terça-feira, 3 de março de 2009

Transporte público

O início de fato do ano realmente se dá após o carnaval. Pode parecer clichê, mas é a mais pura verdade. A molecada volta para o colégio, o centro da cidade fica mais intensamente frequentado, os veraneios ficam guardados na memória da câmera fotográfica e os ônibus lotam. Alguns lotam mais. Um exemplo é a linha T10, da Carris.
É o ônibus que leva o pessoal da zona norte para o Campus do Vale, da UFRGS. E é um exemplo absurdo de descaso do poder público com as pessoas. Esta linha, nos horários de pico, não lota: super-hiper-ultra lota. É quase surreal. Simplesmente não há espaço, as pessoas ficam amontoadas feito bichos, lutando por um centímetro a mais no piso do ônibus.
O T10, pra agravar a situação, possui uma periodicidade bem elástica, de cerca de 20 minutos. Durante o dia, nos horários "normais", realmente não há uma grande demanda, e por isso até se justificam os 20 minutos. Mas nos horários de pico, a demanda é enorme, para poucos ônibus. Nestes horários, a Carris poderia, sim, colocar mais ônibus da linha a circular. Algumas pessoas xingam cobradores, motoristas, até mesmo outros usuários, quando o alvo deve ser os empresários do transporte porto-alegrense, que na hora de empilhar reajustes de preço nas passagens estão sempre atentos, mas quando o negócio é fazer o transporte valer o preço absurdo que se paga, dão de ombros como se não fosse com eles. Não se exige nada demais quando se reclama do descaso com a linha. É um direito nosso, enquanto cidadãos, de exigir não um lugar para sentar, nem chego a tanto, mas sim dignidade. Pagamos pelas passagens. As empresas não estão fazendo nenhum favor. Estão prestando um serviço, que como tal, deve ser de qualidade máxima no atendimento.
Somos tratados como lixos, como animais amontoados no ônibus, sem o mínimo de respeito e consideração do empresariado do transporte. Covardemente, eles até dão a entender, muitas vezes, que a "culpa" da falta de qualidade do transporte é da meia passagem paga pelos estudantes, o que é um argumento covarde e absurdo. A verdade é que, se na média o transporte público tem alguma qualidade, nas linhas periféricas essa qualidade cai muito, em contraponto à alta qualidade no serviço prestado nas linhas de bairros nobres. O tufo é invariavelmente levado por quem menos tem. E os empresários do transporte, que tanto apregoam a qualidade e a eficiência de suas empresas, devem estar andando por aí com seus carrinhos importados.

Nenhum comentário: