quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Classe mérdia e Lula

Acho extremamente engraçado o ranço que a classe mérdia brasileira demonstra em relação ao presidente Lula. Leio algumas coisas, e tenho vontade de rir enlouquecidamente. Nem os ricos têm essa implicância com Luiz Inácio. Critica às vezes, cinicamente. Mas sabe que a coisa está boa para eles. A classe mérdia, entretanto, tem uma implicância mortal, algo como vampiro e alho. E como tem.
O governo Lula é muito menos do que se esperava no início de 2003. Não houve nenhuma mudança estrutural, nem mesmo que passasse perto de outras experiências latino-americanas, como Chávez na Venezuela e Morales na Bolívia, bem mais progressivas se comparadas com a administração petista no governo federal. Lula limitou-se a um populismo meio baratóide, mantendo lucros e benefícios de banqueiros e grandes empresários. Não nos enganemos. Por isso mesmo, estes setores não nutrem o ódio por Lula que a classe mérdia nacional nutre. Há uma tentativa de expansão da classe média promovida pelo governo, aumentando a renda das classes baixas. A classe mérdia brasileira sente-se ofendida com as "novas companhias de classe". Fato. Além disso, a classe mérdia brasileira sonha em tornar-se classe rica. É uma vontade obsessiva. É uma vontade que rasga o peito dessa classe. Não consegue. Nunca vai conseguir.
A classe mérdia brasileira toma as dores da classe rica, imita seus modos, expõe-se ao ridículo de sua própria mediocridade. A classe rica apenas assiste, rindo, como Maria Joaquina assistia ao Cirilo fazendo seus caprichos de menina mimada. A classe rica ri por dentro da classe mérdia nacional. E a classe mérdia nacional é privatista! Expoente de luta pela eficiência e da gestão fria e mercantilista da vida das pessoas. Serviços básicos devem ser prestados pelo Estado, por mais defeituoso que seja o serviço estatal. Por um simples motivo: serviço básico é serviço básico, não pode ser uma mercadoria na mão de empresários sedentos por lucro. Educação, segurança, saúde, dentre outros serviços, são DIREITOS garantidos constitucionalmente. Querer tansformá-los em objeto de lucro é uma covardia irresponsável. Lula freiou um pouco o processo privatista desenfreado de FHC. Isso enlouquece a classe mérdia.
Outra crítica dirige-se aos casos de corrupção verificados no governo Lula. Isso é realmente decepcionante, vindo de um partido que sempre apregoou a honestidade política. Esse é o grande choque. Mas escândalos políticos não foram criados no governo Lula. Não foi o PT que inventou a corrupção no Brasil. Agora, a classe mérdia tenta aplicar que só a direita, com sua "eficiência empresarial" não é corrupta. Mentira. A classe mérdia sabe que é mentira.
Além disso, há ainda a mais batida e mais covarde das críticas: Lula é analfabeto, ou pior, Lula é burro. Será que um homem que saiu de origens tão humildes, tornou-se líder operário, negociou com sucesso em mesas compartilhadas com grandes empresários e foi eleito presidente de um país de dimensão continental como o Brasil pode ser rotulado de burro? A classe mérdia se incomoda, porque com toda a sua ambição inerente tem que aturar um presidente operário. Nessas horas, a classe mérdia nacional vê como é medíocre. Lula não tem é escolaridade, não tem a cultura institucionalizada no papel. Mas é muito inteligente. Comprovou isso na escola da vida, na escola da política. Mal ou bem, é um líder latino-americano.
Lula faz um governo que vem melhorando sim a vida dos pobres. Talvez não da forma mais correta, com políticas contestáveis de compra de vagas ociosas em universidades privadas, de um bolsa família que não conduz às pessoas a uma independência perante o poder estatal. Algumas dessas políticas são criticadas ferozmente pela classe mérdia. Outras, nem tanto, por atender alguns anseios e interesses dessa classe. Mas o fato é que o Bolsa Banqueiro ninguém critica. O governo Lula é um governo conservador, que mantém os privilégios da elite, e apenas direciona-se, inclina-se um pouco mais aos pobres. Isso já apavora a classe mérdia e setores da elite. Imagine se tivéssemos um governo de esquerda...

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