quinta-feira, 19 de março de 2009

Superficialidades

Não acredito nisso. Não acredito em nada disso. Há dias em que tudo, absolutamente tudo, soa ridículo, soa um tanto hipócrita. À minha volta, tudo o que vejo é mediocridade. Viva as fórmulas prontas! Viva o não ser!
O que fizemos, afinal, para estarmos aqui? Tudo é uma grande palhaçada. Um circo que não tem graça nenhuma. Fale! Participe! Do quê? Pra quê? Tudo que ouço é um blá blá blá insuportável. Nada disso faz sentido algum. Todas as coisas são inócuas, e eu quero dormir. A superficialidade se espalha como água na enchente.
Riam! Deleitem-se! Pisem em cima das diferenças! Imponham as suas pseudo-autonomias! Ou me dizem o que já sei, ou me dizem o que não quero saber. Cada segundo configura um novo desgaste. As coisas passam em um slow motion nojento. Sinto vontade de vomitar, e vomitar, e vomitar.
Todos se divertem aqui. Todos gostam de estar aqui. Menos eu. Qual é a graça de passar por um túnel que não nos deixa nada? Qual é o atrativo de estar sempre entre a dor e a insipidez? O que mais dói é que não existe oposição simértica à dor. Tudo o que se pode alcançar é a não-dor.
Por que o tempo não acelera? Por que o tempo não passa? Por que nós não passamos, de uma vez? Talvez seja só um dia. Talvez seja só um momento. Talvez seja só hoje. Talvez seja só agora. Não importa. Quando estamos mergulhados na angústia amarga, a sensação parece atemporal, por mais demarcada no tempo que ela esteja.
A estupidez de quem pensa que sabe é a pior. Todo saber é relativo, porque cada saber tem um valor que somente a subjetividade individual pode mensurar. Por isso que saberes podem, e devem, ser debatidos, confrontados, de forma verdadeira. Não defendo o jogo de cena e de pseudo-discordâncias reinantes. Falo de debates que possam chegar às verdadeiras raízes do saber. E tais debates não passariam, a princípio, de meros exercícios. Mas exercícios que podem dinamizar a vida. Exercícios que nos façam mais humanos e menos fantoches.

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