terça-feira, 14 de abril de 2009

Perguntas e respostas

Como seria tudo hoje, se algo, uma fração que fosse da realidade, tivesse sido diferente? Provavelmente seria tudo igual. Mas poderia ser diferente! E quantas e quantas vezes ficamos absolutamente submersos em nossas imaginações? Batemos à porta da paranóia. Talvez tudo pudesse ter sido pior. E por que não foi? Os motivos que evitaram pequenas tragédias não teriam sido tão trágicos quanto?
O exercício mental permanente limita-se a criar conjunturas que criam novas perguntas. São interrogações criando mais interrogações, em proporção geométrica. A ausência de respostas é incômoda. Talvez seja inerente ao ser humano o desejo de ter as soluções para todas as suas perguntas. Queremos sempre a visão ampla de todo o horizonte, à frente, atrás, à direita e à esquerda. Alguns alcançam suas respostas. Contentam-se com soluções mais simplórias e menos complexas.
Sinto-me inquieto. Tento construir minha visão do todo, passo a passo. Mas são tantos os passos que esqueço o caminho da volta. São tantos os passos que me vejo preso, outra vez, à mesma teia. Sinto que a única chance de compreender a minha vida seria se eu pudesse estar em todos os tempos e em todos os lugares. Talvez, nem assim. Talvez a esta fórmula eu devesse agregar a onisciência. Talvez, somente sendo Deus eu poderia criar minha própria razão e meus próprios caminhos.
É penoso para qualquer ser humano estar parado observando um lugar estranho em que nada faz nenhum sentido. Sinto-me assim a quase todo momento. A única coisa que me alivia é saber que há dias excepcionais. Dias em que nada precisa de resposta. Dias em que tudo faz sentido por si mesmo, sem precisar de qualquer explicação que ultrapasse a própria existência. Faz tempo que não tenho um dia desses. Lembro-me do último, um dos poucos grandes dias de minha vida, foi em dezembro, dia 26 eu acho, logo após o natal. De lá para cá, nada. De tão raros que são esses dias, há grande probabilidade de que eu não mais venha a ter um dia desses. Fico, assim, condenado à dolorosa busca por respostas fugidias, que se conectam e desconectam numa velocidade que minha mente não consegue acompanhar. Minhas únicas horas de paz são minhas horas de sono. E olha lá...

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