segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A feiura da foto de Yeda

Li uma coluna muito engraçada do Paulo Sant'anna, sobre os protestos e cartazes dos servidores públicos contra Yeda Crusius. A base da crítica da múm... quer dizer, do comentarista, é de que se utilizou uma foto em que a governadora está "feia e envelhecida". Segundo o sabichão, deveria ser movido um processo contra o protesto, por causa da feiura e do fato de se denegrir a imagem da paulista.
Não tenho conhecimentos jurídicos a respeito de utilização de imagens de pessoas públicas, por isso, tangenciarei a discussão no nível do direito. Mas, baseado na vivência, creio que seja uma estupidez. Lógico que é perigoso se vincular a imagem de uma pessoa a coisas ruins (mesmo havendo uma série de indícios de que tais coisas ruins tenham efetivamente beneficiado a pessoa em questão). Mas, o que é definir se uma pessoa está feia ou bonita em uma foto? Qual o grau de objetividade que este conceito possui, para ser objeto de uma ação judicial? Estivesse Yeda distorcida por algum programa de computador (o que não parece) ou em situação de constrangimento, ou ridícula, haveria argumento para se querer mover uma reação nesse sentido. Mas, se a foto é uma foto normal, numa situação normal, e a pessoa simplesmente saiu feia, fazer o quê? Fosse assim, Marquito ficaria milionário só movendo processos por ter saído feio em fotos publicadas...
O que o comentário de Paulo Sant'anna reflete é a tentativa desesperada e ridícula de voltar a opinião pública contra uma reivindicação e um protesto absolutamente legítimos. Há indícios fortes de ligação do governo Yeda e de pessoas ligadas a partidos aliados com esquemas de corrupção, beneficiados pelo mal uso da máquina pública. Ao mesmo tempo, existe uma política de arrocho salarial dos funcionários públicos, uma desvalorização dos professores da rede estadual, um descaso em termos de politicas sociais e uma estagnação preocupante do Rio Grande do Sul. É essa soma de fatores que está na pauta. Deslocar a discussão para a beleza ou a feiura da foto da governadora é uma argumentação de pobreza franciscana. O surgimento de argumentos ridículos somente ocorre à medida de que faltem argumentos cabíveis em relação ao que realmente ocorre. Assim sendo, de um jeito ou de outro, essa postura desesperada de setores conservadores da imprensa acaba sendo um tiro no pé. O silêncio pelo menos disfarçaria a falta de argumentos dos direitistas defensores do governo Yeda.

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