domingo, 31 de maio de 2009

Jogo perigoso

O jogo desse final de tarde, em que o colorado enfrenta o Avaí no Beira-Rio, é perigoso. É aquele jogo que tende a ser meio modorrento, amorcegado, e que daqui a pouco, pimba, tomamos um gol. E o time catarinense não é desprezível. Por isso, o time reserva do Inter que entrará em campo deve estar atento. Respeitar o adversário. Buscar a vitória com convicção.
Elenco sabemos que o Inter tem. O time que vai a campo hoje possui valores que seriam titulares em qualquer equipe do Brasil, como Sorondo, Giuliano, Andrezinho e Alecsandro. Mas todos tem que entrar em campo ligados. Deixem para os titulares pensarem no Coritiba.
O jogo de hoje tem muita importância. Ganhando, disparamos ainda mais na liderança do Campeonato Brasileiro. Vale muito. Inclusive, é uma liderança inesperada. Afinal de contas, estamos com o time reserva nessas partidas. E ganhando. Uma espécie de dádiva recai sobre o Inter nesse momento. Perto da final da Copa do Brasil. Líder do Brasileiro com time reserva. Temos que aproveitar ao máximo o momento. Não é toda hora que se ganha a chance de disparar na liderança de um campeonato como o certame nacional sem jogar com força máxima. Isso só comprova a fase espetacular que o Sport Club Internacional vive.

sábado, 30 de maio de 2009

Gripe

Hoje não é um bom dia para escrever no Dilemas Cotidianos. Estou com uma gripe muito forte. Estou tossindo, minha cabeça dói, minha garganta me incomoda deveras. É nessas horas que vemos como é importante, fundamental, a gente estar com saúde.
Estou caidaço hoje. Queria estar melhor, queria estar com os pulmões livres, limpos. Mas estou aqui, gripado, parindo essas poucas e inúteis linhas. Não há muito o que escrever. Não há inspiração. Somente uma cabeça latejante, uma tosse de cachorro louco e uma garganta mais vermelha que a camisa do Inter. Agradeço a compreensão.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O bem-te-vi

Estou sentado na rua, meio da manhã, no intervalo de um curso chatérrimo sobre editoração de revistas eletrônicas. Observo à minha esquerda, em um banco ao lado do meu, uma ave. Acho que é um bem-te-vi. Puro chute. Entendo tanto de aves quanto Sabrina Sato entende de física quântica. Mas, eis que ali está um ser vivo. Muitas vezes não precebemos quanta vida existe à nossa volta. Tudo parece sempre muito cenográfico. Entretanto, acima de tudo, estamos cercados de vida.
Não são vidas como as nossas. É uma vida muito mais simples. Talvez as únicas razões dessas vidas sejam a própria sobrevivência e a conservação das leis da natureza. Nós, seres humanos, que somos complicados demais. Tornamos tudo muito complexo, criamos paranóias, categorias, visões de mundo, classificações de certo e errado, de bom e de ruim, de sucesso e de fracasso. E em nome dessas paranóias doentias vamos inclusive contra a natureza. Nós, seres humanos, somos acima de tudo seres predatórios. Das outras formas de vida e da nossa própria forma de vida. Ao menos somos "racionais". Pelo menos quando se parte da premissa de que racionalidade corresponde a um modo de viver doentio. Mas essa racionalidade é um ledo engano. Somos, isso sim, os mais irracionais dentre todos os seres vivos.
Certos estão os bem-te-vis. Afinal de contas, o puro viver e sobreviver é a finalidade última da vida. Brigamos, nos estressamos, choramos, entramos em jogos psicológicos para... depois de alguns anos, morrermos. Da mesmíssima maneira que os bem-te-vis. A vida humana é de uma complexidade absolutamente desnecessária. Do pó viemos e ao pó voltaremos, ora pois.
Esses poucos minutos sentado, observando árvores e ouvindo os pássaros estão sendo libertadores. Pelo menos momentaneamente. Sinto-me descomplicado como aquele bem-te-vi que há pouco estava no banco ao meu lado. Sinto-me mais um componente desse cenário. Vivendo, continuando, existindo. Simples assim.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Não há nada ganho

Foi muito boa a vitória do Inter sobre o Coritiba na noite de ontem. O Inter abriu uma margem importante de dois gols no duelo centenário. Mas tomou um golzinho que pode ser complicador. O que fica de fundamental: a vantagem é boa, significativa. Mas nada está ganho. Nada. Há 90 minutos duríssimos a serem disputados num Couto Pereira lotado. O melhor treinador-de-seleções-femininas-e-jamaicanas do mundo, Renê Simões, já tratou de tentar condicionar a arbitragem para a volta, cuspindo um monte de bobagens aos microfones após o jogo do Beira-Rio.
Na partida de ontem, o colorado fez um primeiro tempo fraco, modorrento, quase apático. Nem parecia estar disputando uma semifinal de Copa do Brasil. Saiu perdendo em erro de marcação de Kléber combinado com um bote desastroso de Álvaro. Reagiu logo em seguida, com gol do fantástico Taison. Destruiu o jogo. Demoliu o adversário. Foi a visão do inferno para os zagueiros do coxa. A vitória foi complementada no segundo tempo, com gols de Alecsandro e Andrezinho. Um parêntese negativo deve ser feito em relação à arbitragem de Sálvio Espínola, que deixou o Coritiba passar o rodo, tirando Nilmar do jogo, inclusive. Me causa estranheza um árbitro de São Paulo ter apitado a partida do Inter. Afinal, o Corinthians, aquele mesmo, com fortes laços de gratidão com Zveiter, está na outra semifinal.
O jogo de Curitiba deve ser encarado com muita seriedade. Estaremos desfalcados. Mas teremos a volta de Guiñazu. Atenção e concentração serão elementos fundamentais para o sucesso do time colorado no Alto da Glória. Principalmente o meio de campo terá que ser disputado palmo a palmo. De preferência, mais pra perto do gol coxa-branca. O Inter não pode adotar uma postura passiva de somente se defender e agüentar a pressão do adversário. Tem que se impor, tocar a bola e agredir. Agredindo, tenho certeza de que o time colorado fará no mínimo um gol. E, fazendo esse gol, obriga o time paranaense a fazer no mínimo três, sem poder levar mais nenhum, o que, convenhamos, é pouco provável.
Jogando em alta rotação no Couto Pereira, o Inter se classificará para a final da Copa do Brasil. E, pelo andar da carroça, poderá acertar velhas contas com o Corinthians. Nós colorados estamos espumando pela boca de vontade de pegar o campeão-brasileiro-que-na-verdade-foi-vice-e-só-ganhou-anulando-dez-jogos-de-um-só-campeonato. Ah, como estamos...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Duelo centenário

Inter e Coritiba iniciam hoje o duelo centenário, que vale vaga na final da Copa do Brasil. É um jogo cercado de expectativas. Pela primeira vez nesta edição da competição, o colorado jogará sua primeira partida no Gigante. Por isso, é fundamental que faça a lição de casa bem feita.
O Inter tem que se impor desde o início, o jogo inteiro, até seu final. Além disso, é de grande valia não tomar gol em casa. A bela fase de Lauro faz ter muitas esperanças sobre isso. O desfalque do Cholo Loco preocupa. E aí está um defeitinho desse elenco do Inter. Não temos um bom segundo volante reserva. Ou temos primeiros volantes, ou meias, como Andrezinho e Giuliano. Tite optou pelo meia Andrezinho. Boa sorte a ele.
Que hoje o Inter conquiste uma grande vitória sobre o coxa. Time pra isso, temos. Mas depende mais do que meramente de qualidade técnica. Precisa de postura vencedora. Precisa de coração, acima de tudo. O Beira-Rio lotará novamente, e empurrará o Inter para o ataque. Se der, que o Inter já mate o confronto de primeira, para não passarmos sustos em Curitiba. O Inter pode se impor. Pode ganhar bem. Sabendo disso, fico ansioso. O jeito é esperar...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Monstro

