sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sobre um lance e a estupidez

Semifinal modorrenta de turno de Campeonato Gaúcho. O Inter enfrentava um retrancado e faltoso Novo Hamburgo, sem conseguir marcar gols ou criar oportunidades. Eram 8 minutos do segundo tempo. O time do Vale dos Sinos, num raro lance de ataque seu, investe pelo lado direito. Dali, sai um cruzamento lento, que, apesar de sua falta de velocidade, encontrava certeiramente seu centroavante Jandson, livre, sozinho, absoluto. Ele sobe e cabeceia. O gol é certo. O crime estava desenhado. E o jogador do time anilado cabeeia com força. Naquela fração de segundo, o Beira-Rio silenciava, os corpos e olhos nas arquibancadas davam um pause, exceção feita à Popular. E Lauro apareceu. Salvou. Fez o impossível. Defendeu com reflexo que poucas vezes na vida eu tinha visto. Transformou o gol em não-gol. Ressuscitou o time vermelho no jogo. Lauro, com sua mão direita, foi maior que os deuses do futebol, que naquele momento queriam aprontar uma traquinagem com o Inter. Lauro fez uma defesa sobrenatural. Naquele momento rápido e crucial, houve uma guerra de deuses do futebol no céu do Beira-Rio. Alguns se rebelavam contra a óbvia classificação colorada. E iam aprontando uma zebra inesquecível. O goleiro colorado venceu os rebeldes. Ali, o Inter classificava-se para a final da Taça Fernando Carvalho.
Depois, aconteceu a lógica. Dois a zero para o Inter e Novo Hamburgo despachado. Mas há outras coisas sobrenaturais que ocorrem no Beira-Rio. Chegou-se a ouvir murmúrios contra... D'alessandro! O mundo está acabando. Preparemo-nos para o apocalipse. Reclamar de D'alessandro é um crime lesa-Inter. Há uma campanha forte de setores da imprensa para colocar D'alessandro contra a torcida. Isso é evidente. Chamam o argentino de encrenqueiro, dizem que Andrés não é jogador de grupo. D'alessandro é um símbolo do atual Inter. Ao contrário de outros meias-canhotos-que-jogavam-no-Inter-até-poucos-dias-atrás, quando a coisa encrespa ele não se omite. Aparece, apanha, joga, luta. E isso desperta a mais pura inveja azul. Inveja de quem vê um craque que habla español desfilando futebol e raça no Gigante. Isso dói em quem exalta a alma castelhana e alude a um time "copero y peleador" que não levanta taças importantes há quase 10 anos. Tragam as velinhas. E as velhinhas também, que ainda podem lembrar tempos em que o tricolor da Azenha chegava a ganhar de times europeus, mesmo que esses estivessem recheados de reservas, e em uma disputa não-oficial.
Vem aí mais um Gre-Nal. Domingo, o Beira-Rio vai rugir. Um jogão. Claro, o Inter está péssimo de acordo com setores da imprensa. Mas sou um colorado esperançoso. Acredito que mesmo com ruindades no time como Kléber, Nilmar, Guiñazu, o Inter pode vencer o Grêmio, time de craques do futebol mundial como Réver, Tcheco, Jadílson, Alex Mineiro... Yes, we can!

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