sexta-feira, 29 de maio de 2009

O bem-te-vi

Estou sentado na rua, meio da manhã, no intervalo de um curso chatérrimo sobre editoração de revistas eletrônicas. Observo à minha esquerda, em um banco ao lado do meu, uma ave. Acho que é um bem-te-vi. Puro chute. Entendo tanto de aves quanto Sabrina Sato entende de física quântica. Mas, eis que ali está um ser vivo. Muitas vezes não precebemos quanta vida existe à nossa volta. Tudo parece sempre muito cenográfico. Entretanto, acima de tudo, estamos cercados de vida.
Não são vidas como as nossas. É uma vida muito mais simples. Talvez as únicas razões dessas vidas sejam a própria sobrevivência e a conservação das leis da natureza. Nós, seres humanos, que somos complicados demais. Tornamos tudo muito complexo, criamos paranóias, categorias, visões de mundo, classificações de certo e errado, de bom e de ruim, de sucesso e de fracasso. E em nome dessas paranóias doentias vamos inclusive contra a natureza. Nós, seres humanos, somos acima de tudo seres predatórios. Das outras formas de vida e da nossa própria forma de vida. Ao menos somos "racionais". Pelo menos quando se parte da premissa de que racionalidade corresponde a um modo de viver doentio. Mas essa racionalidade é um ledo engano. Somos, isso sim, os mais irracionais dentre todos os seres vivos.
Certos estão os bem-te-vis. Afinal de contas, o puro viver e sobreviver é a finalidade última da vida. Brigamos, nos estressamos, choramos, entramos em jogos psicológicos para... depois de alguns anos, morrermos. Da mesmíssima maneira que os bem-te-vis. A vida humana é de uma complexidade absolutamente desnecessária. Do pó viemos e ao pó voltaremos, ora pois.
Esses poucos minutos sentado, observando árvores e ouvindo os pássaros estão sendo libertadores. Pelo menos momentaneamente. Sinto-me descomplicado como aquele bem-te-vi que há pouco estava no banco ao meu lado. Sinto-me mais um componente desse cenário. Vivendo, continuando, existindo. Simples assim.

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