sábado, 31 de janeiro de 2009

Beira-Rio

Foi praticamente confirmado pela vistoria da FIFA o Beira-Rio como sede da Copa do Mundo de 2014. E não poderia ser diferente. Era uma disputa risível: um estádio contra uma maquete. Lógico, o estádio venceu. E o Internacional já foi sede de Copa, em 1950, na época com o Estádio dos Eucaliptos. De novo, um estádio colorado abrigará partidas da Copa do Mundo, e com grandes chances de sediar uma das semifinais.
O Beira-Rio é um orgulho colorado. Foi construído pela torcida do Inter. Bocas maldosas, à época da sua construção, duvidavam da capacidade da construção de um estádio em um aterro. Essas bocas calaram-se, constrangidamente. Ergueu-se um gigante. No primeiro jogo, vitória colorada sobre o Benfica. O primeiro gol, de Claudiomiro. O Beira-Rio foi um marco, um divisor da história do Inter. Antes, havíamos tido times mágicos, como o Rolo Compressor, de Carlitos, Nena, Abigail, Larry, Oreco. Mas nunca tínhamos dado o salto de qualidade enquanto clube. A Era Beira-Rio mudou o status do Internacional. A partir do Beira-Rio, surgiram as grandes conquistas, os títulos nacionais.
Desde 2003, o Inter vem trabalhando de novo na remodelação do Beira-Rio. Tal remodelação começou de forma singela, com a pintura das arquibancadas em vermelho e branco, tirando a antiga cor de concreto desmaiado e decadente. Vieram os assentos, as suítes. E, coincidentemente ou não, desde 2003 o Inter retomou a autoestima enquanto clube. A ponto de ganhar tudo, Libertadores, Mundial, Recopa, Copa Sul-Americana, Copa Dubai...
Agora, vem a "fase quente" da remodelação do Beira-Rio, com a cobertura, a extensão das arquibancadas em direção ao campo, e diversas mudanças estruturais que transformarão o querido Gigante em um estádio de primeiro mundo. E sediaremos a Copa. Mas, mais importante do que isso, o Internacional está melhorando o seu estádio para a sua torcida, elevando o valor de seu patrimônio. Isso permitirá cada vez mais o crescimento do clube. O colorado cada vez maior, cada vez mais potência, cada vez mais motivo de orgulho de sua torcida.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Vida de jogador

Os boatos a respeito da confusão na qual Robinho teria se envolvido, de estupro de uma garota de 18 anos na Inglaterra, traz à tona algumas reflexões a respeito da vida de jogadores de futebol. Não, não falo dos 80% de jogadores pobres do Brasil, por exemplo, que recebem cerca de um salário mínimo por mês em clubes sem nenhuma estrutura. Me refiro àqueles que atingiram um certo nível de fama, dinheiro, facilidades.
O mundo se abre de repente para esses rapazes. Ainda garotos, às vezes ainda menores de idade, tornam-se ricos, com uma mídia monstruosa. Poderiam facilmente se aposentar com menos de 25 anos. É tudo muito repentino. Aí, o aspecto psicológico, e também de origem social, pode ser de influência decisiva. Há os jogadores que já vêm de berço, com certa estrutura familiar e financeira. Mal ou bem, essa estrutura faz diferença. Não é determinismo de classe. Apenas exercite a imaginação: o cara passa uma infância de privações, muitas vezes passa fome, e do nada é milionário e reconhecido. Para que isso não dê um baque no sujeito, ele tem que ser muito centrado, mas muito mesmo. A tendência é que ele se sinta dono do mundo. O dinheiro parece infinito. O não, a impossibilidade, são palavras que passam a inexistir, magicamente, do seu vocabulário.
É por isso que muitos talentos acabam desperdiçados. Em relação a Robinho, tem que se tomar cuidado e apurar o que de fato aconteceu, se é que algo aconteceu. Li manchetes do tipo "Robinho preso por estupro". De fato, isso é especulação. Robinho nega. É importante que se espere invstigações mais aprofundadas, sob pena de se estar cometendo uma tremenda injustiça, que pode marcar negativamente a carreira do rei das pedaladas, de forma indelével.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Valeram os 3 pontos

A vitória do Inter sobre o São Luiz em Ijuí valeu acima de tudo pelos 3 pontos. Até mesmo porque não daria pra se esperar uma atuação luxuosa de um time desfalcado de jogadores como Guiñazu, Alex e D'alessandro. E os substitutos deram conta do recado.
Rosinei jogou uma partida boa, talvez a sua melhor com a camisa do Inter. Muito abaixo ainda do que se exige, mas apresentou melhoras. Taison foi o melhor atacante colorado. Infernizou a defesa adversária, deu bons passes, driblou, chutou. É um jogador em franca ascensão. E Andrezinho jogou demais. Mesmo ainda sem as melhores condições físicas, o meia foi o maestro do time. Centralizou as ações do meio campo e marcou um belo gol de falta.
Pelo lado negativo, as laterais. Marcão não pode ser titular quando se tem Marcelo Cordeiro no banco. Ontem, o lateral reserva entrou e novamente melhorou a equipe, no lugar do robótico titular. Porém, mais cedo ou mais tarde Kléber estará entrando na briga, e será o titular. Pela direita, Bolívar se esforça, quebra o galho, não compromete. Mas custo a crer que alguém pense em sua titularidade absoluta. Arílton deve ser observado.
Acima de qualquer problema, valeram os 3 pontos. Início de temporada, time se entrosando, desfalques, tudo isso forma uma constelação de fatores que torna covardia exigir maiores brilhos do time do Inter nesse início de ano. Potencial, todos sabemos que esse elenco tem. Não adiantaria nada "gastar a bola" agora, contra São Luiz, Zequinha, Santa Cruz, e sucumbir mais tarde, contra Corinthians, São Paulo, Flamengo, River e Boca. Importante, agora, são os resultados. Bom futebol mesmo será necessário mais pra frente na temporada.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Kléber e Alecsandro

O Inter apresentou ontem dois novos reforços para o ano do centenário: Kléber e Alecsandro. O primeiro é um nome consagrado, daqueles que chegam, fardam e jogam. Não restam dúvidas. Kléber é um lateral esquerdo acima da média. Apóia como poucos, e é nome freqüente nas convocações da seleção. Espero que Tite o escale o mais rápido possível. E, se demorar um pouco para estar plenamente apto, que pelo menos Marcelo Cordeiro receba oportunidades. Marcão é esforçado. Mas está em péssima fase técnica, ele que já não é nenhum primor de qualidade técnica quando está bem. Está na hora de colocar alguém com mais poder ofensivo, em ambas as laterais. Na direita, os relatos são de que Arílton está arrebentando nos treinamentos. Coloque-se logo Arílton, ora pois. Bolívar não vem comprometendo, mas perdeu o cacoete do lateral. Hoje, Bolívar é improvisação.
Em relação ao centroavante Alecsandro, é uma aposta. Vai fazer gols. Disso não tenho dúvida. Tanto melhor se ele tiver um parceiro. Nesse sentido, a manutenção de Nilmar seria importante. Entre vender Nilmar ou vender Alex, prefiro mil vezes que se venda Alex. Para Alex, haveria reposição no próprio grupo, com Giuliano, que está jogando o fino da bola na seleção sub-20. Para Nilmar, não há substituto no Beira-Rio. O Inter teria que correr desesperadamente atrás de um substituto. Resta saber qual é a demanda do mercado. Claro, o ideal seria que não se vendesse ninguém. Mas sabemos que é necessário vender jogadores para manter a saúde financeira do clube. Nesse caso, é bom que se projete imediatamente a reposição. Até porque Alex não é atacante, e os gols marcados pelo Nilmar se devem muito mais à sua ampla movimentação do que a uma suposta parceria de Alex. Mesmo no ataque, Alex joga como meia. E Alecsandro, que é um jogador de imposição física e movimentação mais limitada, precisaria de um atacante-atacante, que se movimente bastante, do lado dele.
Em suma, os dois reforços são bons. Kléber dispensa comentários. Alecsandro é uma aposta que tem tudo pra dar certo. Não se espere dele maiores brilhaturas individuais. É um centroavante nato. Um fazedor de gols. E tudo que devemos cobrar dele são gols. Com uma ajuda de Tite, colocando zagueiros na zaga, laterais nas laterais, volantes nas volâncias, meias nas meias e atacantes no ataque, temos tudo para que 2009 seja um ano histórico. Mais um, dentre os anos históricos que o Inter vem tendo nos últimos tempos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Dilemas Cotidianos- Capítulo 18

