sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dilemas Cotidianos- Capítulo 19

E prosseguiam os dias de Fernando e Julieta. Eles conseguiam levar uma vida feliz, iniciando seu relacionamento. Mantinham proximidade no trabalho e nos finais de semana saíam a passear. Levavam uma vida normal, comum e previsível de um casal de namorados. Talvez não houvesse, da parte de Fernando, a intensidade que seria de se esperar. Mas, ainda assim, não daria para se dizer que o rapaz estava infeliz. Ele estava tranqüilo. Débora ainda residia em algum lugar dentro de si. E, talvez fosse residir por ali para sempre. Mas começava a empoeirar-se.
Fernando e Julieta foram a um parque, belo parque por sinal, passar um desses domingos quentes. Dentre as árvores, encontravam-se e reencontravam-se, ainda que juntos, e beijavam-se. Eram momentos de bom relaxamento, de alguma alegria. Valia a pena estar ali. Sentaram-se num dos bancos, em frente a um carrinho de vendedor de água e refrigerantes. Conversavam, as mãos dadas, beijavam-se ainda mais.
Olhavam o caminhar das pessoas, que suavam, se exercitavam, relaxavam naquele parque. E ao fundo, vinha um outro casal, à distância. A proximidade ia aumentando, os dois caminhando pela pista que havia no parque. A moça loira vestia uma blusa branca, meio decotada, e uma calça vermelha, daquelas que ficam coladas junto ao corpo. Belas eram suas curvas, que fizeram Fernando observá-la desde baixo, elevando seu olhar calmamente até o rosto. Era Débora. Ela e seu namorado. Ele era cabeludo, com cabelos crespos e loiros, meio magro, talvez excessivamente magro. Ela parou e cumprimentou Julieta. Também cumprimentou Fernando, que apenas resmungou um "oi". Conversou um pouco com Julieta, observada por Fernando. Cerca de 15 minutos depois, foi embora, com o namoradinho. Ah, ele chamava-se Lúcio. Para Fernando, uma espécie de Lúcifer.
Ali, estava estragado o dia de Fernando. Queria ser forte, queria poder disfarçar seu incômodo, mas não conseguia. Era inútil a tentativa. Julieta percebeu. Lágrimas começavam a surgir em seus olhos, impotente que estava, e vendo que ainda não tirara Débora dos pensamentos do namorado. E Fernando remoía-se, como nunca. O maldito namorado de Débora passava a ser real. Concreto. Um ser. Uma existência. Aquilo chocava Fernando. Suas imaginações agora tinham uma face. Uma explosão nuclear ocorria no cérebro e na alma de Fernando.

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