sábado, 14 de fevereiro de 2009

Suicídio

Fiquei sabendo essa semana do suicídio de um conhecido meu, atirando-se do décimo andar de um prédio. Fiquei pasmo ao receber a notícia. Afinal, ele nunca tinha dado a menor impressão que fosse de ser um suicida. Eu não o conhecia mais intimamente. Conversávamos bastante algumas vezes, sobre futebol e política. Enfim, o suicídio gera algumas reflexões.
Estou longe de considerar o ato do suicídio um absurdo, um atentado. A vida de um ser humano pertence a ele mesmo. Ele tem pleno direito de fazer o que quiser com ela. Até de liquidá-la. Desde que não prejudique diretamente a terceiros. Aliás, acredito que a única coisa que torna a vida suportável é a possibilidade de acabar com ela. Às vezes as angústias, as dores, os problemas, são tão grandes que ao pensarmos "tá difícil, mas acaba a hora que eu quiser" nos sentimos aliviados. Ser refém dos problemas seria algo muito pior.
Existe, por vezes, uma valoração exagerada da vida enquanto um valor em si mesmo. Não existe a vida. Existem vidas. É prepotência demais querer julgar que uma pessoa tem a obrigação de manter-se viva. Não tem. Cada pessoa tem seus problemas, e para cada pessoa os problemas tem pesos diferentes. É absolutamente inútil querer se estabelecer qualquer universalização nesse sentido.
Hoje em dia eu dou um valor à minha vida que não dava antes. Mas para por aí. O fato de EU dar determinado valor à MINHA vida, não quer dizer que todos tenham de dar tanto valor para as suas vidas. As pessoas e suas vivências são diferentes, cada uma com suas singularidades. Uma pessoa só se mata quando julga que a vida se tornou insuportável. Pra ela. Condenar tal ato beira à desumanidade, se visto por certo prisma. Porque uma pessoa teria a obrigação de manter-se viva? Porque a vida é um bem em si mesmo, seja como for? Ou porque é sinal de fraqueza? Fraqueza também é um conceito relativo. O motivo que faz ciclano se matar pode não chegar nem perto de fazer fulano cometer um suicídio. E fulano poderia dizer: "como ciclano é fraco". Mas, não haveria motivos que incentivariam o suicídio de fulano e que nem cócegas provocaria em ciclano? Tenho quase certeza que sim.
O ato de acabar com a própria vida é um ato extremo. É algo provocado por uma dor, ou mesmo por uma convicção filsófica (por que não?) que faz com que a vida perca seu sentido. O suicídio é o término de toda e qualquer expectativa de reversão de certo problema, que machuca e torna a existência insuportável. Por isso, nunca condenarei um suicida por abreviar algo que, para ele, não tinha mais jeito.

Nenhum comentário: