terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Novo aumento

O novo aumento das passagens do transporte coletivo de Porto Alegre é um deboche da população. Nos últimos anos, estamos tendo aumento em cima de aumento (sempre em época de férias, quando a população está desmobilizada), sem, no entanto, percebermos maiores melhoras nos nossos ônibus. É um acinte que se pague R$ 2,30 por um serviço deficiente, em que a população trabalhadora sofre com falta de horários, falta de lugares, hiperlotação.
Em compensação, linhas de zonas mais nobres da cidade, como por exemplo, o Auxiliadora, tem ônibus a rodo. Sai um da parada no centro, aparece outro. Às vezes o outro chega antes mesmo do primeiro ter partido. Bem em frente, trabalhadores que utilizam as conduções de bairros periféricos, como Leopoldina, Rubem Berta e Passo das Pedras, se amontoam em filas intermináveis para pagar R$ 2,30 e serem transportados feito porcos, sem espaço, sem conforto nenhum.
Trata-se de uma inversão de valores. Quem menos precisa de ônibus, a classe média alta e alta, é a que dispõe de tal serviço em índices melhores quantitativa e qualitativamente. Já os pobres, os trabalhadores, que são obrigados a utilizar o serviço de transporte público, sofrem com o descaso das empresas, tendo que chegar a um fim de expediente estafante dispostos a encarar mais uma jornada em pé, mantendo-se num espaço de 15 centímetros quadrados no ônibus.
Talvez se devesse cobrar uma tarifa maior em determinadas linhas, que abrangem áreas e usuários mais abastados, na média. Mas é difícil que isso aconteça. Vivemos num sistema em que a igualdade só se aplica comodamente aos interesses das classes altas, e a livre competição só serve para tornar os pobres reféns de sua falta de condição.

Um comentário:

cleuzavaleria disse...

Faço das tuas as minhas palavras e o repudio ao sistema.bju