terça-feira, 17 de março de 2009

Liberdade

O conceito de liberdade é humanamente desejável. Intrinsecamente é positivo, pois só sob a condição da liberdade uma pessoa pode tentar atingir sua plenitude, que é, aprioristicamente indeterminada e, por consequência, ilimitada. O grande problema é que as classes dominantes, enquanto detentoras do poder sobre os meios de comunicação de massa, apropriam-se deste conceito e de todo seu potencial positivo, subvertendo-o, transformando em enlace teórico para o exercício de sua dominação.
As elites apodrecem a palavra liberdade. Deixam-na embebida em sua nojenta ganância, adestram as classes mais baixas. Já disse Marx que o trabalhador livre assim é chamado por estar livre do poder sobre os meios de produção. A liberdade proposta pela classe dominante, fervorosamente defendida pela mesma quando se fala de Cuba, por exemplo, é a liberdade de os patrões explorarem a mão de obra assalariada. É a liberdade do pobre de lutar contra o rico em condições absolutamente desiguais. É a liberdade de dar a Davi a oportunidade de lutar com Golias sob regras iguais. O primeiro com um estilingue; o segundo com uma AR 15.
Será essa a liberdade que realmente queremos? A liberdade enquanto conceito e ideal proposto pelas elites é uma farsa. Uma desonestidade. Uma fraude. Na sociedade ocidental contemporânea estamos muito longe da liberdade. A liberdade como exercício da plenitude humana configura-se num caminho vastíssimo, com muitos e muitos passos a percorrer, com litros de suor a serem expelidos pela nossa pele, com espinhos e percalços que talvez uma única e limitada vida humana seja incapaz de superar.
Os pobres não desfrutam do ideal de liberdade porque dela estão privados graças às distorções realizadas pela ideologia gerada pelos ricos e massificada e proliferada junto às classes populares. Os ricos são os que estariam mais próximos de gozar as benesses de algo que ao menos se aproxime do conceito de liberdade. Mais, ainda que livres, não se encontram libertos. Criaram uma teia de ganância e obtenção desenfreada de lucros que os impede de vivenciar a plenitude da existência. Dentro do mundo, por hora, não somos livres. Resta-nos a liberdade dentro de nosso mundo, que é a única que temos ao alcance das mãos. Pelo menos por enquanto.

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