segunda-feira, 20 de abril de 2009

Entre o orgulho e a irritação

A goleada de 8 a 1 sobre o Caxias, na tarde de ontem, que consagrou o Inter como Campeão Gaúcho de 2009, num cômputo geral, foi maravilhosa. Olhando o todo, realmente, 8 a 1 numa decisão é sensacional, e nós colorados, somos privilegiados. Entretanto, o jogo de ontem teve dois tempos distintos.
O primeiro tempo foi brilhante, prefeito, de orgulhar qualquer um que ame o vermelho e o branco do maior clube do Rio Grande do Sul. O Inter tocou sete no Caxias com a naturalidade com que se escova os dentes pela manhã. O time vermelho teve ímpeto, força, gana, buscou gols o tempo todo. E massacrou o Caxias. Já no segundo tempo, o Inter parou. Diminuir o ritmo é uma coisa. Parar de jogar, é outra. O Inter teve um inexplicável surto de benevolência. Deixou o Caxias fazer um gol, e foi fazer o seu naquela etapa do jogo só depois dos 40. Jamais aceitarei aquela postura do Inter. Fiquei abolutamente irritado em ver aquele Inter burocrático, sem qualquer ambição, esperando o jogo acabar. O colorado não quis jogar no segundo tempo. Por isso, limitarei minhas análises ao primeiro tempo.
O sistema defensivo jogou sério, os zagueiros Índio e Álvaro não deram brechas, e o setor não teve maiores problemas. O Inter amassou, e por isso permitiu inclusive muitos avanços dos laterais. Bolívar fez sua melhor partida nessa sua segunda passagem pelo clube. Apoiou com boa qualidade e foi seguro na marcação. Kléber foi o Kléber do Santos e da seleção. Foi presença constante no setor ofensivo, fez muitas combinações de jogadas, ultrapassagens, e presenteou os atacantes com cruzamentos preciosos, sendo uma das muitas grandes figuras do jogo.
O meio-campo foi brilhante. Sandro é uma afirmação. Joga demais. Muito em breve será titular da seleção. Marca demais, comete pouquíssimas faltas, e acerta 97% dos passes. El Cholo Guiñazu é um monstro. Jogou o que sempre joga. Muito. Fez até gol! E com categoria! E Magrão, então? O maloqueiro do nosso meio de campo foi o grande nome da partida. Nunca será o craque do Inter. Mas sempre será indispensável. É um jogador com alma. Magrão encarnou o coloradismo em seu corpo. Sua titularidade não pode ser questionada. Fez dois gols, sendo que o segundo foi uma obra de arte. Magrão é gana por vitórias garantida. É, junto com Guiñazu, o centro da indignação colorada, aquela indignação positiva, de quem se recusa terminantemente a perder qualquer jogo, de final de Mundial Interclubes a amistoso de pré-temporada contra o Ortopé no campo da Associação Geremia.
Por fim, o trio camarada que eu havia ressaltado ontem: D'alessandro, Taison e Nilmar. D'ale é um extra-classe. Que jogador de bola! Um gigante em todas as decisões de que participa. D'alessandro não teme porrada. D'alessandro não teme cara feia. D'alessandro é a grande referência técnica deste Inter candidato a tudo que dispute. Taison é a jóia rara. Deixou o dele. Deu um gol para D'ale. Disse "podia ser meu, mas fica de presente pra ti". Taison voa em campo. Inferniza qualquer defesa junto com Nilmar, de disposição ímpar dentro da partida. Até naquele segundo tempo modorrento, de abdicação ao futebol, o atacante voltava até o meio campo para buscar a bola, como quem diz "que palhaçada é essa? Vamo lá, gurizada, vamo fazer mais."
O Inter, enquanto jogou, foi perfeito. Coroa uma campanha absoluta em si mesma, invicta, com uma goleada histórica. Que poderia, é verdade, ser mais histórica ainda. Podia ser 9, 10, 11 a 0. Sem maiores incomodações. Mas foi só 8. Pelo menos, igualou a marca do ano passado, contra o Juventude. E que fique o registro: o simpático time do Caxias jogou uma partida leal na mais perfeita acepção da palavra. Não deu uma porrada. Perdeu apenas devido à superioridade técnica gritante do Inter. A nós, colorados, cabe comemorar mais um feito relevante deste clube que vive a brilhar. Mais duas taças no armário. Mais uma conquista para a única torcida destas plagas que comemora títulos em todas as esferas, do estado ao mundo. E pensar que ainda temos Copa do Brasil, Brasileirão, Copa Suruga, Recopa, e Copa Sulamericana para disputar neste ano...

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