O ambiente de trabalho era diferente e estranho. Fernando e Julieta trocavam olhares muito rápidos. Muito rápidos mesmo. Quase não se olhavam. Era um clima um tanto constrangido. Assim passava o dia. Assim passaram alguns dias. Tudo era meio distante. Até que um dia Julieta convidou Fernando para tomar um café, em um bar, logo após o trabalho. Coisa informal.
Misturavam o açúcar ao café. Vagarosamente, bebiam. Olhavam-se, e conversavam sobre coisas sem importância. Era uma relação mutuamente defensiva. Fernando não sabia nem mesmo o que falar. Prorrogavam os assuntos inúteis. Julieta, então, aproximou a cadeira da de Fernando. Tal aproximação deu-se de forma que suas pernas se encostassem levemente. Julieta tocou o braço de Fernando. Acariciava-o. Em resposta, Fernando também passou a acariciá-la. Ali, não existiam palavras. Apenas gestos. Apenas simbolismo. Fernando com sua mão esquerda tocou o quadril de Julieta. Aproximaram os rostos e beijaram-se. Foi um beijo demorado, carinhoso, doce.
Olharam-se e sorriram mutuamente. Julieta exclamou:
- Nós somos dois malucos! Só fazemos besteiras!
- Concordo. Somos completamtente loucos.- respondeu Fernando, sorrindo.
Aquela história era muito truncada. Fernando tinha consciência de que talvez estivesse agindo de forma incorreta. Afinal, Débora era ainda o que havia de mais importante. Mas, imaginava ele, ela deveria estar com seu namorado. Beijando-o. Sendo acariciada. Transando fervorosamente. Fernando sabia que esperar por Débora era uma grande estupidez. Débora era um amargo pensamento, dolorido, longe da cicatrização. Mas, se ela não parava a sua vida por Fernando, por que motivo ele pararia a sua vida por ela?
Assim, estava decidido a levar, de um jeito ou de outro, a sua aventura doida com Julieta. Ela era o que havia no mundo real. Mesmo que interinamente. Porque Fernando sabia que esquecer Debora não seria fácil, e talvez ele nem sequer conseguisse tal feito. Mas levaria adiante, mesmo que aquilo não estivesse em seu mundo ideal. Fernando resolveu adequar-se às exigências pragmáticas dos fatos. Assim deveria ser.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Daronco

O Inter venceu o São José em partida carregada de dramaticidade. E com alguma carga de heroísmo, até mesmo. Fez um primeiro tempo complicado, de toma lá dá cá com o time do Passo D'areia. Voltou melhor para o segundo tempo, pressionando. Aí entrou em campo Anderson Daronco, de forma incisiva. No primeiro tempo, ele já havia se acovardado ao não expulsar Sotille, que agredira D'alessandro em uma cobrança de falta. Mas no segundo tempo, o juizão se superou.
Expulsou dois jogadores colorados injustamente. Alex tentava cobrar uma falta, quando um jogador do Zequinha colocou o corpo na frente. O inevitável aconteceu: Alex, que estava com o pé engatilhado para cobrar a falta, atingiu o jogador adversário, de forma involuntária. Daronco expulsou Alex, de forma absurda, e com uma "coragem" que não havia tido no primeiro tempo. Na seqüência do jogo, Samuel, do São José, foi expulso acertadamente. Nesse contexto, o Inter abriu o placar com Taison, e logo depois, Júnior Paulista empatou, em passe de Sotille, que deveria ter sido expulso no primeiro tempo. Aos 41 minutos, Taison marcou um golaço. 2 a 1 Inter. Então, Daronco voltou a dar o ar da graça. D'alessandro foi agarrado escandalosamente pelo zagueiro do São José, que não o deixou partir para o contragolpe, e o juiz expulsou os dois! Então, Tite, com razão, foi à loucura. E o homem do apito expulsou o treinador colorado. E mais, deu 10 minutos de acréscimos! 10 minutos! Mas o colorado é maior do que qualquer juiz. Foi lá e marcou o terceiro, em gol de Marcelo Cordeiro, concluindo grande jogada de Magrão. E o Inter venceu a primeira partida do centenário.
Qualquer comentário que se faça a respeito da arbitragem deve ser muito bem pensado. Por exemplo, quem viu o jogo e se deixasse levar pelo coração, poderia acusar o árbitro de mal-intencionado. Mas eu não vou chamá-lo de mal-intencionado. Recuso-me sequer a pensar nessa hipótese. Ele simplesmente é ruim no que faz. E jogo do Inter não é palhaçada para que se escalem juizes de competência duvidosa. A Federação Gaúcha tem a obrigação de escalar o que há de melhor em termos de arbitragem para jogos de Inter e Grêmio. Caso contrário, pode acontecer mais vezes o que aconteceu ontem, e que não se encerrou ontem. Daronco prejudicou o Inter em dois jogos. No de ontem e no do meio da semana, no qual o Inter terá que enfrentar o São Luiz em Ijuí sem duas de suas principais referências técnicas, Alex e D'alessandro. Mas o Inter é forte, e vai superar as dificuldades.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Mariana Bridi

A morte da modelo Mariana Bridi, que havia tido mãos e pés amputados, realmente é um fato chocante. É a demonstração da imprevisibilidade da vida. Em cerca de um mês, o que era pra ser uma simples infecção urinária agravou-se de forma dramática, transformando-se rapidamente em infecção generalizada, causando a amputação dos membros extremos.
O que mais causa impacto é a forma brusca e inesperada como os fatos sucederam na vida da moça. De uma hora pra outra, assim, do nada, a vida pode sofrer reviravoltas realmente assustadoras. É impossível não sentir tristeza perante o fato. É impossível não se se sentir pequeno diante da vida.
Estamos aqui, vivos, saudáveis, com nossas estradas e sonhos pela frente. De repente, tudo isso pode virar pó. A saúde pode tornar-se não saúde. A vida pode tornar-se morte. E tudo o que existia, num estalar de dedos, deixa de existir. O pior de tudo é que só valorizamos a nossa saúde, as pessoas ao nosso redor, nossas alegrias, a estrutura de nossa vida, quando perdemos algum desses elementos. Ou quando acontece uma coisa dessas que aconteceu com a bela Mariana.
Fica a tristeza e o apoio à família de Mariana. Que fiquem guardados os momentos mais maravilhosos da menina no coração de cada um que a conhecia. O Brasil está comovido e triste com a história da modelo. Que ela esbanje beleza e energia num lugar muito melhor.

