Em suma, para os homens do apito, vale uma regra, um padrão inegável: na dúvida, pênalti para o Corinthians; na dúvida, não é pênalti contra o Corinthians.

Ontem, a Rede Globo manifestava todo o seu desespero com a arrojada atitude de Fernando Carvalho. Desvirtuou o assunto, focou as coisas na atitude em si do dirigente, minimizou o conteúdo daquilo que foi tratado. Bem o tipinho da Plim Plim. Ela sempre foge dos assuntos que não a interessam. Tipo aquela auto-amnésia-propositada de quem vira e mexe defende a democracia em seus telejornais, deixando de lado, debaixo de algum tapete ou dentro de alguma gaveta, o fato de ter apoiado e tirado inúmeros benefícios da ditadura no Brasil.

De um jeito ou de outro, o vice de futebol colorado conseguiu criar uma fiscalização coletiva, mesmo que involuntária, de todo o país, para a lisura e o bom comportamento da arbitragem no jogo de amanhã. Estarão todos um pouco mais atentos para os homens de preto na finalíssima. Foi um golpe de mestre desse gigante chamado Fernando Carvalho.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Boa vitória

Um pouco da auto-estima colorada foi retomada com a vitória de 3 a 0 dos reservas do Inter contra o Coritiba. Mesmo com um time de suplentes, o colorado bateu o coxa com muita autoridade no Gigante. Acende, assim, a chama da torcida colorada para o partidaço de quarta-feira.

Bolaños teve atuação sensacional. Marcou os três gols colorados e mostrou ser uma bela alternativa em nosso plantel. De acordo com dados de Rogério Böhlke, da Rádio Guaíba, é o primeiro estrangeiro a fazer três gols em uma mesma partida com a camisa colorada. Acima de tudo, deixou claro que é infinitamente mais jogador do que Leandrão. Sim, pois na cabeça de Tite, Leandrão tinha prioridade. Tanto que no jogo contra a LDU, Adenor Bachi optou pela entrada do mongovante em detrimento de Bolaños. E nem vai passar pela minha cabeça a hipótese absurda de que Tite fez isso para irritar a torcida do Inter. Tite não faria isso. Não numa final de Recopa.

A vitória de ontem foi fundamental para recolocar o colorado na liderança do Brasileirão. Hoje, a briga pelo título se restringe a Inter, Atlético Mineiro e Vitória. Claro que o contexto provavelmente ainda vá mudar. Cruzeiro, São Paulo, Flamengo e Corinthians de São Paulo são times que podem dar mais do que vem dando. Por isso mesmo, a gordurinha criada pelo colorado em relação a essas equipes pode ser de suma importância ao final do certame.

Agora, as atenções se voltam para a quarta-feira. Outrora pessimista, agora me vejo tomado por um otimismo que só a mais genuína paixão por um clube que passou por tantas barreiras consideradas por todos (ou a grande maioria) intransponíveis pode justificar. Dá pra ganhar a Copa do Brasil. De um jeito ou de outro, na bola, na raça, no carrinho, no grito, de alguma maneira, não sei qual, o Inter VAI ganhar. Os camelôs paulistanos que tratem de obter todos os seus lucros com faixinhas de Corinthians campeão logo. Porque depois das 21:50h da quarta-feira, a fonte vai secar. Ah, vai.

domingo, 28 de junho de 2009

Pela auto-estima

A derrota do Atlético Mineiro na partida de ontem abre a possibilidade de que mediante vitória no jogo desta tarde, o Inter volte a liderar juntamente com o time de Belo Horizonte. Esse fato remete a uma chance inestimável de retomar a auto-estima da torcida colorada, principalmente no que se refere à partida de volta contra o Corinthians, pela Copa do Brasil.

O colorado entrará em campo com time reserva. Considero um tremendo equívoco. Se é verdade que o Inter vem de uma final na quinta e vai para outra na quarta, também é verdade que a sequência de três partidas é em Porto Alegre, sem necessidade do desgaste de viagens. Também é no mínimo duvidoso se preservar os titulares quando, convenhamos, a vaca tá quase no brejo, seja na Copa do Brasil, seja na Recopa. Talvez fosse já, agora, o momento de começar a pensar no Brasileirão de forma mais séria.

Isso não quer dizer jogar a toalha. O Inter tem a obrigação de lutar até o fim de todas as suas energias pelos outros dois títulos. E vai lutar. E nós, colorados, vamos, junto com os nossos guerreiros, acreditar até o fim. Mas acima de tudo, o Inter tem que começar a pensar racionalmente. Colocar time reserva hoje é colocar em risco a possibilidade mais concreta do atual momento colorado: a liderança do certame nacional. Já um resultado que não seja positivo poderá nos deixar embolados e complicados não em duas, mas em três competições.

Espero, do fundo do coração, estar errado. Espero que o Inter ganhe de dois a zero do Coritiba com gols do Glaydson e do Danilo Silva. Espero que faça três a zero no Corinthians, abrindo dois já no primeiro tempo e deixando mais um de troco no segundo. Espero que vença a LDU com autoridade, mesmo na altitude de Quito. Espero que Tite saiba bem o que está fazendo.

sábado, 27 de junho de 2009

Passa logo, junho!

Junho vem sendo um mês absolutamente lamentável para o Internacional. O time colorado simplesmente naufragou. Perdeu jogos decisivos, fundamentais no ano, sofreu goleada, e passou a ser questionado pela torcida.

O último jogo, contra a LDU, foi sintomático. O Inter fez um primeiro tempo razoável e um segundo tempo de deixar qualquer colorado assustado. Junho foi o mês dos desfalques, é vero. Até agora Nilmar e Kleber estão na excursão do colégio com o tio Dunga, tirando fotos e conhecendo a África do Sul. Só pode ser isso. Porque jogando pela seleção, eles não estão.

O Inter foi desmontado neste mês graças a uma trágica combinação de lesões e falta de bom senso do outrora colorado treinador da seleção. E as peças de reposição fracassaram solenemente. Tanto, mas tanto, que até Leandrão vem frequentando as partidas do colorado. É o bruxinho do Tite.

Fim de semana, o Inter tem uma partida "ganhável" contra o Coritiba. Tem que fazer prevalecer o fator local. E na quarta-feira, a decisão da Copa do Brasil exigirá superação. Não só do time, mas também da torcida.

Cada colorado no estádio deverá jogar junto. Cantar o tempo todo, demonstrar apoio, demonstrar determinação, demonstar que confia neste time, que tem certeza de que é possível, que nada feito no ano até agora foi em vão. A boa notícia: junho está acabando. E melhor: a final da competição nacional já será em julho. No primeiro dia de julho.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A morte de Michael Jackson

O mundo da música perdeu nesta quinta-feira uma das maiores estrelas de sua história. Michael Jackson foi uma figura controversa. Fato é que, gostando ou desgostando, ninguém, absolutamente ninguém, seria capaz de ouvir o nome do rei do pop indiferentemente. Michael Jackson transcendeu a música passageira. Michael Jackson transcendeu o pop. Michael Jackson pertence à história da música. E isso é inegável.

Ainda neste mês, vejam que ironia do destino, eu havia escrito um texto sobre ele. E é com este texto que deixo vocês neste momento de luto musical. Abraço a todos.

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Uma notícia do Globo.com soou no mínimo engraçada para mim. Diz o site: "Michael Jackson quer coro infantil em turnê". Sei que é pra lá de maldoso pensar besteira. Fique claro, não acuso o cara de nada. Mas realmente, perante tudo que já foi ventilado a respeito de Michael e sua Neverland, não há como não se pensar na piada. Só crianças entre 5 e 13 anos, quer o astro pop. Isso soa mais ou menos como se Monica Lewinski lançasse uma linha de pirulitos.

A impressão que tenho quando vejo o astro pop, em qualquer circunstância, é de que ali já não mais está um ser humano. Michael Jackson virou um andróide. Um robô. Um ser difícil de identificar. E quão infeliz deve ter se tornado a vida desse homem. Até hoje não se sabe o mal que acometeu Michael. Talvez ele sofresse de dismorfofobia, e por isso tenha feito tantas plásticas que o tornaram a coisinha estranha que é hoje. Talvez a descaracterização de sua face seja proveniente de alguma doença. Sei lá. Mas o fato é que o cantor deve ser uma pessoa extremamente triste.

Talento todos sabemos que Michael possui. E aparenta ser uma pessoa boa. Os despautérios dos quais se acusa ele devem ser provenientes de algum trauma, alguma marca de infância. Se fez o que se acha que ele fez, não deve ter sido por ser um f. d. p. São transtornos mais fortes do que o indivíduo. E muita coisa já aconteceu na conturbada vida do cantor. De uma criança prodígio a grande astro pop, que ainda no auge começou a mudar sua face de forma inacreditável, chegando a tribunais e escândalos incríveis, virando hoje um ser que desperta um misto de temor e piedade nas pessoas que o veem.

Será que ele tem noção exata daquilo que se tornou a sua vida? Ou será que submergiu de tal forma que perdeu completamente a noção de tudo que ocorreu e se transformou em si mesmo e ao seu redor? Não sei. Só sei que Michael Jackson é a pessoa mais intrigante desse mundo das celebridades. Disparadamente.

Recopa

Hoje começa a decisão da Recopa Sul-Americana, entre Inter e LDU. O colorado tem mais uma oportunidade para levantar uma taça continental. O bi da Recopa deve ser perseguido com muita força. Ganha importância especial se considerarmos que uma vitória na partida de hoje sobre o atual campeão da Libertadores daria ainda mais ânimo para o elenco colorado na decisão da Copa do Brasil.

Mas por hoje, pelo menos, esqueçamos a Copa do Brasil. Queremos a Recopa. Conquistando-a, o Inter chegará à impressionante marca de 4 anos consecutivos conquistando títulos internacionais. A Recopa em si é muito importante. Dá mídia, é grife, torna o clube visível para vários países. Quem tenta diminuir a sua importância deve ser algum tipo de lunático, ou recalcado, que não tem a mínima visão do todo e da importância das competições. A Recopa é mais importante, inclusive, do que a Copa do Brasil. Vai repercutir muito mais. Podem ter certeza.

É com a consciência da importância e da grandiosidade da partida de hoje que o Inter deve pisar no gramado do Beira-Rio logo mais, às 21h 50. Esquecendo os recentes tropeços, e focando somente a oportunidade de conquistar mais uma taça continental. Hoje nem importa tanto jogar bem. É jogo para pragmatismo e eficiência. É jogo pra ganhar. E se possível, ganhar bem, adquirindo uma maior tranquilidade pra decidir no Equador.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Uma carta às divindades do esporte bretão (Ou trocando uma ideia com os deuses do futebol)

Caros Deuses do Futebol,

Foi a duras custas que consegui esta oportunidade de escrever-lhes. A burocracia divina exige muitos selos, pré e pós requisitos. Eu sei que vocês (sim, vou tomar a liberdade de remeter-me às divindades de forma mais informal, certo? Não é falta de respeito, compreendam-me, oh grandiosos seres) são donos, muitas vezes, de um senso de humor extraordinário. Vide, por exemplo, hoje a derrota da Espanha para os Estados Unidos. Mas devo conversar com vocês. Em alguns momentos, mesmo no futebol, é necessário colocar na balança aspectos muito sérios. Proponho, portanto, algumas reflexões. Depois, decidam o que deve acontecer. Mas a ordem de alguma coisa deve ser melhor vislumbrada. Sim, há muita coisa em jogo. Longe de mim querer ser maniqueísta. Mas em nome daquilo que acho justo e certo, venho trazer à luz alguns pontos que devem ser cuidadosamente pensados.

Primeiramente, vejam bem: o Grêmio enfrenta esta noite o Cruzeiro. Depois, decide vaga à final da Libertadores em Porto Alegre. O Grêmio tem se comportado muito mal, há muito tempo. A partir dos anos 80, e com a situação se agravando nos 90. Ao conquistar alguns títulos, o tricolor da Azenha tornou-se a encarnação clubística da arrogância e da empáfia. Desde então, julga-se superior a tudo e a todos. Acham-se maiores inclusive do que o próprio futebol. Mesmo as lições divinais dos anos 2000 não lhes ensinaram nada. Normal, partindo deste clube. O Inter conquistou o Mundo e conquistou tudo. Mesmo assim, os torcedores do tricolor da Azenha continuam se achando a última Trakinas do pacote.

É isso, Deuses do Futebol, que deve ser recompensado? O bom é ser arrogante, metido e antidesportivo? São essas as ideias que devem prevalecer no esporte mais popular do planeta? Pensem bem no que vão fazer. Pensem muito bem mesmo.

E tem ainda a decisão da Copa do Brasil. Nem vou falar de Recopa. Nela, não há questões de justiça ou moral envolvidas. Portanto, deixo a cargo de vocês verem o que é melhor para o futebol. Mas na final da Copa do Brasil, aí sim, há um forte apelo moral. Remetamo-nos, pois, ao não tão longínquo ano de 2005. Lá, o Inter disputava bravamente, e palmo a palmo, o título nacional com o Corinthians, então sustentato por um dinheiro pra lá de duvidoso. Era líder. Até que numa manhã de domingo, um sujeito do STJD, Luiz Zveiter, arbitrariamente, anulou DEZ partidas do certame, baseado num achismo até hoje mal esclarecido. Partida que o Inter tinha ganho. Partidas que o Corinthians não tinha ganho. E então, do nada, sem chute, sem cabeçada, sem drible, apenas com uma caneta, o time paulista tornou-se líder. E conquistou um campeonato que não teria conquistado se não fosse a tal manobra.

Então, Inter e Corinthians traçaram seus rumos. Grande parte da justiça foi feita. O Inter, outrora roubado, ganhou todos os títulos internacionais possíveis a um clube de futebol. E o Corinthians rumou à segundona, de onde, é verdade, saiu com um pé nas costas, sem batalhas, sem aflitos. Poder-se-ia pensar: tudo certo, zero a zero, bola ao centro. Mas não. O Inter sorriu muito. O Corinthians chorou outro tanto. Mas entre os dois, as coisas ainda não foram resolvidas. Quis o destino que os dois pivôs da polêmica de quatro anos atrás se reencontrassem numa final de competição nacional. O primeiro jogo já foi. O time do Parque São Jorge fez dois a zero e complicou a vida colorada. E agora?

Questiono vocês, magníficos deuses: é isso o que deve prevalecer? O bem do futebol é que um time manchado por manobras e controvérsias obscuras vença esse título? Vocês premiarão o jogo de bastidores, o futebol de terno e gravata em detrimento do futebol de camisas, calções, meias e chuteiras?

Pensem bem, pensem muito bem, Deuses do Futebol. Confio na sabedoria de vocês.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Funk do Joel

A onda do momento é tirar sarro do inglês modesto falado por Joel Santana, treinador brasileiro da África do Sul. O pessoal do Pânico, o padeiro da esquina, o vendedor de algodão doce da praça, as vovós no asilo, os agentes carcerários do Presídio Central, todos estão rindo de Joel. Atitude pequena, ridícula e de mau gosto. Acima de tudo, atitude de povo colonizado.

Primeiramente, desse pessoal risonho todo, creio que nem 10% deve dominar o inglês tal qual um virtuoso da língua dita universal. Joel Santana está tentando se comunicar, e do jeito dele, está aprendendo. Antes de rir do cara, deve-se aplaudí-lo, pois o fato de buscar aprender uma língua e tentar se comunicar diretamente com a imprensa e com os torcedores do seu país configura um exemplo de profissionalismo.

Ah, mas quando vem um estadunidense pro Brasil falando "Burrasil, carrnavall, mulheures", ou um alemão torrado pelo sol de Copacabana falando "Brrasil, abrraço todos brrasileiras", todo mundo aplaude, acha bonitinho e engraçadinho. É a babaquice colonizada. Pagam pau feito índios que louvavam colonos portugueses e recebiam badulaques e espelhinhos em troca do Pau Brasil e de nossas especiarias.

Santo de casa não faz milagre mesmo. O Brasil para os brasileiros é pura chacota. E, talvez por uma inveja escondida em algum recôncavo da alma, quando algum brasileiro busca crescer e ganhar o seu espaço, com humildade, com superação de seus próprios limites, é atacado por chacotas um tanto recalcadas. Esqueçam um pouco do Joel Santana. Peguem no pé do aculturado, letrado, fluente e michaelístico Rubinho. Esse sim, um anti-herói nacional que nada tem da cara desse país. Um cara que fica em segundo até quando joga Snake Arcade no celular. E acha uma maravilha!

Mas, acima de tudo, respeite-se o ser humano. Joel Santana tem família. Deve ter filhos. Está trabalhando, fazendo o seu melhor. Debochar de uma pessoa da forma desonesta e agressiva que isto está sendo feito é lamentável. Tem que se saber distinguir brincadeiras saudáveis, sarcásticas, sutis de grosserias e agressões morais. E Joel tem sido agredido moralmente.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fiasco

A goleada que o Inter tomou ontem do Flamengo foi a materialização absoluta daquilo que chamamos de fiasco. O time colorado como um todo esteve péssimo, e apenas Guiñazu foi a ilha de indignação no oceano de mediocridade e falta de atitude da equipe. Claro que o time estava desfalcado. Mas mesmo assim, não dá pra aceitar a atitude derrotista que o colorado teve na partida de ontem.

Na defesa, Danilo Silva foi um pouco abaixo do ridículo. Apoiou sem nenhuma qualidade, e foi comprometedor na defesa. Deu até pra sentir saudade de Bolívar naquele setor. O general pelo menos marca. Índio foi outro que teve atuação lamentável, junto com Álvaro. A outrora eficiente dupla de zaga agora se parece mais com duas tias tomando o chá das cinco na defesa colorada arrastando-se pra lá e pra cá em busca do pote de bolachinhas amanteigadas. Marcelo Cordeiro, por sua vez, é Marcelo Cordeiro. Nasceu Marcelo Cordeiro e Marcelo Cordeiro será, pelo resto da vida. No meio-campo, Andrezinho foi o embromador-mor, e Giuliano foi, mais uma vez, horroroso. O jogador que veio do Paraná dá só toquezinho curto e improdutivo, e ainda por cima, consegue errar os seus toquezinhos curtos e improdutivos. Jogador tico-tico-no-fubá. No setor ofensivo, tivemos um discreto Bolaños e um Alecsandro lerdo. Claro que Tite, vendo as dificuldades ofensivas do Inter, resolveu colocar Leandrão. Certamente como uma recompensa, um reconhecimento pelo partidaço que o mongovante fizera no meio da semana contra o Corinthians.

Fica do jogo de ontem um gosto muito amargo e uma angústia absurda perante a perda da liderança em um Brasileirão em que éramos líderes disparados, e as decisões que se avizinham. Por enquanto, o negócio é colocar o foco na LDU e na disputa da Recopa. É a chance do Inter de mostrar que está vivo, e acima de tudo é a chance de ganhar mais um título internacional, chegando ao bicampeonato dessa competição. E o Gigante estará lotado e incentivando o colorado como nunca na quinta-feira. É hora de a torcida demonstrar que está junto com o time. O Inter precisa ser abraçado pela sua torcida nesse momento delicado.

domingo, 21 de junho de 2009

Domingo de Maracanã

O bom e velho Maraca será o cenário de uma partida que talvez seja a mais interessante da rodada do Brasileirão. No seu gramado, estarão frente a frente Inter e Flamengo. Depois do mata-mata pela Copa do Brasil, nem Inter, nem Flamengo, nem a relação entre as duas torcidas são a mesma coisa que eram antes. Se antes eu tinha até alguma remota simpatia pelo rubro-negro no Rio de Janeiro, esta foi completamente desmanchada pelo imbecil que escreve o blog do clube carioca no site Globo.com, que na ocasião disse muita merda, mas muita merda mesmo. Claro que não dá pra generalizar. A maioria dos flamenguistas não deve ser tão Zé Ruela que nem aquele cara. Mesmo assim, aquilo tudo foi extremamente infeliz e lamentável.

O fato é que o Inter vai para o jogo de hoje desfalcado, além de tudo o que já se sabia, de Magrão. Entra Giuliano. Jogador mais ofensivo, que passará Andrezinho para a função de Magrão, de terceiro volante. Com essa escalação, o Inter vai propor jogo para o Flamengo. E está certo, é um pensamento estrategicamente racional.

A Copa do Brasil, por sua natureza, permite que se faça partidas defensivas e de especulação ofensiva. Nela tudo se resume ao confronto direto, sem terceiros. No Brasileirão, pelo contrário, cada jogo vale três pontos em uma tabela em que se disputa diretamente com todos os demais concorrentes. É como se a Copa do Brasil fosse uma prova do colégio, em que basta tirar uma nota azul pra passar, e o Brasileirão fosse um vestibular, em que além de ir bem, o sujeito deve superar os seus concorrentes. Em outras palavras, se os adversários diretos ganham, por mais que o empate seja bom em si, no contexto do campeonato torna-se uma gloriosa e retumbante porcaria.

O Inter vai com o time mais titular que Dunga e as lesões lhe permitem. E tem que ser assim mesmo. Talvez não tenhamos nos dado conta disso, mas o Inter está dividindo a liderança da competição com o Atlético Mineiro, com chances reais de acumular pontos e ficar em situação privilegiada para conquistar o Brasileirão. Isso sem contar na disparada por uma vaga na Libertadores, aquela mesma vaga que o título da Copa do Brasil tem como prêmio máximo. Por isso, a orientação é única e simples para a partida desta tarde-noite: pra cima deles, colorado!

sábado, 20 de junho de 2009

Desespero

O desespero é uma espécie de fim da linha do ser humano. É o ápice ao contrário. Uma pessoa desesperada já não vê mais nada à sua frente. Ela quase perde toda a sua capacidade de racionalizar o que quer que seja.

Não é à toa que alguns se suicidam, outros saem com metralhadoras giratórias, e outros ainda simplesmente abandonam tudo e se entregam ao nada absoluto. Isso é desespero. Dificilmente chegamos a esse ponto, no seu estado genuíno. Ficamos mal muitas vezes. Quase nos desesperamos. Mas chegar lá, estar desesperado, verdadeiramente desesperado, não acontece a toda hora, muito antes pelo contrário: é raro, e na maioria das vezes, único e definitivo.
Justificar
Temos um limite, uma margem relativamente ampla de resistência, que permite que não pratiquemos ações extremas, agudas, desesperadas. É isso que faz a grande maioria de nós sobreviver. Talvez um dia cheguemos ao desepero, quem vai saber?

É por isso que temos que ter muito cuidado quando julgamos atos desesperados, quaisquer que eles sejam. Em todas as ações, deve-se antes de tudo examinar o contexto, aquilo que motivou tais acontecimentos. Julgar é humano, sim. Mas, antes de tudo, temos que fazer um esforço contra a nossa "natureza" e analisar bem tudo que permeia determinados fatos que possam parecer absurdos ou descabidos.

Como dificilmente nos desesperamos, não conseguimos relativizar aquilo que os outros fazem em suas atitudes extremadas. As pessoas na sociedade contemporânea vivem esmagadas, pressionadas por determinados valores, determinadas sinalizações de como agir e daquilo que é certo e errado. Equilíbrio é fundamental. Mas, acima de tudo, temos que ter a consciência de que a grande maioria de nós encontra-se em uma linha muito tênue, entre o equilíbrio e o desespero. E pensar nisso é mais do que angustiante. É quase deseperador.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O dia em que eu fui ianque

Ontem foi um dia diferente. Acordei com uma decisão na mente: torcer contra o Brasil. Sim, chega dessa palhaçada de Copa das Confederações. Seria hora de trazer Nilmar e Kléber de volta ao clube que lhes paga em dia, e muito bem, para jogarem. Por isso, meu final de manhã foi reservado a torcer fervorosamente pelos Estados Unidos. Seria, afinal, uma chance de complicar a classificação do Brasil, que pega a Itália no fim de semana.

Cantei o hino norte-americano, colei um pôster do Obama na parede, evoquei Democratas, Republicanos, jogadores de beisebol, e fiquei em frente à tv, bradando "Go USA, time is money and the book is on the table".

Infelizmente, o Brasil goleou por 3 a 0. Seguirá para a próxima fase da insossa Copa das Confederações. Enquanto isso, o Inter, o time que paga para não ter seus melhores jogadores na hora do pega-pra-capar, está aqui, disputando uma final de Copa do Brasil, lutando para se manter na ponta do Brasileirão, e projetando outra final na qual Kléber e Nilmar desfalcarão o time: a Recopa Sul-Americana, que começa a ser disputada na próxima semana.

Dunga sacaneou o Inter. Muy amigo o cidadão Carlos Caetano Bledorn Verri. Vá ser colorado assim lá nas bandas do Olímpico! Levou dois atletas do Internacional pra um torneiozinho sem graça e sem apelo. Deixou o Inter com um time todo remendado, privilegiando seu orgulho besta e demonstrando extrema falta de bom senso. Dunga desescalou o colorado. Prejudicou o time do povo de maneira lamentável. Sujou, e muito, seu nome junto ao Inter e manchou, desmanchou, toda a idolatria que a torcida colorada tinha pelo capitão do tetra. Infelizmente.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tite liquidou o Inter

A derrota do Inter para o Corinthians tem um nome fundamental. Tite. Reconheço em Adenor um treinador competentíssimo, que vem fazendo um belo trabalho no colorado. Mas Tite hoje liquidou o Inter. Adenor Bachi teve uma diarreia mental ao colocar Leandrão no lugar de Alecsandro. Alecsandro pode não ser o melhor centroavante do mundo. Mas nada, justamente nada, justifica colocar em campo Leandrão.

Leandrão não é jogador de futebol. É uma ameba, um mangolão que veste vermelho. Um jogador que não pode mais passar na frente do Beira-Rio. Entrou em campo, fez duas faltas ridículas, e foi expulso, exterminando toda e qualquer chance de o Inter fazer um gol, que seria absolutamente fundamental. Só há um lado bom na expulsão de Leandrão. Esse merda não entrará no jogo do Beira-Rio. Desculpem a expressão. Respeito o profissional. Mas não é jogador pro Inter. Tivesse Tite colocado um cone ao invés de Leandrão, e o cone daria melhor resposta. Não seria expulso e talvez servisse pra fazer alguma tabela com Taison no ataque.

Taison, aliás, perdeu um gol que não se pode perder num jogo como esse. Jogou uma partida razoável. Mas aquele gol perdido, um jogador que se repute um dos grandes, não pode perder. Taison ainda não é gente grande no futebol. Se fizer a diferença no Gigante e ganhar o título para o colorado, revejo a minha posição. Se não fizer isso, mantenho minha posição. Taison é muito bom jogador. Pra Gauchão. Pra pegar o Zequinha. Pra pegar o Brasil de Pelotas. Pra jogos de maior envergadura, ainda tem muito o que provar. Muito mesmo.

Fica do jogo do Pacaembu a belíssima atuação coletiva do Inter. Deu orgulho de ver o colorado. O time alvi-rubro jogou demais. Acertei o prognóstico. O crime aconteceu. Só que o crime foi do Corinthians. O Inter foi muito mais time em campo. Perdeu em dois gols achados pelo time do Parque São Jorge.

Devo ser sincero e justo com o que penso e com o que estou sentido. Acabou a Copa do Brasil. O Corinthians encaminha muito bem o título. Tem 90% das chances de levantar a taça no Gigante. Há uma esperança, claro que há. O Sport Club Internacional já passou por barreiras consideradas praticamente intransponíveis. E hoje, o jogo mostrou que o Corinthians é um time comum. Bom, muito bom. Mortífero, graças a Ronaldo. Mas comum, acima de tudo. Mesmo assim, a vantagem corintiana é espetacular.

Apenas um último comentário: final de semana, contra o Flamengo, time titular. É hora de sermos pragmáticos e realistas. Acabou a brincadeira com o Brasileirão.

Decisão

Hoje começa a ser disputada a final da Copa do Brasil. Às 21:50 h, Inter e Corinthians estarão frente a frente no estádio Pacaembu, rangendo os dentes, cada time em seu lado do campo, medindo forças num verdadeiro duelo de titãs. Muitos colorados estarão in loco. E muitos outros, assim como eu, estarão na frente da tv, com o coração na mão.

Não é uma final qualquer. O jogo de hoje vem sendo muito aguardado desde o início do ano. O Inter já enfrentou e derrotou o time misto do Corinthians. Em São Paulo. Mesmo assim, setores da imprensa não ficaram satisfeitos. Afinal, não eram os titulares. É bom lembrar que ano passado teve clube que se gabou de empatar dois jogos contra os titulares colorados usando time reserva na Sul-Americana, e depois, no mano-a-mano, no vamo-ver-quem-é-quem, de titulares contra titulares, de igual para igual, no téti-a-téti, levou uma saranda que ainda hoje deve doer no lombo: 4 a 1.

O Inter priorizará a defesa na partida de hoje. Para projetar isso, basta conhecer Tite. Me surpreenderia muito se o colorado adotasse uma postura agressiva no jogo desta noite. Vai, isso sim, especular no contra-ataque. Mas contra-atacar por contra-atacar não basta. Taison sair correndo desvairadamente com a bola nos pés não vai adiantar bulhufas. Sem Nilmar, o Inter não tem ninguém que acompanhe o ritmo frenético do garoto. O alvi-rubro tem que transformar seus contra-ataques em ataques. Sair em velocidade, sim, mas saber dar o timming necessário para que Alcescandro se posicione na área e os meias possam se aproximar do ataque. Para ser incisivo na partida de hoje, se deve saber diferir velocidade de pressa e alucinação inócua.

Tenho uma convicção, enfim: dá pra fazer o crime. O Inter estará desfalcadíssimo, de peças chave de seu time. Mas ess tipo de adversidade geralmente faz o colorado se agigantar (Fernandão, Gabiru, sangueira de Índio, lembram?). Afinal, gigante o Inter é. E gigante o Inter será esta noite.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Jason e Chucky

Minha infância foi marcada por algumas peculiaridades interessantes. É lógico que, como qualquer criança de classe média-baixa normal, eu curtia desenhos animados como "Dennis, o Pimentinha", "Pica-pau", clássicos da Disney e seriados japoneses. Mas muito novo, com uns 6 anos, descobri uma outra paixão: filmes de terror.

Os primeiros filmes de terror dos quais me lembro são "Brinquedo Assassino 2" e "Sexta-feira 13 parte 8: Jason ataca Nova Iorque". Chucky e Jason povoaram a minha infância. Quando meus pais compraram nosso primeiro- e único- videocassete, a primeira fita que assisti foi exatamente a do Brinquedo Assassino 2. Presente do meu tio Genoar. E desde então sempre venho acompanhando o melhor e o pior dos filmes de terror.

Além dos dois precursores da minha vida cinéfilo-terror-maníaca, me recordo de um palhaço assassino de nome It, e de Michael Myers, da série Halloween. Este, pra mim, um primo pobre de Jason. Dono, entretanto, de um dos melhores temas musicais da história dos filmes do gênero, tendo concorrência somente da música angustiante do espetacular "O Exorcista".

E assim fui levando minha vida de expectador de filmes de terror. Vi muita porcaria. "Pânico", para mim, é o emblema maior disso em termos de filmes do gênero. Os personagens não possuem o mínimo de carisma, são caricatos, forçados, inúteis e ridículos. Vi "O Albergue", este sim, um clássico do estilo, forte, pegado, perturbador. Infelizmente, depois fizeram uma sequência frustrante, pra dizer o mínimo. Não poderia deixar de citar os dois primeiros "Jogos Mortais", que depois degringolaram para sequências confusas e um tanto absurdas, que tiraram o encanto da série.

Outras coisas boas que me obrigo a destacar são "A Casa de Cera" e "Viagem Maldita" (refilmagem de "Quadrilha Sádica", dos anos 1970). Além disso, um subgênero interessante que surgiu foi o terror-comédia, em que se destaca principalmente o último filme de Chucky, além do maluco "Mutilados" e do escrachadíssimo "Planeta Terror", filme mal compreendido por muitos.

Filmes de terror tornaram-se, enfim, minha primeira referência quando pego qualquer amontoado de dvds. É por eles que eu procuro primeiro. Talvez sejam o gênero mais envolvente do cinema. Quando bem feitos, é claro. São legais pra caramba, quando criativos e bem desenvolvidos. E pensar que, pra mim, tudo isso começou com aquele inofensivo "Oi, eu sou o Chucky. Vamos brincar?"

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O corneteiro

Ele está lá. Ele sempre está lá. Esbravejando. Xingando todas as gerações da família do treinador, do goleiro, do zagueiro, do massagista, do roupeiro... Ele é atemporal. Mediante um ataque nuclear ele sobreviveria, junto com as baratas. Ele é nada menos do que o corneteiro. Figura já institucionalizada nas arquibancadas dos estádios de futebol. O Inter, o Grêmio, o Palmeiras, o Cruzeiro, o Flamengo, o ABC de Natal, todos os times tem os seus corneteiros.

Os corneteiros colorados, por exemplo, andam dando o ar da graça em grande escala nas últimas semanas. Nada está bom para eles. E quando está bom, está bom apesar de estar ruim. Não há glória ou feito que satisfaça um corneteiro. O Inter está na final de uma Copa do Brasil depois de 17 anos? Grande coisa! Afinal, perdeu para o Coritiba, fraquíssimo time que chegou às semifinais do torneio por sorte, e ontem tocou cinco no Flamengo também por sorte. O Inter divide a liderança do Brasileirão mesmo jogando quatro de seis partidas com time reserva? Grande coisa, grande coisa, grande coisa! Sofreu pra ganhar do Avaí e tropeçou contra o Vitória. O Inter foi Campeão do Mundo? Foi, mas pediu pra perder com Edinho e Wellington Monteiro no meio... E aquele enganador do Fernandão, então? Nem fez gol no Mundial!

O corneteiro é um eterno insatisfeito. É, acima de tudo, um personagem do futebol. É o ser constantemente irritadiço, ranzinza, incomodado, que hoje brada aos quatro ventos coisas como: "Esse D'alessandro não joga nada mesmo! E o Kléber? Não sei como é titular da seleção! Sem contar o Taison, guri pipoqueiro. O colorado tá tendo é mais sorte do que juízo!"

Entretanto, apesar disso tudo, e acima de qualquer coisa, ele é um apaixonado. Ele ama o seu Inter. Talvez mais do que qualquer torcedor "normal". É um amor desvairado, de fazê-lo descabelar-se, ao melhor estilo "tu não presta mas eu te amo". Ele leva esse sentimento nas veias, e chia, enche o saco, esperneia, xinga, esbraveja, porque ele quer sempre mais. Ele quer sempre o melhor para o seu time. Nunca está satisfeito porque teme o surgimento de um comodismo nefasto para o clube do seu coração. Na verdade, acho que o futebol não sobreviveria sem o corneteiro.

domingo, 14 de junho de 2009

Celulites

Tem repercutido ultimamente a aparição de modelos com celulites nesses desfiles de São Paulo Fashion Week, Fashion Rio, Fashion's Olhos... A ditadura estética continua atacando e apavorando a tudo o que vê pela frente. Bundas, pernas, rostos, braços, dedos, nada sai ileso ou intocado.

Quer saber a verdade? Podem me chamar de louco. Mas curto umas celulitezinhas. Claro, nada em excesso. Só um pouquinho. Bem pouquinho. Um pouquinho de imperfeição é necessário. Confere realismo à mulher. Confere credibilidade. Acredito que a perfeição não existe. Por isso, tenho sérias dúvidas em relação a mulheres perfeitas demais. Mulheres de verdade tem direito às suas celulites. Desde que com moderação, é claro.

Fui olhar as fotos das supostamente monstruosas e escandalosas celulites das modelos. Nada demais! Aliás, algumas daquelas bundas são bem jeitosinhas. Bem melhor do que aquelas modelos esqueléticas que dão a impressão de que vão se desmanchar mediante um amasso. Mulher tem que ter onde pegar. Se não, não tem a menor graça.

Acho que as pessoas que fazem esse tipo de reportagem e esse tipo de crítica estética a celulites minúsculas e estrias quase imperceptíveis, devem ser umas barangas que não tem nadica de nada em casa, digamos assim. Ou então umas bichas-loucas que tem nojo de mulher. Pois, na boa, pode colocar uma daquelas modelos "cheinhas de celulite" em cima da minha cama. Me servem! Ah, dava pra fazer um belo dum estrago...

sábado, 13 de junho de 2009

Patrocínio igual? Pra quê?

Está sendo ventilado nessa semana que a dupla Gre-Nal irá renovar o contrato de patrocínio com o Banrisul por 7 milhões de reais por ano. Pra se ter uma ideia, o São Paulo fatura 18 milhões po ano, o Corinthians no ano passado arrecadava 16 milhões, e o Cruzeiro acaba de fechar acordo de 8 milhões por 6 meses de patrocínio do Banco Bonsucesso. Toda essa disparidade se verifica graças à covardia que se criou de que uma empresa tem que patrocinar os dois clubes ao mesmo tempo. É um absurdo o Inter receber o mesmo valor de patrocínio que o Grêmio. O time colorado está permanentemente exposto na mídia, chegando a finais nacionais e internacionais, conquistando títulos, enquanto o Grêmio não tem ganho nem campeonato de par ou ímpar.

Pra se ter uma ideia, na era Banrisul, o Inter conquistou 6 campeonatos gaúchos, 1 Copa Dubai, 1 Recopa Sul-Americana, 1 Copa Sul-Americana, 1 Taça Libertadores e 1 Mundial Interclubes, totalizando 11 títulos; o Grêmio, por sua vez, conquistou 2 campeonatos gaúchos e 1 Campeonato da Segunda Divisão, totalizando três títulos, três títulos bastante modestos, diga-se de passagem.

Além disso, o raciocínio dos potenciais patrocinadores que tem medo de fazer parceria com apenas um dos clubes é um tanto torto e pobre. Pois vejamos. Vamos supor uma marca de sabão em pó, certo? Ela divide a demanda de sabão em pó com a concorrência, entre consumidores gremistas e colorados. Quer patrocinar somente o Inter. Mas tem medo do boicote dos tricolores. Consideremos Inter e Grêmio como tendo cada um metade da torcida gaúcha. E os tricolores realmente boicotam. A empresa não conta mais com com o consumo dos gremistas, que não querem ajudar o Inter. Mas não seria de se supor que, da mesma maneira que os tricolores não querem apoiar o Inter, os colorados QUEIRAM apoiar o colorado? É simplesmente seguir uma lógica. Dois pesos e duas medidas não dá. Então, toda a demanda de colorados que anteriormente compravam sabão em pó da concorrência passará a consumir o sabão do patrocinador do Inter. E os níveis de consumo da marca manterão os 50% da população gaúcha. A diferença é que antes esses 50% eram divididos entre colorados e gremistas, assim como nas demais marcas. Agora esses 50% serão só de colorados, e os 50% da concorrência serão só de gremistas. Os lucros mantem-se iguaizinhos.

Sei, o raciocínio utilizado por mim é bastante simplista. Da mesma maneira que o raciocínio das empresas que receiam patrocinar apenas um dos clubes. O que não dá mais para aguentar é esse provincianismo e esse pensamento pequeno de que Inter e Grêmio são irmãozinhos gêmeos e que tem que receber presentes iguaizinhos pra ninguém ficar magoadinho. Tá na hora de cada um dos dois clubes se virar e buscar seus próprios caminhos. Tá na hora das empresas terem "saco roxo" e arrojarem. Se as fornecedoras de material esportivo diferentes até hoje não foram à falência por fabricarem as camisas de um ou outro dos clubes, porque o mesmo não pode se dar com os patrocinadores carro-chefe dos times? Os irmãos gêmeos cresceram, afinal.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Namorados

E hoje é dia dos namorados. Eis o 12 de junho. Os pombinhos juntam-se, beijam-se, curtem-se. Uns irão a restaurantes. Outros ficarão no friozinho de casa, curtindo um edredonzinho e uma boa transa. O fato é que hoje tais almas se fundem. Confesso que sou um incompetente na arte de namorar.

Minha vida amorosa limita-se a uma fugacidade muitas vezes cansativa. Não é por gosto. Simplesmente devo ser insuportável. Por mais que eu acredite e invista num amor, seja qual for, a coisa não se realiza. Geralmente dura meses. Ou dias. O campo amoroso me ensinou a nunca esperar nada das pessoas. Pelo menos, a última namorada simplesmente foi embora por motivo maior, voltando pra sua cidadezinha. Dessa vez, pelo menos o culpado não fui eu.

O fato é que é bom curtir a vida. Ah, aqueles dias em que andamos sem nenhuma pessoa guardada no coração são bons demais. Ficamos mais leves, mais livres, um tanto mais cafajestes também. E isso é bom. Geralmente amar é um peso insuportável, ou próximo disso. Só não o é quando temos ao nosso lado o objeto de nossos afetos. Aí sim, vale a pena.

É ótimo quando temos alguém realmente formando uma parceria ao nosso lado. Aquela pessoa que nos faz bem pelo simples fato de estar ali, e que sabemos que, acima de qualquer desastre que aconteça na nossa vida, de qualquer fracasso por que passemos, continuará ali. Continuará existindo. E faz, com isso, tudo o que passamos fazer algum sentido.

Àqueles que tem essa sorte, digam uma vez, e outra, e outra: eu te amo. Mostrem o quão sublime é ter aquela pessoa a seu lado. Sei, hoje em dia esse tipo de coisa é tido como cafona e ultrapassado. Mas dane-se. Diga mesmo assim. Seja cafona, seja ridículo, mas mostre aquilo que você sente. Se a pessoa realmente for a pessoa certa, aquela de fé mesmo, ela vai gostar. Só acha o amor ridículo aquele infeliz que nunca teve a oportunidade de amar ninguém, nunca. Porque, uma vez que tenhamos, alguma vez em nossa vida, gostado, amado alguém, sabemos que de cafona nada o amor tem, e que é algo que transcende a simples existência por existir, que deve ser demonstrado e valorizado, tão grande e importante que é, tal é sua força, sua centralidade em nossa vida quando realmente ele existe.

E àqueles que, como eu, estão curtindo uma solteirice, forçada ou não, sugiro duas opções: (1) ir a alguma baladinha ou ligar praquela pessoa que é alvo de flerte, um investimento futuro (sempre existe, né?), pra tentar encaminhar alguma coisa boa; ou (2) alugar um bom dvd de comédia e esquecer desse dia, esquecer a dor-de-cotovelo inerente a almas solitárias que são obrigadas a ver todo aquele mela-mela das novelas da Globo. O importante, afinal, é buscarmos incessantemente aquilo que nos faz felizes. Seja um namoro, um caso, uma transa, ou um dvd. De comédia, claro. Nada de Brasileirinhas ou Emanuelle. Pelo menos não oficialmente...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Michael Jackson

Uma notícia do Globo.com soou no mínimo engraçada para mim. Diz o site: "Michael Jackson quer coro infantil em turnê". Sei que é pra lá de maldoso pensar besteira. Fique claro, não acuso o cara de nada. Mas realmente, perante tudo que já foi ventilado a respeito de Michael e sua Neverland, não há como não se pensar na piada. Só crianças entre 5 e 13 anos, quer o astro pop. Isso soa mais ou menos como se Monica Lewinski lançasse uma linha de pirulitos.

A impressão que tenho quando vejo o astro pop, em qualquer circunstância, é de que ali já não mais está um ser humano. Michael Jackson virou um andróide. Um robô. Um ser difícil de identificar. E quão infeliz deve ter se tornado a vida desse homem. Até hoje não se sabe o mal que acometeu Michael. Talvez ele sofresse de dismorfofobia, e por isso tenha feito tantas plásticas que o tornaram a coisinha estranha que é hoje. Talvez a descaracterização de sua face seja proveniente de alguma doença. Sei lá. Mas o fato é que o cantor deve ser uma pessoa extremamente triste.

Talento todos sabemos que Michael possui. E aparenta ser uma pessoa boa. Os despautérios dos quais se acusa ele devem ser provenientes de algum trauma, alguma marca de infância. Se fez o que se acha que ele fez, não deve ter sido por ser um f. d. p. São transtornos mais fortes do que o indivíduo. E muita coisa já aconteceu na conturbada vida do cantor. De uma criança prodígio a grande astro pop, que ainda no auge começou a mudar sua face de forma inacreditável, chegando a tribunais e escândalos incríveis, virando hoje um ser que desperta um misto de temor e piedade nas pessoas que o veem.

Será que ele tem noção exata daquilo que se tornou a sua vida? Ou será que submergiu de tal forma que perdeu completamente a noção de tudo que ocorreu e se transformou em si mesmo e ao seu redor? Não sei. Só sei que Michael Jackson é a pessoa mais intrigante desse mundo das celebridades. Disparadamente.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Cala a boca, Kléber!

A polêmica envolvendo as expulsões de Lauro e Kléber no jogo de domingo no Mineirão continuam. O jogador do Cruzeiro afirmou que o pisão que deu em Lauro "acontece", e que o máximo que poderia acontecer é "estragar o esmalte". Muito infeliz a declaração de Kléber. Aliás, se ele fala em esmalte, deve estar se baseando em sua própria atitude. Afinal, Lauro já negou veementemente que use tal recurso para embelezar os pés.

A verdade é que esse jogador do Cruzeiro é um baita de um encrenqueiro. É bom jogador. Não mais do que isso. E uma mala completa dentro de campo. Joga os cotovelos para tudo que é lado, entra de sola, por cima da bola em um monte de jogadas, e quando leva o contraponto fica chorando feito molequinho mimado. O estilinho mamãe-tô-brabinho de Kléber já encheu o saco. Jogasse metade do que bate e fala, seria a estrela do Manchester United. Mas não, ele não joga tanto assim.

Lauro, por sua vez, foi de uma nobreza absoluta ao dizer que não deseja o mal a Kléber. Todas as entrevistas do goleiro colorado foram muito lúcidas, ao contrário do que acontece com o Edmundo de Birigui. Lauro não entrou nas provocações e agiu com extrema superioridade, deixando o atacante celeste chorando e berrando sozinho, feito uma bicha esquizofrênica. É assim que se faz, Lauro. Parabéns.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Piada

O ex-volante gremista Dinho revelou no Blog do Vidarte (http://www.vidartereporter.com.br/) uma veia humorística até então não explorada. O ex-jogador disse que era mais completo do que Guiñazu! Tá, vamos contar, certo? É um... É dois... É três... E vai: hahahahahahahahahahahaha. Que bela piada. Esse Dinho é um fanfarrão! Muito boa, Dinho!
O máximo a que Dinho poderia se comparar é a Edinho! Comparar Dinho com Guiñazu é mais ou menos como comparar Adamastor Pitaco com Jerry Seinfeld. E quando a comparação vem de Dinho, então, torna-se mais ridícula ainda. Pra quem não viu o cangaceiro tricolor jogar, eu descrevo. Era um primeiro volante que dava muita porrada, tinha uma saída de bola correta e chutava forte. Só. Dinho não calçava uma chuteira de Guina. Guiñazu tem excelente passe, sabe reter a bola, participa de articulações ofensivas, e marca incansavelmente, como jamais se viu um volante marcar. O cholo loco é uma máquina de jogar futebol. Um monstro. Joga demais. Guiñazu quando joga mal, joga bem. O pior Guina possível é o melhor volante do futebol brasileiro. Se manca, Dinho!
É típico da empáfia tricolor esse tipo de comparação absurda. Saul Berdichevski, certa feita, disse que Rico era melhor que Nilmar! Rico! Onde está Rico hoje? Comparam o Mundial tricolor com o colorado. Já compararam Lucas com Falcão! Comparam maquetes com estádios! Bem, ao menos essa piada do Dinho serviu para me deixar bem-humorado para o resto do dia. Só rindo mesmo...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ponto que dá moral

O jogo de ontem, em que o Inter arrancou um empate em pleno Mineirão contra o Cruzeiro, é o típico jogo em que, apesar de não vencermos, saímos vencedores. O ponto de ontem dá moral.
O Inter controlou toda a partida. Abriu o placar logo no início, em belo cabeceio de Magrão. Então, em confusão criada por Kléber, o goleiro Lauro foi expulso, junto com o encrenqueiro atacante cruzeirense. E o Inter passou a administrar o jogo. O Cruzeiro não conseguia penetrar na defesa colorada, limitando-se a passes laterais e chutes de longa distância. Conseguiu empatar no início do segundo tempo, em falha de Michel Alves e do bandeira, que não assinalou impedimento. No entanto, o colorado continuou melhor na partida, perdendo inclusive um gol incrível com Giuliano, que avançou cara a cara com Fábio, adiantou a bola demais e perdeu a dividida com o goleiro da equipe celeste. Ao final do jogo, o empate ficou de bom tamanho para o Inter, que trouxe um ponto fora de casa contra um time forte, e para o Cruzeiro, que foi controlado o jogo todo e achou um gol irregular.
O Inter manteve a liderança isolada do campeonato com o empate em Belo Horizonte. É bom demais vermos a força que este elenco ven demonstrando. Ontem, mesmo desfalcadíssimo, o colorado jogou uma bela partida contra o Cruzeiro, e mereceria até melhor sorte.
Um último tópico: instituirei a partir de hoje no DC o Troféu Renê Simões. Ele será dedicado àqueles que choramingam pateticamente contra a arbitragem, choram por pênaltis que não existiram, inventam lances de prejuízo contra suas equipes, tudo isso para justificar seus insucessos dentro de campo. E o primeiro Troféu Renê Simões vai para Wellington Paulista, do Cruzeiro. O mediano centroavante estava enlouquecido com uma suposta violência do time do Inter que só ele viu. O colorado jogou com força, com virilidade. Mas em nenhum momento foi desleal. Faltas, um lance ou outro mais duro, fazem parte do futebol. Não quer contato físico, vai jogar vôlei, Wellington Paulista!

domingo, 7 de junho de 2009

Teste de fogo

O jogo deste final de tarde será um teste de fogo para o time do Inter. Enfrentaremos o fortíssimo Cruzeiro no Mineirão. Jogo forte, entre dois grandes times, dois grandes clubes. E o duelo torna-se mais complicado ainda se considerarmos que o colorado historicamente é freguesaço do Cruzeiro jogando em Belo Horizonte (da mesma forma que o time celeste não costuma nem sentir o cheiro da vitória quando nos enfrenta no Gigante).
O Inter tem quatro desfalques, sendo três muito difíceis de suprir. Primeiramente, os dois selecionáveis, Kléber e Nilmar. O primeiro, titular da seleção canarinho, faz muita falta no setor de marcação. Marcelo Cordeiro, que é bom jogador, diga-se de passagem, não marca nem horário no dentista. Foi pelo lado dele que mais penamos no jogo de Curitiba. Sem Nilmar o Inter perde sua melhor válvula de escape dos jogos de fora de Porto Alegre: a velocidade fulminante do atacante. E não teremos também o craque D'alessandro. Andrezinho é bom substituto. Mas o toque de classe de Andres faz falta para qualquer equipe da qual ele faça parte. Álvaro também não jogará. Aí está o desfalque mais tranquilo de repor. A entrada de Danny Morais não compromete em nada o sistema defensivo colorado. Álvaro foi nosso melhor defensor no Couto Pereira. Entretanto, sempre que o jovem Danny entrou, deu conta do recado.
Confesso que, haja visto todas as dificuldades que o duelo de hoje nos reserva, não considero o empate um resultado desprezível. Isso não quer dizer que o Inter tenha que jogar PELO empate. Também não quer dizer que deva explorar contra-ataques, estratégia ofensivamente inócua quando temos o não muito veloz Alecsandro no ataque. O Inter deve marcar muito forte e partir pra cima, tocar a bola no ataque, buscar os espaços que certamente aparecerão no vasto gramado do Mineirão. Seria ótimo se o Inter mantivesse a liderança, e pudesse além disso, abrir mais vantagem contra seus adversários diretos. Acima de tudo, o jogo de hoje pede pontuação. É assim que se ganha Campeonato Brasileiro. Fazendo todos os pontos possíveis, minimizando ao máximo o índice de desperdício. E no jogo de hoje, é possível pontuar. Basta o Inter adotar uma postura ativa diante do adversário.

sábado, 6 de junho de 2009

Lacunas

Quando passamos por eventos que são grandiosos em nossas vidas, quando eles acabam, invariavelmente fica uma lacuna. Isso tem, obviamente, um lado bom. Afinal, é a nossa história, é a nossa vida, é a nossa memória, é o nosso ser. Entretanto, o efeito colateral é aquela dorzinha que persiste. Aquela marca que, vez por outra, volta a aparecer, volta a ser sentida, volta a ser lembrada. E aí, a distância se dissolve. Revivemos tudo aquilo que hoje se encontra naquela marquinha quase que imperceptível aos nossos olhos.
A verdade é que tudo que vivemos permanece em nós, de um jeito ou de outro. Não existe delete. No máximo, uma lixeira que jamais podemos esvaziar. Algumas coisas ficam como experiência positiva, tornam-se elemento virtuoso na continuação da nossa vida. Outras, simplesmente voltam a latejar do nada, quando não esperamos, absolutamente contra a nossa vontade. Talvez isso tenha a ver com o fato de elas serem meio recentes. Não devem ter sido absorvidas e digeridas por completo. Não devem ter sido, por conseqüência, ainda canalizadas como algo positivo, como uma experiência dos erros que nunca mais devamos cometer.
Do que é bom, ficam as boas sensações em si. É automático. Como lembrar do dia em que o Inter foi campeão mundial. Já aquilo que foi negativo, ruim, destrutivo, aquilo que foi permeado pela desumanização humana, pelo egoísmo, pela mentira absurda que a posteriori revela-se escandalosa aos nossos olhos, tem de ser canalizado, processado, para que se extraiam lições, aprendizados, novas linhas de ação para o futuro. Em suma, e grosseiramente: devem servir para que deixemos de ser trouxas. Algumas coisas ainda não foram suficientemente digeridas por mim. Ainda me irritam, me incomodam, de vez em quando me perturbam. Algumas cenas, algumas palavras, alguns momentos, algumas sensações enganosas, alguns momentos de redenção e mãos dadas, de pseudo-ressurreição, ainda encontram-se presentes. Mas um dia vão cicatrizar. Um dia tem de cicatrizar...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Mediocridade e brilhantismo

Tenho uma certa aversão à mediocridade. Pessoas medíocres me incomodam. Pessoas medíocres me irritam. E, por mediocridade, não se leia coisas como incompetência absoluta. Por mediocridade, leia-se o termo em si mesmo, mediano, esperado. Todos nós somos, em alguma medida, em algum aspecto, para alguma coisa, medíocres. Mas há pessoas que são mais do que medíocres. Elas são a própria personificação da mediocridade. Elas são a própria mediocridade. Também não coloco a mediocridade como oposto a níveis elevados de refinamento. Creio que a simplicidade pode ser brilhante. E o refinamento, na maioria das vezes, é de uma mediocridade entristecedora.
Tudo aquilo que se faz de forma circunscrita, bitolada, é, em última análise, medíocre. O brilhantismo presume autonomia. Talvez o brilhantismo resida exatamente naqueles atos em que se começa algo sem saber exatamente por que, chegando a uma final desconhecido e imprevisível até que ele mesmo esteja estabelecido como tal.
Fórmulas prontas possuem uma tendência forte, quase inescapável, a padronizar, a igualar, a uniformizar. A mediocrizar. Elas são necessárias para muitas coisas na vida. Para as coisas medíocres da vida. Aquelas que, para o bem da continuidade da vida humana, devem manter-se rígidas, permanentes, variando o mínimo possível.
Infelizmente, a sociedade ocidental mediocriza tudo. Não existe o equilíbrio analítico necessário para distinguir o que precisa ser medíocre daquilo que deveria buscar o novo. A mediocridade torna-se boa por si só, mesmo onde ela não deveria ser desejável. A padronização enlouquecida é algo doentio e destrutivo. Os pós-modernos também são medíocres. Só que eles padronizam os diferentes, numa só categoria, sem, no entanto, se darem conta disso. É triste. Mas acima de tudo é real.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sofrido

Foi sofrido. Estou com o coração arrebentado. Mas o Inter passou. Conforme eu havia dito, não era páreo corrido. O Inter não se impôs. Quis jogar no contra-ataque, mas para o contra-ataque só havia Taison. Levamos uma pressão relativa. O Coritiba chutava de longe e cruzava na área. Mas daí saiu o gol do coxa, entre o meio e o final do segundo tempo, gol esse de Ariel, um porco mau-caráter que cuspiu em Índio e que deveria ter sido expulso. Aí o jogo virou um drama só. O Inter retrancou-se, e com a expulsão justa de Bolívar, retrancou-se ainda mais, apenas esperando o jogo acabar. O colorado sofreu, penou, mas passou.
O sistema defensivo merece destaque. Lauro foi um monstro, mais uma vez. Está afirmadíssimo como goleiro confiável debaixo das traves coloradas. Índio e Álvaro foram praticamente impecáveis. Marcelo Cordeiro, por sua vez, foi muito mal. Seu setor de marcação foi uma avenida durante todo jogo, e o bom lateral-direito coxa-branca criou muitas jogadas por ali. O meio de campo, no quesito marcação, também foi exemplar. Guiñazu é um espetáculo de jogador; Magrão, raçudo Magrão, é peça fundamental no esquema de Tite. D'alessandro, por sua vez, jogou mal. Errou passes, parecia mal posicionado em campo. E o ataque foi apagado. Taison tentou e lutou, mas não estava muito inspirado. Alecsandro teve sua característica violentada pela tática do Inter.
O que importa, afinal de contas, é que o Inter está na finalíssima da Copa do Brasil. Vem aí o Corinthians. Quantas coisas aconteceram desde 2005, não? É uma ótima oportunidade para acertar algumas contas. E o time colorado mostra cada vez mais maturidade nessas competições de mata-mata. É inquietante observar esse tipo de atuação como a de hoje, mas é estratégico. O Inter é frio quando tem que ser. Tanto que não passou maiores sustos contra o coxa. O Coritiba teve mais volume de jogo, é verdade. Mas chances claras de gol, neca de pitibiribas. O time colorado é copeiro. Ser copeiro é isso, afinal. Dominar e enervar o adversário. A empreitada foi bem-sucedida.
Apenas um último tópico: tragam lenços para Renê Simões. Que treinadorzinho chorão. Nunca ganhou nada, porque é um treinador medíocre. Consegue brilharecos com Jamaicas da vida, dentro das exigências e padrões da Jamaica, claro. E fala um monte de bobagem, se faz de coitadinho de maneira patética, faz um tremendo estardalhaço. Um dia esse cara vai treinar o Grêmio. É bem o tipinho dele.

Ansiedade

Chega a ser redundante dizer que estou com um friozinho na barriga hoje. Afinal, o Inter joga uma partida de primeira grandeza contra o Coritiba, valendo vaga na final da Copa do Brasil. O dia resumir-se-á a uma interminável espera. E a cada minuto, a angústia será maior. Claro, o time do Inter é extremamente confiável. Analisando a situação friamente, as chances de sermos eliminados no Couto Pereira são praticamente nulas. Mas, afinal, quem disse que nós, torcedores, somos racionais?
O Inter é uma paixão inabalável. Trocamos de roupa, de estilo musical, de casa, de carro, de posições políticas, de computador, até de mulher. Mas time, ah, isso não muda. O Inter, afinal de contas, é a única certeza que tenho para o resto da minha vida. Aconteça o que acontecer comigo, esteja eu onde estiver, sei que levarei o colorado dentro de meu peito. Por isso não é nenhum exagero quando a Popular canta "Vamo vamo, meu Inter. Eu te quero, eu te preciso. E não paro de cantar. Tu é meu melhor amigo". O Inter é, afinal, nosso amigão de sempre, de infância, com o qual já tivemos desavenças, e com quem talvez até tenhamos, uma vez ou outra, tentado romper relações, mas que, inevitavelmente, grudou em nossos corações, porque o adoramos, e, afinal, nos proporciona tantos bons momentos.
E é por isso, por esse bem-querer, por ser o colorado uma parte indivisível de nós mesmos, que ficamos assim, apreensivos, ansiosos. Queremos as boas notícias. Logo. O jogo na capital paranaense não é páreo corrido. Estamos perto da final, mas temos que encarar a partida de hoje com maturidade e sabedoria. O Inter não pode abrir mão de atacar o coxa, uma vez que um gol nosso neutraliza a única vantagem que o time alvi-verde tem no confronto. Dois gols, então, colocam todo o contexto ao nosso favor. Fazendo dois, o Coritiba teria que tocar cinco. Digamos que é mais fácil o Lasier Martins fazer a Dança do Bambolê do É o Tchan no Jornal do Almoço do que isso acontecer. Nesse sentido, é fundamental atacarmos mais, muito mais, do que atacamos o Flamengo no Maracanã, por exemplo. Uma tática como aquela no jogo de hoje beiraria ao suicídio, pois teremos no ataque Alecsandro, que não é um velocista como Nilmar. E daí, se o Inter inventasse de jogar por uma escapadela, dependeria unicamente da velocidade de Taison, sem ninguém rápido para combinar o contragolpe.
O fato dos fatos é que o coração está batendo mais forte a cada instante. Hoje vale vaga na final. Hoje é dia de estar em frente à tv com os olhos, os corações, e os pequenos rituais decisivos que cada um de nós tenhamos. Eu estarei na minha cama, talvez enrolado nos edredons, sentado e com os pés sobre a cadeira de escritório que tenho em meu quarto. Tem umas malzbiers na geladeira também. Jogos decisivos tem que ter cerveja, esse, o meu ritual futebolístico favorito. Talvez a recuperação da gripe me impeça de cumpri-lo. Mas, de um jeito ou de outro, estarei lá, vidrado, assim como todos os colorados que estiverem em suas casas na hora do jogo. Afinal de contas, depois destes 90 minutos poderemos estar classificados para mais uma final. Agora, da Copa do Brasil, competição que nunca costumou sorrir muito para nós colorados. Só nos resta aguardar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Isso é uma bichona!

Esse negócio de neguinho ser metrossexual tá extrapolando os limites do ridículo. Estava eu vendo uma reportagem sobre o Cristiano Ronaldo (http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1179165-9798,00-CRISTIANO+RONALDO+ADERE+AO+ROSA+E+EXIBE+CORPO+SARADO+NA+ITALIA.html) e fiquei abismado. Tudo na vida tem limite. Olhando, digo, com alguma margem de segurança: isso aí é uma bichona. É a cultura do metrossexualismo começando a tomar traços cada vez mais... delicados, por assim dizer.
O cara se cuidar, tomar banho, passar um gel ou um creme no cabelo, tudo bem. Mas um shortinho "tomara-que-me-coma", combinado com boné rosa e florzinha sobre a orelha é demais! E acho incrível como grande parte das mulheres gosta dessas bichices estéticas. Deve ser algum desvio lésbico. Haja sex shop e borrachão!
Longe de mim ser preconceituoso. O cara quer ser gay, que seja, tô me lixando pra isso. Inclusive, quanto mais gay tiver por aí, tanto melhor, pois mais mulher sobra na área. Agora, sujeito adotar esse visual bichalouquesco e querer passar por homenzinho, ah, nã, nã, nã. Não me aplica que não sou bolsa de valores. Nem Cristiano Ronaldo. Que se assuma, ora. O mundo de hoje é bem liberal. Não precisa mais disfarçar a viadagem de metrossexualismo. Pelamordedeus...
São os problemas de um mundo em que tudo e nada se confundem, em que tudo pode ser e não ser, sem nenhuma questão. É a suruba comportamental! E vai se perdendo cada vez mais todo e qualquer tipo de referência mínima, no meio do imenso vale-tudo não existe mais nenhum tipo de identidade. Tá todo mundo louco e fazendo qualquer coisa que dá na telha. Não acho isso nem um pouco bom. Acho catastrófico. Por isso que a sociedade pós-moderna está cada vez mais insana e doente. Lamentável.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Frio

O frio tá pegando pesado em Porto Alegre. Fui presenteado já com uma gripe estupenda. Tipo "benvindo ao freezer". Daquelas de derrubar mesmo. Já fui mais amigo do frio. Dele, podemos nos proteger com mais facilidade (ok, ok, nessa linha de análise desconsideremos os desvalidos). O pré-requisito é um bom agasalho e um bom edredon. Já contra o calor, a menos que tenhamos um aparelho de ar condicionado, não há como se proteger. Nem ficar pelado adianta.
Mas, do alto do meu egocentrismo, troquei de preferência. Hoje empunho a bandeira dos "caloristas". Nos últimos anos, com o advento do frio, tive inesquecíveis infecções de garganta, e agora, essa gripe que me deixou virado num cacareco humano. No calor, não adoeço tanto. Portanto, prefiro-o.
Além disso, o calor possui vantagens estéticas consideráveis. Há muito mais o que se apreciar por aí. As mulheres ficam um pouco mais nuas. Elas ficam um pouco mais cruas. E isso é bom. Não há nada mais inspirador do que decotes reveladores, safados, sainhas mais atrevidas, corpos, belos corpos, desfilando por aí.
O inverno tem algo de mais fashion, é verdade. São acessórios em cima de acessórios. Charmoso. Mas para por aí. O engana João Bobo rola solto. No meio de tantos agasalhos, não dá pra decifrar muito as diferenças entre gorduras e gostosuras. As emoções na cama tornam-se mais agudas, afinal. Tira o casaquinho... e o que vem por aí? Tira o blusãozinho... e o que vem por aí? E assim vão jorrando jatos de adrenalina pura. É quase como tentar a sorte numa raspadinha. Raspa um campo, e outro, e outro. E aí, ou se sai premiado e sorridente, ou se sai puto da cara, lamentando o investimento mal feito.
Dentre os extremos, ora pois pois, sou mais amigo dos calorões, do suor em torneiras, da sede animalesca. No fim das contas, tem mais prós do que contras. Assim, espirro menos, tusso menos e fico mais feliz e saudável. Mas a realidade é o malvado e aquietante frio. Esse inverno promete...