sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ala minuta

A ala minuta é, dos pratos simples, o mais sofisticado. É uma pedida que não se erra. Claro, compará-la a uma pizza, a pastéis, ou a um churrasco bem suculento (com pouca gordura, claro) seria covardia. Mas a ala minuta é, dos reles mortais da gastronomia, disparadamente o melhor. É uma combinação perfeita. Tem aquela saladinha, chatinha sim, mas que dá um bom balanço ao prato. Tem o arroz, que é um componente esperado, e serve para ser comido junto às fritas. Ah, as fritas. Batata frita é bom demais. As batatas fritas conferem certa agressividade ao prato. Dão força, dão pujança.
Mas a minha tara, o meu delírio, é com o bife, suculento e saboroso, tendo por cima solenemente posicionado o ovo frito. Eu mexo com cuidado sacrossanto nessa parte do prato. O ovo frito tem de estar com a gema na medida certa. Nem dura, carrancuda, chata, enfadonha, nem aguada, daquelas que viram um molho para o arroz. A gema tem de estar molezinha, mas na medida certa, com uma camada mais durinha. E é um espetáculo. Essa soma de ingredientes forma um prato extremamente simples, bem prático, e absolutamente saboroso.
A ala minuta dança nos papilos gustativos, baila com uma graça inigualável. Ela traz sensações quase orgásmicas. Como já disse antes, não dá pra compará-la com uma pizza, que seria um D'alessandro, com um pastel, que seria um Guiñazu, com uma lasanha, que seria um Nilmar, ou com um churrasco, que seria um Alex. Mas é uma espécie de Magrão dos pratos. Simples, prático, operário, e eficiente.
Obs: apesar da analogia um tanto exótica, nunca senti vontade de comer os jogadores D'alessandro, Nilmar, Guiñazu, Alex e Magrão.

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