Vendam Nilmar!

A proposta do Palermo da Itália por Nilmar, de 18 milhões de euros, deve ser aceita pelo Inter. Por quê? Simples, porque é o ano do centenário colorado. Se é pra vender, que se venda Nilmar logo, e que logo se traga uma reposição de nível. Nessa temporada, o Inter deve tentar evitar, obsessivamente, se desfazer de atletas no meio do ano. O centenário deve ser completo. Deve ser um ano inteiro. Deve ser de quem realmente quer ficar no Inter. De quem quer acima de tudo honrar a camisa vermelha neste ano histórico, acima de qualquer cifra.
E, convenhamos, a proposta é praticamente irrecusável. Não quero ver Nilmar sair no meio do ano. Saia agora. Seja vendido agora. Todos sabemos o impacto que a venda de um craque no meio do ano provoca. Mesmo que se traga a reposição, ganhar entrosamento durante um Campeonato Brasileiro é algo que pode comprometer uma campanha. A hora de repor, testar, é agora, no Gauchão e na Copa do Brasil. Brasileirão já é coisa séria em temporadas típicas. Em ano de centenário, então, nem se fala.
Minha preocupação apenas reside na possibilidade de a venda de Nilmar redundar na manutenção do esquema com apenas um atacante (que, no caso, seria Alecsandro). Uma coisa é ter um Nilmar, rápido, habilidoso, isolado na frente. Outra coisa é ter um Alecsandro, que é um centroavante centroavante. Ainda mais sem laterais apoiadores (espero que o Inter feche com Kléber, mas estou cético quanto a essa possibilidade). Centroavante sem jogada de flanco é como cantor sem microfone, carro sem roda: não serve pra nada.
Enfim, há duas coisas importantes, que acredito que o Inter deva fazer o mais rápido possível: vender Nilmar e buscar um segundo atacante no mercado pra fazer parceria para Alecsandro. Além disso, espera-se que Marcelo Cordeiro jogue o que jogou no Vitória, caso o Inter não confirme a contratação do ótimo Kléber, e que Arílton seja uma aposta certeira na direita. Ainda vejo Bolívar como remendão jogando naquele setor. Se essa constelação de fatores conspirar em nosso favor, teremos um ano de centenário promissor.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Andradas

Enquanto esperava a minha consulta ao dentista, hoje pela manhã, matei o tempo de uma das formas que mais gosto no centro de Porto Alegre. Andando pela Rua dos Andradas. A Andradas é uma espécie de termômetro de Porto Alegre. Sua movimentação é uma espécie de motor do centro da cidade. De Andradas em Andradas descobrem-se novas Andradas. As lojas, o cruzamento com a Borges de Medeiros, na famosa Esquina Democrática.
A rua dos Andradas tem seu charme. Desde a sua parte alta, mais formal, mais séria, passando pelo seu meio, de consumidores, trabalhadores desvairados e panfleteadores, chegando à poética Praça da Alfândega e seus aposentados, sua calçada peculiar, seu sol que bate diferente, seus bancos para observadores picturais do movimento de pés com sapatos engraxados, tênis Nike, All Stars, chinelos, sandálias, pés descalços... E depois, a parte menos movimentada, apaziguadora dos corações e pernas frenéticos da Rua dos Andradas, o trecho mais cultural. Depois da Praça da Alfândega, encontramos uma Rua dos Andradas menos popular e mais cult, quase blasé, com algumas lancherias de ar boêmio, a Casa de Cultura, os museus, os militares, o cruzamento com a General Portinho, importante referência da esquerda da cidade. Anda-se mais um pouco, a brisa já começa a bater no rosto anunciando a proximidade da Usina do Gasômetro.
Quantos passos dei na vida pela Andradas? Quantos rostos cruzei? Não sei, é incontável. Na Andradas já encontrei várias Andradas. Vários eus já passaram por lá. Vários estados de espírito vagaram pelo seu chão. Passar pela Andradas é ser porto-alegrense. É obter a melhor e a pior impressão possível, degustar em amostra o que é o povo da capital gaúcha. A rua dos Andradas é uma companheira, uma amiga com a qual se compartilha as alegrias e que nos dá um aconchegante abraço em dias depressivos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Imaginação

A imaginação é uma espécie de virtude. Da imaginação cria-se a genialidade, o inesperado, o novo, a arte. Não há dúvidas, a imaginação é algo que diferencia positivamente. Mas a imaginação tem um lado negativo. Imaginar pode ser algo extremamente corrosivo e destrutivo. Quando se imagina, muitas vezes se projeta. E projeções são realizadas sobre a realidade que se vive. Quando a imaginação se torna projeção, ela vira uma espécie de componente da realidade. Pode ter conseqüências desejáveis, motivadoras. Mas também pode se transformar, em sua dimensão negativa, em paranóia e auto-destruição. Imaginar é, de alguma forma, fazer uma extensão da vida. Muitas vezes, a imaginação projeta a realidade com tal riqueza de detalhes, que ela se torna a realidade mesma de quem imagina.
A imaginação pode ser um grande mal. É capaz de, se levada às últimas conseqüências, liquidar todas as relações humanas. Por isso, talvez, os grandes gênios geralmente tenham tido vidas pessoais tão lamentáveis. Ao menos, os grandes gênios têm a capacidade de canalizar suas imaginações e devaneios. E, geralmente, para os grandes gênios, a imaginação é realidade. E talvez, de fato, a realidade corresponda às suas imaginações, mesmo que por um ângulo diferente. Se as imaginações doentias dos gênios não fossem uma faceta do real, estas mentes não despertariam tanto interesse e tanta identificação em tantas pessoas.
Mesmo a má imaginação, aquela mais destrutiva, pode tornar-se boa. É necessário apenas canalizá-la. Em certos momentos, ou a pessoa encontra uma forma de expressar esse tipo de sofrimento, mesmo que por entrelinhas, ou fica calada dilacerando-se interiormente. Quando se imagina, não se pode fugir das imaginações. Tudo o que sobra é torná-las algo interessante. E o mundo da imaginação é sedutor, porque possui uma margem de ação que a realidade não proporciona. Na imaginação se mata, se ressuscita, se morre e se sobrevive. Mas a imaginação pode se tornar patológica. Preciso de um médico.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Dias

Há dias em que o espírito e o ânimo estão em sacrossanto silêncio. São dias que não fazem muito sentido, em que tudo é uma reflexão, uma busca triste e solitária de diagnósticos. É como se tudo parasse, como se o mundo fosse pequeno demais, como se o sono pudesse ser a fuga, a resposta. Há dias em que não se tem vontade de viver. Dias nulos. Dias que são desnecessários. Dias que são desgastantes.
As nuvens, a brisa, o barulho dos pássaros, tudo é cenário de uma melancolia conformada, de uma dor introspectiva, de uma mágoa anestesiada. Não se pode nascer de novo. Não se pode fazer nada pra melhorar. Há dias em que o corpo se atira nas cordas, em que os gritos desistem de gritar, em que o desespero resolve recolher-se e fuçar apenas o interior de um ser humano desistente e derrubado. Há dias em que as lágrimas cansam de correr do olho para os poros de um rosto descontente. Há dias em que a respiração é lenta, o aperto no peito não inspira nada.
Há dias em que existir é um fardo. Há dias em que o burro empaca e já não mais tem força para puxar a carga. E nesses dias, chicotadas ou oferendas, punições ou bonificações, socos ou beijos, nada disso nos faz mover um músculo. Há dias em que toda a decisão é de recolher-se consigo mesmo.
Há dias em que tudo que se faz é errante, sem norte, sem lógica. Compartilhar o quê? Compartilhar dores? Compartilhar sofrimentos? Não há o que se possa ser compartilhado. Há dias em que nada ameniza as horas. Há dias em que o anseio de viver esvai-se no horizonte como um navio que vai sumindo, e sumindo, e sumindo no mar. Há dias em que adormecer é a mais sábia decisão. Apenas peço que alguém me acorde quando a realidade for menos dolorosa que meus pesadelos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O dia de Obama

É hoje o dia. Barack Obama toma posse como presidente da maior potência econômica e política do mundo. O mundo inteiro está cheio de expectativas. Muitas delas, ingênuas, utópicas. Outras mais centradas e menos ufanistas. Só o fato de o dia de hoje representar a despedida de Bush já seria motivo de expectaivas positivas. Bush foi uma página lamentável dos Estados Unidos e do mundo. Representou uma era de paranóia, histeria, maniqueísmo e mentiras ianques.
Politicamente, a posse de Obama significa não a solidariedade absoluta dos norte-americanos, mas, ao menos, representa uma elevação de bom senso, o que faltou para Seu George. Terá Obama, também, que cuidar de seu próprio quintal num primeiro momento, haja visto a crise econômica deflagrada no seu país, e que se alastrou pelo mundo. Isso foge um pouco das características dos democratas, que historicamente tiveram uma orientação de administração mais aberta e "internacional". Bem, fuga de características não é novidade nos Estados Unidos em momentos recentes. Os republicanos, que ao longo da história tiveram uma orientação mais interna e enclausurada, fizeram intervenções internacionais como poucas vezes, talvez nunca, tenha se visto no mundo. Intervenções deletérias e descabidas, diga-se de passagem.
Questões políticas e econômicas à parte, a posse de Obama tem um significado muito mais simbólico do que prático. O fato de ser o primeiro negro a assumir o posto de presidente dos Estados Unidos é carregado de força. O mundo não tem cor. Nós não temos cor. A vitória de Obama pode servir para que se acabe de uma vez por todas com esse tipo de estupidez. O que existe é competência, caráter. Julgar seres humanos por serem negros, brancos, bonitos, feios, altos, baixos, é a falta absoluta de capacidade de discernimento e complexidade, é o símbolo máximo de uma mediocridade que necessita rotular as coisas de uma maneira cômoda e tacanha, sem precisar de qualquer tipo de racionalização mais elaborada. Obama representa uma novidade por si só, pelo contexto que envolve sua história. Se ele se tornará mais novidade ou se ficará estacionado no simbolismo, só o tempo dirá.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Comoção

Depois de alguns dias de descanso em Capão da Canoa, regado a muitas caipirinhas e cervejas, estou de volta a Porto Alegre. Durante a estada no litoral, tive a desagradável notícia, pela televisão, da tragédia envolvendo o Brasil de Pelotas, com o falecimento de dois jogadores e do preparador de goleiros. Dentre as vítimas fatais, o atacante Cláudio Milar. Confesso, fiquei chocado e comovido. Milar era um símbolo da retomada da força do Brasil de Pelotas. Uma espécie de Fernandão xavante. Era um ótimo jogador, forte, determinado, goleador.
Cria-se agora uma corrente de solidariedade que circunda o clube de Pelotas, e que não tem cor. É de colorados, gremistas, grenás, juventudistas, torcedores do Lobo. O tradicional Brasil de Pelotas passa talvez pela maior tragédia de sua história. Não tenho dúvidas de que a dupla Gre-Nal irá ajudar o xavante. Há jogadores no Inter que podem ser aproveitados pelo Brasil, e que terão a chance de mostrar com mais freqüência seu futebol, vestindo a camiseta de um clube de peso do interior do estado.
O momento é realmente triste, e não há muito o que se possa ser dito. Simplesmente sente-se dor, e ficamos perplexos, meio apatetados com algo tão brusco e inesperado. Apenas fica a solidariedade ao Brasil de Pelotas. Força, xavante!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Prismas diferentes

Reuniões em grupos com desconhecidos não são o meu forte. Definitivamente. Hoje, compartilhei uma mesa de bar com pessoas muito agradáveis, pela tarde. Mas eu era um estranho naquele território. Me esforçava para ter uma incorporação à temática. Vão esforço. Às vezes, existe uma diferença muito grande de prismas pelos quais se enxerga o mundo. Não é culpa nem de um lado, nem de outro. São apenas diferenças. Compartilhar uma mesa com pessoas tão diferentes é uma auto-experiência interessante. Nem sempre tão agradável. É como um japonês comunicando-se com um russo. O japonês falando em japonês. O russo, em russo. E se houver três japoneses na mesa do bar, o russo fica desorientado.
Senti vontade de interagir. Não consegui. Eu sou um bicho do mato assumido e incorrigível. Às vezes me solto um pouco quando tenho uma linguagem comum com meu interlocutor. Mas quando o interlocutor fala sobre coisas que você não entende, e mais, não consegue nem sequer se interessar, por mais que quisesse se interessar, o diálogo torna-se inviável. Já é difícil me fazer falar sobre o que gosto e sei. Imagine, então, se vou falar sobre coisas com as quais não me identifico, e não tenho a menor vontade de saber.
Fui muito bem recebido pelo pessoal. Mas não adianta, muitas vezes os mundos são diferentes, as vivências são incongruentes, e o diálogo não flui, principalmente da minha parte. Confesso, gostaria de ser um pouco mais camaleônico. Sou um sujeito que se molda com certa facilidade às situações em que devo ser apenas eu mesmo. Quando mais do que isso entra na pauta, as coisas se complicam.
Possuo um conhecimento pouco extensivo, pouco horizontal, e muito mais vertical, e, de certa forma, profundo. A principal investigação da minha vida, o principal foco, aquilo que mais me atrai e me intriga sou eu mesmo. Seria capaz de passar horas me auto-descrevendo e, ao mesmo tempo, me auto-descobrindo. Sou um egocêntrico irremediável. Talvez um pouco autista, até. Mas também gosto de falar de todo tipo de cotidianeidade, exercitar meu próprio senso a respeito das coisas. Tenho certa aversão a qualquer tipo de pré-noção ou pré-conhecimento que já chegue de alguma forma processado até mim. Odeio lógicas prévias que não foram construídas por mim. E tenho plena consciência de que na minha área de atuação isso é um pecado mortal. Fazer o quê? Tento me adequar, na medida do possível.
Nesse momento, apenas quero os meus. Esse tipo de momento me deixa um pouco depressivo, órfão, sentindo-me sozinho e isolado do mundo. Isolado no meu mundo. Por isso, agora vou pegar o primeiro ônibus e encontrar os meus. E que cada um de nós curta, cada vez mais, os seus. Não há coisa melhor.
_________________________________________________________________
*Texto escrito enquanto eu estava sentado em uma parada de ônibus por aí.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Distúrbios

Li no site globo.com a notícia de que 43% dos brasileiros sofrem com distúrbios do sono. De um jeito ou de outro, é um alívio. Tem uma penca de gente que sofre como eu. O meu problema acontece nos cochilos, ou sestas, geralmente à tarde. É curioso. No sono noturno, nada acontece, embora eu também durma mal. Mas quando durmo à tarde, é praticamente certo: vou sofrer com a paralisia do sono.
Nos sites que consultei a respeito, diz que é um distúrbio inofensivo. Mas, que dá um medo danado, dá. Imagine-se acordando. Ok? Agora, imagine-se, uma vez desperto, não conseguindo movimentar um músculo do corpo, e, quando muito, fazendo um esforço hercúleo para mexer algo como meio centímetro, sem, no entanto, conseguir dar a seqüência ao movimento, e voltar ao estado de paralisia absoluta. E, às vezes eu me mexo, às vezes eu grito, com muito sacrifício, mas ninguém me ouve nunca. E, quando me arrasto para o chão, acordo e vejo que não, não estava no chão.
Poderia ser pesadelo, porque muitas vezes ouço vozes, ou peço socorro para alguém que me ouve, e quando acordo, vejo que nada daquilo aconteceu. Mas ao mesmo tempo, seria muito bizarro uma pessoa ter pesadelos semelhantes de forma tão repetitiva, e sempre nos cochilos da tarde! É bastante angustiante. Por mais que eu saiba que uma hora vou conseguir acordar de fato, mexer o corpo, sempre bate o receio de que uma hora os movimentos não voltem. E é terrível, porque, a cada vez que passo por essa experiência, que já é rotina e prática previsível, como escovar os dentes ao acordar, me sinto menor, impotente perante um distúrbio mais forte que eu. Tentar, tentar, tentar, e não conseguir se mexer é horrível, indescritivelmente horrível, pavoroso. É como ser um morto-vivo. É estar ali, querer acordar, e o corpo não responder, como se realmente no corpo não houvesse vida, somente na essência.
Bom, tenho que aprender a lidar com isso. Hoje já não me apavoro como das primeiras vezes. O receio fica, e é inevitável. Mas não me sobra muita coisa que não seja encarar isso, e saber que é inofensivo. Tenho de acreditar nas fontes que consultei. Caso contrário, ficarei mais maluco do que já sou.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Baladinhas e MTV

Nunca ouvi tantas baladinhas quanto ouço hoje em dia. Acho que isso é meio sintomático. As baladinhas são o lado mais sensível do rock, sem, no entanto, ser emo. Baladinhas são sentimento assumido, sem a necessidade de guitarreiras enlouquecidas disfarçando o seu conteúdo. As MTVs da vida fazem questão sempre de pegar no pé desse tipo de som, chamando de meloso, grudento e outras coisas. A MTV sente vontade de ser uma espécie de vanguarda da juventude brasileira, ditando modas, estilos e atitudes. Sente vontade de ser mais realista que o rei. Por isso adota uma postura pseudo-crítica, por muitas e muitas vezes. Só não esqueçamos que a MTV pertence ao Grupo Abril, uma das empresas mais conservadoras desse país.
É lógico que a MTV é um canal diferenciado, utiliza uma linguagem interessante, e tem algumas coisas boas na programação, como Hermes e Renato, com seu humor escrachado e realmente engraçado. Adoro Hermes e Renato. Mas a MTV tem muita porcaria também. Programas absolutamente babacas e inúteis. Faz algum tempo que não acompanho a MTV mais de perto, apenas Hermes e Renato, e pelo You Tube ainda. Mas sei que piorou a sua programação drasticamente em relação à época em que eu assistia. Nas poucas vezes que passo por ela, tá passando merda. Talvez nem seja tanto culpa da emissora. Talvez a queda na qualidade da programação seja equivalente à queda da qualidade do rock. O rock está morrendo, infelizmente. Ainda há alguns pontos de resistência que configuram uma esperança de cura. Torço para que isso aconteça, embora seja um pouco cético em relação a essa possibilidade.
Voltando à questão anterior, não embarco nas críticas tiozinho-roqueiro-revoltado-alternativo-que-toca-em-seu-estúdio-particular da MTV sobre as baladinhas. São boas sim. E expressar sentimentos genuínos é legítimo. O uso hipócrita e artificial de letras sentimentais para captar públicos específicos e vender uma penca de cds é condenável. Agora, as baladinhas, que expressam sentimentos verdadeiros, sempre terão lugar cativo no meu Media Player. Rock é expressão da verdade. Seja ela qual for. O único rock que me causa repulsa é o rock mentiroso e cínico. Por isso, viva "More than words", "Pacience", "Miss you love" e "Dosed". Parafraseando Ernesto Che Guevara: Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Dilemas Cotidianos- Capítulo 17

Fernando não titubeou e foi à casa de Julieta. Julieta era a origem daquela desgraça. Julieta era a má influência, a bruxa que tirou Débora dos braços de Fernando. Ela recebeu-o na porta. O ódio transbordava dos olhos de Fernando. Julieta, meio que cinicamente, sorriu. Fernando agarrou-a pelos dois braços, sacudia, e perguntava:
- Por que você fez isso? Você quer acabar com a minha vida? É isso que você quer?
Julieta mantinha o sorriso. Pediu calma a Fernando. Ofereceu-lhe um vinho. O rapaz aceitou. Sentou-se no sofá, e Julieta também, posicionou-se meio sentada, meio deitada. Usava um vestido preto. Safada e propositadamente deixava o vestido um pouco levantado, revelando a coxa bem torneada. Disse que Débora era uma mulher que não o queria. Era a mulher errada. Então, Julieta aproximou-se. Sua boca e a boca de Fernando ficaram a milímetros. Ela respirava, e aproximava um pouco mais. Fernando então, começou a passar os lábios pelo seu rosto, delicadamente, até que as duas bocas se encontrassem. Beijaram-se, e aquele beijo era uma espécie de desafogo para Fernando. Julieta postou-se no colo de Fernando, ali mesmo, Fernando começou a tirar, selvagemente, seu vestido. Fernando beijava enfuirecidamente o corpo de Julieta. Era um misto de desejo e revolta. Transaram no sofá. Sexo, intenso, e delicioso. Humano ato sexual.
Ao fim, apenas olharam-se fixamente, por cerca de dois minutos. Fernando levantou-se e foi embora em silêncio. Deveria digerir e entender o acontecido. Meio suado, foi a um bar e tomou uma garrafa de cerveja. A cada gole pensava no que acabara de se passar. Fernando estava confuso, e Débora ainda existia. Um Fernando atordoado, emocionalmente doente. Era isso que resumia o semblante do rapaz. Amava Débora, sim, ele ainda amava Débora. E Julieta era um novo antigo enigma. Indecifrável. E Débora continuava a latejar em seu peito.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Guerras

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza levanta em mim algumas reflexões a respeito do sentido da guerra. Não entrarei em detalhes políticos, exatamente porque são exatamente os detalhes políticos que originam as guerras. Não me interessa, nesse momento, emitir opinião sobre quem está politicamente certo. Me interessa, sim, discutir a truculência de guerra, que vem sendo praticada pelo Estado de Israel. É lógico que os interesses políticos que provocam as guerras são importantes no nível macro. Agora, a falta de senso de humanidade dos governantes que promovem as guerras é que é estarrecedor. O mundo é assim, é verdade. Mas não deixa de me chocar o fato de vidas serem utilizadas como poder de barganha para acrescentar capital político.
As pessoas são apenas objetos. Números frios. As vidas, as famílias, tudo isso é desconsiderado. Afinal, os senhores da guerra não vão para o front. Nem suas famílias. Às vezes chego a pensar que poderia ser interessante um desmanche dos Estados nacionais. Mas sei que isso não passa de uma estupidez, e que os povos têm que defender suas soberanias. O mundo é feito de fragmentações culturais, econômicas, sociais, que parecem insolúveis. Não haveria possibilidade de acordo, mínimo que fosse.
O ser humano deveria tornar-se mais solidário, mais fraterno, mais compreensivo. A intolerância às diferenças, aliada à ganância advinda do individualismo e da atomização crescente dos sujeitos tornam isso uma vã utopia. Sinceramente, uma utopia irrealizável. Não sei se o individualismo, a competitividade e a ganância fazem parte da natureza humana. Seria uma presunção da minha parte fazer uma afirmação de tal complexidade. Mas essas características estão, infelizmente, muito arraigadas, principalmente no mundo ocidental. Claro, há diversas culturas muito mais coletivistas. Mas são minoritárias, e com poder simbólico praticamente nulo ultrapassando sua estrutura interna.
O mundo que se vive de fato é um mundo angustiante e desumano. Esse mundo faz pensar até que ponto ele vale a pena. Faz pensar se realmente vale a pena colocar filhos nele. Tudo parece destituído de sentido. Temos um tempo limitado nessa estada por aqui. Era pra ser bem mais simples. Mas tem gente que faz disso uma grande coisa, uma grande disputa de poder, status, dinheiro, nome. Tudo bobagem. Tudo isso acaba quando o coração para de bater. E aí, caberia a auto-reflexão dessas pessoas: pra quê? Do que valeu? Era isso? Minha vida se resumiu a algo que acaba assim, aqui, como qualquer vida de qualquer um? Tudo o que eu quero hoje é ser qualquer um. Eu sou único pra mim. Não importa ser qualquer um, desde que eu seja eu. E isso, eu, isso sempre serei. É a única coisa que ninguém jamais poderá me tirar. Por isso, quero apenas viver em paz e feliz comigo mesmo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dilemas Cotidianos- Capítulo 16

Perturbação. Essa é a palavra que poderia resumir a situação em que Fernando se encontrava. Não conseguia mais trabalhar com eficiência. Nada que fizesse tinha significado. Estava prisioneiro de si mesmo, precisava ver Débora, sentia necessidade de existir para ela, ter certeza de que ela não o havia esquecido. Debatia-se, sozinho, entrava em conflito com sua dignidade e seu orgulho. Era um sábado. Ele olhava pela janela, tinha esperança de que Débora aparecesse. Mas era uma esperança consciente de sua falta de sentido. Era uma esperança desesperada.
O rapaz não se agüentou, e saiu de casa. Andava feito um zumbi pela rua. Foi até a casa de Débora. Tocou a campainha, uma, duas, três vezes. Na terceira, Débora atendeu, a cara de sono.
- O que você quer, Fernando?- perguntou.
- Precisava ver você! Eu te amo.- replicou Fernando.
- Oh, Fernando, eu queria te amar também. Mas há outro. Há outro! O melhor que você tem a fazer é me esquecer, de uma vez por todas!- disse a moça.
- É tão difícil entender que eu te amo, Débora?- perguntou angustiadamente Fernando.
Débora silenciou, e do quarto saiu o homem. Sim, lá estava o outro. Fernando estava na porta conversando com Débora, e, como pano de fundo, enxergou o outro. Era loiro, tinha cara de surfista. Fernando viu, virou as costas, e foi embora.
Aquele, aquele era o maldito! Que morresse de uma vez! Era ele que tinha tirado Débora de Fernando! Quantas transas não tiveram os dois? Oh, aquele homem. Seus dedos deviam ter percorrido já cada centímetro do corpo de Débora. Seus lábios beijavam Débora. Os lábios de Débora eram de Fernando! Que insolente aquele homem. Não tinha o direito de fazer aquilo. Não tinha! O mundo de Fernando etava ruindo. Torcia para que Débora sofresse, o mais breve possível. Fernando queria desesperadamente que Débora se decepcionasse com aquele homem. Ele trairia ela. Faria ela sofrer. E ela voltaria de joelhos para Fernando, implorando perdão, pedindo para que ele nunca mais ficasse longe dela.
Cada passo aumentava o rancor de Fernando. Algo de ruim iria acontecer. Seria ruim agora para Débora. Mas seria também o maior bem, a maior dádiva de sua vida. Permitiria que ela voltasse para de onde nunca deveria ter saído. Os braços de Fernando. Aquele que realmente a amava. Aquele que realmente a queria, acima de qualquer outra coisa. Essa era a certeza, a torcida, o amparo espiritual ao qual Fernando se apegava para continuar caminhando.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Big Brother

Começo de ano tem um quê de chatice. Parece que nada acontece, estamos ainda meio letárgicos, ainda de ressaca pelos tragos de fim de ano. Mas o porre maior começa daqui a pouco. Chama-se Big Brother. Esse programa, cuja fórmula em um primeiro momento até é sedutora, é a prova máxima da alienação maciça do brasileiro médio. Durante três, quatro meses, apenas do que se fala é do que acontece naquela maldita casa. Quem fez barraco, quem falou mal de quem, quem vai votar em quem, quem ficou com quem. Um verdadeiro saco, uma tormenta que se repete ano após ano.
E os participantes? Em sua maioria, debilóides que só pensam em estética e dinheiro. Viram os "heróis" de um abobalhado chamado Pedro Bial. Viram os heróis de um abobalhado país chamado Brasil. Big Brother é uma genuína apologia à imbecilidade, ao vazio cerebral. E, quanto mais imbecil e chato o sujeito, esteja certo, maior a probabilidade de vencer o desafio. O negócio é ser legalzão! Viva a hipocrisia nacional! Ah, o que acontece no mundo, no país, na vida real, torna-se secundário para os telespectadores. O que importa é saber se o Paulão vai dar o colar do anjo para a Roberta! É verdade, os participantes de lá ficam isolados do mundo, sem saber o que acontece, isso é um desafio, uma prova psicológica para quem tem nervos de aço. Pra mim, não é nada disso. Eles estando aqui fora, pouco ou nada sabem a respeito do que se passa. Lá, apenas estarão proibidos de fazer o que já não fazem cotidianamente.
Lembro-me de uma participante chamada Tina, que participou em uma das primeiras edições, quando eu ainda tinha saco de acompanhar aquela porcaria. Ela tornou o programa um pandemônio. Acordava todo mundo com panelaços, além de outras joselitices. Quer saber? Bem que fez ela. Não faço o tipo que participaria de um programa desses. Mas, se participasse, talvez fizesse o mesmo. Se é pra não ganhar, que pelo menos deixe algum legado! Não, não acredito que Tina fosse uma pessoa consciente do que estava fazendo. Simplesmente queria avacalhar, sem maiores reflexões. Mas, de uma forma ou de outra, contestou, fez o seu barulho.
Enfim, está chegando a hora do tal do Big Brother, mais uma vez. Mesmo por osmose, terei de agüentar. Já reservei duas caixas de Engov na farmácia. O país todo vai parar de viver... pra ver um bando de idiotas vivendo! Boa sorte aos que vão encarar a "nave do Big Brother". Eu prefiro ficar pela Terra mesmo...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Michel Alves

Me agrada a contratação de Michel Alves pelo Inter. Trata-se de um excelente goleiro, com muita qualidade técnica. Apareceu há uns dois anos como titular do Juventude, com a responsabilidade de substituir o experiente André. E não decepcionou. Jogou demais, fez defesas inacreditáveis, e é sim, um dos melhores goleiros do país na atualidade. Não tem a grife de grande goleiro por ser goleiro de um time modesto, sem mídia. Mas é muito bom no ofício.
Lauro ainda é o titular, e, pelo que mostrou até agora, merece tal condição. Sempre tive enormes restrições a esse goleiro, que por onde passou foi muito instável. Mas no Inter deu boa resposta, sendo um dos bons nomes do time na conquista da Copa Sul-Americana. Lauro vem dando certo, mas ainda não está afirmado como o goleiro colorado titular. Ainda tem de ter uma seqüência maior. Por isso mesmo, é interessante a contratação de Michel Alves. Será uma sombra de respeito para Lauro. É um goleiro como acredito que seja um bom goleiro. Não costuma fazer milagres. Mas também não toma frangos. Em suma, defende os arremates que dá pra defender e toma os gols indefensáveis. Mais ou menos uma antítese de Clemer. Goleiro histórico, vencedor, um nome eterno na história do Inter. Mas irregular. Extremamente irregular. Clemer oscila milagres com frangos inesquecíveis. É um goleiro imprevisível. E, com a a contratação do goleiro juventudista, tende a perder ainda mais o seu espaço no elenco do Inter. Já emiti anteriormente minha opinião sobre isso. Acredito que Clemer deveria parar, por respeito a tudo que já fez com a camisa colorada. Tende a cair em um ostracismo no qual um grande ídolo, como ele é, não merece.
Me resta saudar a contratação de Michel Alves. Boa sacada da direção colorada. Agora, falta um bom atacante, um bom lateral esquerdo e um bom lateral direito. Principalmente os laterais. Parece que o Inter vai fazer uma aposta na esquerda, com Marcelo Cordeiro, e manter Bolívar na direita. Preferia um jogador mais afirmado na esquerda, como Leandro que está indo para o Fluminense, ou Léo, que negocia com o Santos. Mas, vamos dar um voto de confiança, afinal Cordeiro foi um dos destaques da posição no Brasileirão que se encerrou. Já na direita, a opção por Bolívar me cheira a remendão, até mesmo pelo fato de que o jogador só possui contrato até o meio da temporada. Depois, encerra-se o empréstimo junto ao Monaco. Mas a lateral direita é realmente problemática em nível mundial, e por isso mesmo, fica complicado achar bons jogadores no mercado. A lateral direita é tão pobre no futebol mundial que jogadores nada mais do que medianos como Beletti e Maicon jogam há algum tempo em grandes potências do futebol do velho mundo, tão rico e cheio de estrelas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Amy, bossa nova e paparazzi

Amy Winehouse é provavelmente a celebridade mais visada do momento. É o que Britney era há um ou dois anos atrás Tudo o que ela faz é notícia. Conheço pouco, mas do pouco que conheço, a trajetória apresenta até certa semelhança com a loira de voz esganiçada. Amy Winehouse parece estar se recuperando um pouco das drogas. Claro que, convenhamos, largar, não é assim. Mas ela já não parece o zumbi de outrora.
Há um tempo atrás, eu mal sabia quem era ela. Só sabia dos escândalos, só por ouvir. Passei a me interessar um pouco mais e vi que ela produz música de alguma qualidade. Algumas são um legítimo porre. Mas há músicas legais. Tem conceito. Isso é importante para um artista. Ele pode ser odiado, mas, pelo menos conceito ele deve ter. Claro, há conceitos que se superam na ruindade. A bossa nova que o diga. É conceitual? Sim. Mas, é chato demais. Quer destruir uma festa? Toca bossa nova! Na verdade, acho que são poucos os que realmente gostam de bossa nova. Existe nas rodas intelectuais um grande "apreço" pelo estilo. Creio que todos nessas rodas odeiam, mas fingem gostar. Vai que na posteridade eles consigam compreender o sentido do mar tocando as conchinhas, que uivam quando ela passa. De improviso, hein? Isso não existe. Mas a ideia é sempre mais ou menos essa. Nossa, que estranho escrever "ideia" sem o acento!
Mas a bossa nova, voltando ao assunto, é o tipo de música do qual tem que se ser muito chato pra gostar. Aliás, sobrehumanamente chato. As letras não dizem nada. A melodia é infantil e frígida. Não passa emoção nenhuma. Nenhuma! Música sem explosão é dose.
Depois desse devaneio todo, voltando à Amy Winehouse: esse mundo de celebridades é realmente cruel. Nem sempre o dinheiro paga tudo. Alguém já parou pra pensar no inferno que deve ser, de uma hora pra outra, a pessoa não possuir mais vida própria? Tá comprando um sutiã: clic! Tá comendo uma ala minuta: clic! Tá dando aquele amasso gostoso: clic! Tá na piscina tentando relaxar: clic! Brigou com o namorado e tá chorando: clic!
Realmente não me surpreende que algumas dessas pessoas entrem em parafuso. É absolutamente humano. O mundo dos paparazzi, das celebridades fugazes, da invasão da vida privada a todo custo é frenético, enlouquecedor. Tem pessoas que compram revistas pra saber da vida de pessoas que elas nunca viram pessoalmente, e provavelmente nunca verão. É de se parar pra pensar mesmo. A super-exposição é, certamente, um inferno, algo que deixa a vida das pessoas, suas intimidades, tudo, vulnerável, acessível às mãos e olhares do mundo todo. Deve ser muito difícil. E não há dinheiro no mundo que compre sossego. Simplesmente não compensa. E as pessoas não estão nem aí! Devem virar, aos olhos da celebridade, monstros infernais devoradores. Pessoas famosas são, acima de tudo, pessoas, como qualquer um de nós. E precisam viver, como qualquer um de nós! Estou lançando a campanha simbólica: deixem a Amy em paz!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Angústia

Uma das piores sensanções que um ser humano pode vivenciar é a angústia. A angústia é uma espécie de prenúncio de uma tristeza de cuja futura existência não temos certeza. Mas, enquanto prenúncio, a angústia é no mínimo duas vezes pior do que a tristeza. Tristeza é presente. Angústia é o futuro projetado no presente. Um futuro que ainda será vivido. A tristeza é baseada em fatos consumados. A angústia é um quase saber do que está por vir, impotente para modificar aquilo que ainda não aconteceu. A tristeza talvez seja mais aguda. A angústia corrói aos poucos, mas incessantemente. E da angústia não se foge, não se escapa, não se corre. A tristeza acaba, o sol volta a nascer em algum momento. A angústia tem apenas dois caminhos: ou se consuma como certeza, como tristeza, ou permanece ali, corroendo como um tipo de ácido leve, acabando com tudo sem acabar consigo mesma.
Da angústia para a felicidade não se pode pular, jamais, sob hipótese alguma. Estar angustiado é saber que está tudo bem. E que, de alguma forma, por algum motivo, que não sabemos exatamente qual, ficará tudo mal. A angústia é maior do que qualquer fato. Por isso, ela é um sentimento mais poderoso do que qualquer alegria ou tristeza. Alegrias e tristezas são fundamentadas, claras, factuais. Angústias são obscuras, ininteligíveis, e apenas nós podemos guardar. E não podemos pedir ajuda pra ninguém, porque sempre será algo nossa, somente nossa, que nenhum outro ser humano que não seja nós será capaz de compreender, minimamente que seja. Todos podem tentar entender, e sempre teremos amigos, conhecidos, parentes, que tentarão ajudar, tentarão entender, com pureza e sinceridade no coração. Mas não conseguirão. Infelizmente, jamais conseguirão.
Angústia não tem cura, porque não tem diagnóstico. Nos tornamos moribundos emocionais. Estamos à beira de uma espécie de morte espiritual, temos a convicção de que tal momento está próximo. Respiramos, mas com dificuldade. E vamos morrendo em um leito solitário. Todos nos enxergam com saúde. Todos nos vêem cheios de vida. Mas nós, e só nós, sabemos que a superfície não corresponde às nossas profundezas. Nós, somente nós, sabemos que estamos em estado terminal. Morrendo devagar. Buscando desesperadamente algum remédio. Sabendo que não encontraremos. Porque estamos doentes de uma doença que não conseguimos detectar. Ela está ali, ela existe. Mas não sabemos de onde veio. Não sabemos o que ela é. Pensamos, pensamos, tentamos tolamente torná-la algo racional. Não conseguimos. Jamais conseguiremos. E sabemos que só nos despediremos dela quando ela virar tristeza. Quando enterrar de uma vez por todas nossas esperanças.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Dilemas Cotidianos- Capítulo 15

Fernando estava em casa certa noite. Bebia uma taça de vinho e revirava suas memórias. Débora estava lá. Fernando tentava pensar em qualquer outra coisa. Mas não conseguia, andava pra lá e pra cá pelo apartamento, olhava para a rua, e segurava-se para não ligar. O telefone possuía um ímã. Oh, ímã infernal, ímã da perdição, da desonra, da falta de orgulho, da falta de amor próprio. Não, não, não! O rapaz controlou-se, mesmo com o coração estraçalhado, moído, dolorido.
Saiu pela noite. Era tudo o que sobrava. A noite estava muito quente, e Fernando vagava, meio que inconscientemente, dando passos para algum lugar que ele não sabia exatamente qual era. Estava cheio de angústia. Parecia caminhar rumando ao subterrâneo de sua alma. E sua alma estava obscura demais. Vagou e entrou em um cabaré.
Lá, havia prostitutas belas, outras nem tanto, alguns grupos de homens que bebiam cerveja, e um velho que perdia todo o seu dinheiro pagando drinks para uma bela moça. Na certa, não pagava o programa por saber não possuir o poder de fogo necessário. E foi embora, meio bêbado, o tal velho.
A menina sentou-se na mesa à frente de Fernando, sozinha. E Fernando a chamou para que conversassem. Ela apresentou-se como Tereza. E era belíssima. Fernando colocou a mão em sua coxa, enquanto conversavam deslizava os dedos na coxa direita da garota, escorregando, vez por outra, para suas nádegas. Ela tinha olhos lindíssimos, vivíssimos. E, conversaram, falaram sobre tudo o que havia no mundo, Fernando bebeu algumas cervejas, e foi-se embora. Belos olhos tinha a prostituta, belo corpo também, e foi o que de melhor aconteceu naquela noite calorenta. Não transaram por falta de vontade de Fernando.
Não demorou muito, Débora estava lá, de novo, dançando e brincando com a mente fraca de Fernando. Fraco e podre de bêbado ele chegou cambaleano ao seu apartamento. Caiu na cama duro feito uma pedra.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Nova cara, velhos dilemas

O Dilemas Cotidianos abre 2009 com um novo visual, mais moderno, mais arrojado. Eu achei que ficou bem bonitinho. Em termos de conteúdo, nada muda. Apenas o visual mesmo. Haverá muitas coisas a tratar, além do livro virtual "Dilemas Cotidianos" que está sendo produzido, exercitando um pouco meu parco talento literário.
Sinto-me ansioso em relação ao tempo. O tempo é traiçoeiro, assim como as nossas precipitações. O grande problema é que geralmente há uma incongruência entre a velocidade de nossas ações e o tempo. Ou estamos acelerados demais, ou estamos demorados demais. E eu vivo, preocupadamente, com essa incongruência. Estou com vontade de enterrar o pé na tábua. Mas a vida exige certas racionalidades, um trato cuidadoso das coisas, sob pena de perdermos tudo. Transborda de mim a vontade de fazer tudo funcionar o mais rápido possível, e sou um sujeuto que sente falta das coisas, em curtos espaços de tempo. Sou anormal. Sinto saudades de uma forma muito rápida. Já me despeço com saudade. Talvez faça algum sentido esse negócio de signos. Sou um canceriano nato, um tipo ideal. Todas as características do canceriano, eu possuo. Isso me impressiona. Pode ser uma grande coincidência. Mas sou, sim, um típico homem de câncer.
Bem, pelo menos busco disfarçar todas as minhas acelerações momentâneas. É um pouco dolorido fazer isso, é algo que me violenta um pouco. Em tempos de frieza, de uma sociedade em que as pessoas não têm nomes nem rostos, a intensidade acaba sendo uma espécie de defeito. Tudo é meio hipócrita, tudo parece remeter a um high tech emocional no qual tenho extremas dificuldades de adaptação. Porém, estou começando a tentar aprender a lidar com esse tipo de aparelho. Que saudades da máquina de escrever...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2009

Chegamos a 2009. Cá estamos, mais um ano, mais emoções. Esse é o ano pra ser feliz. De alguma forma, farei desse ano uma busca obsessiva por uma felicidade cada vez maior. Tem de ser assim. E assim será. Espero que todos pensem da mesma maneira. Será um ano desgastante pra todos que têm de matar um leão por dia. Não só economicamente, mas também em nível espiritual.
E a vida é realmente isso. Sei que muitas vezes posso soar clichê, algumas vezes meus textos podem parecer auto-ajuda barata. Mas estou realmente convencido de que viver é muito mais simples do que parece. Claro que devemos ter preocupações macro, com o mundo, a economia, as contas, o emprego, a violência... Mas acima de tudo, e para que possamos encarar tudo isso, devemos estar mentalmente fortes. E essa força só pode vir de dentro. Curtindo, intensamente, cada momento do lado das pessoas das quais a gente gosta, deixando as coisas grandes menores, tornando as coisas pequenas maiores e mais importantes. É na simplicidade que reside o lado bom da nossa existência. Status, riqueza, ambições diversas, são apenas acessórios. O que vale mesmo é assimilar e tirar o que há de bom em tudo, como um grande coador.
Que em 2009 todas as impurezas, todas as coisas ruins fiquem estacionadas em nossa peneira mental, nosso coador espiritual. Que guardemos apenas o suco mais puro, mais doce, as coisas mais lindas de tudo, por mais que tudo pareça feio. A vida é muito fugaz para perdermos tempo com sofrimentos e dores. Vamos gastar o nosso pouco e fugidio tempo com sorrisos, piadas, risadas. É isso que vai ficar. Grande abraço a todos, e que 2009 seja um ano espetacular.