domingo, 15 de março de 2009

Igreja caótica

Depois da excomunhão da mãe e do médico da menina de 9 anos que realizou aborto de seus gêmeos, depois de ser estuprada pelo padrasto, em Pernambuco, a igreja católica bem que poderia mudar seu nome. Igreja caótica cairia bem perante suas posturas absurdas. Detalhe: o padrasto, que estuprava a menina desde os 6 anos dela não foi excomungado. Para piorar, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, deu a mais do que infeliz declaração de que o aborto é mais grave que o estupro.
Muito se discute o aborto, o direito à vida, enfim, aspectos que devem ser mensurados em qualquer avaliação a respeito dos direito da mulher em realizar tal ato. Mas a igreja tomou uma posição absurda. Em defesa de vidas que ainda não existem, queria por em risco a vida de uma menina de nove anos, inocente, abusada por um padrasto canalha. Poder-se-ia discutir quando se dá a vida, se na concepção, no nascimento ou em algum momento intermediário. Minha posição a respeito: se dá no nascimento. Quando uma criança completa um ano de seu nascimento, se diz que ela tem um ano de vida, não um ano e nove meses de vida. Antes, ela é parte componente do corpo da mulher. E a mulher pelo menos em tese, deveria ter plenos direitos sobre seu corpo. De qualquer forma, o aborto só é liberado em alguns casos, como este que estamos tratando. E a igreja tomou uma posição conservadora e machista, indo contra o direito à vida de uma criança que iria gerar outras duas.
O fato é que a igreja católica, tão estagnada, parada no tempo, acumula posições infelizes. Não só em relação ao aborto, mas em outras questões centrais e indiscutíveis nos dias de hoje, como o uso de preservativos. A igreja caótica condena o uso de preservativos em um contexto em que o sexo está tão propagado como a AIDS. A igreja vive seu mundinho ideal, de fantasias, e renega a realidade. Vive sob dogmas inertes, que já não encontram correspondência com o mundo. E tenta, a todo custo, aplicá-los onde já não mais se pode. Onde não mais poderá. É essa soma de dogmas ultrapassados com o descrédito inerente, por exemplo, a casos de pedofilia acobertados, que faz com que o catolicismo vá perdendo seu espaço de forma irrecuperável. Vivemos numa sociedade mais racional. Isso não quer dizer que as religiões acabarão, porque ainda há respostas que a ciência não alcançou, e que muitas pessoas precisam para sobreviver. Mas religiões estagnadas, conservadoras, que não se atualizam e ficam com olhos e narizes voltados ortodoxamente para seus livros empoeirados tendem a perder seu espaço. É esse o caminho que o catolicismo está escolhendo para si.

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