Estava lendo o caso de um tio que matou a sobrinha com uma paulada na cabeça, no interior do Pernambuco, depois de brigar com a irmã. Detalhe: a sobrinha tinha 6 meses. Que tipo de monstro é capaz de fazer uma coisa dessas? Os relatos são de que o calhorda estava embriagado. Mesmo assim, tal monstruosidade não se justifica sob hipótese alguma.
Esse tipo de gente, assim como os estupradores, deve tomar uma camaçada de pau. Mas, assim, daquelas pra nunca mais esquecer. O que passa na cabeça de um imbecil desses, mesmo bêbado, pra dar uma paulada na cabeça de um bebê? Não consigo conceber tal tipo de atitude. Jamais conseguirei conceber. Quer se resolver, se resolve com a irmã, que não sei o que de tão grave fez para proporcionar tal reação. Mas não envolva a vida inocente de um bebê que não tinha nada a ver com a história.
Tomara que esse idiota apodreça na cadeia. Tomara que seja a mulherzinha da cela. Sei, não é politicamente correto dizer isso. Mas é o mínimo que ele merece. O mínimo. Um sujeito desses nem sequer pode ser chamado de ser humano. Não passa de um lixo. Um escroto. Um bosta. Que a verdadeira justiça seja feita. Seja do jeito que for.

domingo, 24 de maio de 2009

Vitória fundamental

O Inter conquistou ontem, em Goiânia, uma vitória fundamental para sua campanha no Brasileirão e para o seu atual momento como time. Na campanha, maravilhosa por nos colocar na liderança isolada. À meia-bomba, jogando praticamente com reservas, o colorado está intocável na ponta da tabela. Inclusive abrindo, por exemplo, cinco pontos de diferença para o Corinthians, potencial candidato ao título. Para o atual momento, a vitória é importantíssima à medida que afirma o grupo do Inter como um grande elenco de jogadores. O resultado obtido no Serra Dourada comprova a qualidade desses atletas, e muitos deles podem vir a ser fundamentais na campanha do alvirrubro gaúcho na reta final da Copa do Brasil. O Inter mistão foi maduro.
No jogo de ontem, a defesa de novo saiu-se muito bem. Destaque para Lauro, que fez mais um milagre, e para Sorondo. Ah, Sorondo! Esse cara não é um zagueiro. Ele é uma entidade que se sobrepuja aos ataques adversários. Não perde uma bola aérea. Zagueiraço. Marcelo Cordeiro não marca nem horário no dentista. Mas apóia muito, e com sua qualidade, fez o cruzamento milimétrico para o gol de Taison. No meio, Glaydson foi bem, Guiñazu foi Guiñazu, Andrezinho foi discretíssimo, e Magrão não jogou nada. No ataque, tivemos duas atuações bastante fracas, de Giuliano e Alecsandro. Mas os dois jogaram em funções com as quais não tem familliaridade. Giuliano não é atacante de jeito nenhum. Não sabe jogar de costas pro gol. Foi sacrificado, e como seria de se esperar, jogou mal. Alecsandro, centroavante de carteirinha, teve que sair demais, puxar contra-ataques. Essa não é a forma de Alecsandro jogar. Nem velocidade pra isso ele tem. Taison entrou e destroçou o adversário. Como prêmio, fez o gol da vitória de cabeça.
O Inter está fazendo tudo certinho. Ganhando tudo que é jogo do Campeonato Brasileiro e avançando decididamente na Copa do Brasil. Pelo Brasileirão, no próximo fim de semana, pegará o Avaí no Gigante. É jogo pra ganhar e disparar de vez na liderança do certame nacional. E no meio da semana, jogão de fortes emoções no Beira-Rio, no duelo de centenários contra o coxa. É semana para se colocar de vez nos trilhos de dois títulos nacionais. Preparemo-nos. O Gigante vai rugir!

sábado, 23 de maio de 2009

Mistão e coincidências titeanas

O Inter vai de novo a campo com seu mistão, dessa vez em Goiânia, para enfrentar o Goiás. Ainda me causa certo desconforto essa situação. Afinal, o time é líder do Brasileirão. E não pode arriscar-se a perder tal posição. Entretanto, o fato é que estamos nas cabeças na Copa do Brasil. Pode ser difícil de tragar essa priorização. Mas ela tem uma lógica. E também, depois do último domingo, é inegável que a confiança nos reservas colorados aumentou. Ganharam do Palmeiras no Beira-Rio. Vamos ver o comportamento desse time fora do Gigante. O que resta é torcer, fervorosamente, para que o nosso mistão se supere e arranque uma vitória sobre o sempre perigoso time do Goiás. E que siga embaladaço na Copa do Brasil.
Aliás, eu estava pensando na campanha do Inter na atual Copa do Brasil, e lembrando da campanha do Grêmio do mesmo Tite na Copa do Brasil de 2001, na qual o tricolor da Azenha fora campeão, com méritos. E há coincidências impressionantes. Vamos a elas? Em 2001 o Grêmio eliminou um time do Recife, o Santa Cruz, durante as três primeiras fases. O Inter, esse ano, eliminou um time de Recife, o Náutico, também durante as três primeiras fases. Em 2001, o time de Tite eliminou um carioca, o Fluminense, ganhando por um gol de diferença no Olímpico e empatando em zero no Maracanã. Esse ano, o colorado eliminou o carioca Flamengo com um empate no Maracanã e uma vitória por um gol de diferença em Porto Alegre. O capitão da equipe gremista em 2001 era o canhoto Zinho. O capitão colorado é o também canhoto Guiñazu. Tite tinha como amuleto no último título de Copa do Brasil do Grêmio um velocista, Luis Mário. Hoje, o amuleto colorado é o também velocíssimo Taison. E por fim, as duas coincidências derradeiras. Em 2001, o Grêmio de Tite enfrentou quem mesmo nas semifinais? Sim sim salabim, o mesmíssimo Coritiba que o Inter confrontará na próxima semana, iniciando o mata-mata no Olímpico e decidindo no Couto Pereira, a exemplo do colorado. E a final do Grêmio, contra quem foi? Foi contra o Sport Club Corinthians Paulista, o mesmo que é favoritaço a chegar à final na chave oposta à do Inter.
Pode ser pensamento mágico. Pode ser um apelo ao misticismo. Mas o fato é que há uma série impressionante de coincidências entre aquele Grêmio de Tite e esse Inter de Tite. Pode ser um bom sinal, no mínimo. Que assim seja, e mais uma taça seja somada à nossa infindável coleção.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A direita me enoja

A direita é das coisas mais nojentas que existem em termos de política, pelo menos pra mim. Ela é hipócrita até o último fio de cabelo. Atocha o povo com discurso de defesa dos fracos e oprimidos. Entretanto, opera apenas no sentido de satisfazer a vontade louca de acumulação de uma elite dominante que está cagando para qualquer coisa que ultrapasse os portões de suas "propriedades". Recebi um e-mail contra Dilma Roussef, baseado em sua ficha policial dos tempos da ditadura. Sabe aquela coisa de "comunista comedor de criancinha"? Mais ou menos isso. Sim, quando se está num período revolucionário, dentro de uma praxis revolucionária, assaltar, sequestrar e até mesmo matar fazem parte do jogo. É uma covardia agora esse discursinho moralista de extrema direita de que "Dilma era terrorista e assaltante". Imagine: você está sendo engolido por uma ditadura, e está num movimento que é diametralmente oposto ao que se está impondo. Como sustentar esse movimento num regime de autoritarismo, em que você é um ente ilegal e permanentemente perseguido? Vai ver, os esquerdistas tinham que ir ao Palácio do Planalto pedir um emprestimozinho para o movimento...
E mais: porque não se fala de tudo que os "defensores da ordem" no período ditatorial fizeram? Porque os mesmos que enchem a boca para chamar Dilma de terrorista não falam das barbaridades que se cometia contra quem tinha pensamentos políticos diferentes do poder instituído? A ditadura torturava e estuprava. Mas daí tudo bem. Era pra defender, afinal, os interesses de uma elite. Viva a tradição, família e propriedade!
A direita me dá náuseas. Ataca covardemente, sem pudor algum, em nome de seus interesses. A direita quer manter-se sempre como defensora dos pobres, desde que os pobres mantenham-se exatamente assim, pobres e subordinados. Vem bancar os bonzinhos e democratas quando são filhotinhos amamentados à base de todo tipo de abuso cometido sobre quem apenas defendia uma sociedade mais livre e socialmente justa.
A direita se disfarça cinicamente. Deixa as barbaridades que não diz em público para os anônimos espalharem internets a fora. E vai, assim, procurando dominar, subliminarmente, o inconsciente coletivo. A direita nunca transformará nada para melhorar a vida dos pobres. Infelizmente, grande parte da população ainda se engana com discursos bonitos, que escondem dentro de si um ultraconservadorismo que só serve exatamente para... conservar! Conservar a miséria, a pobreza e a exclusão social? É isso mesmo que você quer? É isso que está na agenda do dia para você? Pense bem.
Não acho o atual PT a oitava maravilha do mundo. Mas, pelo menos, temos hoje um governo minimamente preocupado com os setores mais pobres. Pode-se discutir o método, mas a intenção de melhorar a vida do povo é bastante clara e louvável. E isso arrepia a penugem da direita. Eles se coçam todos, até ficarem em carne viva. E olha que o atual governo não chega a ser, digamos, nada muito revolucionário. Mas já incomoda a direita asquerosa desse país. E, se incomoda a direita, tenha certeza, é um sinal positivo para o povo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Esse time é foda

Desculpem-me o termo. Mas esse atual time do Inter é foda. Não encontrei outro termo, outra forma de tratamento que melhor defina esse elenco de jogadores. Foda é a única palavra que contempla o que é esse plantel. Plantel que parece desconhecer os limites do futebol. Plantel que busca todas as vitórias, incessantemente. Plantel que não cansa de conquistar vitórias verdadeiramente épicas.
O jogo de hoje foi sensacional. Partidaço entre dois grandes times. Mas o Inter é melhor. Muito melhor, diga-se de passagem. O juiz fez péssima arbitragem. Deixou de marcar pênalti em Nilmar. Não expulsou Airton, em sua tentativa de assassinato sobre o mesmo Nilmar. E o Flamengo foi bravo, foi forte, valorizou a vitória colorada. E, quando tudo parecia perdido, entra Andrezinho. Não, ele não entrou pra marcar. Ele não entrou pra articular jogadas. Ele entrou somente pra fazer o gol. Estava escrito nas estrelas. Salve Andrezinho. Talismã colorado em jogos desse calibre. Há cerca de um ano, esse mesmo neguinho de coxa colada era a principal figura da partida na não menos épica vitória sobre o Paraná, na Copa do Brasil do ano passado.
E o que foi a torcida colorada depois do gol rubro-negro? De arrepiar. Não existe nada sequer parecido com essa torcida, em lugar nenhum desse mundo. A torcida colorada é única. E foi exatamente o que eu disse ontem: composta por cinquenta mil Guiñazus, que no momento de maior dificuldade, lutou junto e não desistiu da vitória. A torcida do Inter está de parabéns. O time do Inter, essa equipe espetacular, técnica, veloz, de futebol vistoso, mas acima de tudo raçuda, de saco roxo, composta por jogadores que realmente vestem a camisa com um engajamento inigualável, é um fenômeno sobrenatural. Ela acaba vencendo, aconteça o que acontecer, ganhe cada história a tonalidade que ganhar. Tal qual o Esquadrão Relâmpago Changeman, tal qual os Cavaleiros do Zodíaco, esse time, de um jeito ou de outro, acaba vencendo. O final é feliz. E, para o Inter, se não é feliz, é porque ainda não chegou o final (sei, é clichê, mas é o que me vem à mente). Como no ano passado, em que nos entristecemos com fracassos nas competições nacionais para terminarmos o ano consagrados como Campeões da América. Esse time acaba se sobrepondo a tudo e a todos.
A colônia flamenguista de Porto Alegre, talvez por ainda desconhecer a força desse time colorado, soltou foguetes e gritou pelas ruas. Desavisados eles. Ou inconsequentes. Mas, para esses flamenguistas, que, creio, devem ter saído de cavernas espalhadas pelas cidade, uma vez que eu realmente não sabia que tantos deles havia em Porto Alegre, fica a lição de vida: nunca, jamais, sob circuntância nenhuma, duvide do Inter. Por um simples, cristalino e inelutável motivo: esse time é foda.

Eletrizante

O duelo marcado para o Gigante da Beira-Rio hoje, às 21:50h, será eletrizante. Não há a menor dúvida. O jogo entre Inter e Flamengo começará com uma leve vantagem rubro-negra. O time da Gávea possui qualquer empate com gols a seu favor. E, convenhamos, um empate entre Inter e Flamengo não soa nem um pouco absurdo. O Inter terá a seu lado a sua apaixonada torcida, que lotará as dependências do Gigante. E todos nós sabemos do que essa torcida é capaz.
Dentro de campo, o colorado terá que fazer uma partida de entrega absoluta e atenção máxima. Não vai ser mamãozinho com açúcar. Não mesmo. O time flameguista é muito forte, possui um meio-campo de respeito, e dois laterais que apóiam de forma mortífera. E a partida de hoje será um teste para todos os torcedores colorados no quesito miocárdio & coronárias. Mesmo nos momentos em que o Inter estiver ganhando, é uma bola cruzada, um cabeceio, um segundo de erro no bote de um defensor qualquer e babau. Já era. Ferrou. Por isso que essas partidas de mata-mata tem essa carga violenta de dramaticidade.
Mas uma certeza eu tenho: o jogo de hoje não é um jogo de onze contra onze. O jogo de hoje é um jogo de 50.011 X 11. Cada torcedor no estádio será mais que um expectador. Vai ser um jogador. Vai encarnar um Guinazu. Suará. Pulará. Gritará até acabar com suas cordas vocais. E não desistirá. Do primeiro ao último minuto estará do lado do Inter, do jeito que for, lutando junto e fraternamente pela vitória colorada nesta noite histórica. Com essa força, com toda essa energia vindo das arquibancadas do Beira-Rio, parece não haver outro jeito. O Inter vai ganhar.
A nota triste fica por conta do falecimento do conselheiro colorado Clésio Saraiva dos Santos, que prestou muitos serviços de grande importância ao Sport Club Internacional, tendo sido diretor de futebol em 2002 e assessor da presidência em 2004. Condolências aos familiares e amigos deste grande colorado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Maísa e Silvio

Silvio Santos nunca foi uma pessoa rica em bom senso. Já foi um aventureiro candidato à presidência (e o pior é que, se não tivesse tido a candidatura impugnada, ganhava), já colocou o Rambo a competir com o Rambo no mesmo dia e horário num duelo curioso e histórico com a Rede Globo, e é um cara meio, digamos, estranho. Qualquer dia ele acorda com um humor diferente e resolve tirar ou colocar este ou aquele programa do ar, ao seu bel-prazer.
Mas nos últimos tempos o homem do Baú tem se superado. Sílvio Santos é um completo sem noção. Um grande Joselito. O que ele vem fazendo com Maísa é uma violência psicológica absurda e descabida. Até é engraçado ver uma criança chorando. Fato. Mas não é certo. E não é aceitável. Os traumas que podem ser gerados em Maísa são incomensuráveis. Não acredito que ela vá, de fato, ficar afetada: ela mostra-se incrivelmente extrovertida e, digamos, bem-resolvida. Em excesso para uma criança do tamanho dela, inclusive.
Entretanto, o fato de uma criança ter o discernimento que ela parece ter não justifica as atitudes debilóides de Silvio Santos. Qualquer hora ele vai derrubá-la com uma rasteira e ficar rindo alucinadamente, com a guria estabacada no chão.
Já manifestei em outra ocasião, no já longínquo 24 de setembro de 2008, aqui no Dilemas Cotidianos mesmo, que não tenho muita simpatia pelo que Maísa representa para as crianças do Brasil (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2008/09/masa-e-os-padres.html). Agora, está acontecendo o que parecia inevitável: a situação tá degringolando. Silvio Santos e o SBT não acharam limites para a exploração do fenômeno midiático que se tornou a menina, e agora, estão sofrendo um justo bombardeio pela exacerbação de tudo o que se refere à Maísa.
Acima de tudo, Maísa é uma criança. Mais do que um produto, mais do que dinheiro, mais do que uma celebridade alucinógena, Maísa é um pequeno ser humano, que está formando seu caráter e seus valores, que tem vontade de brincar, que sente dor de barriga, e que deve adorar comer um Danette. Não é certo o que está sendo feito com essa criança. Todo mundo aplaudia e achava bonitinho. O resultado agora é esse. E as pessoas parecem ter tido um espasmo de lucidez com os incidentes ocorridos nos dois últimos domingos. Felizmente. E Silvio Santos? Terá ele tido também o seu espasmo de lucidez, com tudo o que está sendo dito? Ou vai ficar mais Joselito do que nunca? Só os próximos domingos dirão.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Reservas

A vitória do time reserva do Inter ontem contra o Palmeiras foi importantíssima. Hoje, o Inter é líder. Sim, porque o Vitória, com todo o respeito, não conta. Portanto, os reservas colorados fizeram bem o serviço. E foi bom também para calar Vanderlei não-sei-ganhar-copas Luxemburgo. Aquele mesmo, da manicure... Pois é, Luxa... Sulamericana é segunda linha , é? E porque vossa senhoria jamais ganhou títulos de segunda linha? Pra ti, meu queridão, só título de terceira linha. Só Brasileirão e Paulistão. E olhe lá.
Sulamericana é título de primeira linha, sim senhor. É título continental. Menos importante que Libertadores, é verdade. Mas mais importante do que qualquer título que o ex-técnico-fracassado-do-Real-Madrid tenha ganho em qualquer dos clubes por que tenha passado. Bem feito. O time de Luxemburgo tomou um tufo dos reservas colorados.
E algumas coisas muito boas saltaram aos olhos na atuação colorada. Danilo Silva, na lateral, é mais ou menos umas mil duzentas e setenta e quatro vezes melhor do que Bolívar. Danny Morais jogou uma belíssima partida, e mostrou ser um baita zagueiro. Marcelo Cordeiro é um reserva à altura para Kleber. Apóia muito bem, e é jogador fundamental no atual elenco colorado. É o tipo de jogador confiável, que mesmo com o titular na seleção, sabemos que vai dar conta do recado. Rosinei está crescendo. Ainda não está nem perto do jogador que foi no Corinthians. Mas seu futebol vem melhorando sensivelmente. E pra finalizar a análise: que atuação do Taison! Jogou demais. Na hora certa. Tivesse jogado mal mais uma vez, e o moleque poderia afundar em uma crise técnica sem precedentes. Bom pro Taison. Bom pro Inter.
E agora o pensamento vai se voltar para a Copa do Brasil. O confronto contra o Flamengo será de arrepiar. É o jogo do ano no Beira-Rio. E quanto ao Brasileirão, bem, tá tudo dando certo. Já começo a imaginar e me arrepiar com a possibilidade de conquistar o Tetra. Só depende do Inter. Parece que agora vai, embora seja muito, muito cedo para se analisar a tabela. Mas o colorado está fazendo o que tem que fazer. Que prossiga nesse caminho, pois então.

domingo, 17 de maio de 2009

Mistão ou não? Eis a questão...

Ainda não há confirmação oficial da escalação colorada que irá a campo para enfrentar o Palmeiras no Beira-Rio. Mas o fato de se ventilar time misto ou reserva soa perto do absurdo. E não acredito que vá acontecer. O Inter tem uma oportunidade ímpar de se manter no bolo da frente nesse início de campeonato. Mantendo-se na ponta da tabela no início da competição, com o andamento da carruagem, o time colorado tende a se distanciar dos demais. Ou da maioria dos demais. E isso não é difícil de se vislumbrar já agora.
Dois times dados por alguns como favoritos, Flamengo e Grêmio, possuem apenas um ponto em duas rodadas. Ou seja, ganhando hoje o Inter já abrirá cinco pontos de vantagem para dois times considerados concorrentes ao título. Além de abrir três no confronto direto com o Palmeiras. Dessa forma, e dado tal cenário, o Inter tem a obrigação de entrar com o que tem de melhor, ganhar do Palmeiras e estabelecer-se de vez como favoritaço ao Brasileirão.
Aliás, dos ditos favoritos, apenas o Cruzeiro e os três da capital paulista considero realmente rivais. O Cruzeiro por ter um time extremamente técnico. O Palmeiras por ter Luxa, um especialista em ganhar o certame, que tem um time acertadinho e dois jogadores diferenciados, Keirrisson e Diego Souza. O Corinthians pela força política e por ter um time realmente bom. E o São Paulo por ter junto com o Inter o melhor elenco do Brasil, além de sua força natural em competições de pontos corridos.
Grêmio e Flamengo, os outros "candidatos", não vejo com essa bola toda. O Flamengo não consegue usar o Maracanã como arma a seu favor, e tem um ataque ridículo. Tudo bem, o Adriano quero-voltar-pra-minha-comunidade Imperador pode resolver. Se estiver a fim de realmente jogar bola. Porque, se, pelo contrário, ele quiser só mamar nas tetas flamenguistas (e da Dani Bolina), o rubro-negro carioca tá fufu... O Grêmio, por sua vez, tem toda a atual fama e badalação orginadas por uma Libertadores em que enfrentou apenas adversários ridículos, que não passariam de primeira fase de Gauchão. Quando pegou um time medíocre, o Santos, em casa, empatou, com direito a declarações de La Barbie Maxi Lopez, dizendo-se admirada com a "incrível qualidade" do time em que jogam craques como Domingos, Triguinho, além do melhor minicraque do futebol mundial, Madson; quando enfrentou o limitadíssimo Atlético Mineiro fora de casa, perdeu, levando uma saranda no primeiro tempo; e quando pegou um time realmente forte, o Inter, jogou três e perdeu três, inapelavelmente. Em resumo, o retrospecto do Grêmio no ano, contra times de medíocre pra cima é: 5 jogos, 1 empate e 4 derrotas.
Então, povo colorado, dado esse contexto, hoje é dia de ganhar do Palmeiras e se colocar em posição privilegiada na busca pela taça do Campeonato Brasileiro. Vencer o forte time de Luxemburgo exige dedicação absoluta, e rotação máxima do motor alvirrubro. A gana colorada por vitórias tem que continuar, intocada. Essa é a receita do Tetra.

sábado, 16 de maio de 2009

Ratinho

Esses dias resolvi assistir novamente o Programa do Ratinho, que está reestreiando no SBT. Quando era moleque, assistia tal programa, desde os tempos de Record, e gostava! Hoje, vendo o mundo com outros olhos e por outros prismas, levei um choque. Sim, eu sabia que Ratinho era um reacionário conservador de direita. Mas, mesmo assim, ao me deparar com aquilo tudo à minha frente, fiquei assustado.
Primeiramente, porque, de dez coisas que Ratinho fala, onze são merda. Ele começa, aos berros, a soltar um monte de frases tacanhas e de um constrangedor senso comum, de um determinismo absurdo e ridículo. Pega tudo o que se estuda, pesquisas, trabalhos, coisa séria feita em termos de estudos da sociedade, faz uma bolinha, amassa e joga no lixo, como se nada fossem perto de seus dogmas bestas. E a plateia delira. Aplaude. Como se ali estivesse um herói das massas. Não passa de um Carlos Massa.
E a hipocrisia? E a cara de pau? Ratinho manipula as pessoas como se delas fosse um defensor. Está ali somente para explorar as suas desgraças e histórias e faturar em cima. E viva o merchandising. E tome ponto no Ibope.
Como é fácil manipular esse povo! O conteúdo apresentado pelo programa do bigodudo é nulo. Engana as pessoas que elas estão informadas. É um efeito Diário Gaúcho. Um Placebo informativo. Esses tipos são perigosos. Alienam a população. Fazem-na dar as mãos ao inimigo. Fazem-na brigar com ela mesma. Fazem-na apedrejar quem é vítima e não vilão. E, quer saber? Hoje em dia nem o Xaropinho tem mais graça...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Carinhosa"

Estou eu olhando o site Globo.com e me deparo com uma reportagem falando sobre os cumprimentos "carinhosos" de Carolina Dieckmann junto a seus amigos: com um beijo na boca. É impressão minha ou o mundo tá acabando? Beijo na boca é mais do que pura e simples amizade. Pode não ser o compromisso de um amor eterno. Mas tem um significado que vai além da amizade. Ou não? Vai ver, tô louco...
E, se realmente há esse tipo de tratamento, para o mundo que eu quero descer (nossa, o fim do acento diferencial é feio pra caramba, ridículo, mas, paciência...). O que é parâmetro, então, para relação homem-mulher? Qualquer hora dessas, vai ter mulher recebendo os amigos com um boquetezinho na porta. Sabe como é, carinho de amigo, coisa sem maldade... Dependendo do grau de intimidade com os amigos, pode rolar até uma penetração vaginal ou anal. Mas tudo com muita amizade...
Algumas libertinagens dos dias de hoje são "meio completamente nojentas". É a cultura mtvística. Não entendam isso como um discurso reacionário ou conservador. Mas algumas coisas tem de ser conservadas. Alguns elementos são delimitadores. Beijo na boca sempre foi uma referência. É verdade, veio se diluindo e perdendo significado com o tempo. Mesmo assim, não pode passar do limite amigo x mais-que-amigo. Que coisa mais louca, afinal! É a perda absoluta de parâmetros e padrões, que são absolutamente necessários.
Os atos entre as pessoas, os gestos, tudo isso não é uma banalidade. É a partir de tais atos e gestos que as pessoas fazem suas sinalizações, umas para as outras. Se se perde isso, perde-se toda e qualquer organização mental, perde-se toda a capacidade de se tomar uma atitude minimamente coerente. É como se o governo decidisse, de uma hora pra outra, que de vez em quando o sinal verde quer dizer "pare", outras vezes quer dizer "siga"; que o sinal vermelho pode significar "atenção" ou "siga" ou até mesmo, quem diria, "pare"! É o caos completo e absoluto. As relações humanas, afinal, são cada vez mais caóticas e absurdas. Viva o desregramento doentio de uma sociedade em que vale tudo! E, contrariando o jogador e filósofo Gil, vale tudo, INCLUSIVE dar o cu. Eu, felizmente, tô fora dessa... Prefiro continuar sendo um quadradão, daqueles do tempo em que chamar mulher de cachorra era ofensa...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Valeu

O Inter empatou no Maracanã com o Flamengo. Esperava muito mais do Inter. Entretanto, o time colorado entrou em campo com uma proposta de jogo defensiva. Entrou para segurar o Flamengo e tentar uma estocada ou outra no ataque. Dentro dessa proposta, a equipe comandada por Tite foi bem-sucedida. No geral, há pontos negativos e pontos positivos a serem ressaltados.
Do ponto de vista negativo, fica, primeiramente, a postura colorada em campo. Talvez o time do Inter tenha tido um surto de humildade descabida, e, como quem não sabe do que é capaz de fazer, praticamente abdicou do ataque. Taison preocupa. De novo, jogou um pouco menos do que nada. Isso prova que esse jogador ainda não merece o rótulo de fora-de-série. Foras-de-série, na atual equipe do Inter, apenas D'alessandro e Nilmar. Taison ainda terá de comer uns bons pratos de feijão pra alcançar esse patamar.
De positivo, inevitavelmente tenho que ressaltar Lauro. Jogou demais, saiu providencialmente do gol diversas vezes, e fez uma defesa monumental, incrível, miraculosa, em chute de Ronaldo Angelim, no primeiro tempo. Bolívar defensivamente jogou muito bem, dentro de suas limitações para a lateral. A dupla de zaga foi bem, embora Álvaro tenha cometido faltas em excesso. Guiñazu foi o monstro de sempre. Que espetáculo de jogador. E Sandro provou que joga demais. É um volante de extrema qualidade. Como joga bola esse Sandro!
O resultado em si, quando considera-se o regulamento, foi ruim. Empate agora, grosso modo, é flamenguista. O Inter fica obrigado a ganhar no Gigante. Qualquer gol que tomarmos no Beira-Rio criará um Deus-nos-acuda. É o risco e a opção de Tite repercutindo na partida da volta. Tomara que o nosso treinador tenha sido sábio ao armar um time que não buscou gols fora de casa. Tomara.

No ônibus

Estava eu num desses ônibus matinais, lá pelas sete e pouca da manhã. A condução estava relativamente cheia. Eu estava de pé. A certa altura do itinerário, o ônibus começou a dar aquela esvaziada natural. O banco à minha esquerda vagava um lugar. E eu esperei, civilizadamente, até que as pessoas redesenhassem seus postos, para que a mulher que levantava daquele banco pudesse se posicionar para descer do veículo. Eis que, na fração de segundos em que aquele espaço se abria, um cara, vupt, tomou o lugar que seria meu. Ele viu que não gostei da atitude, e , já sentado, olhou rapidamente para mim, meio constrangido.
Ser bem-educado, ser gentil, são maneiras de agir cada vez mais fora de moda. O que acaba prevalecendo são aqueles que acotovelam mais, que são mais caras-de-pau e descarados. No ônibus e na vida. Quem acaba se dando bem é aquele tipo de sujeito que disputa a tapas e chutes um lugar no coletivo com velhinhas e pessoas de muleta, ou que se atravessa despudoradamente em qualquer espaço que seja, desconsiderando tudo e todos.
A malandragem acaba por prevalecer. Infelizmente. Na tal modernidade líquida, toda e qualquer ética, todo e qualquer respeito ao espaço do próximo, também se diluem. Muitas vezes acabamos, para não perder tanto terreno, no ônibus e na vida, mais na vida do que no ônibus, violentando nosso próprio modo de ser e nossa própria estrutura de valores. É quase uma questão de sobrevivência.
Entretanto, cerca de um minuto depois, abriu um novo lugar, mais à frente. Na janelinha! E assim se deu o resto da viagem. Confortavelmente. Talvez bons modos ainda tenham algo de útil. Assim como no ônibus, talvez na vida também se dê esse tipo de coisa. Talvez, mais cedo ou mais tarde, chegue o lugar na janelinha. E aí, o restante da viagem pode acabar até valendo mais a pena, com mais comodidade, tranquilidade, e a consciência de que fizemos aquilo que achávamos certo. Bem melhor assim. No ônibus e na vida.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Graúna e Imperial

Era uma vez dois times de futebol de uma rua no bairro de Passo das Almas, em alguma cidade brasileira. Eram dois times de futebol amador. O primeiro, fundado cerca de seis meses antes, chamava-se Graúna; o segundo, Imperial. Cada um ficava de um lado da rua Dorotéia. Desde a primeira partida entre os dois, sempre nutriram grande rivalidade. Disputavam os torneios de vizinhos da rua ferrenhamente. Tornaram-se as duas grandes potências da rua Dorotéia, tornaram-se hegemônicos naquela rua, naquele pedaço de chão.
O primeiro a dar passos maiores foi o Imperial. Conquistou o tricampeonato do bairro! Do bairro! Ah, foi uma transcendência sem precedentes. Poucos anos passaram, e o Graúna equilibrou a situação em termos de conquistas. Levou um Campeonato do Passo das Almas, e logo depois, conquistou o Campeonato da Cidade e o Campeonato Estadual. A partir dali, ocorreram tempos gloriosos do Graúna. Alguns anos depois, o Graúna ganhou ainda mais um Campeonato do Bairro e um Campeonato da Cidade.
A tais conquistas, somou-se um egocentrismo e uma arrogância jamais vistos em todo o bairro Passo das Almas, por parte dos graunenses. Passaram a se achar maiores que o Imperial. Passaram a se achar o maior time do estado. Arrotavam superioridade, por aqui e por lá. E os torcedores do Imperial sofriam calados. Foram frios e tristes aqueles anos, em que o time fracassava não poucas vezes até mesmo nos torneiozinhos da rua Dorotéia. Até um time de gurizinhos, que jamais ganhou nada na vida, chamado Jibóia, passou a "se criar" em cima do Imperial.
Alguma coisa haveria de ser feita para reerguer o Imperial. Um cara chamado Fábio Conceição assumiu o time, sua gestão, com o intuito de reaver a auto-estima perdida. E, aos poucos, com Fábio Conceição em seu comando, o Imperial retomou a hegemonia, primeiro em sua rua. Voltou a conquistar o torneio da rua Dorotéia em sequência. Importante começo. Depois, o time foi roubado num Campeonato do Bairro. Um absurdo! Um dirigente da Associação de Moradores resolveu, do nada, anular um monte de jogo daquela competição, graças a uma acusação de que Seu Pedro, que apitava os jogos, teria recebido algumas cervejas para manipular um ou outro jogo. Tal manipulação não foi verificada com maior profundidade, e simplisticamente, anulou-se aquela penca de jogos. E, na balada normal do campeonato, o Imperial teria sido tetracampeão do bairro. Não foi o que aconteceu, e o Camelos conquistou o Campeonato de Passo das Almas.
Mas o vice-campeonato do bairro rendeu ao Imperial, pelo menos, a chance de participar do Campeonato da Cidade, que o time jamais havia ganho. O Graúna já havia ganho duas vezes tal competição. Era importante, pois, o Imperial lutar por aquela conquista. E assim foi. O Imperial conquistou o Campeonato da Cidade. No mesmo ano, então, jogou o estadual. E ganhou também! Era a redenção do Imperial, que passou a conquistar todos os títulos que disputava. Tornou-se o primeiro time de Passo das Almas a ser campeão de todos os títulos existentes no futebol amador. Os graunenses apenas observavam, recalcados. Ver o Imperial dar volta olímpica atrás de volta olímpica violentava a megalomania graunense.
Hoje em dia, dizem que o Imperial está com um belíssimo time. Conquistou o título da rua goleando a todos, e fiquei sabendo que está com tudo para ganhar mais um Campeonato do Bairro. O Graúna, parece que está disputando, com um time bem mais ou menos, o Campeonato da Cidade. Dizem que esse é o grande alimento moral dos graunenses: jogar o Campeonato da Cidade. Uma coisa meio propaganda de pomada: o importante é participar. Um amigo meu de Passo das Almas me relatou que os graunenses apegaram-se a um mundo paralelo. Criaram mitos do tipo de que nunca falecem, ou coisa parecida. Continuam afirmando-se os reis da cocada preta por aquelas bandas. Mas apenas, na prática, na realidade, observam, desdenhosamente, e chorando por dentro, o sucesso do Imperial. Melancólicos dias vivem os graunenses... Tadinhos...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A obra de Nilmar

Era uma tarde de domingo normal, mais uma estreia de dois grandes clubes em mais um Campeonato Brasileiro. Inter e Corinthians, frente a frente, mediriam forças. E hoje essa coluna simplesmente se destinaria a traçar alguns comentários a respeito da partida de ontem, partida importante, busca de um objetivo prioritário na temporada colorada, mas um jogo normal. Algumas coisas seriam certamente abordadas. Mas nenhuma delas prevalece. Absolutamente nada que se diga é sobressalente a um fato, a onze segundos pertencentes àquele jogo de 90 minutos. Taison fez uma partida ridícula? Guiñazu e Magrão foram muito menos do que costumam ser no meio-de-campo colorado? A dupla de zaga foi segura? Bolívar provou não ser nem sombra do que o Inter precisa para a sua lateral direita para o certame? Desculpem-me, mas nada disso merece um tratamento depois daqueles onze segundos mágicos.
Aqueles onze segundos em que um atacante franzino pega uma pelota, domina, e vai passando, a dribles, por praticamente um time inteiro, são eternos. Nilmar fez história. Fez aquele que provavelmente tenha sido o gol mais bonito de toda a centenária existência do Inter. Diante de nossos olhos, vimos uma obra-prima. Um gol quase sobrenatural. Um quadro. A perfeição absoluta do jogo de futebol. Sim, porque ao contrário do que alguns apregoam, futebol é mais do que botinada, bico e carrinho. Esses componentes são componentes de competição, e, afinal, todos queremos um time competitivo, vencedor. Mas a essência do futebol transcende a mera competitividade.
O gol de Nilmar ultrapassa a barreira do simples ganhar e perder. É uma peça rara, que deve simplesmente ser apreciada em si mesma, e por si mesma. É a síntese de tudo o que deve caracterizar os craques, num só lance. A velocidade ultrassônica de um atacante que destrói todo um time rival em poucos segundos. A habilidade de quem dribla sete jogadores corintianos com a simplicidade de quem joga uma pelada na pracinha. A força de quem passou por trombadas e botinadas e mantém-se de pé, driblando, brincando de jogar bola. A técnica de quem, depois de tudo isso, finaliza com a perfeição e a beleza de um balé do Lago dos Cisnes de Tchaikovski, num toque leve, preciso, cirúrgico, colocando carinhosamente a querida de couro no único espaço que poderia haver entre toda a impulsão e esticar de mãos do goleiro adversário e a trave esquerda daquela goleira do Pacaembu.
Eis a obra de Nilmar, tudo que a compõe, e o significado que carrega consigo. Não vi Da Vinci pintar a Mona Lisa ou A Última Ceia. Não vi Michelangelo com sua sensibilidade retratar A Criação do Homem na Capela Sisitina. Não presenciei Beethoven compondo sua Quinta Sinfonia. Não estive perto Kafka quando este escrevia A Metamorfose. Mas estive em frente à televisão enquanto Nilmar fazia aquele gol na tarde do dia 10 de maio de 2009, aos nove minutos daquele Inter e Corinthians. Eu vi aquilo que será lembrado para todo o sempre, junto com tudo de mais belo que o ser humano é capaz de produzir.

domingo, 10 de maio de 2009

Mãe colorada, Inter, Corinthians, e Brasileirão

Minha mãe é coloradaça. Fanática. Não entende bulhufas de futebol. Mas é colorada. Muitas vezes deixa de acompanhar jogos do Inter pra fazer as unhas ou retocar os cabelos. Coisas de mulher. Mas é, acima de tudo, colorada. Daquelas que, quando vão ao Gigante, passam o jogo aos berros, agudos, meio irritantes, entretanto sempre apaixonados.
Um bom presente pra ela pode vir de São Paulo, capital. Mais especificamente do estádio Pacaembu. Aquele mesmo, que há cerca de quatro anos atrás viu Tinga sofrer o pênalti mais pênalti da história do futebol mundial, e, talvez por sofrer o pênalti mais pênalti da história do futebol mundial, ser expulso por Márcio Resende, em um campeonato que teve uma penca de jogos anulados (jogos anulados que, por coincidência, o Corinthians não havia ganho, e que o Inter havia ganho).
De lá para cá, o mundo deu algumas voltas. O Inter conquistou tudo. O Corinthians foi rebaixado e voltou. E Márcio Resende foi contratado pela Rede Globo para ser comentarista de arbitragem.
E hoje, alvirrubros e alvinegros voltam a compartilhar o mesmo campo gramado. Os dois, como os maiores favoritos à glória do desporto nacional. O time do Corinthians é bom, embora vá a campo desfalcado. Possui bons valores e muito poder político. Importantes armas para a conquista de um título brasileiro. Mas o Inter é mais time. Tem mais valores individuais. Tem uma mecânica de jogo que vem encantando torcida e crítica dia após dia. Menos a crítica com tonalidades azuladas das bandas pampeanas.
Esse campeonato tem tudo pra pegar fogo. E podem os adversários vir quentes, que o Inter tá fervendo. Avante Guiñazu, Nilmar, D'ale, Taison, Índio e Magrão: hoje começa a consagração definitiva da época mais vencedora da história do Sport Club Internacional. Dêem essa vitória de presente para a dona Sonia, e para todas as mães coloradas destas plagas. Por favor!

sábado, 9 de maio de 2009

Celebridades e celulares

Como falam ao celular essas celebridades! Sempre (ou quase sempre) que esses figurões são clicados em supostos "flagrantes" estão com seus celulares à altura dos ouvidos. Impressionante! O celular destas pessoas, logicamente, é mais requerido do que o dos reles mortais, sem dúvida. Mas, em alguns casos, é demais. Via uma foto de Adriano Imperador com Dani Bolina fazendo compras. Ali, aparecem os dois ao mesmo tempo, falando em seus respectivos celulares. Haja tecnologia! Que balaca, hein?
E as celebridades brasileiras tendem a ser um pouco mais patéticas. Isso é um fato. Talvez sejam celebridades erradas porque nesse país os valores são um tanto avessos. Aqui, valoriza-se o cara que abandona emprego, o cara que sai com travecos, a mulher que balança o rabo da forma mais agressiva, ou aquelas pessoas que fazem mais sucesso em shows de realidade inúteis e vazios. Cérebro é um apetrecho dispensável pelas bandas tupiniquins. Ninguém precisa dele para sobreviver ou fazer sucesso. Ninguém precisa dele para ser reconhecido. Não que no resto do mundo o panorama seja tão diferente. Mas costumam lá as celebridades geralmente tem algum talento. Mínimo que seja.
O Brasil é o país do surreal. É o país da Luciana Gimenez, do Gugu, do Faustão, do Adriano não-quero-mais-trabalhar Imperador, da Mulher Filé, da Mulher Moranguinho, e porque não da Mulher Banana (é ou não é, dentuço?). Como diria o agora punk-pentecostal Rodolfo: tv a rabo aqui só no botão. E sempre com o celular na mão...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Amigos

A vida não é rigorosamente nada sem os nossos amigos. Aqueles, que tomam aquela ceva,no boteco, com quem confidenciamos nossas insanidades, para quem contamos aquelas piadas surradas. Ah, os amigos! Eles são fundamentais, são uma espécie de sustentáculo de nossas vidas.
O fato é que, mesmo estando longe, ou parecendo distanciados pelo tempo, pela geografia, pelas circunstâncias que movem cada um para um lado diferente, estão juntos. São uma presença constante. São o nosso SOS. Aqueles que sabemos que, quando estivermos na pior, no fundo do poço, estarão lá, com a mão estendida, para nos erguer e fazer tudo de bom que existe dentro da gente florescer novamente.
Precisamos de amigos, precisamos da estrutura que a sua simples existência oferece à vida. Só o fato de saber que estes seres humanos existem já serve para dar força, para superarmos tudo que venha destinado a nos patrolar e nos liquidar. Uma porcentagem grandiosa do nosso poder de ação e de reação vem dessas pessoas especiais, que conferem certa graça e sentido à vida.
Ontem estive com alguns grandes amigos da faculdade celebrando o aniversário de uma amiga, e foi ótimo, realmente é emocionante constatar que existem vidas para as quais as nossas vidas são importantes. A vida deles também é importante demais para mim, diria que fundamental. Sempre estaremos juntos, de uma maneira ou de outra. Tudo que vivemos juntos brilha e possibilita toda a vitalidade que encontro em meu corpo e em meu coração para continuar. Agradeço a todos os meus amigos: muito obrigado por terem nascido, vocês são foda!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A lacuna nacional

Hoje à noite o Inter entrará em campo, jogará, provavelmente goleará o Náutico, e se classificará para as quartas-de-final da Copa do Brasil. O script está pronto. É só colocar em prática. O jogo de hoje é daqueles cujo destino nem mesmo um imenso terremoto pode mudar. O Inter vai passar, fazendo um treino de luxo. O Beira-Rio será um suplementar A ou B. Podiam até cobrar um quilo de alimento não perecível. Mas nem por isso o jogo perde o seu interesse.
Ver esse Inter 2009 entrar em campo é sempre algo cercado das mais positivas expectativas. É praticamente garantia de show, de futebol de altíssima qualidade. O atual time do Inter é mágico. Alia a força e a velocidade do futebol moderno com uma qualidade técnica e de passe que parece nada deve ao Inter da década de 70. Dá prazer em ver a máquina colorada em campo. Somos testemunhas oculares das páginas mais belas da história colorada. Nos últimos anos conquistamos tudo mundo afora. O destino reservou para o centenário os títulos nacionais, sem, claro, esquecer da nossa América e do nosso Japão querido e de tão boas lembranças. Não esqueçamos, há Copa Suruga, Recopa e Copa Sulamericana a disputar. São importantes e todos queremos ganhar. Mas há a lacuna da esfera nacional nos últimos anos.
A Copa do Brasil é imprevisível por ser vulnerável a crimes e aberrações futebolísticas de todo o tipo. Mas há enormes chances de conquista, quando se trata do time de todas as copas. E o Brasileirão é a intimidade colorada, é o terreno que o time vermelho adora pisar, é onde iniciou e se consolidou nossa trajetória de grandes títulos nos anos 70. O Brasileirão é uma taça que está engasgada. Há 30 anos não a conquistamos. Aliás, conquistamos sim, há 4 anos, em 2005. Mas fomos surrupiados, roubados, assaltados à mão armada por Zveiter (que Deus o tenha) e companhia limitada. Mas 2009 é o ano do Inter. A estrela colorada brilha mais forte. O Inter tem um time com uma força, uma aura vencedora, como poucas vezes se viu em nossa centenária história. Tem que ser agora. Eu quero que seja agora. A torcida colorada toda quer que seja agora. Os deuses do futebol querem que seja agora. Que sejam feitas as sagradas vontades.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Desculpas

Caminhava eu pela rua, passando por uma escola, quando em uma aula de educação física, a professora dava uma bronca num moleque que havia jogado a bola numa colega. Dizia ela, aos gritos "Pede desculpa pra ela! Pede!" Passei a pensar: isso é realmente eficaz?
Fui criado de uma forma bem peculiar. Minha mãe, quando não conseguia me fazer obedecer algo, em casos extremos, recorria a meu pai, que simplesmente dizia com voz grave e ameaçadora: "Bruno, TU VAI fazer." Confesso, obedecia com o rabinho entre as pernas. Mas, de fato, isso contribui para a educação de uma criança? Tenho minhas dúvidas. Claro, teoria e prática são coisas completamente diferentes. Aqui, falo apenas do ponto de vista do que penso, do que imagino, do que acredito. Não sou pai e não posso, de forma alguma, dar um ponto de vista mais empírico de explicação daquilo que digo.
Acredito que a verdadeira educação tem de ser muito mais didática do que gritos, tons ameaçadores ou cintadas na bunda (observação, por justiça: nunca, nem sequer uma vez na minha vida, apanhei dos meus pais). Educação é interação, é convencimento. Não falo aqui de educação na dimensão do conhecimento; nessa dimensão, tenho sérias restrições a métodos excessivamente interativos. Falo, isso sim, da educação de casa, da educação para a vida. Aí sim, é importante uma interação pais-filhos. Para realmente criar pessoas que façam as coisas certas ou esperáveis, é necessário convencê-las do certo. É indispensável que as crianças achem que o certo é certo.
Aí pergunto: uma professora mandar uma criança pedir desculpas à outra é realmente uma atitude eficaz? Como um paliativo, como algo momentâneo, funciona. A criança pede desculpa, dá dedinho, faz o diabo a quatro. Mas, e na vida? Ela vai julgar com mais exatidão, por exemplo, o ato de agredir a outros? O enfoque passa do ato da agressão para o ato de pedir desculpa. Agrida-se, ora pois. E depois, peça-se deculpas. Não é uma estruturação de pensamento plausível para aquele moleque, que ainda está formando sua personalidade e seu caráter? Bom, fica então a reflexão. Educar por meio de coerção pura, sem permitir à criança uma reflexão sobre seus atos, ou tentar convencê-la do que é certo e do que é errado?
Acredito que é importante a interação e a reflexão da criança. Nessas fases é que os valores mais intrínsecos e de caráter são internalizados. Impedir a construção mental da criança sobre suas atitudes tende a criar um vazio de valores e de formação de personalidade. Isso não quer dizer que uma criança que é criada por meio de coerção vá, necessariamente, ser um mau-caráter, uma pessoa que não sabe diferenciar certo e errado. Seria demasiadamente determinista. Pode-se, sim, a posteriori, formar o sistema de valores das pessoas, embora com dificuldades muito mais difíceis de superar.
No meu caso, formei meus valores sem maiores dificuldades porque as atitudes coercitivas vinham como último recurso: basicamente fui educado, na maior acepção da palavra, pela minha mãe. E esta sim, sempre dialogou bastante e exercitou minhas reflexões acerca de meus atos. Talvez a minha experiência individual, de convivência com os dois métodos, sirva minimamente para dizer que, a longo prazo, o que realmente funciona é a conversa, o obedecer por acreditar, e não o obedecer mecânico. Felizmente o primeiro prevaleceu na minha infância.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Uma semana

Falta praticamente uma semana para a estreia do Inter no Brasileirão 2009. Há no meio da semana o cumprimento de uma formalidade contra o outrora temido por outros times destas plagas Náutico. Depois, o Inter repirará, beberá, comerá Corinthians. Perfeito.
O palco, Pacaembu. Ronaldo em campo. Badalação corintiana. Não haveria jogo mais adequado para a iniciação colorada. Não esquecemos 2005. Ah, não. Na-na-ni-na-não. O Brasil todo estará de olho nesse jogo. Delícia, perfeito para fazer um "crime". O time corintiano é muito bom. Mas o Inter é melhor.
Todos sabem, o papel do Inter é o de estragar a festa, a grande balada que vive o vice-campeão brasileiro moral de 2005. O time colorado, porém, é o mais forte desde a Libertadores 2006. Tecnicamente, é inclusive muito melhor do que aquele. Mas falta provar sua força contra cachorros grandes. Por isso, o teste do próximo domingo é fundamental. Ali, veremos a real força do Inter no certame, embora o resultado passe longe de determinar qualquer destino, seja colorado, seja corintiano. É um jogo no qual o que realmente importa é o lado comportamental. Como o Inter vai se portar fora de casa, com estádio cheio, e contra um adversário parelho? São respostas que só serão dadas no domingo, 16 horas, no estádio do Pacaembu, São Paulo.
Vem aí o grande jogo da rodada. O midiático e pirotécnico Corinthians estará frente a frente com a maquina colorada de fazer gols. Estou confiante. Algo me diz que 2009 será do Inter. Tite montou um time poderoso. Suficientemente poderoso para disputar e ganhar todo e qualquer título que dispute. Pena que falta um lateral direito...

domingo, 3 de maio de 2009

Pelotas

Estou voltando de uma viagem a Pelotas, onde passei o dia, junto com madrinha, tio e primo, o feriadão na casa de meu padrinho. Foi a primeira vez que visitei a cidade. E é um município belíssimo. É um meio-interior. Tem uma dimensão considerável e muitas alternativas. Só fica sem ter o que fazer por lá quem não quer
O centro da cidade é bastante dinâmico. Dá pra se sentir em Porto Alegre. E Pelotas tem tanta vida própria que os torcedores de lá torcem... pelos clubes de lá! O Brasil tem a maior torcida. Se vê muitas camisas do clube. Algumas do Pelotas. Raras do Farroupilha. Visitamos o Bento Freitas, estádio do xavante, e passamos pelos estádios do Pelotas e do Farroupilha. O estádio do Pelotas me pareeu o mais bonito, embora o Bento Freitas também tenha seu charme.
Também merece destaque o Museu da Baronesa, riquíssimo, praticamente uma viagem no tempo, até os tempos da escravidão. Além disso tudo, há a belíssima praia do Laranjal. Água doce e calmíssima, vários quiosques e limpeza são o destaque. O lado negativo são os cinco pilas da ceva. Fomos, além disso ao campus da Ufpel, que tem uma belíssima estrutura e uma área bastante ampla.
Digo que valeu muito a pena. O feriadão foi extremamente bem aproveitado. As baterias estão recarregadas. Fiquei com uma excelente impressão a respeito de Pelotas. Relatada a viagem ao sul do Rio Grande do Sul, volto à minha vida de Porto Alegre, cerveja, trabalho e o adorável caos metropolitano... De Pelotas, boas lembranças e os planos de voltar para mais visitas.