segunda-feira, 27 de abril de 2009

Baden Baden

Costumo, de vez em quando, ir até o Baden Baden, um pequeno bar que fica numa galeria do centro de Porto Alegre, para comer uma ala minuta no almoço. Antigamente, o local se chamava Comilão. Pois bem, a ala minuta de lá é excelente. Por isso, há um tanto de tempo sou assíduo frequentador do local. Sobrou uma graninha, estou lá devorando mais uma ala minuta.
Entretanto, ultimamente minhas vontades de devorar ala minutas foram espantosamente reforçadas. Há uma loirinha, uma linda loirinha trabalhando lá. Não sei o nome dela. Talvez eu tenha ouvido uma vez, talvez seja Priscila. Mas não tenho nenhuma certeza. Em suma, não sei o nome da moça. No máximo, imagino, muito vagamente. Ela usa um discretíssimo piercing em seu nariz. Lindo nariz. Lindo rosto. Lindo sorriso. Acho que ela tem cerca de um metro e meio. É bem baixinha. Deliciosamente baixinha. Tem um belo corpo também, como não? A loirinha do Baden Baden é um espetáculo. Que mulher! Eu fico sentado, esperando o almoço, às vezes ela que me serve. Sempre torço para que ela me sirva. E eu observo cada passo dela, tentando evitar que ela perceba. Ou não. Confesso, chego a me sentir um pouco incomodado quando ela atende outros homens. Coisa minha. Mais uma dessas besteiras de uma mente um tanto insana.
Aquela mulher é quase um sonho de consumo. Daquelas que fariam eu largar tudo na vida, somente por ela. Ela é um espetáculo. Pagaria até mais por aquela ala minuta, apenas pelo simples prazer de contemplá-la. Sinto-me como uma espécie de Arturo Bandini. Não sabe de quem se trata? Pergunte ao pó. A menina loira do Baden Baden é minha garçonete preferida. A melhor de todas. A melhor de Porto Alegre. A melhor do Rio Grande. A melhor do Brasil, do mundo, da galáxia, do universo.
Claro, ela nunca saberá da minha existência. Acho que jamais saberá meu nome, sequer. Assim é a vida. Há pessoas que fazem apenas parte da paisagem, por mais bela que possa ser essa paisagem. A loirinha do Baden Baden é isso. É minha admiração meio romântica, meio platônica. É o resgate de um pouco daquele espírito das paixões infantis, em que um simples olhar ou sorriso do objeto de nossos suspiros é motivo para uma alegria que provoca uma erupção que brota do peito para cada canto de nosso corpo, arrepiando cada pêlo do mesmo. A loirinha do Baden Baden é um pouco da retomada da doçura e da ternura que ainda residem em mim. Ela representa algo que estava esquecido dentro do meu ser e que é absolutamente desejável. Por mais idiota que isso possa parecer.

Nenhum comentário: