sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dilemas Cotidianos- Capítulo 3

Fernando encontrava-se com muito sono numa sexta-feira. Sentia-se um zumbi, um ser não-ser, suas pálpebras lutavam para manter-se abertas. Seu cérebro parecia desligar-se. Mas conseguiu acordar. O dia de trabalho foi monótono. Tudo estava insosso, e Fernando mal podia esperar pelo fim daquele tédio. Julieta foi embora, ficaram ele e Sérgio. Ao fim do expediente, convidou o amigo para irem a algum lugar divertido. Saíram na noite para beber.
Andavam pela rua movimentada. Observavam aquele monte de gente diferente do externo e internamente semelhantes em seus sub-grupos falsamente excluídos. Há muito disso na metrópole. Gente entediada, riquinha, que finge ser diferente, sendo absolutamente igual. Sentaram-se em um bar e pediram a tal cerveja. Uma bela loira passou, o decote exagerado fazia os olhares masculinos o invadirem despudoradamente. Ela fumava, e o batom vermelho da boca marcava aquele crivo sensualmente. A garota ficou no balcão, e os dois sentados em uma mesa, na parte externa do bar. Ela olhava os dois com ar desinteressado. Os dois devoravam-na com os olhos. Falavam sobre ela. Passaram-se cerca de vinte minutos, e a bela loira aproximou-se da mesa. Disse que havia acabado o gás do isqueiro.
- Vocês têm fogo?- perguntou.
Sérgio respondeu, com ar canastrão: -Oh, se temos.
Fernando apenas olhou para ela, quase pedindo desculpas para a moça com os olhos pela infâmia de Sérgio, e acendeu o isqueiro. Ela apresentou-se, chamava-se Débora. Sérgio a convidou a sentar-se e beber com eles. Débora aceitou. Sérgio, acreditando estar agradando muito, flertava e falava sobre coisas idiotas. A cada três frases, em uma era possível subentender uma cantada. Fernando observava. Olhava o diálogo do macho no sio com a fêmea falsamente interessada. Olhava para o decote. Sutiã verde, bastante cavado, mas levemente menos cavado do que o decote. Por isso, Fernando podia observa a cor. E deleitava-se com o formato arredondado dos seios de Débora, observava a pele branca e macia. Os olhos de Débora fugia de Sérgio durante o diálogo, e indagavam a indecência do olhar de Fernando. Ela parecia gostar. Despediu-se, após cerca de meia hora de conversa, mais com Sérgio, com participação especial de Fernando, um soltador de frases ao ar. Deixou um papel com seu telefone para os rapazes. Sérgio pegou. Deixou sobre a mesa. Assim que ela foi, comentou:
- Que gostosa!
- Interessante mesmo.- respondeu Fernando.
- Acho que está à feição para mim.- disse, presunçosamente Sérgio.
- Bem provável.- resumiu Fernando, politicamente, como quem cocorda com um louco.
Sérgio foi ao banheiro. O papel com o número de Débora ainda estava sobre a mesa. Fernando pegou. Ao voltar, Sérgio estranhou o sumiço do papelete:
- Fernando, você não viu aquele papel com o telefone da Débora?- indagou.
- Pôxa, talvez o vento tenha levado. E estava distraído, mil perdões, Sérgio!- respondeu, cinicamente.
Os dois continuaram a beber. O olhar procurante de Débora para Fernando o fazia crer que algo diferente poderia acontecer. Julieta era irritantemente monótona e frígida naquele momento. O brilho de Débora surgia como um alento. E a canastrice de Sérgio só o faria se machucar naquela situação, pois Débora não estava verdadeiramente interessada nele. Foi apenas civilizada. Na verdade, Fernando sabia ter tido impacto sobre a moça. No fundo, acreditava estar fazendo um bem para os três ao pegar o papelete. A si mesmo, de dar-se uma oportunidade com uma mulher que poderia ajudá-lo a abandonar o utópico e inicial sonho por Julieta. A Débora, baseado nos olhares disparados, e poupando-a de agüentar Sérgio, ou mesmo de ter que ser estúpida para que ele percebesse que ela apenas estava sendo bem-educada. E a Sérgio, para evitar a frustração do amigo sobre uma mulher que estava simplesmente constrangida. Além disso, Sérgio era um cafajeste!
Após as duas da madrugada, Fernando despediu-se de Sérgio e foi embora. Consciente de ser o mais canalha dos seres, e ao mesmo tempo, o mais nobre de todos. A sexta-feira monótona terminou com um sabor diferente e picante. O nome, o decote, o cigarro marcado de batom vermelho, os olhares fugidios de Débora. Era isso, somente isso, o que povoava o pensamento de Fernando.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dilemas Cotidianos- Capítulo 2

A manhã estava ensolarada. os próprios raios de sol nos vãos minúsculos da persiana convidavam Fernando para o novo dia. Mas seu relógio ainda não despertara. Por este motivo, mantinha-se inerte sobre a cama. Dormindo e pensando. Após o despertador despertá-lo, alimentou Bill, escovou os dentes, tomou seu banho e arrumou-se. Tomou a condução até seu trabalho. Aquele ônibus era excessivamente lotado. Uma luta incessante e louca por espaço e por ar. Fernando ficou de pé, com sua pasta na mão, e ao mesmo tempo, as duas mãos segurando a barra superior do ônibus. Seus dedos cansavam, e por isso ele revezava a pasta de mão esquerda em mão direita. Estava posicionado ao lado do banco onde sentavam um rapaz de cerca de 20 anos e uma velhota. Pensava consigo mesmo e irritava-se com a velhota. Fosse ela em pé, ele daria seu lugar. Mas ele estava de pé, e ela não se prestava a perguntar sequer se ele não gostaria que ela segurasse sua pasta.
Aos trancos e barrancos, cotidianos trancos e barrancos, chegou ao seu escritório. Pedro, Sérgio e Julieta estavam lá. As cortinas irritantemente fechadas. Ele as abriu. Teriam os três motivos para manterem a maldita cortina fechada? Haveria algo a ser disfarçado de Fernando? Julieta e Sérgio conversavam. Fernando meteu-se. Sentia-se desconfortável ao ver Julieta falando com Sérgio. A cada frase que falava, ela olhava primeiramente para Sérgio, depois para Fernando. Isso o irritava. Torturava-o. Mantinha a serenidade, largando algumas piadas vez por outra. Pedro ficava à frente do seu computador, fazendo sabe-se lá o quê. Aos poucos, os quatro viram-se trabalhando e vendo a manhã passar.
Almoçaram, e como Fernando odiava almoçar com Julieta, Sérgio e Pedro ao mesmo tempo! Não gostava de ter a companhia de Sérgio e Pedro nessas horas. Preferia quando tinha a oportunidade de almoçar a sós com Julieta. Disputar a atenção da moça era irritante. Por vezes, ele simplesmente desistia e ficava quieto, mascando a comida. Dava-se conta de que já não era um amigo de Julieta. Sentia mais. Os outros dois amigos eram fantásticos, e Fernando não poderia queixar-se de nada. Apenas de suas existências naqueles momentos. Pois toda a atenção que Julieta lhes remetia naquelas horas havieria de ser compensada. Então, quando surgia a oportunidade, a sós com ela, Fernando mostrava afeto. Naquele dia, ele a levou para tomar um sorvete. O tratamento da moça fora mais frio que o sorvete.
Fernando recolheu-se então, tomou o ônibus, e foi embora, pensando sobre o que Julieta estava pensando. Será que ela gostava mais de Sérgio e Pedro do que dele? Sonhava com seu beijo. Ela dormia em seus braços. Fernando acariciava com a boca sua pele macia. Despejava uma fervorosa paixão e vontade de tê-la, uma noite que fosse. Tais eram os pensamentos que povoavam sua alma enquanto pessoas passavam na roleta, com rostos exaustos, suados, e felizes por serem um boi no meio de uma boiada. E Fernando lá, pensativo e profundo. Distraía-se muito pouco. Estava resoluto em seu desejo. Seria Julieta a mulher para estar ao seu lado na manhã de algum sábado. Talvez um sábado apenas. O sábado.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Adriano e Sul-Americana

Acordei, peguei o jornal e li uma notícia que foi colírio para os meus olhos. O Inter dispensou o atacante Adriano. E não era sem tempo. Ainda assim, o motivo alegado é de problemas disciplinares. Falta é bola. Adriano não tem condição nem de passar na frente do Beira-Rio. O Inter tem que se livrar dele. O contrato não foi rescindido, ou seja, Adriano continuará como come-dorme no Gigante. Pelo menos não teremos mais que agüentá-lo em campo.
Não dá pra ficar mantendo jogador ruim no elenco em detrimento dos pratas da casa. Aposte-se de uma vez em Válter e Guto. São jovens, e deles pode-se esperar alguma coisa. Adriano é jogador para Portuguesa, Juventude, Ponte Preta. Para o Inter, não.
Essa notícia me dá novo ânimo para esse final de temporada. Creio que devamos, de uma vez por todas, priorizar a Copa Sul-Americana. Chega de sonhar com vaga na Libertadores. O Inter não vai à Libertadores. Ponto final. Não adianta insistir e sonhar com algo que não vai acontecer. A Copa Sul-Americana é a realidade. E o Inter tem chances reais. É taça. Taça internacional, continental. Não entremos no jogo de que a Sul-Americana não vale nada. Vale sim. E muito. O Boca sempre a valorizou quando ganhou. E estou para dizer que, em âmbito internacional, a Copa Sul-Americana repercute mais do que o Campeonato Brasileiro. Apesar de Tite, apesar de Ricardo Lopes, apesar dos erros da direção, o Inter pode terminar 2008 com mais uma taça no armário. Três no ano, sendo duas internacionais (Copa Dubai e Copa Sul-Americana) e uma conquistada com um 8 a 1 acachapante sobre a então touca Juventude. Nada mal, não?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Dilemas Cotidianos- Capítulo 1

Hoje começo a escrever uma obra. Um livro em meu blog. Estou lendo "Pergunte ao pó" de John Fante, cujo personagem principal é Arturo Bandini, um megalomaníaco que escreve contos. Talvez por isso, de alguma forma inspirado, resolvi exercitar minha imaginação. Os capítulos aparecerão esporadicamente, de acordo com um único critério: minha inspiração. Não há dia certo, não há periodicidade. Apenas escreverei este "livro" quando estiver a fim. Nem sei ao certo sobre o que vai tratar. Simplesmente começarei a escrever, e deixarei o desenrolar da história por conta da minha criatividade. Hoje escrevo o primeiro capítulo, por assim dizer. E se me faltar inspiração, ou se eu me encher o saco, pararei de escrever a história, a hora que eu quiser. Baseado nessa liberdade, começo. A obra leva o mesmo nome do site. Muito mais por preguiça e por não ter idéia do desenrolar dos fatos do que por qualquer motivo mais específico. Vejamos no que dá.
Fernando é um homem que está pensando constantemente na inconsistência de sua vida. Trabalha e sobrevive. Sobrevive para trabalhar. Mora sozinho, ou melhor, quase sozinho, já que desfruta da presença de seu peixe Bill em um aquário porcamente cuidado. Sua vida é típica de um solteiro. O trabalho consiste em um meio de sobrevivência e subsídio para sua farra. Visitas aos bares são freqüentes, e Fernando sempre arranja tempo para sua cerveja. Ah, as cervejas para Fernando! Certo dia ele saiu pela manhã e o calor era infernal. Fernando é um homem metropolitano. O amontoado de gente na rua o fez, obrigatoriamente, parar. Parar, tomar uma cerveja no boteco, para então continuar. Fernando adentrou o recinto e pediu sua garrafa. Acertou de antemão, como sempre faz. Sentou-se virado para a rua. De lá, podia observar o movimento. O calor lhe permite ver muito mais. As mulheres ficam mais curvilíneas. E Fernando é um admirador de bundas. Nádegas, nádegas e mais nádegas. Mais do que o sexo que pratica, o maior prazer de Fernando nessas horas era apreciar as nádegas femininas.
Olhava, então, tudo o que se passava janela afora. O dono do boteco, ao ver belas bundas, parecia babar. Talvez sentisse-se transportado em seus desejos e fantasias. Sua mulher estava gordurenta e enrugada. Havia, sim, amor. Fernando via a mulher do dono do boteco lá dentro, na cozinha. Ela observava o homem careca de palito entre os dentes com ar interrogatório. Com ar de cobrança. E ele a amava. Sim, era amor, talvez o mais genuíno amor. Gordurenta e anti-feminina, aquela era sua mulher. Estariam juntos até que a morte os separassem. Tão certo quanto dois e dois são quatro. Mas não podia, porém, deixar de se transportar para suas fantasias. E olhava os belos corpos femininos que passavam suados. Olhava para Fernando, e os dois sabiam que pensavam o mesmo. Telepatia masculina. O olhar de um homem safado para outro é universal.
Fernando bebeu sua cerveja. Gostosa e gelada cerveja. Acompanhada dos colírios oferecidos pela rua. Como aquilo fazia bem para Fernando! Podia ser anônimo, porque as mulheres eram anônimas. Não mais as veria, nunca mais em sua vida. Não havia comprometimento moral. Eram apenas bundas. Bundas acopladas em mulheres. Bundas que sumiam no horizonte. Andando, sacudindo, fofamente deleitando Fernando. Saiu do bar e voltou para sua caminhada no deserto povoado.
O dia reservava trabalho. Fernando trabalhava em um escritório com dois grandes amigos e uma amiga. Os dois eram Sérgio e Paulo. A moça, Julieta. A supremacia masculina naquele escritório fazia Julieta estar sempre atrasada em tudo. Sérgio era um brincalhão. Simpático, gente fina, era um verdadeiro canastrão. Paulo era mais o tipo galã. Gabava-se de ser um conquistador. Tipo príncipe encantado. E Julieta era deveras atraente. Tinha por volta de 1 metro e 70 centímetros, seios de bom tamanho, além de nádegas suficientes. Não eram nádegas ideais para Fernando. Ou melhor, eram. A perfeição era incompatível para ele. Logo, nádegas como as de Julieta, com um pouquinho, discreto, de celulite, faziam bem a seus olhos. As celulites pareciam um certificado de autenticidade.
Fernando convivia bem em seu trabalho. Aquela equipe era realmente uma equipe de amigos. Sérgio era seu preferido, embora a postura de Sérgio, sempre bondoso, sempre brincalhão, por vezes o incomodasse. Mas tudo corria bem. Nesse dia, sabe-se lá por que, Julieta estava especialmente simpática com Fernando. Tocava-lhe, ficava com seus seios a milímetros do rosto de Fernando, enquanto este escrevia os relatórios do dia. Aquele cheiro de sabonete, de banho, atiçava Fernando. As mulheres com as quais ele se relacionava eram sempre passageiras, pessoas da ocasião, das noites, das festas. E ele só as via assim, como mulheres da ocasião, das noites e das festas. Mulheres como Julieta pareciam mais completas. Não seriam nada pré-fabricado. Não foram "feitas para isso ou aquilo". As mulheres com as quais Fernando se relacionava eram como brinquedo à pilha. Só existiam para uma finalidade, e não interessava para Fernando quem eram elas depois das 6 horas da manhã. A existência de mulheres como Julieta satisfaziam por isso. Eram mais. Mais do que objeto. Mais do que beijos vazios ou do que sexo. Eram pessoas. E, no fim das contas, o que mais Fernando queria era uma pessoa para estar a seu lado, enquanto alimentava seu peixe naquele aquário esverdeado, numa manhã qualquer de sábado.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Vazio político

A eleição de José Fogaça confirma uma nova e preocupante tendência do eleitorado gaúcho: a opção pelo vazio político. Nesse sentido, devemos remontar à eleição de Germano Rigotto em 2002. Foi Rigotto o pioneiro nesse tipo de campanha, baseado no afeto e na falta de debate de idéias concretas. Desde então, criou-se uma fórmula para a vitória eleitoral: se fazer de coitadinho, dizer que quer unir as pessoas, que toda e qualquer crítica é irrelevante quando se almeja o bem comum, entre outras papagaiadas.
Claro que nos tempos de confronto PT X Britto, as coisas passaram dos limites. Mas a fórmula ursinho fofo, que serviu em determinada conjuntura, agora é uma prática promotora de cegueira política. E está colando. Política é, em essência, conflito. Não conflito pessoal, baixaria. Mas conflito de idéias, de propostas. Não sejamos ingênuos: há interesses opostos em disputa. Não existe universal nem bem comum na conjuntura brasileira. A pobreza e a miséria existentes no Brasil não permitem que se pense em algo diferente do conflito de interesses. Os governos e partidos possuem prioridades. Não quero ser maniqueísta, acredito que todos busquem a coesão social, e com razão. Mas alguns a priorizam mais, outros bem menos, e por meios completamente diferentes. Alguns buscam a coesão social por meios artificiais de repressão. Outros radicalizam essa busca, introduzindo consciência política e capacitando os cidadãos a participarem politicamente.
O olhar crítico é fundamental, e só através dele as pessoas podem se libertar e adquirir certo grau de autonomia, escapando de práticas populistas e paternalistas dos governos. Deve-se olhar para além dos discursos e das frases de efeito. Deve-se verificar quais os interesses os partidos em questão defenderam historicamente.
O voto personalista é outro mal que assola o Brasil. No Rio Grande do Sul era para ser diferente. Mas não é. O voto em Fogaça foi um voto personalista. Ou melhor, foi um voto discursista. Votou-se no discurso mais vazio e menos comprometedor. Mas voto em partido é óbvio que não foi, pois Fogaça elegeu-se em 2004 pelo PPS (que esteve com Manuela nessa eleição) e reelegeu-se pelo PMDB. Nota-se um esvaziamento crescente de significado dos partidos políticos junto aos eleitores. E isso é muito preocupante, uma vez que os partidos em si, internamente, não esvaziam-se de seus significados, e continuam a defender exatamente os mesmos interesses, travestidos por discursos amaciados por parte da direita, e também de setores da esquerda, pois a campanha de Manuela D'Ávila do PC do B seguiu linha semelhante à de Fogaça, despolitizando a campanha. Em algum momento os cidadãos deverão perceber que política é conflito de interesses e idéias, e que há muito mais no jogo político do que aquilo que o marketing eleitoreiro oferece. Que não seja de uma forma muito dolorida.

domingo, 26 de outubro de 2008

Parabéns, Grêmio!

Depois da rodada do Brasileirão, há algo que está suficientemente óbvio. O Grêmio é campeão brasileiro. Tri-campeão brasileiro. Os concorrentes são um vexame. Uma infindável incompetência. Só se o Grêmio for muito mais incompetente que eles perderá o título. Não vai ser. Seria um fiasco sem precedentes. Então, parabéns, Grêmio!
O brasileirão terá um campeão bizarro. De qualquer forma. Não se vê mais o grande time, aquele a ser derrubado. O Inter seria esse time. Mas, montando time em agosto, fica difícil. Monta-se uma grande equipe para lutar por vaga na Sul-Americana pelas bandas do Beira-Rio. E o pior, isso acontece há dois anos. O Grêmio tem uma montagem anterior. Não é um grande time. É apenas o mais pragmático. O mais competente. De um a zero em um a zero, o tempo vai passando e o título se aproximando. E é certo. O Palmeiras tem um bom e instável time, o mesmo servindo para o Cruzeiro. O Flamengo é o rei do oba-oba, parece não aprender a lição, e por isso não vai chegar. O São Paulo sofre com sua fadiga dos metais. É um bom time, com bons jogadores, mas desgastado, de saco cheio, sem aquele brilho nos olhos, como diria Tite. Já deu tudo que tinha que dar. O Grêmio é a Cinderela do campeonato. E, por mais que a meia-noite se aproxime, parece ser tarde demais.
Só me resta parabenizar os gremistas. O time de vocês é tri-campeão brasileiro. Pela sua imortalidade, não acredito que o Grêmio vá dar um vexame tão grande de perder um campeonato tão ganho. Não há adversários. Não há nem mesmo o Grêmio. Mas o Grêmio está lá. E será o campeão.

sábado, 25 de outubro de 2008

Auto-destruição

Auto-destruição é um filme sonolento e cansativo. Mas nem por isso, menos interessante. É um filme existencial e reflexivo. De certa forma, é uma crítica ao modo de vida ocidental, principalmente estadunidense. Os personagens todos são incompletos. Todos são mal resolvidos. Muito disso por não conseguir moldarem-se aos modelos e padrões impostos socialmente. Bill, o protagonista, é um sujeito anti-social ao extremo. Parece ter sido destruído psicologicamente na infância. Não consegue se comunicar, nem interagir com os outros. Karen, a personagem vivida por Sharon Stone, é uma mulher infeliz e insatisfeita, vivendo uma crise de quem já não tem a mesma beleza dos tempos de juventude. Gary, o marido de Karen, não conseguiu construir uma família harmônica. O melhor amigo de Gary, cujo nome não me recordo, sofre bloqueio psicológico causado por um acidente automobilístico passado.
O filme é uma coleção de pequenos dramas pessoais. E todos personagens parecem ter desistido de viver no sentido completo da palavra. Principalmente Bill. Ele apenas vive, mediocremente, sem pretensão nenhuma. Ele não espera mais nada da vida porque parece não esperar nada dos outros. Vai levando tudo de forma a ser o menos percebido possível. Isso é triste ao extremo. Mas até que ponto cada um de nós, guardadas as proporções, não somos um pouco Bills, Garys ou Karens?
Esse tipo de filme me atrai exatamente por isso. Retrata os dramas humanos, os conflitos, a falta de perspectivas que muitas vezes nos assola. Não são super-heróis, não são o retrato do individualismo norte-americano, em que um supra-ultra-violento-heroizão-fortão-machão sai dando porrada e matando pessoas a granel. São pessoas normais, que têm defeitos, virtudes, conflitos. São como nós. Simples assim. Bons e maus. Porque todos somos um pouco bons e um pouco maus. O que varia é a proporção de bem e mal em cada um. Isso sem contar que bem e mal são construções sociais que variam no tempo e no espaço. Mas, sim, temos um pouco de luz e um pouco de trevas dentro de nós. Porque somos humanos. Não somos, não fomos e nunca seremos perfeitos. Essa é a graça.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ciúme

O ciúme é o mais traiçoeiro dos sentimentos. Relacionamentos são, na maior parte das vezes, permeados por ele. E o pior. De apenas uma das partes. Fico imaginando como deve ser namorar uma atriz que beija e faz cenas de sexo e nudez com outros homens. Confesso que eu não seguraria o tranco. Sou um ciumento de carteirinha carimbada. Não adianta. É mais forte que eu.
As mulheres que estão ao meu lado são, para mim, sempre as melhores do mundo. Dessa forma, todo e qualquer homem que se aproxime delas será, para mim, uma ave de rapina em potencial. Sou imaginativo. Tento me antecipar aos fatos. Ser mais realista que o rei. Na maioria das vezes, posso cometer injustiças. Mas a vida me ensinou a ser desconfiado. E sou ao extremo. Tenho verdadeira aversão a negociações sociais. Tento me tornar um negociador. Hoje em dia sou mais hábil. Ainda não o suficiente.
Acredito que hoje em dia as coisas estejam muito deterioradas. Às vezes peco por confiar demais nos outros (sempre mantendo um pé atrás, claro). Mas vou aprendendo a ser progressivamente mais paranóico. As pessoas permitem-se a uma vunerabilidade, existe uma fragilização e uma banalização dos sentimentos que fazem os relacionamentos serem inconstantes. Hoje em dia, a maioria das pessoas está com alguém abrindo brechas e portas para o futuro. Como se assinassem pré-contratos com outras o tempo todo. Elas já partem da premissa de que vai acabar. E isso é complicado.
A sociedade contemporânea é excessivamente dinâmica. O futuro e o presente parecem misturar-se nas atitudes das pessoas. O passado para nada parece servir. As pessoas agem combinando o hoje com o amanhã de diversas formas. A noção de tempo mudou. Com isso, as relações humanas sofreram abalos. Não existe mais rigidez nem solidez em nada. Tudo pode virar nada e nada pode virar tudo numa velocidade violenta e agressiva. Fico perdido. Sou um retrógrado. Não consigo entrar nesse ritmo. Por isso, e também por compreender que eu é que estou deslocado no tempo e no espaço, é que me torno, dia após dia, mais desconfiado e ciumento.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nós ganhamos do Boca

Nós ganhamos do Boca. A dor de cotovelo vai aparecer. Há times na praça que se derretem pelo Boca. Mas não conseguem ganhar deles, nem em seu estádio. Nós ganhamos do Boca. Vão falar que era time reserva. Mas nós ganhamos do Boca. Daqui a 20 anos, uma única coisa estará escrita: nós ganhamos do Boca. Deixa eu repetir, porque é gostoso como Danete: nós ganhamos do Boca. Respeito o Boca. Gosto do Boca. Me deu uma alegria imensa dia desses. Não, dia desses não. Faz mais ou menos um ano e meio. Mas com o Inter, é outro departamento. Nós ganhamos d0 Boca.
É lindo ver D'alessandro jogar. No tira-teima das Américas parte 1, jogou demais. E nós ganhamos do Boca. E Alex? Sensacional. Amo esse cara. Obrigado, Alex! Podem vir os titulares ou os reservas na volta. Fosse boquense, torceria pelos reservas. Time das vizinhanças arrancou dois empates com o Inter, jogando com reservas. Quando colocaram titulares, foram, digamos, humilhados. Caíram de quatro. Gostosinho. Então, Boca, atenção! Coloquem reservas! Colocar titulares pode acarretar em uma humilhação indelével. Por exemplo, Boca, se vocês tomassem 4 a 1 do Inter em plena Bombonera, seria terrível, não? Desmistificaria toda a fama da Bombonera. Sou colorado, mas sou humilde. Ser colorado é ser humilde. E, sabemos, vai ser uma peleia braba na Bomobonera. E o Inter quer. E o Inter não é o mesmo. O Inter versão 2004/2005 era um adolescente cheio de hormônios. Pela ansiedade de "dar umazinha", fazia besteira e perdia chances. O Inter 2008 é diferente. É um homem matreiro, de 30 anos, que traz a mulher que quer à sua mesa com manha, com jeito. O Inter passado é um adolescente espinhento e ansioso, como um dia eu fui. O Inter hoje é homem. Sabe o tempo e o ritmo das coisas. Hoje, confio no Inter. Sei que esse time pode até, numa eventualidade, ser eliminado (toc, toc, toc). Mas, postura, não vai faltar. O Inter é um gigante mundial. Uma múmia de tantos títulos. Campeão do Mundo, da América, da Recopa, da badalada Copa Dubai (à frente de times minúsculos, Inter de Milão, Stuttgart e Ajax, de más recordações para os vizinhos; aliás, viram, tricolores, como somos bonzinhos? Vingamos vocês duas vezes, ficando à frente do bicho-papão Ajax e, agora, matando o místico Boca Juniors). O Inter tem tanto pedigree quanto o Boca.
Sugiro, por fim, apenas como anexo, apenas como observação, o site da entidade máxima do futebol mundial. Visitem http://www.fifa.com/tournaments/archive/tournament=107/index.html. Nesse site, aparecem TODOS os campeões do mundo. Adianto uma notícia, que talvez surpreenda alguns: há apenas um clube de Porto Alegre! Quem será? Tchantchantchan! Ah, só mais uma coisa: NÓS GANHAMOS DO BOCA.

Boca Juniors

Chegou o dia! Hoje o Inter enfrenta o Boca pela Copa Sul-Americana. E não interessa se são os reservas xeneizes em campo. É o Boca. É a camisa. É a tradição. Esse time reserva do Boca meteu 4 na LDU, atual campeã da América. O chamado tira-teima das Américas pegará fogo. Não há dúvidas. Estarão, frente a frente, duas potências do futebol mundial. Dois clubes campeões de tudo.
Por isso, não há porque haver qualquer temor. São duas grandezas equivalentes. O Inter tem que ter postura grande. Impor-se em campo. Disputar cada palmo do campo. Lutar pela vitória do primeiro ao nonagésimo minuto. Nós, colorados, queremos essa taça. Mais um título internacional para nossa coleção. Fico preocupado pelo fato de Tite ainda não ter dado um padrão de jogo ao Inter. Mas, nos grandes momentos, o Inter vem patrolando os adversários, mesmo nesse ano turbulento. Ganhamos de Stuttgart e Inter de Milão. Metemos 8 no Juventude. Vencemos o São Paulo com autoridade. Goleamos o Palmeiras. Humilhamos o tricolor da Azenha.
O Inter, hoje, é muito mais maduro do que no biênio 2004/2005. Lá, ainda estávamos incipientes em nossa história moderna. Vinhamos de traumas e derrotas dos anos 90 e início dos anos 2000. Ali, ainda estávamos reaprendendo a ser Inter. Hoje, não. O Inter atingiu outro patamar. É mundialmente reconhecido. Voltou a ser verdadeiramente um gigante. O Inter hoje tem grife. Tem pedigree. É um destruidor de gigantes europeus. É um campeão da América e da Recopa. É um campeão do mundo. É hoje. Inter e Boca, o tira-teima das Américas. É hoje, se a chuva deixar...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Seja forte, Bernardo!

Bernardo voltou a recuar. Ora, Bernardo, que lamentável! Que fraco você é. Fraco, escravo de alguém que não te quer. Samanta habilidosamente lhe retoma. A hora que ela quer. Bernardo se desespera com isso. Fraqueja. Mas ainda dá tempo, Bernardo! Dá tempo de retomar sua frieza. Ou você esquecerá do que Samanta lhe fez? Ou você esquecerá do que Samanta lhe disse? Arranque seu rancor do fundo de sua alma, Bernardo. Você tem que se dar conta de que não passa de um brinquedo nas mãos de Samanta.
Liberte-se do sorriso diabólico e hipnotizante de Samanta. Ela não lhe merece, Bernardo. Lembre-se: seu tesouro deve ser guardado para uma mulher que tenha um quê de princesa. Essa mulher não é Samanta. Não pode ser Samanta. Não será Samanta. Oh, meu grande amigo Benardo. Arranque-a. Pegue-a e expurgue-a. Supere isso, Bernardo. Busque o tempo perdido, ao invés de revivê-lo. Samanta é assustadoramente desumana. Bernardo é assustadoramente fraco. A rua lhe oferece uma variedade imensa de mulheres.
Por que, Bernardo? Por que não esquece Samanta de uma vez? Você conhece a mediocridade e a mesquinhez dela. Você sabe que ela tão somente quer satisfazer seus caprichos repugnantes. Odiar é odiável. Mas odeie Samanta! Não recue, meu amigo, por favor, não recue. Você só prorrogará seu martírio. Nada acontecerá, conforme-se. Samanta apenas o quer como um suéter cafona que um dia possa usar. Samanta apenas quer sentir seu poder como mulher, já esquecido, abandonado e enrolado em teias de aranha em sua frígida relação com Gomes. Não recue, não abandone a conquista do desprezo e do esquecimento. Seja forte, Bernardo. Por mais que doa. Por mais que corroa. Seja mais forte que seu desejo. Seja mais forte que a vaidade egoísta de Samanta.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Frustração

Foi frustrante a corrida de ontem, de Fórmula 1. As chances de Felipe Massa se rarefizeram, e agora, o brasileiro precisa de um quase milagre para conquistar o Mundial. Eu programei meu despertador para o horário da corrida e ficava dormindo com a tv ligada, acompanhando, vez por outra, a posição dos pilotos. Venceu Hamilton.
Me sinto especialmente frustrado. Lembro-me das vitórias de Senna na minha infância, mas não as pude curtir, pois nem era muito ligado em Fórmula 1. Fica algo como o que eu sentia em relação ao Inter da década de 1970. Um saudosismo de algo que não se viveu e não se curtiu. Como era ver Falcão, Figueroa, Valdomiro, passeando pelo gramado do Gigante? Como era ver aquele que foi o melhor time do mundo de seu tempo, que só não o confirmou oficialmente pela burrice do futebol brasileiro da época de desprezar a Libertadores? Tal saudosismo passou. Vi o Inter chegar ao topo, ao máximo. Vi Fernandão, Iarley, Clemer, Gabiru, Índio, homens que serão lendas indeléveis da história colorada. O resgate do futebol foi feito. Agora falta o resgate da Fórmula 1. Passamos por maus bocados nas mãos de Rubinho, o destruidor de sonhos. Era terrível aquela passividade. Não condeno, ele ganhava para aquilo. Mas Schumacher não precisava.
E surgiu Massa. Com Massa, voltei a sentir prazer em ligar a tv nos domingos pela manhã. Um brasileiro numa grande equipe, com chances de vencer, e querendo vencer. Hoje, ele briga pelo título. Quero acreditar no milagre. Quero acreditar no título de Massa. Hamilton é ótimo. Mas às vezes vacila, é "excessivamente arrojado". Pode ser que num desses ataques de arrojo, o inglês solenemente erre. Porque não depende só de Massa. Massa tem que vencer e torcer para Hamilton ficar no máximo em sexto. Ou seja, temos, ou sim, ou sim, que torcer para Hamilton fazer uma bela, cremosa e fedida cagada. Quem sabe Hamilton não seja o Barcelona, favoritaço, no alto das tamancas e Massa seja o Inter, humilde, sabedor das dificuldades, de quem nada se espera? Interlagos promete...

domingo, 19 de outubro de 2008

Iceberg

Bernardo decidiu-se por se livrar de Samanta. Sua paciência esgotou-se, e isso é notório. Outro dia, Bernardo voltou a conviver com ela. Ele é obrigado a isso. Mas vem tratando de ser frio. Ele precisa disso. E conseguiu. Samanta fez de tudo para trazê-lo de volta à sua esfera de ação. Falava, falava, falava. E sorria. Perguntava se Bernardo estava mal humorado. Bernardo foi irredutível. Tratou-a como ela merece. Como nada. Ele sabe que, para Samanta, as pessoas são como peças de xadrez. A vida, o tabuleiro. Samanta manipula para satisfazer seu ego. Manipula para obter vantagens. O lado humano de Samanta ainda é um mistério para Bernardo.
Todo o jogo de sedução e cativação de Samanta não surtiu efeito. Pelo menos, aparentemente. Bernardo viu-se tentado a, novamente, cair na armadilha. Seu coração rasgava-se como seda nas mãos de um troglodita. Mas ele não recuou. Doeu, e ele não recuou. E não pretende recuar. Com o tempo, mantendo-se frio e distante, e mantendo Samanta no lugar que ela escolheu com suas atitudes, sua ferida cicatrizará.
Bernardo, apesar de frio como um iceberg, procurou mostrar civilidade. O que Samanta perguntava, ele respondia. Ela o convidou para dar uma volta. Os dois foram. Ela falava. Ele, aparentando desinteresse, respondia. Ele está cansado. Seu orgulho é maior. Os atos de Bernardo, de esforço para isolar Samanta de sua vida, são uma espécie de punição. Samanta merece. Dificilmente aprenderá a luição. Talvez Bernardo seja vingativo e rancoroso. Se Samanta julga-se no direito de manipulá-lo ao seu bel-prazer, deve estar preparada para sofrer as conseqüências. E Bernardo pode, cobrando suas dívidas, buscar, em outras fronteiras, sua plenitude.

sábado, 18 de outubro de 2008

Lindembergue

O desfecho infeliz do caso Lindembergue/Eloá suscita algumas reflexões. Primeiramente, o amadorismo do poder policial ficou evidente no caso. A decisão de mandar a outra menina de volta para negociar com o sujeito seria cômica, se não fosse trágica. Sou leigo, não entendo nada de ações policiais. Mas tem coisas que são suficientemente óbvias. Deram chance para o azar.
Lindembergue é um imbecil. Um idiota. Imagina se cada homem apaixonado fosse seqüestrar o objeto de afeto! Claro, há alguns dias escrevi sobre estupro, que realmente é mais repusivo. Mas o fato de não ser estuprador não exime Lindembergue. Ele me pareceu um baita de um filho da puta, pra falar a verdade. Debiloidemente frio. Não há justificativa para o ato dele. Talvez ele seja um desequilibrado. Talvez seja simplesmente um idiota. Talvez ele tenha traumas. Mesmo assim, o caso é estarrecedor.
Mais patética e lamentável foi a postura de parte da imprensa. Imprensa marrom. É qualquer coisa de ridícula a entrevista de um repórter da não menos ridícula Sônia Abrão com o seqüestrador. "Meu querido, fique tranqüilo". Uma barbaridade. Um absurdo kafkiano. Determinadas pessoas e determinados veículos de imprensa não têm um pingo de ética. São mesquinhos, e fazem todo tipo de absurdo por causa dos malditos pontos no Ibope. A espetacularização do seqüestro foi lamentável. Se Eloá morrer, o que, infelizmente, parece provável de acontecer, fosse eu Sonia Abrão (toc, toc, toc...), abandonaria a carreira. Me aposentaria e sumiria do mapa. Mas seria exigir demais. Esse tipo de pessoa parece estar, digamos, defecando, para qualquer coisa que não seja o Ibope. Independentemente das desgraças e dos danos que venham a causar.
Os próprios meios de comunicação deveriam banir algumas condutas. Definir o que vale e o que não vale. De preferência, em uma mesa com representantes do Estado. Porque, entre compadres, nada mudaria. Precisaria de um poder mais institcucionalizado e minimamente imparcial para julgar a imprensa. E existe. E deveria ser mais forte. Se a imprensa se presume neutra e imparcial para julgar o governo, o governo também pode julgar-se neutro e imparcial para avaliar a postura da imprensa. Longe de mim defender censura. A liberdade de expressão é uma conquista da democracia brasileira. Mas, de alguma forma, esses absurdos têm de ser controlados. Talvez esteja na hora de um grande debate envolvendo veículos de comunicação, Estado e sociedade civil. Do jeito que está, não pode continuar. O Ibope deve deixar de ser o guia-Deus de programação da imprensa. A qualidade deve ser prezada. Algum mecanismo de bonificação de qualidade de programação deve ser criado. E as concessões devem ser repensadas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ser ou não ser (fantoche)?

O que nós temos que agüentar? A paciência, muitas vezes, é uma virtude. Às vezes tenho e às vezes não tenho. Mas a paciência deve ser moderada. Não podemos ser bobos. Jamais devemos deixar que nos pisem. E, quando incomodados, devemos transparecer. É fácil ver na minha cara quando estou incomodado. Tento, juro que tento disfarçar. Mas todos dizem: "tá na cara, Bruno!"
Não sou muito afeito a relações políticas. As tenho na medida em que as suporto. Não faço questão de ser simpático com quem não gosto. Não faço questão de ser o que não sou. Isso não implica ser mal educado. Tento ser gentil, no limite que meu estômago agüenta. Estômago às vezes é necessário. Fundamental. Mas o meu, confesso, é frágil. Então, faço o suficiente para não destratar as pessoas. Grosso, eu não sou. Sou sério, muitas vezes não sou o "rei do sorriso". Mas sou tratável.
Não consigo ser falso e cínico. Sei que ser falso e cínico é uma espécie de pré-requisito para quem quer vencer fácil na vida. É um atalho para o sucesso. Infelizmente. Uma espécie de apostila do "seja um vencedor". Mas não consigo estudar com essa apostila. O atalho não me apetece. Prefiro, como teimoso e cabeça dura que sou, fazer o mais difícil. Nem sempre dá certo. Não faço questão de vencer usando caminhos escusos e micro-relações de poder. Faço o que acho certo e o que quero. Sou um pouco romântico. Conquistas fáceis não me servem. Prefiro perder fazendo o que acho correto. Não gosto de nada que me dê um pingo de remorso. Não gosto de pensar " consegui, mas..." Prefiro pensar simplesmente "consegui" ou "não consegui".
Sou resultado de minhas ações. O ser humano que sou hoje é resultado de minhas escolhas. Isso me orgulha. Eu sei que não sou fantoche. Sou um homem com vitórias e derrotas, todas elas genuinamente minhas. Isso me permite descansar todas as noites.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A bonança de Bernardo

Bernardo vive dias de bonança. A tempestade, aparentemente, passou. Chegou um surto de lucidez. Bernardo espera que, dessa vez, as coisas sejam definitivas. Ele sabe de sua instabilidade. Ele sabe de sua exposição. Tem consciência de que é cedo para comemorar. Mas Bernardo já consegue ver o quão mesquinha e medíocre é Samanta. Ele não é um exemplo típico de auto-estima. Bernardo se cobra muito. Vê todos os seus defeitos. Por vezes, vê até defeitos imaginários. Ele sabe que são imaginários, mas continua a enxergá-los. Mas, hoje vê que seus defeitos, perto de Samanta, nada representam. Ele vê o que são verdadeiros defeitos de um ser humano.
O rapaz sente-se livre. Sente-se leve. Sente-se disposto. É como se, de uma hora para outra, talvez com algum esforço involuntário da própria Samanta, ele tenha visto que é mais que ela. Muito mais. Samanta não está pronta para ser verdadeiramente amada. Ela está, irreversivelmente, entregue à mediocridade de sua existência. Samanta é o tipo de pessoa que não tem profundidade para ver o que realmente vale. É uma mulher entregue a vaidades mesquinhas, a micro-relações de poder, a pequenas glórias ridículas. Samanta contenta-se com a superfície, com as cascas, com o parecer. Para ela, tanto faz ser patética ou ridícula. Tanto faz se pelas suas costas algumas pessoas riem de quão lamentavelmente ela vive. Tanto faz se, enquanto ser humano, ela seja uma nota de três reais, carimbada e atestada pelo Inmetro. Bernardo nunca riu. Ele a amou. Mas desistiu. Samanta é pequena demais para o amor de Bernardo.
E a passagem de Samanta, a borracha passada por cima de sua imagem, não apaga, porém, o que Bernardo sente. Não mais sente por ela. Mas o que é bom fica guardado. Algum dia, para alguém, Bernardo abrirá o baú com o tesouro que tem guardado. Samanta não é merecedora. O melhor, realmente, é que este tesouro fique para alguém que o mereça. Uma mulher, para merecer o tesouro que Bernardo guarda, tem que ser mais do que uma mulher normal. Ela tem que ter algo de princesa. Ela tem que ter alma de princesa. Ela tem que ser mais, muito mais do que Samanta é.
O sentimento de Bernardo é transcedental. Uma mulher capaz de entendê-lo, deve ter uma visão muito mais profunda do que é a vida. Uma visão diferente e libertada. Bernardo parece liberto. Ainda exposto às suas fragilidades. Mas Bernardo disse-me estar estimulado como há muito não se sentia. Ele consegue encher os pulmões de ar e respirar. Verdadeiramente respirar. Sem medos. Sem preocupações com coisas pequenas. Livre.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Estupro

Estava lendo há pouco sobre o caso de um estupro, acho que em São Paulo. A menina, de 17 anos, foi arrastada para um colégio, quando chegava em casa de um baile, e violentada, encontrando-se em estado grave. Se há um ato humano que não relevo e não tolero em nenhuma hipótese é o estupro. Todos os outros, por mais imperdoáveis e doentios que sejam, de alguma forma podem ser explicados. Estupro não. Ninguém me convence que estupro é caso de psiquiatra. Aliás, é. Para a vítima. Nem mesmo os criminosos da cadeia toleram esse tipo de violência. E quer saber? Bem feito. Estuprador tem que ser feito de mocinha mesmo. Quando ouço sobre qualquer caso de estupro, aflora em mim meu lado mais Datena. Estuprador não tem que morrer. Tem que sofrer. E muito. Talvez com a mesma intensidade de violência de seu ato. Os presos garantem o serviço.
E, nessas horas, danem-se direitos humanos. Quem comete atos tão dantescos, não tem direito nenhum. Só o de relaxar e gozar. Violência sexual é repulsiva. A mais repulsiva de todas as modalidades de violência. É uma violência psicológica. É uma invasão daquilo de mais íntimo que o ser humano tem, aquilo que é mais seu. Sua entranhas. Seu sexo. Vem algum vagabundo, à base da força, e invade, destrói a alma de outra pessoa. Os danos psicológicos devem ser eternos. O que de mais sublime, o que é para ser o ápice do amor é, assim, invadido, desrespeitado, por algum animal de pênis duro. Em sua vontade nojenta, destrói uma vida. Destrói a intimidade da pessoa.
Estuprador é um ser sujo e nojento, como o pior e mais cruel dos assassinos não o é. De alguma forma, o ato daqueles cegos que pediram mulheres em troca de comida em "Ensaio sobre a cegueira" era uma espécie de estupro. Sexo conseguido à base da força. Psicológica. Do uso do instinto de sobrevivência de quem estava faminto. Junto com Julianne Moore, eu cravei aquela tesoura no nojentão. Talvez ele merecesse ter aquela tesoura cravada em outro local. Mais doloroso e invasivo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A arte de ser estúpido

Alguns seres humanos sabem ser especialmente estúpidos. Não falo da estupidez em termos de falta de inteligência ou instrução. Falo da etupidez no trato com outras pessoas. Particularmente, tenho horror a esse tipo de atitude. Não sou santo. Às vezes, também sou estúpido. Também me irrito. Mas algumas pessoas se irritam sem motivo aparente. Elas se irritam com as pessoas que mais gostam delas, geralmente. Talvez elas não saibam discernir. Talvez sejam infelizes, insatisfeitas, incompletas, talvez as suas transas sejam uma porcaria, e daí elas despejam suas frustrações e revoltas sobre quem não tem nada a ver.
Não que eu não tenha minhas irritações e frustrações. Tenho, e muitas. Mas não agrido os outros por causa disso. Pelo menos tento. E também não magôo os outros gratuitamente. Não gosto disso. E creio que as últimas pessoas a quem eu devo destratar são as que gostam de mim. Não seria lógico? Não, para alguns não é. Penso que talvez essas pessoas se orgulhem de serem grossas e intratáveis. O que, convenhamos, é lamentável. O que agrava alguns casos, é que as grosserias vêm quando menos se espera. Numa brincadeira qualquer. E vai lá a pessoa e bluft! Vira um capeta. Do nada, elas transformam tudo em um inferno.
Lidar com seres humanos não é fácil. Lidar com seres humanos intratáveis, menos ainda. Essas pessoas estragam suas próprias convivências com suas mediocridades. É medíocre agredir alguém que gosta de nós. É ridículo, infantil, e estúpido. É burrice. E os outros? E os que não gostam? E os cínicos? Pra esses, tudo bem. Talvez esses tipos de pessoas se mereçam. São, a seu jeito, iguais. São, a seu jeito, a mesma porcaria. O mesmo monte de fezes. Valorizemos, portanto, quem realmente vale a pena. E deixemos para os medíocres, apenas sua mediocridade. Essas pessoas, no fundo, são coitadas. Não sabem o que tem valor, porque não entendem. Seus valores são distorcidos e vazios. Seus valores são como uma casa de palha, que ao primeiro assopro, cai pateticamente. Elas merecem ouvir um sonoro "foda-se".

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Odeie Samanta!

Bernardo vem continuando sua caminhada. Creio que ele tenha uma infinidade de motivos para odiar Samanta. Odeie Samanta, Bernardo! A corrosão diária de Bernardo é uma espécie de martírio forçado. Bernardo sabe do mal que faz a si mesmo. Mas continua. Sua tolice é infindável. Acordar e esperar são os verbos diários. Enquanto isso, Samanta parece continuar incansável e divertidamente manipulando os sentimentos de Bernardo. Ela deu um nó cego no coração dele. Foi assim, e assim continua sendo.
O racional nunca é o mais fácil para Bernardo. Ele se encontra e se perde umas dezoito vezes por dia. Às vezes, parece surgir uma luz, algo que o reconforta. Minutos depois, a luz se apaga, e nuvens repovoam tudo o que pensa e sente. Odiar Samanta provavelmente seja a solução. Talvez o sentimento de Bernardo só possa ser resolvido com um sentimento mais forte e mais avassalador. Mas Bernardo não consegue. Ele gosta dela cegamente. E não faz nada. Não consegue fazer nada. O melhor para Bernardo talvez fosse abrir o jogo de vez. Ou vai, ou racha. Mas ele se alimenta das ilusões fornecidas por Samanta. Faça alguma coisa, Bernardo! Reaja! Diga para Samanta que a ama intensamente! Bernardo reluta em dizer. Ele sente, ele grita interiormente, mas não consegue dizer. Falta coragem. Bernardo deve reunir coragem suficiente para ser ridículo. Para ser verdadeiro. Ele precisa ser ridículo. Só sendo ridículo ele poderia mostrar para Samanta a verdadeira dimensão daquilo que sente.
Bernardo não consegue calcular nada. Até que ponto estar lado a lado com uma ilusão vale a pena? Bernardo não é um caminho seguro para Samanta, como Gomes o é. Toda a segurança que pode oferecer é a segurança daquilo que ele sente. Sente demais. O amor de Bernardo por Samanta transcende o politicamente correto. Transcende, por vezes, a própria dignidade humana. Ele espera as migalhas de Samanta. Malditas migalhas. Ele se pergunta: até quando isso vai continuar? Ele mantém esperanças. Aguarda o dia em que o sorriso de Samanta passe da ameaça. Espera o dia em que tudo o que passou até agora tenha uma explicação para ter ocorrido.

domingo, 12 de outubro de 2008

Dia das crianças

Hoje é dia das crianças. E como é bonito o espírito infantil. Na infância, nossas maiores preocupações são comer um chocolate, inventar a brincadeira da tarde, ver desenho na tv. Minha infância foi boa. Adorava assistir a seriados japoneses. Spielvan era o meu favorito. Eu também criava para eu interpretar alguns heróis imaginários. Quando ia à praia, entrava em ação o Herói das Águas. E eu travava batalhas incansáveis contra as gigantescas ondas de Capão da Canoa.
A infância nos proporciona uma blindagem. Nosso mundo é nossa imaginação. Tudo ideal. Tudo nosso, e do jeito que queremos. Não temos as amarras da realidade. Chata realidade. Na infância, somos sempre protagonistas. Não estamos sequer minimamente envolvidos com as mesquinharias da sociedade, do mundo adulto. Não há preocupações ou sofrimentos envolvendo o tal de futuro. Aliás, o futuro é ingrato. Nunca chega. Nunca é. Sempre será. A infância é o momento em que a vida realmente é vivida. Depois de certa idade, a vida não é mais vivida. É projetada. Somente projetada. Enfadonhamente projetada. Por isso, luto para manter um pouco do espírito de criança. É difícil. Mas viver o presente, por mais que ele esteja longe daquilo que idealizamos, é fundamental.
Algumas pessoas podem interpretar como imaturidade, irresponsabilidade. Claro que devemos ser adultos. Claro que devemos projetar. Mas também precisamos viver. Valorizar aquilo que temos também, e não somente aquilo que queremos ter. Vejo importância nisso porque a base para chegar àquilo que queremos é o que conquistamos. O que temos deve servir de munição para chegar onde queremos. Para conquistar aquilo que desejamos. Resgatar o que fomos, a criança que reside em algum canto esquecido de nossa alma, é indispensável. É uma forma de nos reequilibrarmos. Viva o algodão doce! Viva Aladdin! Viva o picolé de chocolate! Viva o balde e as pazinhas na areia da praia! Viva o nosso lado mais puro, que, por mais que se esconda, ainda reside em algum lugarzinho de nós mesmos! Sejamos um pouco bobos, um pouco infantis, um pouco moleques e um pouco descontraídos! Feliz dia das crianças para todos nós.

sábado, 11 de outubro de 2008

Culinária

Falar de culinária é algo sedutor. Não precisamos saber cozinhar. Nem mesmo precisamos dominar todas as regras de etiqueta. Apenas temos que ter paladar. O nosso paladar. Para mim, são três os grandes prazeres da vida, claro, quando os objetos do "ato" são satisfatórios: transar, comer e beber. De alguma forma, a vida de um homem poderia resumir-se a isso. O resto são apenas meios para conseguir os três objetivos, as três necessidades primárias. Não adianta ser hipócrita ou pudico. O que é bom, é bom, e pronto. Os outros prazeres, como ouvir boa música, dançar, ir a um jogo do Inter no Beira-Rio, são dependentes dos outros. Não dos três ao mesmo tempo, mas pelo menos de um. São várias as combinações. Álcool= dança; álcool+ dança= transa; música+ álcool= transa; transa+ álcool= comida... E esses fatores podem combinar-se de todas as maneiras pensáveis e possíveis. Mas sempre envolvendo na fórmula sexo, comida ou bebida. Ou dois deles. Ou os três.
Mas, voltando à culinária: como é bom comer uma boa massa. O que seria de minha vida sem a existência da pizza? Ou de um pastel? Pastéis me lembram, aliás, fim de jogo no Gigante. Sempre compro aqueles pastéis frios, de fim de festa, vendidos 2 por 1 real. Mas eu compro 4 por 2 reais. E é maravilhoso. Acompanhado de uma cerveja, claro (olha o álcool e a comida aí de novo; se parar para pensar, até o sexo está envolvido, pois ver o Inter ganhar é orgásmico, e ver o Inter perder é quase brochante). Ah, uma lasanha! Com muito molho, muito queijo. Nossa! Meus olhos chegam a marejar só de pensar. Um nhoque com muito molho e muito queijo, igualmente! Maravilhoso! Estou com fome. Daqui a pouco saio para comprar comida. Pronta. Eu até tenho talentos culinários fantásticos, mas que pouco exploro. Faço um miojo que é dos deuses! Também faço um ovo frito de cinema!
Também tem aquelas coisas bem mais simples do que massas, mas que para mim são igualmente atraentes e saborosas. Me derreto por um pão com feijão. Ou então com ovo frito. Espetacular. Bolachinhas d'água com maionese. Muita maionese. Alguns pratos me remetem à infância. Bolacha d'água com maionese é um deles. Também adoro espinafre. Minha avó fazia um espinafre com farinha que era um espetáculo. Pena que nunca encontrei um espinafre em lata, igual ao do Popeye. Talvez por isso, após comer, meu bíceps não começasse a latejar e aquele encosto que tomava conta do Popeye sequer se aproximasse de mim. Mesmo com essa frustração, era muito bom.
Estou com fome. Daqui a alguns minutos saio, nesse dia chuvoso, espero na fila do restaurante, pego minha quentinha, pago a conta (acho que está custando uns R$ 5,30) e volto para casa. Estendo a toalha de qualquer maneira, dobrada mesmo, de modo que ocupe apenas o espaço que vou utilizar na mesa. Pego o prato, os talheres, coloco sal na salada, e como primeiramente a salada. Nem abro a quentinha. Após comer a salada, abro a quentinha. Ritualisticamente, sirvo apenas o bife. Fecho a tampa da quentinha e como apenas o bife. Ele, ali, a estrela principal. Eliminado o bife, enquanto ele começa seu passeio solene pelo meu sistema digestivo, sirvo o restante. Como tudo. E a fome, motivadora desse texto, terá acabado.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O futuro, as rupturas e os vínculos

Projetar o futuro é importante. Não restam dúvidas a respeito disso. Mas, por vezes, projetar, ou conjecturar o futuro é doloroso. Complicado. Quando passamos por algumas barreiras, por alguns obstáculos, e temos que fazer rupturas em nossa vida, exitamos. O que deve ser feito, afinal? Confesso que hoje meu espírito está em uma sintonia positiva. Uma amiga, grande amiga, me sugeriu uma espécie de meditação baseada no sorriso. E, pelo menos ontem, funcionou! Estive desenvolto, despreocupado, comi um maravilhoso frango a passarinho, bebi algumas cervejas com amigos, e tive uma noite excelente.
Ainda assim, o futuro lateja em mim. Pelo menos encaro essas projeções de maneira positiva. Dá um aperto no peito, mas tento buscar coragem dentro de mim. Aquele frango a passarinho me fez bem! Por mais que rompamos, sempre estaremos em algum lugar. Sempre teremos alguns significados para nossas vidas. É automático. A vida é composta por fases. E cada uma delas possui o seu colorido. Imersos nessas fases, acreditamos que jamais devamos sair delas. Não queremos sair. Torna-se corrosivo pensar em abandonar momentos, de alguma forma deixar amigos, companheiros pelo caminho. E quando as coisas são verdadeiras, de um jeito ou de outro, encontramos soluções e mantemos os vínculos.
Os vínculos não são geográficos. Não são temporais. São puro afeto. Talvez o nosso maior medo resida no fato de que as demais pessoas também mudam fases nas suas vidas. E queremos, manter nosso posto, pois gostamos, por vezes amamos, e egoisticamente queremos ser o centro para essas pessoas. Sempre. E não tem como ser diferente, por mais que saibamos que isso consiste num erro. Talvez o segredo seja sermos intensos enquanto podemos. O mais intensos quanto for possível. Assim, criamos uma poupança. algo que o tempo ou a distância jamais poderão destruir. Algo que transcenda as cínicas e oportunistas relações humanas que nos rodeiam.
Lutemos, sempre, por quem queremos que faça parte de nossa vida não só em uma ou duas, mas em todas as fases. Lutemos pelas pessoas com as quais valha a pena convivermos para sempre. Começando por nós mesmos, nossa companhia garantida até o fim, e passando por nossos amores, amizades, afetos diversos. A vida é uma peneira. O que é bom sempre fica. O que é fundamental e essencial sempre fica. Há quilômetros ou há centímetros. 24 horas por dia, ou 1 hora por semana. Não existe padrão de medida para pessoas e seus sentimentos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Clemer

A ida de Clemer ao banco de reservas do Inter é o inevitável que era adiado e agora se concretiza. Em seu lugar, Lauro, goleiro com o qual eu tenho dois pés atrás. Na minha opinião, um frangueiro. Mas é o que temos, graças a um equívoco da direção colorada, que vendeu Renan sem repor com qualidade. Vamos de Lauro. Tomara que dê certo.
Clemer não soube a hora de parar. Quando chegou ao Inter em 2002, era reserva do Flamengo, e nacionalmente já notabilizado por seus frangos. Chegou já com uns trinta e poucos anos. Na época, o Inter havia desistido de Carlos Germano, que treinava no Inter e tinha um imbróglio jurídico com o Vasco. E o anúncio de Clemer me deu um susto. Eu quase gritei quando ouvi a notícia pela voz de Elói Zorzetto no RBS Notícias: "Quê????"
Não acreditei. E Clemer chegou. Foi campeão gaúcho. Tomou vários frangos. Mas salvou muito também. Clemer conquistou a simpatia dos colorados. E foi se arraigando no gol colorado, ano após ano. Chegou 2006. E Clemer foi espetacular na Libertadores. Falhou em alguns gols, é verdade, mas foi um monstro. Quem não lembra da defesa no último lance contra a LDU, no Beira-Rio, evitando a disputa nos pênaltis? Ou as defesas magistrais no Morumbi? Ou ainda a defesa na cabeçada dramática de Alex Dias no finzinho da epopéia de 16 de agosto? E veio o Mundial. Clemer foi soberbo contra o Barcelona. Fez as defesas mais importantes que um goleiro já fez com a camisa colorada. E foi campeão do mundo. Com 38 anos. Um goleiro de 38 anos foi campeão do mundo. Esse goleiro nada mais tinha conquistado de relevante anteriormente a este momento. Apagou a imagem de frangueiro dos velhos tempos para ser uma lenda colorada. Hora de parar, certo?
Mas Clemer não parou. Continuou no Inter, perdeu espaço para Renan, voltou à titularidade com a venda do jovem goleiro para o Valencia, e acumulou mais frangos. Clemer está se auto-destruindo. Talvez seja providencial para Clemer sua ida para a reserva. É um ato de respeito com um ídolo colorado. Clemer é um vencedor. Clemer é um colorado. Não precisa provar mais nada. Está na hora de encerrar seu ciclo. Deixar de ser um mortal para se tornar uma lenda. Como Falcão, Figueroa, Claudiomiro, Valdomiro, Carlitos, Larry... Não precisa mais se desgastar.
Obrigado, Clemer, por tudo. Por cada defesa. Por cada minuto em que defendeste a camisa colorada com tua raça e emoção. Obrigado pela defesa no chute do Deco. Obrigado pelo delicioso gol no chocolate sobre o Juventude. Por respeito a ti mesmo e à tua história, Clemer, por favor, pare. E nos deixe somente as lembranças do goleiro mais vencedor da história do Inter.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sobre a revolta

A vida nos propõe soluções comportamentais para tudo o que passamos. Situações boas, ruins, divertidas, constrangedoras, sempre têm um cardápio de ações possíveis. Um cardápio menos amplo, de ações desejáveis ou corretas. Nas horas boas, pouco é necessário pensar. O que está bom, está bom, não há o que mudar. Ainda assim, algumas pessoas conseguem "defecar no órgão genital masculino". Mas demanda esforço. Na maioria das vezes, o que fazemos nos bons momentos possui uma espécie de auto-justificação. E grosso modo, a alegria e a espontaneidade são os comportamentos mais corretos. Ver a vida de modo positivo, em um sentido de aceitação contemplativa, é o melhor a se fazer.
Os mesmos comportamentos, porém, são insuficientes quando as situações são insatisfatórias. Quando as coisas vão mal, de que adianta contemplar? Claro, teoria é uma coisa e prática é outra. Às vezes chegamos a um estado de espírito tão rebaixado, que reagir torna-se impossível. Mas a mudança da realidade em si, só se dá através de rupturas. Ou ao menos tentativas de rupturas. Às vezes, para alcançar o mínimo devemos mirar o máximo. Mesmo que a ruptura em si não se concretize, alguma coisa estará mexida, alguma mudança fora realizada, alguma estrutura, de alguma parte, sofrerá algum abalo.
O sentimento de revolta é necessário para seres humanos reverterem suas insatisfações. Se as coisas estão ruins, a única forma de revertê-las é nos revoltando. E revolta não deve ser vista com uma conotação preconceituosa e negativa. A revolta é o meio pelo qual buscamos forças para sair do fundo do poço. Ela pode sim ser positiva. A partir de uma revolta podemos ter reação. É uma fonte de energia. Muitas vezes sofremos de síndrome de vira-latas. Achamos que podia estar pior. Realmente podia. Não devemos fechar os olhos para isso e sermos ingratos. Mas sempre queremos mais. É característico do ser humano querer mais, sempre mais, sempre muito mais. Alguns têm menos, e só se revoltando podem tentar mudar. Alguns têm mais, e para esses conseguirem mais, a revolta não é necessariamente o caminho. Para estes, existem caminhos mais amenos. Porém, para os insatisfeitos, só a revolta possui poder transformador. Revoltar-se não significa necessariamente virar-se contra, desistir ou confrontar algo. Significa, muito antes disso, puxar, por um sentimento forte, a transformação. Talvez, a transformação do próprio objeto de revolta, e não necessariamente sua destruição.
Buscar força nos momentos ruins é fundamental. Puxar, de alguma gaveta esquecida de nossa alma, nossa reação, é indispensável quando tudo parece obstaculizar nossas alegrias. Revoltar-se é preciso, diversas vezes. Revoltar-se é desistir de morrer. É optar por viver. Revoltar-se é buscar a felicidade a todo custo. Por mais que nossos objetivos pareçam distantes, devemos nos revoltar contra essa distância, que muitas vezes é imposta. Querer a todo custo. Buscar a todo custo. Ir até o fim. Ir até o fundo do poço, se necessário. Mas trazer o que queremos, orgulhosamente. Ou orgulhosamente voltarmos sabendo que tudo, absolutamente tudo o que podia ser feito, foi feito.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Uma carta para Samanta

Bernardo esteve comigo. Conversamos, ele fez alguns desabafos, como já é de praxe, e me apresentou uma carta escrita para Samanta. Carta esta que ele não entregou a ela. Ele sabe o quanto a circunstância é ameaçadora. Ele sabe o quanto está exposto. Bernardo me entregou a tal carta. Parece ter sido escrita com a força dos recôncavos da alma. Esse rapaz realmente sofre. Com algum esforço, é perceptível. Cometerei uma indiscrição com Bernardo. Trancreverei a carta dele. Talvez ele não queira mais me olhar na cara. Mas a carta me tocou, e por isso me vejo obrigado a compartilhá-la. Que me perdoe Bernardo. Abaixo, a transcrição:
"Samanta, querida. Não é fácil escrever para ti. Pensei muito antes desse ato. Meu desespero grita e pede. Assim sendo, escrevo. Escrevo porque te amo, Samanta. Teu coração é um enigma. Nunca sei o que realmente queres e pretendes dizer. Apenas ouço. Finjo que você não me abala. Mas você me toca. Toca minha alma. Toca meu espírito. Falar-te sobre isso me parece impossível. Você reveza suas personalidades. Não sei o que esperar. Talvez me ames. Talvez me odeies. Talvez sintas nojo. Talvez me aches um ridículo. Essa carta me permite que possa medir melhor minhas palavras. Mas é mentira. Estou escrevendo compulsivamente.
Quem eu sou para você, Samanta? O que eu sou para você? Não sei. Realmente não sei. E vivo amedrontado. Você tem sua vida com Gomes. Não quero interferir. Talvez seja o mais conveniente para você. Talvez simplesmente seja o melhor para você, mesmo. Mas eu sinto necessidade de você. Necessidade química. A centímetros de distância, você se encontra há anos luz. Você é meu sonho. Talvez meu único sonho. O sonho matriz. O sonho a partir do qual todos os outros se configuram e se originam. Você não sabe, não imagina, mas preciso de você. E quase enlouqueço de medo de te perder. Não para Gomes. Seria canalhice, talvez, ser presunçoso a ponto de pensar que te perderia para Gomes. Você já é de Gomes. Eu sou o intruso. Talvez apenas na minha cabeça, é bem verdade. Mas quero ser especial para você, mesmo assim. Não quero ser como a infinidade de homens que cruzam seu caminho. Não quero ser como seus amigos. Quero ser mais. Quero ser eu, somente eu, sozinho, ali, eu.
Não posso te ver ao lado de outros rapazes, Samanta. É uma tortura. Você me tortura, mesmo sem perceber. Ou percebe? Às vezes acredito que percebe. Às vezes, é massacrante. Você me alimenta, me ilude à sua maneira, para me destruir logo depois. Eu não queria te amar, Samanta. Não queria mesmo. Juro que não queria. Mas amo. E preciso de você. Sinto vontade de te abraçar, Samanta. Uma vontade quase incontrolável de te abraçar e te beijar. Mas não posso. A vida me impede. Eu me impeço. Você, com seus jogos psicológicos, me impede.
Estou aqui, Samanta. Esperando um beijo. Esperando algum afago. Esperando por você. E você nunca vem. Por vezes, você me subestima. Ou finge. Se faz de maluca. Não posso arrancar o que sinto. E sou piegas. Cada letra que escrevo me faz mais ridículo aos seus olhos, eu sei. Mas não consigo mudar. E você foge. Deixa pra depois. Você me chama de afobado. Me chama de infantil. Mas você me dá motivos pra agir diferente?
Acredite, tudo o que eu queria era me libertar. Me libertar desse sentimento que me detrói dia após dia. Me libertar da pressão psicológica com a qual você me defronta a cada gesto. Samanta, você é, infelizmente pra mim, a razão-mor da minha vida. Tento achar outros sentidos. Por vezes, consigo, como quem consome uma droga de efeito limitado. Não quero me machucar. Não quero te machucar. Mas você sabe que me machuca. Por mais que eu me anestesie, você me machuca.
Faço tudo que posso para existir em sua vida. Faço tudo que posso para ser seu. Meu peito parece inchar quando estou perto de você. Você é tudo na minha vida. E eu não sou nada na sua. Está certo esse nível de desigualdade? Será que, me ferindo, você pensa que vai eliminar meu sentimento? Eu sou um tolo. Tenho auto-crítica, e tenho essa consciência. Gostar de você, Samanta, é degradante. Meus dias vão passando, todos iguais. Todos incompletos. E ao acordar, revivo minhas esperanças e ilusões. Espero que, como que por encanto, você perceba que existo. Plim, e as coisas fariam sentido. E minha vida teria significado. Mas não adianta. Me frustro ao esperar algo de você. Não posso e não devo. Mas espero. Teimosa e pateticamente espero. Faço o que consigo. E não consigo te agradar, por mais que tente.
Meu coração dói, Samanta. Você sabe o que é isso? Talvez para ti, esteja bom. Com Gomes, e com o palhaço aqui, sofrendo. Dedicasse um dia da sua vida a realmente me ouvir, me estimular a falar com profundidade, e verias o quanto significas para mim. Mas você prefere seu humor ácido e corrosivo. Seu privilégio é me arranhar e me machucar com suas reticências perturbadoras. Me deixe sofrer sozinho, afinal. Se não se importa comigo, me deixa aqui. Te amando quieto. Esperando que você um dia mude. Ou me dê um pouco do carinho de que preciso. Te amo. Bernardo Moraes Santos."
Esse é Bernardo. Continua tolo. Continua apaixonado ridiculamente. Seu coração está lá. Em um peito cansado. Esperançoso, mas em frangalhos. Eu juro que tento ajudá-lo. Mas não consigo. Tento ser sua racionalidade. Mas ele não me ouve. Bernardo segue, e sigo torcendo por ele. Essa estrada espinhosa que ele percorre em algum momento terá que acabar. Queria vê-lo feliz. Um dia de sua existência, que fosse, verdadeiramente feliz.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pedaços

A teoria e a prática nem sempre se conjugam da forma mais correta. Permanentemente, percebo isso com mais clareza. Temos o certo pronto, mastigado, dado. Mas nem sempre conseguimos executá-lo. Muitas vezes nossos afetos nos dizem que é errado fazer o certo. E continuamos errando. Escarradamente errando. Inescapavelmente errados.
A maior beleza e a pior desgraça do ser humano é o coração. É odiável sentir. Pelo menos quando é errado. Aquilo que sentimos nos faz reféns. Reféns de algo que não podemos ter. Reféns da irracionalidade. Reféns de nossos erros. Grotescos e persistentes erros. Sou um sujeito desobediente a mim mesmo. Talvez todos nós sejamos, quando enfrentamos o que sentimos. A realidade poderia inexistir. Seria muito melhor. Talvez a solução existencial de seres humanos violentados pela realidade seja enlouquecer. A criação de nossa própria realidade pode ser o nosso anestésico. Mas eu não consigo enlouquecer. Tento, mas ainda considero a realidade em si. O problema é que a realidade em si muitas vezes confronta nossos anseios. Muitas vezes, simplesmente não há o que fazer. Emudecidos, acabamos caminhando com pesos insuportáveis sobre as costas. O peso da realidade. O peso de nossos desejos. O peso desses conflitos. É como continuar em uma estrada sabendo que algo fica para trás. Algo que não podia ficar para trás. E uma parte de nós fica lá. Quieta. Vigilante. Esperando que voltemos para recolher aquele nosso pedaço. Um pedaço que nos pertence mas está sob custódia alheia.
Infelizmente, os sentimentos estão sempre ligados a objetos. Sentimento em si não existe. Sentimento é sentimento por algo concreto. Talvez esse sentimento tenha maior ou menor poder de transferência, de um objeto a outro. Mas, independente, auto-sustentável, jamais será. E a caminhada segue. Abandonando pedaços que ainda estão dentro de nossos corpos. Mas concretamente permanecem fora. A cada passo de distância, uma nova ferida. A cada passo de distância, a mesma vontade de voltar correndo e recolher o que sentimos, os nossos pedaços no caminho. Mas alguns desses pedaços não se movem. Criam raízes naquele chão. E todo esforço sobre-humano que possa ser feito, não passa de uma infantil ilusão. Ilusão de que a mãe compre a Disneylândia. Ilusão de que nossos pedaços sejam, de fato, nossos.

domingo, 5 de outubro de 2008

Eleição

Dia de eleição é diferente. É legal. Confesso que gosto. É quase ritualístico. O dia já começa com uma atmosfera diferente. Acordo pela manhã, tomo banho e vou à urna. Perto de casa. As ruas ficam diferentes. Sujas. Adorável sujeira. Sujeira democrática. Ali, se vê direita, esquerda, centro e lunáticos. A sujeira deixa a eleição com cara de eleição. Gosto da sujeira. É crime eleitoral e tudo mais. Mas ela faz o sujeito visualizar a importância do dia que vive. E encontramos amigos, conhecidos, pelo caminho. Todos em direção à sua limitada cidadania.
E votamos. Eu ritualisticamente, após votar, passo na casa de minha madrinha. Perguntamos em quem um e outro votou. Sempre pela manhã.
É um dia diferente. E melhor, as imbecilidades do Faustão são freqüentemente interrompidas pelas notícias das eleições. É o paraíso! Depois, as apurações.
Aí, os resultados. E vamos para o segundo turno!

sábado, 4 de outubro de 2008

Atitudes doentias

Acabo de ler uma notícia curiosa, a respeito de um sujeito que matou os sogros na Áustria, com um lança-chamas caseiro! Com um lança-chamas! Nem vou fazer piada de sogro e sogra. A notícia em si já soa como tal. Mas a verdade é que esse fato é só mais um desses que vemos constantemente nos noticiários. Não há novidade nisso. Ah, observação: os sogros do homem de 48 anos tinham 84 anos de idade e estavam dormindo. Foram assassinados dormindo, com um lança-chamas.
O ser humano é capaz de crueldades indescritíveis. Covardes. Por mais que o homem seja desequilibrado, determinados atos não têm justificativa. Também me vêm à cabeça atos como daquele coreano que matou um monte de colegas, nos Estados Unidos se não me engano. Talvez isso seja uma doença do modelo de sociedade ocidental. Claro que uns indivíduos encaram as coisas com mais equilíbrio, e outros não sabem administrar o caos psicológico originado pela sociedade do status e da aparência. Uns fecham os olhos, outros se deprimem, alguns se drogam ou bebem, e outros saem matando sogros com lança-chamas. Mas as relações humanas, da forma como se configuram de forma geral, ensejam esse tipo de atitude. São atitudes doentias, claro. São injustificáveis. Mas são impulsionadas pelo mundo do parecer.
Percebam. Principamente nos casos de estudantes que saem metralhando colegas, os autores dos crimes geralmente são rapazes introvertidos e excluídos dos círculos sociais que se estabelecem. A sociedade ocidental prima em excesso pela dimensão das aparências. Existe um tipo ideal de bom rapaz e boa moça. O rapaz desportista, desprovido de capacidade de discernir uma televisão de um vaso sanitário, extrovertido e pronto para abalar na noite. As meninas, da mesma forma: Barbies vazias, loirinhas e purpurinadas. Felizmente, os tipos ideais não são tão fáceis de se encontrar. Com algum esforço, até conseguimos encontrar. Mas não é tão fácil. Sobrevivemos com algumas dessas características. Uns com mais, outros com menos. O alentador é que geralmente não temos todas. Isso permite que o ser humano ainda tenha algum conteúdo. Me enquadro entre aqueles que possuem essas características ideais em menor escala. Tenho algumas. Mas poucas e com pouca intesidade. Às vezes é ruim. Muitas vezes, é gratificante. Por sorte, não sinto vontade de metralhar ninguém. Minha metralhadora é o teclado. Minha munição é composta de palavras. Mas é bom refletir. Ao invés de simplesmente julgar esses atos, que são horrendos e injustificáveis, também procurar visualizar o grau de incidência que o modo de vida ocidental têm sobre tais monstruosidades. A sociedade não forma assassinos nem bandidos. Mas incentiva a formação deles, com suas práticas que vão desde a hierarquização econômica, passando por outras hierarquizações de ordem estética, psicológica e comportamental.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A dor de Bernardo

Bernardo se supera no dom de ser ridículo. Hoje foi um dia especial para Bernardo. Ele me disse que passou por uma barreira em sua vida. Era pra ser um dia feliz. Mas Bernardo é burro. Ele é um imbecil. Idiota. Um merda.
Ele insiste em pensar em Samanta. Talvez essa seja uma maldição de sua vida. E ele tem que ser cínico com Gomes. Ele até gosta de Gomes. Para Bernardo, é deprimente ter de fingir que não sente nada por Samanta. Dói. Ele disfarça. Mas dói. Samanta tem um poder corrosivo sobre a alma de Bernardo. Ela o fere a toda hora que pode. E o otário sempre cai. Ele não reage. Ele apenas se machuca.
Bernardo sente vontade de chorar. Idiota. Ridículo. Ele queria estar nos braços de Samanta. Mas Gomes é o homem detentor do priviláegio. Gomes é o dentetor da felicidade de Bernardo. Samanta é detentora da felicidade de Bernardo. A vida de Bernardo parece estar condicionada à vida de Samanta,
Bernardo não sabe o que dizer. Ele apenas se deleita com a própria dor. É uma dor poética. É uma dor patética. Ele não pode falar nada. Samanta o ridicularizará. Ela não entende. E não quer entender. Bernardo ama Samanta. Está convicto disso. E seu coração aperta. Samanta maltrata sua alma. Destrói. Espreme seus sentimentos a seu bel-prazer. Ela é egoísta. Faz Bernardo sofrer. Faz Bernardo morrer a cada dia.
Hoje foi um bom dia para Bernardo. Mas todos os valores oferecidos pela vida nada são sem sua completude. Sua completude tem nome e sobrenome. Samanta Prates Vieira. Mas Gomes está com ela. E Bernardo se mantém em seu sofrimento silencioso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Para a cama, crianças!

O empate do Inter com a Universidad Católica foi morno e xoxo. Jogo chatíssimo. Valeu pela classificação. Pela frente, o Boca Juniors. E não me interessa se o Boca vem com juniors, com o perdão do trocadilho. Me interessa que o Inter passe pelo Boca. É isso o que a história registra.
Ficou evidente ontem que o time que jogou não tem condições de enfrentar o restante da Sul-Americana. Não dá. Circunstancialmente deu certo. Mas chega. É hora das crianças irem para a cama. E a imprensa que pare com essa palhaçada de dizer que o Inter jogou com time misto. O time é reserva. Os únicos titulares são Clemer e Edinho. Ricardo Lopes não conta. Bolívar é reserva. Presumo que o titular seja Sorondo. Ou Álvaro. Daniel Carvalho é uma decepção. Eu pensava que ele estava babando de vontade de jogar. Ledo engano. Daniel não é nem sombra do jogador que já foi. Está lento. Preguiçoso. Quase um peso morto dentro de campo. Parece um ex-jogador. E Guiñazu? Que fatalidade. Entrou e se lesionou. Um silêncio ensurdecedor tomou conta do Gigante. Muito parecido com o silêncio ocorrido em lesão de Fernandão contra o Junior Barranquilla na Sul-Americana de 2004. Não condeno Tite. O time estava mal, e alguma coisa deveria ser feita. Por uma casualidade, deu errado. Paciência.
Mas temos que jogar a competição continental com time titular. Principalmente agora, contra o Boca. Será que eu que estou louco? É um título internacional que está em jogo! Uma taça para a nossa coleção! Jogo quarta e domingo sempre tem. Qual o problema de se dedicar às duas competições, Sul-Americana e Brasileiro? Não consigo entender. Os dirigentes deram indícios de que a partir de agora, é time titular. Tomara. O Boca só é a potência que é porque tem sede de títulos. É um vencedor insaciável. Ganhar é sempre bom. O Inter tem que querer ganhar. Sempre. Tudo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A volta

Às 17 horas, o Inter enfrenta o Universidad Católica do Chile no jogo da volta das Oitavas-de-final da Copa Sul-Americana. Time reserva, de novo. Já manifestei minha opinião a respeito. Não quero me tornar repetitivo. E também, se deu certo fora de casa, a tendência é de que o Inter se classifique. Aliás, deu certo com gol de Adriano! Pedi para ele calar a minha boca e ele calou! Por isso, vou repetir o ritual. Talvez se eu malhar o time todo que vai à campo, o Inter até goleie! Assim seja.
Clemer, a quem você acha que engana? Tu já estás passadinho, dê espaço aos mais novos! Cale a minha boca se for capaz, com segurança e grandes defesas! E você, Ricardo Lopes? És um lateral esforçado, admito. Mas quando te vejo jogar, penso que eu poderia ter investido numa carreira de jogador. Jogo mais que tu! Bolívar, já deste muitas alegrias à nação colorada. Mas ainda estás em dívida conosco. Ainda não confio plenamente em teu futebol nessa tua volta. Danny Moraes, você é lento. Tem boa técnica, mas é lento. Tens muito a provar. Marcão é tão lento quanto Danny. Mais velho. Mesmo assim, ainda parece inexperiente em alguns momentos. Vamos ver, Marcão... Edinho, tu és guerreiro. E só. Jogando futebol, pareces bonequinho do Gulliver. Quem sabe acertas uma bomba de fora da área e me cala? Andrezinho, teu futebolzinho carioquês chiado ainda não convenceu por aqui. Nota-se que sabes do jogo. Mas tens que largar de mão as frescuras dos tempos de Flamengo. Corre e te mata em campo! Faça como Guiñazu! Rosinei, a fiel até hoje te chama de pipoqueiro. Espero que você não honre tal apelido nesse jogo. Lugar de pipoca é no cinema! Taison, jogaste bem lá no Chile. Mas deves aprender a chutar. Caso contrário, estás fadado a ser um Diego ou Diogo. Brilhareco. E só. Daniel Carvalho: tua canhota é poderosa. Mas teu prazo de validade vai vencer logo por aqui. Jogues muito mais do que vens jogando. Talvez essa seja tua única esperança para ter contrato renovado, e não voltar para a gélida Rússia. Adriano. Pra ti, falta muito. Que bom que fizeste o gol lá em Santiago. Mas ainda falta muito. Perdeste uma infinidade de gols. Fosse outro centroavante, e o nosso colorado teria vencido por três ou quatro a um!
Para aqueles que possam achar de mau gosto esse texto, que fique claro. Isso é uma brincadeira. Não que algumas coisas que eu disse não sejam verdade. Mas tantas outras são provocação pura. Um desafio ao destino. Lá no Chile, o jogador que eu disse que não poderia vestir o manto vermelho decidiu o confronto. A intenção é essa. Confio nos jogadores que entrarão em campo logo mais. Honrarão a camisa colorada. Vencerão o time chileno. E aí, amigos, que venha o Boca, mais uma vez.