sexta-feira, 20 de março de 2009

Escolas itinerantes

A medida do governo Yeda de acabar com o funcionamento das escolas itinerantes no estado é um absurdo injustificável. Para quem não sabe, as escolas itinerantes são aquelas destinadas à educação dos filhos dos trabalhadores sem terra. Esse mecanismo permite que os sem terra lutem por seus direitos, justíssimos, diga-se de passagem, e ao mesmo tempo tenham seus filhos educados onde quer que estes estejam.
O ato do governo estadual é claramente político. PSDB e MST nunca caminharão na mesma direção. Isso é óbvio. Yeda tenta exercer retaliação contra um movimento social que confronta tudo aquilo que a direita sempre defende apaixonada e dogmaticamente: a propriedade privada desmesurada como direito de apenas uma classe, uma educação acrítica e "neutra", os latifúndios absurdamente demarcados e as desigualdades sociais.
Pode-se discutir muitas questões numa análise mais complexa do MST. Mas não se pode negar que é um movimento de lutas, um movimento de classe, contra-hegemônico. E o governo Yeda pressiona esse movimento da forma mais suja e covarde que se pode imaginar: afetando os filhos dos sem terra. Estas crianças não tem o direito à educação? Os pais delas teriam que parar de lutar? Isso é o que o governo do PSDB gostaria. Tal medida, se vista por determinada ótica, é inclusive anti-constitucional. Mas não é novidade esse tipo de coisa na atual administração gaúcha. O governo Yeda tem verdadeira ojeriza a qualquer tipo de movimento ou manifestação classista. Não esqueçamos que este mesmo governo mandou bater em professores, como se estes fossem bandidos por reivindicar direitos.
Não só Yeda, como a mídia de direita também procura deslegitimar e marginalizar os movimentos sociais, em especial o MST, perante o grande público. A luta dos movimentos sociais não é apenas uma luta macrossistêmica. É uma luta cotidiana. É a luta para sobreviver como uma chama de resistência na busca de uma sociedade em que as desigualdades não sejam tão gritantes. Uma chama de esperança contra os atentados da direita contra a dignidade humana. Os filhos dos sem terra tem direito à educação. Tá na constituição.

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