terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Agonia

Estou agoniado. A vida é realmente algo surpreendente, raso, e fugidio. Cometemos erros. Alguns menos delicados. Outros, bem mais. A vida também é injusta. Às vezes fugimos dos erros, sabemos que os erros são erros, mas não conseguimos escapar, como se algo maior e ruim viesse para destruir tudo. E depois, a vida angustia, de forma incurável.
A vida cria esperas dolorosas. São esperas que não dizem nada, mas das quais não se pode correr, e não se pode acelerar. E nada pode ser feito. Então ficamos ali, passivos, esperando pelo destino, que parece estar já à frente, longe, inalcançável. E a dor só vai ser diluída depois que as respostas sejam dadas. E as respostas demoram, configuram um calvário que não se deseja nem para o mais mortal dos inimigos.
A agonia lateja. A agonia amarra a garganta. E, num 50%, fica a espera pela plenitude da alegria humana, a plenitude da retomada da vida, ou a confirmação dos medos e das angústias. Mas a espera talves seja pior do que a própria resposta. A espera nos torna reféns dos pensamentos e das paranóias. E não podemos, por mais que queiramos, ter sequer um indício das respostas às nossas angústias. Somente temos de esperar a hora, o julgamento do destino. E o destino não olha para intenções, não olha para as fugas. O destino não se importa conosco, nem com nossas histórias de vida. Ele simplesmente decreta, friamente.
Aguardar o bater do martelo, imaginar a condenação, remoer os fatos passados, buscar lógicas, sentir a perna tremer quando encontramos, ou imaginamos, ou projetamos, provas de nosso crime, de nossa condenação. Somente esse aguardo existe de concreto. Somente isso, e nada mais do que isso pode ser feito em certos momentos cruciais. As definições são empurradas para a frente, com ou sem condenação. Não há ação a fazer. Não há nada a se fazer. O nó na garganta é persistente. O escurecer da noite amedronta. Precisamos de alguma distração. Precisamos da rapidez do tempo. Mas, medonho, o tempo não passa. Ele se arrasta, debochadamente. E o peito dói mais. Toda a força foi feita. Ainda assim, somos fracos. Ainda assim, fomos insuficientemente fortes. E agora, só resta esperar pelo relógio, rasgar as folhas do calendário, dia após dia. Para sorrir ou para chorar. De uma vez por todas.

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