domingo, 5 de abril de 2009

O meu centenário

4 de abril de 2009. Acordo pela manhã com um objetivo marcado em minha agenda. Ir ao dentista. Sim, era o centenário colorado. Mas o dentista estava marcado. Escovei os dentes, tomei meu banho e saí. Desci do ônibus no centro, já vendo algumas pessoas dispersas com a camisa colorada. Eu também vestia meu manto.
Caminhava pela Andradas, matava tempo pois era muito cedo para a minha consulta. E resolvi ir até a Borges. Lá, vi um grupo de colorados, acho que uns vinte, cantando e rumando à marcha do centenário. Incorporei-me ao movimento. Pensei comigo mesmo "caminho até certo ponto e volto". Ledo engano. O coração colorado batia mais forte a cada passo. Resolvi ser irresponsável. Dane-se o dentista. Pago a consulta e pronto.
Chegamos à praça Spor Club Internacional. Fogos, muita gente, e um carro de som com Manuela D'ávila, Kenny Braga, Gaúcho do Beira-Rio, Píffero. Também estava lá o prefeito gremista José Fogaça. Foi ferozmente vaiado. Constrangido, acenava ao povo sob gritos de "Ei, Fogaça, vai tomar no c*". Quando falou ao microfone, ouviu pedidos para que vestisse o manto. Talvez meio eleitoreiramente, e para evitar uma saia justa mais atrevida ainda, vestiu o boné do Inter. Acalmaram-se os ânimos. Eu ligava para meu amigo Rafael, que também estava no evento, tentando marcar um ponto em que pudéssemos nos encontrar. Em vão. Eu não entendia nada que ele falava. Acredito que ele também não entendia nada que eu falava. Ficou assim mesmo.
O carro de som partiu, então, seguido por uma romaria de 30 mil colorados. O sol estava infernal. Comprei o primeiro latão de cerveja do dia. Bebericava e cantava. Encontrei a certa altura Luiza, amiga e colega de trabalho. Cumprimentamo-nos, fizemos uma breve comunhão colorada. E mantivemo-nos em nossos respectivos ritmos, dispersando-nos.
A caminhada seguiu com muitas cantorias e gritos. Ajudei, em certo momento, a carregar um bandeirão. Pesado. Mas valia, aquilo tudo valia. Cada gota de suor era devidamente paga pelo prazer de estar vivendo aquele momento. No finzinho do Marinha, quase no Beira-Rio, comprei meu segundo latão.
Adentrei o estádio. primeiramente sentei logo abaixo da aba da maior e melhor torcida do Rio Grande. Em seguida, abertos os portões que davam acesso a outros locais do Gigante, rumei ao lado oposto, com cadeiras que ficavam à sombra. Logo desisti e me mandei para trás da goleira, na arquibancada superior. Era torrado pelo sol. Mas ao menos estava de frente para o palco. O show do Ataque colorado foi sensacional, tocando hits da Popular e músicas como a que homenageia o ídolo Guiñazu, além do Hino Rio Grandense e do Hino do Inter, com participações especiais de Rafael Malenotti, Neto Fagundes e Armandinho.
Na sequência, na parte final da festa, já com pessoas indo embora, a Imperadores tomou conta do espetáculo. Tocou o samba campeão do carnaval, em homenagem ao clube do povo, enquanto eu bebia mais uma cerveja para me refrescar debaixo daquele sol de início de tarde. Entre outros sambas, animou o final de festa. E fui embora. Tive um centenário inesquecível. Assim como tantos momentos que o Inter já me proporcionou. Saí com uma certeza. O Inter é um fenômeno. Disparadamente o maior clube do sul do Brasil. Um dos maiores do Brasil, da América e do Mundo. Um mobilizador popular de força sem precedentes. Maravilhoso o bolo de aniversário. Saboroso, de lamber os dedos, e isso nada vai tirar. Mas hoje temos a cerejinha. Talvez não faça tanta diferença. Mas daria um gostinho especial.

Nenhum comentário: