sexta-feira, 24 de abril de 2009

Tempestades e bonanças

Não deixa de ser impressionante verificarmos como a vida é imprevisível, o quanto tudo pode virar, a forma como as marés mudam. Tudo vai da tempestade à bonança, e da bonança à tempestade. O que muda é a duração de um e de outro.
Essa imprevisibilidade não deixa de conferir certa graça à arte de viver. Talvez o que torne os bons momentos, de fato, bons, seja exatamente o fato de provarmos um pouco da tristeza. Só sabemos que o doce é doce quando conhecemos o amargo. E vice-versa.
A beleza da redenção humana reside exatamente na capacidade de superar adversidades e passar por cima de derrotas atordoantes. As alegrias não tem a menor graça quando não possuem parâmetro. É a dádiva da comparabilidade. Entre tudo e com a gente mesmo. E o que há de ruim sempre passa. De um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde, fazemos a nossa cicatrização.
E o ar, quase que do nada, volta a encher os pulmões. O sol volta, sabe-se lá por que, a apresentar um brilho especial, que havíamos perdido em nossa gaveta dos esquecimentos. Não sei exatamente qual o motivo disso. Só sei que estou, neste momento, tomado por um otimismo que beira ao irracional. Uma luz, um cheiro, um som. Não faço idéia do que seja. Mas alguma coisa faz despertar dentro de mim uma esperança e uma vontade de viver e de vencer maravilhosas.
Sinto-me positivamente possuído. Algo de inigualavelmente bom invade o meu ser. E não preciso de explicações para isso. Basta curtir, observar o entorno, e viver, viver, viver. As dores, as angústias, as amarguras, tudo o que tem tornado a vida um caos, é jogado em algum canto. Até quando? Até amanhã? Atè mês que vem? Até daqui a 30 anos? Não sei. Por isso, o sentido prático do meu espírito me diz que não devo pensar nisso. Apenas inflarei o peito e prosseguirei. Simples assim.

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