sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dilemas Cotidianos- Capítulo 19

E prosseguiam os dias de Fernando e Julieta. Eles conseguiam levar uma vida feliz, iniciando seu relacionamento. Mantinham proximidade no trabalho e nos finais de semana saíam a passear. Levavam uma vida normal, comum e previsível de um casal de namorados. Talvez não houvesse, da parte de Fernando, a intensidade que seria de se esperar. Mas, ainda assim, não daria para se dizer que o rapaz estava infeliz. Ele estava tranqüilo. Débora ainda residia em algum lugar dentro de si. E, talvez fosse residir por ali para sempre. Mas começava a empoeirar-se.
Fernando e Julieta foram a um parque, belo parque por sinal, passar um desses domingos quentes. Dentre as árvores, encontravam-se e reencontravam-se, ainda que juntos, e beijavam-se. Eram momentos de bom relaxamento, de alguma alegria. Valia a pena estar ali. Sentaram-se num dos bancos, em frente a um carrinho de vendedor de água e refrigerantes. Conversavam, as mãos dadas, beijavam-se ainda mais.
Olhavam o caminhar das pessoas, que suavam, se exercitavam, relaxavam naquele parque. E ao fundo, vinha um outro casal, à distância. A proximidade ia aumentando, os dois caminhando pela pista que havia no parque. A moça loira vestia uma blusa branca, meio decotada, e uma calça vermelha, daquelas que ficam coladas junto ao corpo. Belas eram suas curvas, que fizeram Fernando observá-la desde baixo, elevando seu olhar calmamente até o rosto. Era Débora. Ela e seu namorado. Ele era cabeludo, com cabelos crespos e loiros, meio magro, talvez excessivamente magro. Ela parou e cumprimentou Julieta. Também cumprimentou Fernando, que apenas resmungou um "oi". Conversou um pouco com Julieta, observada por Fernando. Cerca de 15 minutos depois, foi embora, com o namoradinho. Ah, ele chamava-se Lúcio. Para Fernando, uma espécie de Lúcifer.
Ali, estava estragado o dia de Fernando. Queria ser forte, queria poder disfarçar seu incômodo, mas não conseguia. Era inútil a tentativa. Julieta percebeu. Lágrimas começavam a surgir em seus olhos, impotente que estava, e vendo que ainda não tirara Débora dos pensamentos do namorado. E Fernando remoía-se, como nunca. O maldito namorado de Débora passava a ser real. Concreto. Um ser. Uma existência. Aquilo chocava Fernando. Suas imaginações agora tinham uma face. Uma explosão nuclear ocorria no cérebro e na alma de Fernando.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sobre um lance e a estupidez

Semifinal modorrenta de turno de Campeonato Gaúcho. O Inter enfrentava um retrancado e faltoso Novo Hamburgo, sem conseguir marcar gols ou criar oportunidades. Eram 8 minutos do segundo tempo. O time do Vale dos Sinos, num raro lance de ataque seu, investe pelo lado direito. Dali, sai um cruzamento lento, que, apesar de sua falta de velocidade, encontrava certeiramente seu centroavante Jandson, livre, sozinho, absoluto. Ele sobe e cabeceia. O gol é certo. O crime estava desenhado. E o jogador do time anilado cabeeia com força. Naquela fração de segundo, o Beira-Rio silenciava, os corpos e olhos nas arquibancadas davam um pause, exceção feita à Popular. E Lauro apareceu. Salvou. Fez o impossível. Defendeu com reflexo que poucas vezes na vida eu tinha visto. Transformou o gol em não-gol. Ressuscitou o time vermelho no jogo. Lauro, com sua mão direita, foi maior que os deuses do futebol, que naquele momento queriam aprontar uma traquinagem com o Inter. Lauro fez uma defesa sobrenatural. Naquele momento rápido e crucial, houve uma guerra de deuses do futebol no céu do Beira-Rio. Alguns se rebelavam contra a óbvia classificação colorada. E iam aprontando uma zebra inesquecível. O goleiro colorado venceu os rebeldes. Ali, o Inter classificava-se para a final da Taça Fernando Carvalho.
Depois, aconteceu a lógica. Dois a zero para o Inter e Novo Hamburgo despachado. Mas há outras coisas sobrenaturais que ocorrem no Beira-Rio. Chegou-se a ouvir murmúrios contra... D'alessandro! O mundo está acabando. Preparemo-nos para o apocalipse. Reclamar de D'alessandro é um crime lesa-Inter. Há uma campanha forte de setores da imprensa para colocar D'alessandro contra a torcida. Isso é evidente. Chamam o argentino de encrenqueiro, dizem que Andrés não é jogador de grupo. D'alessandro é um símbolo do atual Inter. Ao contrário de outros meias-canhotos-que-jogavam-no-Inter-até-poucos-dias-atrás, quando a coisa encrespa ele não se omite. Aparece, apanha, joga, luta. E isso desperta a mais pura inveja azul. Inveja de quem vê um craque que habla español desfilando futebol e raça no Gigante. Isso dói em quem exalta a alma castelhana e alude a um time "copero y peleador" que não levanta taças importantes há quase 10 anos. Tragam as velinhas. E as velhinhas também, que ainda podem lembrar tempos em que o tricolor da Azenha chegava a ganhar de times europeus, mesmo que esses estivessem recheados de reservas, e em uma disputa não-oficial.
Vem aí mais um Gre-Nal. Domingo, o Beira-Rio vai rugir. Um jogão. Claro, o Inter está péssimo de acordo com setores da imprensa. Mas sou um colorado esperançoso. Acredito que mesmo com ruindades no time como Kléber, Nilmar, Guiñazu, o Inter pode vencer o Grêmio, time de craques do futebol mundial como Réver, Tcheco, Jadílson, Alex Mineiro... Yes, we can!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Imperadores do Samba

O título da Imperadores do Samba pareceu-me justo. Acordei de madrugada para acompanhar na tv. E hoje vi o compacto das outras escolas. Cheguei à conclusão: foi justíssimo. Mesmo assim, devo dizer: esperava mais. O Inter investiu pesado, e era de se esperar um desfile anos-luz melhor do que o do restante das escolas. O que se viu foi um desfile melhor. Mas não com a diferença que seria de se esperar. União da Vila do Iapi, Império da Zona Norte e Imperatriz ficaram apenas um pouco abaixo.
E faltaram elementos no desfile da vermelho e branco, para o meu gosto. Teria de haver uma alusão mais clara aos anos 70 e ao Mundial FIFA. O abre-alas deveria ter, para o meu gosto, um grande distintivo do Inter, com luzes, com efeitos. Sequer tinha distintivo do Inter. Achei excessivamente institucional, e pobre no resgate e na mostra das etapas da história colorada. Ao mesmo tempo, o cinqüentenário da Imperadores, que também estava no enredo, embolou um pouco as coisas.
De qualquer maneira, foi um belo desfile, com um samba gostoso de se ouvir, com muita vibração dos componentes. O campeonato foi para as mãos certas. Mais uma taça para a Imperadores. Mais uma taça para o Inter. Cada vez mais campeão de tudo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Venda de Alex

Ainda não foi confirmada oficialmente a venda de Alex para o Spartak Moscou. Porém, segundo as mais diversas fontes, se não aconteceu, está na iminência de acontecer. Acredito que seja o melhor para o Inter.
Primeiro, porque criou-se uma sobreposição de jogadores, principalmente após o surgimento de Taison como jogador decisivo do time. Aliado a isso, surge a necessidade de se colocar Sandro no time, para aumentar a proteção da zaga e recolocar Guiñazu na função em que o argentino rende mais. Alguém da frente iria sobrar. E Alex mostrava-se desmotivado e dando declarações infelizes aos microfones. Seu futebol vinha crescendo, mas o jogador estava obviamente louco pra sair.
Surge a possibilidade do Spartak. Como Alex está doidinho pra sair, vai sair. Não sei se é a medida mais inteligente. Para quem quer marcar presença na seleção, ir para a Rússia pode ser um tiro no pé. Não, mas pensando bem, não é, não. Talvez Alex esteja certo. Jogadores medíocres como Bobô, Jô, Afonso, absolutamente escondidos na Europa, vinham sendo convocados por Dunga, pelo simples fato de estarem na Europa.
Fica apenas o agradecimento sincero a Alex Raphael. O jogador com voz de taquara rachada chegou ao Beira-Rio em 2004, como grande promessa do Guarani de Campinas. Teve seguidas lesões, mas passou a figurar permanentemente no time em 2006. E quem não vai lembrar do golaço dele contra o Libertad, na semifinal da Libertadores? Dos gols da falta? Da participação decisiva de 2008, buchas contra Boca, Chivas, na reconquista da América? Tenho algumas restrições ao futebol de Alex. Mas não posso negar. É um jogador que faz parte da história colorada. Foi titular em todas as grandes conquistas internacionais dos últimos anos. Prestou serviços importantíssimos ao Inter. Muito obrigado, Alex. A nação colorada te reencontrará pelos caminhos do futebol, com certeza. E que o reencontro seja apenas de um grande abraço de velhos e íntimos amigos. Afinal, Alex foi importante para o Inter. E o Inter foi muito importante na carreira de Alex.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Vexame

Não há outra palavra pra definir a derrota do Inter em Rondonópolis: vexame. O colorado dominou o primeiro tempo, sem, no entanto, fazer gols ou ser mais efetivo. No segundo tempo, jogou um pouco menos que nada, e acabou perdendo a partida. Não acredito que o jogo vá ter um reflexo prático no rumo do Inter na Copa do Brasil. O Inter vai passar pelo União. A repercussão é moral. O fiasco do Inter repercutirá nacionalmente.
Estou repensando a minha opinião a respeito da falta de necessidade de um primeiro volante de ofício. O futebol de Guiñazu cai dramaticamente jogando muito centralizado, mais preso na marcação. Talvez seja necessária a entrada de Sandro, e a saída de um dos volantes, ou mesmo de Taison. Eu tiraria Taison, que vem jogando demais, mas que poderia ser o cara pra entrar e incendiar os jogos, como era o Renteria em 2006. Além disso, Bolívar vem jogando um futebol constrangedor na direita. Arílton, ou mesmo Danilo Silva, pedem passagem.
Pelo menos aconteceu agora, num momento contornável. Pior seria se fosse mais adiante a percepção dos erros, em uma situação irreversível. Fica apenas a marca do fiasco. Não esqueçamos, no ano de 2006 o Inter acertou o time após perder um Gauchão em pleno Beira-Rio para o Grêmio, recém promovido da segundona. E o final da história todo mundo já conhece...

Cornetas e Copa do Brasil

Existe um blog, no site www.clicrbs.com.br, chamado "Blog da Corneta", em que o Saci e o Mosqueteiro trocam farpas o tempo todo, sobre o Inter e o Grêmio. Acompanho esse blog, lendo as postagens do Saci. Mas ontem, mediante uma manchete do Mosqueteiro intitulada "A inveja de quem não é campeão de tudo", não me contive. Tive de ler. E gargalhar.
Primeiramente, era dito que o Grêmio foi campeão Sul-brasileiro de 1962. Hein? Pesquisei na internet, e... nada (exceto site oficial do Grêmio)! Pode ter sido campeão, disso não duvido, mas esse título conta tanto quanto catar uma baranga qualquer no Chalaça num sábado de verão. Ah, mas tinha mais pérolas para o Mosqueteiro considerar o Grêmio mais campeão, de maior variedade de títulos, do que o Inter. Um Supercampeonato Brasileiro (1991), uma Copa Sul (1999), e uma Série B (2005). Sobre a segundona nem vou comentar. Sobre os outros dois títulos, vamos por partes, adotando um critério objetivo. Uma competição, para ter um mínimo de credibilidade, deve durar pelo menos quatro temporadas, período que vai de uma Copa do Mundo a outra, certo? Pois bem, deixa eu dar uma informação. O tal Supercampeonato Brasileiro durou apenas dois anos, tão desvalorizado que era, e a Copa Sul durou um mísero ano. Contam? Se contarem, adiciono Copa Dubai, Copa Joan Gamper, Copa Kirin, Copa de Viña del Mar, Torneio Mercosul, ao meu cálculo. Caso contrário, valem tanto quanto, e valendo tanto quanto, não entram no cálculo.
Chegamos a um acordo? Tiramos os torneiozinhos da soma? Então tá. Vamos atribuir uma pontuação racional aos títulos que realmente valem: Mundial (10 pontos); Libertadores (8 pontos); Sul-Americana (7 pontos); Recopa e Brasileirão (6 pontos); Copa do Brasil (5 pontos); Gauchão (1 ponto). Vamos aos cálculos. Primeiro, o Grêmio, e fazendo a bondosa concessão de considerar a Copa Intercontinental como Mundial: 1 Mundial (10 pontos); 2 Libertadores (16 pontos); 1 Recopa (6 pontos); 2 Brasileiros (12 pontos); 4 Copas do Brasil (20 pontos) e 35 Gauchões (35 pontos). O Grêmio soma 99 pontos.
Vamos ao Inter: 1 Mundial (10 pontos); 1 Libertadores (8 pontos); 1 Sul-Americana (7 pontos); Recopa (6 pontos); 3 Brasileiros (18 pontos); 1 Copa do Brasil (5 pontos) e 38 Gauchões (38 pontos). O Inter soma 92 pontos.
Termina aí? Claro que não! Agora, consideremos rebaixamentos, vergonha máxima pela qual um clube grande pode passar. A cada rebaixamento, descontamos 6 pontos, o que daria uma equivalência oposta ao título do mesmo campeonato. Legítimo, não? Campeão ganha 6 pontos, rebaixado perde 6, certo? Tiremos 12 pontos do Grêmio então, dos rebaixamentos de 1991 e 2004. 99-12= 87. Cálculo final, baseado em critérios transparentes e bem claramente estabelecidos: Grêmio (87 pontos) X Inter (92 pontos).
E agora? Tá claro, ou ainda não ficou, quem é o maior e mais campeão dos clubes gaúchos? Ficou claro e cristalino quem é, realmente, Campeão de Tudo, considerando títulos minimamente legítimos? Espero que tenha ficado. E, sem arrogância, e sem se achar mais do que ninguém: viva o Inter, campeão de tudo!
E hoje começa a Copa do Brasil para o Inter, contra o União Rondonópólis. Não gosto da Copa do Brasil. É competição talhada para times de segundo escalão surpreenderem, vide exemplos de Paulista de Jundiaí, Juventude, Santo André, Grêmio, Criciúma... Mas vale vaga na Libertadores, vale uma taça. Que o Inter comece bem sua empreitada na competição.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Celebridades instantâneas

Reality shows são campo propício para o surgimento de celebridades. Instantâneas, claro. É verdade que há casos de alguns que têm algum talento e permanecem na mídia, como Grazi Massafera ou Sabrina Sato (a última, com o talento de aliar uma bunda boa com uma cara-de-pau inigualável para se submeter ao ridículo). Mas a esmagadora maioria não se sustenta. E se ilude com uma fama fugaz como fumaça de cigarro.
As celebridades instantâneas caracterizam-se por ter rostinhos e corpinhos bonitos. Só. Em termos de Q.I., a maioria fica abaixo de um cacho de uvas. E programas como o Big Brother fazem praticamente uma apologia à imbecilidade. Muita malhação e ausência de cérebro. Assim que acaba sendo.
Estética acima de tudo. A onda é ser legalzão! Como diria D2, em "Desabafo", "celebridade é artista, artista que não faz arte". Talento? Inteligência? Eita conceitos ultrapassados e antiquados! Superexposição. Esse que é o canal! Infelizmente, esse tipo de fórmula, que num primeiro momento é interessante, mas, com o passar do tempo mostra-se com uma pobreza inigualável, continua pegando. Ano que vem o Brasil "comemorará" a décima edição do glorioso BBB. Em quem se votou para vereador no ano passado ninguém lembra. Mas o voto para eliminar fulano e ciclano do paredão todo mundo sabe. É o senso cívico e de cidadania do brasileiro. A futilidade está na pauta do dia...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A feiura da foto de Yeda

Li uma coluna muito engraçada do Paulo Sant'anna, sobre os protestos e cartazes dos servidores públicos contra Yeda Crusius. A base da crítica da múm... quer dizer, do comentarista, é de que se utilizou uma foto em que a governadora está "feia e envelhecida". Segundo o sabichão, deveria ser movido um processo contra o protesto, por causa da feiura e do fato de se denegrir a imagem da paulista.
Não tenho conhecimentos jurídicos a respeito de utilização de imagens de pessoas públicas, por isso, tangenciarei a discussão no nível do direito. Mas, baseado na vivência, creio que seja uma estupidez. Lógico que é perigoso se vincular a imagem de uma pessoa a coisas ruins (mesmo havendo uma série de indícios de que tais coisas ruins tenham efetivamente beneficiado a pessoa em questão). Mas, o que é definir se uma pessoa está feia ou bonita em uma foto? Qual o grau de objetividade que este conceito possui, para ser objeto de uma ação judicial? Estivesse Yeda distorcida por algum programa de computador (o que não parece) ou em situação de constrangimento, ou ridícula, haveria argumento para se querer mover uma reação nesse sentido. Mas, se a foto é uma foto normal, numa situação normal, e a pessoa simplesmente saiu feia, fazer o quê? Fosse assim, Marquito ficaria milionário só movendo processos por ter saído feio em fotos publicadas...
O que o comentário de Paulo Sant'anna reflete é a tentativa desesperada e ridícula de voltar a opinião pública contra uma reivindicação e um protesto absolutamente legítimos. Há indícios fortes de ligação do governo Yeda e de pessoas ligadas a partidos aliados com esquemas de corrupção, beneficiados pelo mal uso da máquina pública. Ao mesmo tempo, existe uma política de arrocho salarial dos funcionários públicos, uma desvalorização dos professores da rede estadual, um descaso em termos de politicas sociais e uma estagnação preocupante do Rio Grande do Sul. É essa soma de fatores que está na pauta. Deslocar a discussão para a beleza ou a feiura da foto da governadora é uma argumentação de pobreza franciscana. O surgimento de argumentos ridículos somente ocorre à medida de que faltem argumentos cabíveis em relação ao que realmente ocorre. Assim sendo, de um jeito ou de outro, essa postura desesperada de setores conservadores da imprensa acaba sendo um tiro no pé. O silêncio pelo menos disfarçaria a falta de argumentos dos direitistas defensores do governo Yeda.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Embolotado

Fui atacado por mosquitos no dia de ontem. E não foi um ataque qualquer! Hoje estou todo embolotado e dolorido. O bicho pegou! Porém, hoje passei o dia na praia de Nova Tramandaí, fui muito bem recebido pelos meus familiares de lá, dei uma boa relaxada...
Mas o congestionamento na volta foi algo de outro mundo. Peguei o ônibus às 19 horas, para somente chegar em Porto Alegre às 22horas. Parecia que aquele ônibus nunca iria chegar!
E as dores continuam. Cotovelos, dedos das mãos, tudo coça, tudo dói. Espero do fundo do coração que amanhã esteja melhor. Eita nós! Mas valeu a indiada. Indiadas às vezes valem a pena, por mais que sejam cansativas. E o sono tá me pegando...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Suicídio

Fiquei sabendo essa semana do suicídio de um conhecido meu, atirando-se do décimo andar de um prédio. Fiquei pasmo ao receber a notícia. Afinal, ele nunca tinha dado a menor impressão que fosse de ser um suicida. Eu não o conhecia mais intimamente. Conversávamos bastante algumas vezes, sobre futebol e política. Enfim, o suicídio gera algumas reflexões.
Estou longe de considerar o ato do suicídio um absurdo, um atentado. A vida de um ser humano pertence a ele mesmo. Ele tem pleno direito de fazer o que quiser com ela. Até de liquidá-la. Desde que não prejudique diretamente a terceiros. Aliás, acredito que a única coisa que torna a vida suportável é a possibilidade de acabar com ela. Às vezes as angústias, as dores, os problemas, são tão grandes que ao pensarmos "tá difícil, mas acaba a hora que eu quiser" nos sentimos aliviados. Ser refém dos problemas seria algo muito pior.
Existe, por vezes, uma valoração exagerada da vida enquanto um valor em si mesmo. Não existe a vida. Existem vidas. É prepotência demais querer julgar que uma pessoa tem a obrigação de manter-se viva. Não tem. Cada pessoa tem seus problemas, e para cada pessoa os problemas tem pesos diferentes. É absolutamente inútil querer se estabelecer qualquer universalização nesse sentido.
Hoje em dia eu dou um valor à minha vida que não dava antes. Mas para por aí. O fato de EU dar determinado valor à MINHA vida, não quer dizer que todos tenham de dar tanto valor para as suas vidas. As pessoas e suas vivências são diferentes, cada uma com suas singularidades. Uma pessoa só se mata quando julga que a vida se tornou insuportável. Pra ela. Condenar tal ato beira à desumanidade, se visto por certo prisma. Porque uma pessoa teria a obrigação de manter-se viva? Porque a vida é um bem em si mesmo, seja como for? Ou porque é sinal de fraqueza? Fraqueza também é um conceito relativo. O motivo que faz ciclano se matar pode não chegar nem perto de fazer fulano cometer um suicídio. E fulano poderia dizer: "como ciclano é fraco". Mas, não haveria motivos que incentivariam o suicídio de fulano e que nem cócegas provocaria em ciclano? Tenho quase certeza que sim.
O ato de acabar com a própria vida é um ato extremo. É algo provocado por uma dor, ou mesmo por uma convicção filsófica (por que não?) que faz com que a vida perca seu sentido. O suicídio é o término de toda e qualquer expectativa de reversão de certo problema, que machuca e torna a existência insuportável. Por isso, nunca condenarei um suicida por abreviar algo que, para ele, não tinha mais jeito.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ala minuta

A ala minuta é, dos pratos simples, o mais sofisticado. É uma pedida que não se erra. Claro, compará-la a uma pizza, a pastéis, ou a um churrasco bem suculento (com pouca gordura, claro) seria covardia. Mas a ala minuta é, dos reles mortais da gastronomia, disparadamente o melhor. É uma combinação perfeita. Tem aquela saladinha, chatinha sim, mas que dá um bom balanço ao prato. Tem o arroz, que é um componente esperado, e serve para ser comido junto às fritas. Ah, as fritas. Batata frita é bom demais. As batatas fritas conferem certa agressividade ao prato. Dão força, dão pujança.
Mas a minha tara, o meu delírio, é com o bife, suculento e saboroso, tendo por cima solenemente posicionado o ovo frito. Eu mexo com cuidado sacrossanto nessa parte do prato. O ovo frito tem de estar com a gema na medida certa. Nem dura, carrancuda, chata, enfadonha, nem aguada, daquelas que viram um molho para o arroz. A gema tem de estar molezinha, mas na medida certa, com uma camada mais durinha. E é um espetáculo. Essa soma de ingredientes forma um prato extremamente simples, bem prático, e absolutamente saboroso.
A ala minuta dança nos papilos gustativos, baila com uma graça inigualável. Ela traz sensações quase orgásmicas. Como já disse antes, não dá pra compará-la com uma pizza, que seria um D'alessandro, com um pastel, que seria um Guiñazu, com uma lasanha, que seria um Nilmar, ou com um churrasco, que seria um Alex. Mas é uma espécie de Magrão dos pratos. Simples, prático, operário, e eficiente.
Obs: apesar da analogia um tanto exótica, nunca senti vontade de comer os jogadores D'alessandro, Nilmar, Guiñazu, Alex e Magrão.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mistão

Jogos como o de ontem, do mistão do Inter, são bastante interessantes para que se faça uma análise do grupo de jogadores. Jogo tipo "fumaceira", interior do estado, contra time que vem fazendo boa campanha. Cenário perfeito para se ver se o elenco colorado tem bala na agulha. E, no apito final do juiz, concluí: tem.
Arílton fez um belo primeiro tempo. Apóia bem, é atrevido, não tem medo de errar. É promissor para a lateral direita colorada. Pena que desapareceu no segundo tempo. Danny Moraes é um zagueiro pronto. Tá jogando demais. Só não é titular porque o leque de zagueiros colorados tem muita fera. Sobre Kléber, apenas uma frase: vai ser titular. Glaydson será um bom reserva. Primeiro volante discreto que não compromete. Maicon sim, é preocupante. Sua limitação técnica é gritante. É um jogador esforçado. Só. Dar um passe certo, proporcionar continuidade às jogadas é uma missão hercúlea para ele. Andrezinho vem encantando. Está jogando muito bem a cada vez que entra. Marca, não se omite, e dá cadência ao meio campo colorado. Marcelo Cordeiro, mesmo em posição deslocada, como um meia esquerda, vem jogando bom futebol. Tem boa técnica, cruza bem, enfim, sabe jogar bola. E no ataque tivemos Valter. Tem força, tem presença, tem coragem. Tá faltando acertar o pé. Mas é uma opção interessantíssima do elenco colorado.
Em suma, saí com boa impressão a respeito do grupo de jogadores do Inter. Ao contrário de outros times da capital que se aventuraram com reservas pelo interior do estado e deram fiasco, o Inter foi bem. Dominou o Ypiranga e criou chances. Faltaram os gols. Mas valeu mesmo assim. O clube garantiu a primeira colocação geral nessa fase, o que lhe possibilita decidir todos os mata-matas da fase posterior em sua casa. E no Gigante, sabemos, os adversários sentem aquele friozinho na barriga.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Trotes

Estava vendo alguns casos de trotes abusivos contra calouros em universidades pelo Brasil. E acho realmente impressionante, e até certo ponto, estúpido. Há trotes sadios, e que os próprios calouros gostam. Mas há também os trotes humilhantes, que realmente abusam das pessoas.
Alguns atos são animalescos, vão contra qualquer tipo de civilidade, são ritos de passagem descabidos. Sou frontalmente contra qualquer humilhação. Sou contra a invasão dos direitos de qualquer ser humano. A submissão pela força, a imposição, são elementos condenáveis, e afetam diretamente o livre arbítrio do outro. Se houvesse a alternativa de escolha, de querer ou não participar desse tipo de evento, tudo bem. Porque, sim, há, incrivelmente, quem goste desse tipo de ritual. Mas, e os que não gostam, ou não querem, deveriam ter o direito de não querer.
Há sempre o argumento que diz respeito às tradições. Talvez seja o mais respeitável dos argumentos. Mesmo assim, tradições podem e devem ser moldadas com o tempo. A verdade é que só se mantêm tradições que são convenientes manter. E esse tipo de tradição ajuda a externar o lado animal, irracional, do homem. Acho profundamente lamentável.
Assim, tudo é cabível dentro de um nível de racionalidade. Vivemos num mundo civilizado (ou que pelo menos deveria sê-lo) e devemos aumentar o respeito pelo outro. Ser ético nas ações, fazer o certo, por mais que corra contra a onda, ainda é o que mais faz sentido. Para se viver bem não há a necessidade de se humilhar ninguém, nem de prejudicar quem quer que seja. Caminhemos para uma verdadeira civilidade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Agonia

Estou agoniado. A vida é realmente algo surpreendente, raso, e fugidio. Cometemos erros. Alguns menos delicados. Outros, bem mais. A vida também é injusta. Às vezes fugimos dos erros, sabemos que os erros são erros, mas não conseguimos escapar, como se algo maior e ruim viesse para destruir tudo. E depois, a vida angustia, de forma incurável.
A vida cria esperas dolorosas. São esperas que não dizem nada, mas das quais não se pode correr, e não se pode acelerar. E nada pode ser feito. Então ficamos ali, passivos, esperando pelo destino, que parece estar já à frente, longe, inalcançável. E a dor só vai ser diluída depois que as respostas sejam dadas. E as respostas demoram, configuram um calvário que não se deseja nem para o mais mortal dos inimigos.
A agonia lateja. A agonia amarra a garganta. E, num 50%, fica a espera pela plenitude da alegria humana, a plenitude da retomada da vida, ou a confirmação dos medos e das angústias. Mas a espera talves seja pior do que a própria resposta. A espera nos torna reféns dos pensamentos e das paranóias. E não podemos, por mais que queiramos, ter sequer um indício das respostas às nossas angústias. Somente temos de esperar a hora, o julgamento do destino. E o destino não olha para intenções, não olha para as fugas. O destino não se importa conosco, nem com nossas histórias de vida. Ele simplesmente decreta, friamente.
Aguardar o bater do martelo, imaginar a condenação, remoer os fatos passados, buscar lógicas, sentir a perna tremer quando encontramos, ou imaginamos, ou projetamos, provas de nosso crime, de nossa condenação. Somente esse aguardo existe de concreto. Somente isso, e nada mais do que isso pode ser feito em certos momentos cruciais. As definições são empurradas para a frente, com ou sem condenação. Não há ação a fazer. Não há nada a se fazer. O nó na garganta é persistente. O escurecer da noite amedronta. Precisamos de alguma distração. Precisamos da rapidez do tempo. Mas, medonho, o tempo não passa. Ele se arrasta, debochadamente. E o peito dói mais. Toda a força foi feita. Ainda assim, somos fracos. Ainda assim, fomos insuficientemente fortes. E agora, só resta esperar pelo relógio, rasgar as folhas do calendário, dia após dia. Para sorrir ou para chorar. De uma vez por todas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dois times

Há dois times que dividem o Rio Grande do Sul, e sua capital, Porto Alegre. Desde 1909, encontram-se pelos gramados da vida. Renegados por um time, os jovens ousados irmãos Poppe resolveram montar seu próprio time. E estava escrito nas estrelas: o maior rival haveria de ser aquele que os renegara. Assim foi. O primeiro duelo proporcionou um 10 a 0 esperado. Nada surpreendente. Seria estranho se um time que jogava há 6 anos junto tivesse algum tipo de problema pra vencer o recém criado rival, inexperiente e ainda aprendendo o jogo da bola. JustificarCom o passar dos anos, aquele time vermelho e branco começou a se afirmar no cenário do futebol gaúcho. Veio o rolo compressor, que marcou época. Depois os áureos anos 70, mandando no futebol brasileiro, tri-campeão. Ali, começava a surgir um certo recalque tricolor, que até então não era absolutamente nada em nível nacional, e via o vizinho brilhando em todas as capas, em todas as manchetes.
Os anos 80 reservaram algumas viradas. Claro, houve Gre-Nal do Século, houve Taça Joan Gamper conquistada em confrontos contra o Barcelona e o Manchester, em pleno Nou Camp. Mas a década foi mais azul. O time da Azenha conquistou um título brasileiro, uma Libertadores, e uma Copa Intercontinental. Foi o estopim da criação de um monstro. A arrogância e a vaidade tricolores foram acesas. Tantas surras nas décadas anteriores foi compensada com um "se achar" meio ridículo, meio patético, por parte do tricolor.
Nos anos 90, mais títulos tricolores proliferavam, depois de uma passagem constrangedora pelo submundo da Segunda Divisão nacional, enquanto o colorado amargava uma fase de vacas magras, vacas anoréxicas, em que tudo que se comemorou foram alguns Gauchões e uma insossa Copa do Brasil, copa propícia para conquistas de times pequenos, e que não tem a dimensão do Sport Club Internacional. E o ego tricolor inflava, e inflava, e inflava. Tamanho ego gerava um pisar nos outros sem precedentes. Não era fácil ser colorado nos anos 90. E, como se o mar de rosas fosse perdurar ad infinitum, o time da Azenha arrotava uma superioridade desproporcional aos fatos históricos.
Aqui se faz, aqui se paga. Nos anos 2000, começou um calvário sem precedentes para o time tricolor. Foi rebaixado fiasquentamente, lanterna confirmado e carimbado com rodadas de antecedência. Depois tentaram transformar a vergonha da passagem por uma Série B em algo épico. E o colorado retomava o crescimento, reconquistava a hegemonnia regional, voltava a figurar em competições sul-americanas, teve um vice campeonato brasileiro que só foi vice graças a uma manobra escandalosamente descarada. E em 2006, o colorado conquistou América, conquistou Mundo. 2007 reservou uma Recopa Sul-Americana, depois em 2008 veio uma Copa Dubai, e ainda uma Copa Sul-Americana. E os confrontos diretos dos dois reservam surras, e surras, e mais surras aplicadas pelo lado vermelho. E os azuis penam, sofrem, choram, esperneiam, e não abrem mão de sua empáfia característica e ridícula. Mas eles sabem, no fundo, a dor que sentem. Eles sentem o orgulho ferido, arranhado, dilacerado, embora tentem externar uma grandeza e uma superioridade que eles próprios, nos recôncavos da alma, sabem inexistir, e, até pelo contrário, vem sendo provada dia após dia no campo, ser objeto de pertença do colorado. E o colorado, humilde, não sai por aí autoafirmando-se contra eles. Não nos importa sermos maiores do que eles. Já faz algum tempo que abandonamos esse parâmetro. Queremos ser os maiores, simples assim. Sem humilhar ninguém, sem pisar em ninguém. Apenas curtindo nossas alegrias e rindo, gostosamente, dos rostinhos frustradinhos de setores tricolores, do tipo mamãe-não-deixa-eles-ganharem-de-novo-porque-somos-imortais-e-nada-pode-ser-maior-aiiiinhê. Afinal, ganhamos, mais uma vez.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Gre-Nal em Erechim

Hoje tem Gre-Nal em Erechim. A televisão, sacanamente, transferiu a partida para às 19h 30. É um Gre-Nal cercado de expectativas. O Grêmio se prepara para a disputa da Libertadores da América, e o Inter busca azeitar o time.
Do lado colorado tem muitas coisas a se ajustar ainda. Primeiramente, a lateral direita está problemática. Danilo Silva não será titular ao longo da tmporada. A tendência é de que Arílton se estabeleça por ali. Mas Tite quer se resguardar defensivamente, e por isso vai escalar um zagueiro por ali. Na lateral esquerda, permanece a insistência com Marcão. Lamentável, porque é o pior dessa posição.
Se jogar Taison, o Inter precisará encontrar uma mecânica de jogo com dois volantes da segunda função. Alguns defendem que o Inter precisa de um cão de guarda, pois terá laterais apoiadores. Discordo dessa tese. O exemplo empírico de que se pode ter um time sem primeiro volante e com laterais de vocação ofensiva é o São Paulo campeão do mundo. Júnior e Cicinho não são laterais defensivos. São praticamente alas. E ao mesmo tempo, o meio de campo do tricolor paulista tinha Mineiro e Josué, nenhum dos dois quebrador de bola. Tendo qualidade e um pouco de organização tática, tudo se ajeita. Nessa polêmica, portanto, discordo frontalmente do grande Fernando Carvalho.
Acima de tudo, tenho certeza de que teremos um grande jogo no Colosso da Lagoa. Gre-Nal arrepia. Não é à toa que a revista Trivela o elegeu o maior clássico do Brasil. Quando a camisa vermelha fica frente a frente com a listrada em azul, preto e branco, algo diferente acontece. Uma eletricidade perpassa os corpos dos jogadores, alastra-se pelo estádio, e chega até nossos lares, seja pela tv, seja pelo radinho. Gre-Nal é um orgulho gaúcho.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Espíritos

Estava lendo uma matéria da Isto É no site do Terra (http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2048/artigo125286-1.htm), sobre espíritos e psicografias. Muito interessante. Descreve, dentre outras coisas, casos em que psicografias serviram como provas auxiliares na resolução de crimes.
Acredito que algo permaneça após a morte. Já fui mais cético. Mas hoje creio que realmente haja algo além disso. Até mesmo porque não consigo imaginar o nada, a ausência de existência. É uma construção mental que não consigo realizar. Mesmo o sono, que seria o mais próximo de nada a que chegamos, tem algo. O tempo do sono existe. Por mais que não sonhemos, por mais que não enxerguemos nada, sentimos, de um jeito ou de outro, aquele tempo passar. Não é uma fita que se corta e pula do momento do adormecer para o momento do acordar.
Existe, sim, uma essência. Chamemos como chamarmos. Por um lado, é reconfortante ter essa convicção. Afinal de contas, a vida é muito complicada. As pessoas sofrem, choram, passam por tudo que passam, para simplesmente morrer e acabar tudo isso que foi construído? Seria muita ingratidão da natureza. A racionalidade mais rasa e cientificista talvez defenda isso. Que a vida é um ciclo que acaba. Mas quando passamos a utilizar uma racionalidade mais profunda, que não baseia-se somente em experimentos científicos e comprovações formais, quando passamos a efetivamente pensar e refletir, vemos que algo perdura.
Talvez a ciência um dia desminta isso tudo. Mas, por enquanto, o fato é que não respondeu convincentemente a estes questionamentos. Não comprovou a não existência de vida após a morte. Se a ciência não responde, não se pode estabelecer base nenhuma a partir dela. Sobra a subjetividade. A aliança de fé e razão de cada um, e que somente cada um pode saber. Eu contesto e questiono bastante muitas coisas, inclusive a existência de Deus. Essa sim, é bem mais difícil de comprovar. Mas a existência de espíritos é bem mais plausível pra mim. Nisso eu acredito hoje em dia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Vitória dos reservas colorados

Enquanto o time reserva do Grêmio tomou uma saranda do poderoso Veranópolis, os reservas colorados aplicaram 4 a 1 na Ulbra, no estádio Beira-Rio, em jogo que marcou a estreia da lindíssima camiseta do centenário. A vitória do Inter começou com um percalço: em falha de Lauro, o time de Canoas (e não DO Canoas) abriu o placar. Lauro começa mal na temporada. Não está passando segurança, está saindo estabanadamente do gol, e está soltando muitas bolas. Parece o Lauro dos tempos de Ponte Preta, Cruzeiro e Sertãozinho, e está longe de ser o goleiro que se afirmou na Sul-Americana. Torço para que ele retome a segurança na meta colorada. Michel Alves está no banco, babando de vontade de jogar e não sair mais do time titular. E bola pra isso, ele tem.
Arílton mostrou muita personalidade e nem tanto futebol na lateral direita. Mas é um jogador muito jovem, e segundo consta está treinando muito bem. Kléber, apesar de desembocado, mostrou que sabe jogar bola mesmo. Vai se firmar, certamente. Me agradou também Glaydson. Um volante discreto, rápido, que erra poucos passes. E o grande destaque vai para Taison. Tá jogando demais. Cria, dribla, corre, e está finalizando como nunca. A fase do garoto é iluminada. Está sendo decisivo e mortal.
E pensar que esse time reserva ainda estava desfalcado de Walter e Giuliano, que estão jogando muito na seleção sub-20 (não conto Sandro porque, a princípio, o volante será titular). A temporada começa a se desenhar promissora. E domingo tem Gre-Nal em Erechim. Duelo de Campeão da Copa Sul-Americana contra conquistador de vagas. Como diria Uh Fabiano: o bicho vai pegar.

Classe mérdia e Lula

Acho extremamente engraçado o ranço que a classe mérdia brasileira demonstra em relação ao presidente Lula. Leio algumas coisas, e tenho vontade de rir enlouquecidamente. Nem os ricos têm essa implicância com Luiz Inácio. Critica às vezes, cinicamente. Mas sabe que a coisa está boa para eles. A classe mérdia, entretanto, tem uma implicância mortal, algo como vampiro e alho. E como tem.
O governo Lula é muito menos do que se esperava no início de 2003. Não houve nenhuma mudança estrutural, nem mesmo que passasse perto de outras experiências latino-americanas, como Chávez na Venezuela e Morales na Bolívia, bem mais progressivas se comparadas com a administração petista no governo federal. Lula limitou-se a um populismo meio baratóide, mantendo lucros e benefícios de banqueiros e grandes empresários. Não nos enganemos. Por isso mesmo, estes setores não nutrem o ódio por Lula que a classe mérdia nacional nutre. Há uma tentativa de expansão da classe média promovida pelo governo, aumentando a renda das classes baixas. A classe mérdia brasileira sente-se ofendida com as "novas companhias de classe". Fato. Além disso, a classe mérdia brasileira sonha em tornar-se classe rica. É uma vontade obsessiva. É uma vontade que rasga o peito dessa classe. Não consegue. Nunca vai conseguir.
A classe mérdia brasileira toma as dores da classe rica, imita seus modos, expõe-se ao ridículo de sua própria mediocridade. A classe rica apenas assiste, rindo, como Maria Joaquina assistia ao Cirilo fazendo seus caprichos de menina mimada. A classe rica ri por dentro da classe mérdia nacional. E a classe mérdia nacional é privatista! Expoente de luta pela eficiência e da gestão fria e mercantilista da vida das pessoas. Serviços básicos devem ser prestados pelo Estado, por mais defeituoso que seja o serviço estatal. Por um simples motivo: serviço básico é serviço básico, não pode ser uma mercadoria na mão de empresários sedentos por lucro. Educação, segurança, saúde, dentre outros serviços, são DIREITOS garantidos constitucionalmente. Querer tansformá-los em objeto de lucro é uma covardia irresponsável. Lula freiou um pouco o processo privatista desenfreado de FHC. Isso enlouquece a classe mérdia.
Outra crítica dirige-se aos casos de corrupção verificados no governo Lula. Isso é realmente decepcionante, vindo de um partido que sempre apregoou a honestidade política. Esse é o grande choque. Mas escândalos políticos não foram criados no governo Lula. Não foi o PT que inventou a corrupção no Brasil. Agora, a classe mérdia tenta aplicar que só a direita, com sua "eficiência empresarial" não é corrupta. Mentira. A classe mérdia sabe que é mentira.
Além disso, há ainda a mais batida e mais covarde das críticas: Lula é analfabeto, ou pior, Lula é burro. Será que um homem que saiu de origens tão humildes, tornou-se líder operário, negociou com sucesso em mesas compartilhadas com grandes empresários e foi eleito presidente de um país de dimensão continental como o Brasil pode ser rotulado de burro? A classe mérdia se incomoda, porque com toda a sua ambição inerente tem que aturar um presidente operário. Nessas horas, a classe mérdia nacional vê como é medíocre. Lula não tem é escolaridade, não tem a cultura institucionalizada no papel. Mas é muito inteligente. Comprovou isso na escola da vida, na escola da política. Mal ou bem, é um líder latino-americano.
Lula faz um governo que vem melhorando sim a vida dos pobres. Talvez não da forma mais correta, com políticas contestáveis de compra de vagas ociosas em universidades privadas, de um bolsa família que não conduz às pessoas a uma independência perante o poder estatal. Algumas dessas políticas são criticadas ferozmente pela classe mérdia. Outras, nem tanto, por atender alguns anseios e interesses dessa classe. Mas o fato é que o Bolsa Banqueiro ninguém critica. O governo Lula é um governo conservador, que mantém os privilégios da elite, e apenas direciona-se, inclina-se um pouco mais aos pobres. Isso já apavora a classe mérdia e setores da elite. Imagine se tivéssemos um governo de esquerda...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Insector Sun

Estava vendo uma matéria no site globo.com a respeito de um sujeito que produz um seriado live action estilo japonês, chamado Insector Sun, em Ribeirão Preto. Ele está parando por falta de verba e de patrocínios. É bonito ver certas paixões por certas coisas. Até onde elas levam, a aplicação de certas idéias. Esse cara é um exemplo de determinação e de vontade de fazer algo que se gosta, de maneira até mesmo romântica.
Sempre curti esse tipo de seriados japoneses. Minha infância nos anos 80 e início dos anos 90 foi povoada por esses heróis, que compareciam diariamente na extinta Tv Manchete. Tudo começou com Jaspion e Changeman. Depois, veio uma segunda leva, com Flashman, Jiraiya, Jiban. Jiraiya era o meu favorito dessa leva, e acho que era o favorito da maior parte dos telespectadores. Jiban era legal também, visualmente até mais atraente, mas não tinha o carisma de Jiraiya e sua família de ninjas. Na terceira remessa veio meu seriado favorito dentre todos: Spielvan, que aqui no Brasil era apresentado como Jaspion 2, apesar de não ter nenhuma conexão com Jaspion. Junto com Spielvan vieram Maskman e Black Kamen Rider, o mais dark dos seriados japoneses. Posteriormente, veio Winspector, o último desses seriados que assisti (depois me lembro que teve Solbrain, uma continuação chatíssima de Winspector que não me animei a acompanhar).
Aí começou a era dos desenhos japoneses. Alguns legaizinhos, outros nem tanto. O que me marcou mesmo foi Cavaleiros do Zodíaco. Era uma trama até meio batida, mas era algo novo, com uma história sedutora, mistura de mitologia grega e armaduras estilosíssimas. Ah, a nostalgia da infância...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Novo aumento

O novo aumento das passagens do transporte coletivo de Porto Alegre é um deboche da população. Nos últimos anos, estamos tendo aumento em cima de aumento (sempre em época de férias, quando a população está desmobilizada), sem, no entanto, percebermos maiores melhoras nos nossos ônibus. É um acinte que se pague R$ 2,30 por um serviço deficiente, em que a população trabalhadora sofre com falta de horários, falta de lugares, hiperlotação.
Em compensação, linhas de zonas mais nobres da cidade, como por exemplo, o Auxiliadora, tem ônibus a rodo. Sai um da parada no centro, aparece outro. Às vezes o outro chega antes mesmo do primeiro ter partido. Bem em frente, trabalhadores que utilizam as conduções de bairros periféricos, como Leopoldina, Rubem Berta e Passo das Pedras, se amontoam em filas intermináveis para pagar R$ 2,30 e serem transportados feito porcos, sem espaço, sem conforto nenhum.
Trata-se de uma inversão de valores. Quem menos precisa de ônibus, a classe média alta e alta, é a que dispõe de tal serviço em índices melhores quantitativa e qualitativamente. Já os pobres, os trabalhadores, que são obrigados a utilizar o serviço de transporte público, sofrem com o descaso das empresas, tendo que chegar a um fim de expediente estafante dispostos a encarar mais uma jornada em pé, mantendo-se num espaço de 15 centímetros quadrados no ônibus.
Talvez se devesse cobrar uma tarifa maior em determinadas linhas, que abrangem áreas e usuários mais abastados, na média. Mas é difícil que isso aconteça. Vivemos num sistema em que a igualdade só se aplica comodamente aos interesses das classes altas, e a livre competição só serve para tornar os pobres reféns de sua falta de condição.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Morte no hospital

O conto que vem a seguir é baseado em um sonho bizarro que tive essa noite. Meu "papel" era o do personagem Roberto. Claro, tive que dar uma incrementada na história, e também tive que criar o final, vocês verão por quê. É uma história forte, por isso, já aviso de antemão, que quem achar que não deve ler, que talvez possa se chocar, deve parar por aqui.
Em um certo hospital trabalhavam na mesma unidade três pessoas. As três com peculiaridades. em seus relacionamentos entre si. Roberto e Carla eram amigos bastante próximos. Tal amizade era realmente um laço forte. Ambos tinham uma relação de tolerância com Cristina, que era enfermeira. Os outros dois eram médicos. Carla e Cristina tinham uma relação bastante hostil, e Roberto tinha uma maior afinidade com Carla. Com Cristina, havia cumprimentos, uma certa convivência inerente à profissão. Só.
E Cristina tinha muita raiva de Carla. Uma raiva enfurecida e contida. Carla não percebia tal fúria. Percebia a atmosfera negativa. Mas não se dava conta. E assim os dias passavam. Até que num dia, Cristina teve uma idéia mirabolante e diabólica. Juntamente com outro enfermeiro, Raul, em um momento de pouco movimento na unidade, já no final da noite, trancou Carla e Roberto em uma sala. Raul era uma espécie de "assistente". E Cristina começou a sessão de tortura. Com Roberto. Roberto seria uma cobaia. Nele seriam testados os mecanismos possíveis para a morte dolorosa de Carla. Primeiramente, Cristina pediu que Raul pegasse uma agulha de injeção. Roberto, amarrado, implorava clemência. Em vão. Raul, sorrindo, cravou a agulha, e arrastou-a pela pele de Roberto. Claro, doeu um pouco, mas não o suficiente. Matar também parecia impossível com aquela reles agulha. Carla assistia à cena perplexa, amarrada do outro lado da sala. A próxima ferramenta seria um prego, com um martelo. Roberto lacrimejava, gritava feito porco à beira da morte. Raul martelava o prego no braço direito de Roberto, que chorava copiosamente, perguntava o que havia feito, por que aquilo estava acontecendo. Mas era tolice fazer qualquer pergunta. Cristina pediu a Raul que pegasse a faca. A faca não haveria de perdoar. E com a faca, Raul cortava Roberto, também com certa dose de prazer sádico. Cortou um braço, depois outro, e o sangue escorria. Finalizou separando o corpo em duas partes, em um corte apenas, na altura do estômago.
Era a faca. Teria de ser a faca. Era chegada a hora de Carla. Cristina pediu que Raul se retirasse da sala. A partir daí, somente se divertiu. Membro a membro, desfiava Carla, já desnudada pela enfemeira, que chorava demais, e sabia não ter outro destino que não fosse a dor e a morte. Braços, pernas, cada detalhe do corpo de Carla era destruído com aquela faca, e o sangue encharcava a sala e a roupa branca de Cristina. Carla morrera, com o pânico desenhado em seus olhos. E Cristina ria enlouquecidamente. Saiu correndo porta a fora do hospital, ria, ria, ria, e atirou-se maravilhada no gramado à frente do hospital, onde deitou. E dormiu ali mesmo, feliz, satifeita, embriagada de alegria.