terça-feira, 21 de abril de 2009

Susan Boyle

O fenômeno que se tornou a aparição do talento de Susan Boyle, uma dona de casa britânica, não muito privilegiada pela natureza no quesito "beleza & outros atributos físicos" não deixa de ser reveladora da superficialidade analítica do ser humano. Afinal de contas, tratava-se de um programa que levava em conta o talento artístico das pessoas.
Ora bolas, a mulher foi ridicularizada ao adentrar o palco. Qual o talento artístico estava em voga, ali? O talento de ter nascido bonita? O talento de fazer cirurgias plásticas ou manter a forma em uma academia? O que, afinal, estava na pauta? Boyle cantou e deu um show. Deixou os imbecis que faziam parte do corpo de jurados boquiabertos. Susan Boyle, afinal, mostrou-se exímia cantora. Onde entra a tal beleza nisso tudo? O que houve de tão absurdo, tão espantoso? Uma mulher, que possui cordas vocais, cantou bem. É isso. Simples assim.
Talvez essa superficialidade de uma sociedade esquizofrênica na busca desenfreada dos atributos físicos dos seres humanos em direção a uma padronização patética e empobrecedora seja o que propicie o verdadeiro lixo cultural que invade nossas televisões, rádios e revistas. Sociedade desumanizadora de sorrisos plásticos e rostos de pedra, como diria Priscila Leone.
O pior disso tudo é que se criou um clima não de pura admiração ao talento de Susan Boyle. Ela virou exemplo de uma espécie de "freak show". Algo como "Nossa, apesar de feia ela canta bem!" Como se uma coisa tivesse algo a ver com a outra. Não há autocrítica da sociedade ao render-se ao talento da britânica. Há, isso sim, reforço da mentalidade dominante. Ao tratar-se tão diferenciadamente o caso de Susan Boyle, engrossa-se o caldo de quem pensa na exceção que confirma a regra. Não há relação de reconhecimento. Há relação de estranheza, de algo que se configura como novo, inesperado, bizarro. Susan Boyle é vista quase como uma aberração. Isso não é bom. É simplesmente lamentável.

Nenhum comentário: