terça-feira, 30 de setembro de 2008

Bernardo

Bernardo está confuso. É um grande amigo meu. Um sujeito que considero muito. Mas ele está perdido. Bernardo tem consciência plena do que se passa. Ele muitas vezes se cansa da mesmice. A noite é uma mesmice para ele. Mas Bernardo busca, desesperadamente, fugir de um destino do qual ele não consegue escapar. O nome do martírio de Bernardo é Samanta. Bernardo perde noites de sono por Samanta. Ele é um tolo. Nem sequer tem certeza, sequer a mínima convicção, de que Samanta sinta algo. Bernardo me disse que às vezes ele se sente apenas um joguete da vida de Samanta. Uma diversão. Uma roupa brega que ela guarda em seu armário. Mesmo sabendo que não vai usar.
E Bernardo persiste em sua tolice interminável. Um bela moça, chamada Letícia, fez Bernardo esquecer Samanta por alguns dias. Ele até mesmo chegou a sentir algo por ela. Mas Bernardo, em sua eterna falta de respostas, segue sua sina. Ele se desespera. Chegou a esquecer Samanta! Chegou a tratá-la com a frieza que talvez ela mereça. Mas, ao primeiro sorriso, ao primeiro contato físico, no menor roçar de dedos de Samanta sobre os ombros de Bernardo, ele titubeia. E se auto-flagela. Oh, Bernardo, você é um tonto. Um grande tonto. Bernardo me disse que tem consciência de sua tontice. O sorriso de Samanta destrói solenemente tudo que Bernardo conquistou. O esquecimento era sua conquista. E a conquista do eaquecimento foi soprada por Samanta. Ela gosta disso. Mas não gosta dele.
Samanta tem uma vida estável, talvez morna, ao lado de outro rapaz, Gomes. Não haveria motivos para Samanta abandonar suas certezas por uma dúvida. Bernardo é genioso, por vezes. Ridiculamente ciumento. Ridiculamente doentio. Samanta percebe, claro que percebe. E gosta. Segundo me relata Bernardo, ela transparece certa felicidade cruel ao ver que o afeta. Ela se delicia por ver aquele idiota a seus pés.
Samanta por vezes é simpática com outros rapazes. Talvez ingenuamente simpática. Mas Bernardo sempre se perturba. Se ao menos ele tivesse certeza de ocupar o segundo posto na vida de Samanta, pelo menos seus dias e noites amargos, perturbadores, não o seriam tanto. Ser uma espécie de vice-namorado talvez fosse um alento para Bernardo. Muitas vezes ele se sente assim. Mas não tem certeza. Isso o incomoda. E cada homem que fale com Samanta constitui um martírio na vida de Bernardo. Ele implora mentalmente, segundo me conta, para que ela não os trate da mesma forma com que trata ele. Ou pior, que os trate melhor. Ele imagina coisas demais. Talvez por isso, faça de tudo para estar perto dela o máximo de tempo que lhe é possível.
Bernardo não poucas vezes cai na real, tenta entender o porquê de tamanha possessividade sobre alguém que não lhe pertence. Que se preocupe o Gomes, ora! Mas o coração de Bernardo possui uma lógica peculiar. E Samanta por vezes é doce com Bernardo. Por vezes é ácida. Uma provocadora. Uma bela provocadora.
E Bernardo segue sua vida. Com medo de perder o que não possui. Querendo ser um diferente para Samanta. Ele não quer ser como os demais. Bernardo, às vezes modesto, em alguns momentos nem cogita tocar na estrutura de vida de Samanta. Talvez Bernardo queira ser significante dentro de sua insignificância. Bernardo continua a sonhar. Ele pensa que algum dia, isso pode mudar. Talvez um dia Samanta decida dizer algo. Talvez um dia o dia seja diferente. Bernardo aguarda. Apaixonado, apenas finge viver. Porque para Bernardo, sua vida só começaria realmente, no dia em que ele existisse como alguém único na vida de Samanta.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

4 a 1

4 a 1. Poderia terminar o texto de hoje apenas com esses números. 4 a 1. Mas seria injusto. Porque, de alguma forma, é preciso deleitar-se com esse momento. Grandioso. Sublime. Feliz. Como é bom ser colorado! Como é bom ver que a máquina do Odone pifou. E os operários fizeram greve. Na hora errada.
O Inter passou por cima do Grêmio. 4 a 1 não tem o que se possa discutir. Pelo menos não teria. Mas o time da Azenha sempre acha algum jeito de justificar seus fracassos pela arbitragem. Podem perder por 37 a 1, que sempre buscarão um subsídio de algum suposto erro do senhor do apito. Habituemo-nos. Mas o fato é que ganhamos com sobras.
D'alessandro foi primoroso. O craque que todos sabemos que ele é. O homem dos grandes jogos e das grandes decisões. Marcou um gol magnífico, distribuiu gols aos companheiros. O nome do jogo. Índio, voltando a jogar o que jogava em 2006, e tinha esquecido de jogar em 2007, foi soberbo. Um homem-Gre-Nal. Todos merecem elogios. O Inter foi definitivo no Gre-Nal. Mostrou quem manda.
O Palmeiras também deverá ser grato ao colorado. Não venceu no Recife. Mas o Inter fez sua parte. Com brilhantismo. Pra não deixar dúvidas. Ibsen Pinheiro já disse que um Gre-Nal serve para arrumar ou desarrumar uma casa. A casa do Inter está arrumadinha. Ainda faltam retoques, mas ao menos está limpinha. A casa tricolor está virada em uma balbúrdia. O Inter urinou nas paredes dos aposentos tricolores, esparramou porta-retratos e roupas, deixou travesseiros e lençóis espalhados pelo chão. E a liderança dos azuis se foi em uma tarde-noite no Beira-Rio. Nada mais propício. Nada mais perfeito.

domingo, 28 de setembro de 2008

Imprensa neutra...

A revista Veja divulgou há cerca de um mês uma matéria de ataque sistemático aos professores brasileiros, acusando-os de "ideologizarem" o ensino, em detrimento de uma pretensa neutralidade. Estimular o pensamento crítico é falta de neutralidade? Incentivar os alunos a buscarem entender o mundo é falta de neutralidade?
Existe um setor da imprensa que defende interesses bem claros. Nesse setor, inclui-se a referida revista. Esses interesses são escancarados. Dirigem-se a uma sociedade individualista, neoliberal, tecnocrática. Os fundamentos neoliberais são exatamente esses: um Estado mínimo, uma sociedade competitiva, em que os indivíduos são responsáveis por seus destinos. Até pode parecer justo. Seria racional, se todos partissem do mesmo ponto. Mas não existe essa igualdade no ponto de partida. E jamais existirá. As elites não abrirão mão de seus privilégios. Não abandonarão suas "conquistas suadas".
Óbvio que quanto menos críticos e reflexivos forem os cidadãos das classes menos abastadas, mais favorável fica o ambiente para os dominadores. Só que esses setores da imprensa, rasteiramente, se disfarçam de "neutros". Eles são despidos de ideologia. Imparciais. Saibam que isso é mentira. Ninguém é imparcial. Ninguém está acima da sociedade. Cada um defende sua posição. Os veículos de imprensa com tendências esquerdistas explicitam suas posições. Os lobos da direita vestem-se de cordeiros defensores do bem e da família.
Algum dia o Bonner explicou o que é "índice Dow Jones"? Não interessa que os pobres saibam disso. O monopólio da informação tem que ser dos poderosos. Que que esses chinelões têm que entender de política ou economia? Coloquem-se nos seus lugares, fétidos e nojentos pobres! Nós decidimos o que vocês merecem! Nós decidimos os seus destinos!
É isso o que eles querem. O ataque da Veja aos educadores é isso. É um apelo para que o único segmento social que possui algum poder de confrontar os interesses das elites dominantes, cale a boca. É um apelo para que os pais tirem as idéias diabólicas e retrógradas das cabeças dos filhinhos. É uma tentativa de amordaçar os professores, e bloquear o senso crítico dos alunos. Assim, eles poderão continuar suas vidas medíocres, dirigidas à manutenção de sua posição social. Pra que mudar o que está bom (para os ricos)? O melhor é manter os ideais de ordem e progresso. Ordem para os pobres, que têm que ficar calados. Progresso para as elites, com seu enriquecimento às custas do suor alheio.

sábado, 27 de setembro de 2008

O Gre-Nal e a donzela Libertadores

Amanhã tem Gre-Nal. Há muito tempo eu não via Porto Alegre tão ansiosa por um Gre-Nal. A capital gaúcha está com atmosfera de Gre-Nal. As camisas do Inter e do time da Azenha proliferam-se pela cidade. Eu mesmo estou pensando incessantemente no Gre-Nal. A idéia era escrever sobre o Gre-Nal amanhã, com a situação mais acalorada ainda. Mas não consigo. Faço o adiantamento. Esse Gre-Nal mobiliza tanto que talvez amanhã eu ainda escreva sobre ele. Saí de casa pela manhã vestindo o sagrado manto vermelho. Cruzei com colorados, cruzei com gremistas. Com alguns, acabamos cruzando quase que como numa cena em câmera lenta de filme de bang-bang. Os olhos se cruzam. Fitam ligeiramente o escudo no peito do adversário. Se atravessam ameaçadoramente como se dissessem: é amanhã!
Muita coisa será decidida no Gre-Nal. Aliás, o clássico tem caráter mais decisivo para o Inter. O Inter tem que ganhar para continuar sonhando com vaga na Libertadores. O Grêmio, em caso de derrota, pode perder a liderança, mas segue firme no encalço do Palmeiras. O horário é enjoado: seis e dez da tarde. Típíco horário de tv a cabo. Prefiro Gre-Nal às quatro da tarde. Tem mais cara de Gre-Nal.
O domingo de manhã também terá muitas camisas por aí. Mais ainda do que hoje. É muito bonito ver esse espírito de Gre-Nal. Pessoas jogando bola na praça, mostrando seu orgulho com a camisa de seu clube. Pessoas tomando chimarrão no sol das quinze horas, com o barulho do rádio am ligado, com o vago ruído da torcida, os repórteres perguntando para quem chega ao estádio um palpite para o jogo, e os comentaristas fazendo seus prognósticos com ar científico.
Mas tudo vai se resolver na bola. Acredito no Inter. A melhor hora para ter um clássico é agora. Em todo o Campeonato Brasileiro, esse é o momento em que a auto-estima colorada parece estar em mais radical e constante elevação. Vencendo o time tricolor, chegará ao ápice. E a Libertadores se aproximará, tal qual uma bela dama que esnoba o rapaz por uma noite inteira, para às cinco da manhã dar um sorriso e chamá-lo até a sua mesa. Que o Inter passe pelo Grêmio, dê uma boa xavecada na Libertadores e leve-a ao orgasmo. O Inter já conhece as entranhas da Libertadores. Ela está tendo um caso fugaz com a LDU, mas lembrará daquela camisa vermelha já no primeiro toque. É um caso de amor intenso e recente. O Grêmio também faz parte da vida da Libertadores. Mas creio que ela já o esqueceu. Teve a chance de ir para a cama com ele ano passado, mas o time da Azenha esqueceu do Viagra e negou fogo. Já está passadinho. Por isso, o Inter, com todo seu vigor e virilidade, com o andar da fila, fará de tudo para tomá-la em seus braços. Fugirão rumo a um horizonte indefinido. Apaixonados. Feitos um para o outro. Esse amor ainda está aceso.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Os cegos e o caos

Ontem assisti ao filme "Ensaio sobre a cegueira", versão cinematográfica do livro de mesmo título, de José Saramago. Fiquei impressionado. Trata-se de um filme com especial sensibilidade, de uma história absurda, caótica e brilhante. A epidemia de cegueira retratada conduz os cegos ao caos. Ao mais imundo e ao mesmo tempo mais puro estado de humanidade.
Nesse caos dos cegos há tiranos, líderes, luta por sobrevivência, sujeira, disputa de território, cinismo e abuso de poder. Nada que não vejamos com naturalidade no mundo contemporâneo. Mas a metáfora da cegueira nos faz enxergar o submundo do ser humano. O filme é de uma violência psicológica incomparável. Faz perder a crença que ainda sobra a respeito das pessoas. Ao mesmo tempo, acende a esperança por momentos singelos, doces, daquilo que significa viver. É paradoxal. Uma cena na qual todos os cegos, no meio de um inferno existencial, param para ouvir uma música, é emblemática. Eles se emocionam. Eles refletem. Eis a esperança da humanidade.
Vivemos em uma sociedade apodrecida. O ser humano é capaz de tirar todo o sangue alheio para encher sua taça de vinho fino. O individualismo e a mesquinhez se proliferam. Em seu estado de natureza, o ser humano é capaz dos mais belos atos, da mais elevada solidariedade. Também é capaz de desabrochar a faceta mais nojenta. Algumas almas humanas são cheias de pus. "Ensaio sobre a cegueira" é um filme forte. É necessário ter estômago. Algumas atitudes de alguns cegos são repugnantes. Em alguns momentos o lado mais humano da humanidade parece nascer como uma flor no meio do deserto. Toda essa conexão aparentemente absurda feita por Saramago nada mais é do que um retrato do estado de auto-destruição do ser humano. Um retrato chocante, porém reflexivo da realidade em que vivemos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Misto frio

O Inter vai para o embate com a Universidad Católica, pela Sul-Americana, com time reserva. Ou um misto frio, caso prefiram. Pois vejamos os titulares que jogarão: Clemer, que é goleiro; Ricardo Lopes, que é a pereba do time, com todo o respeito; e Edinho, que é... Edinho, jogador multicampeão, vencedor, histórico, mas limitado. Limitadíssimo.
Não me agrada essa postura. Quero ganhar a Sul-Americana. Quero taça no armário. Por isso, gostaria de ver os titulares atuando no Chile. Esse título é inédito. Definitivamente, o Inter me acostumou mal. Quero faixa! Quero ser campeão. Sempre.
Tenho convicção de que os jogadores que vão atuar têm qualidade. Mas, alguns deixam a desejar. Adriano joga. Mas já não está mais do que provado que ele não tem condições de jogar no Inter? Não ficou evidente que ele não sabe que o futebol é um jogo coletivo? Não entendo Tite. Talvez ele esteja muito à frente do seu tempo. Com ele, um cara não pega nem banco num dia e sai jogando no outro. Pensei que Adriano fosse página virada. Tomara que ele cale a minha boca e faça um golaço.
Ao escalar o time reserva, o Inter assume uma responsabilidade gigantesca. Tem que ganhar o Gre-Nal. Só ganhando o clássico o Inter justifica essa atitude. Ao colocar esse misto frio, é como se o Inter dissesse: "queremos é estar na Libertadores no ano do centenário". E para estar na Libertadores no ano do centenário, é indispensável ganhar do Grêmio. Também há o gosto pra lá de especial de tirar o time da Azenha da liderança, é bem verdade. Mas que eu quero o título da Sul-Americana, ah, isso eu quero...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Maísa e os padrões

A pequena Maísa é o atual fenômeno da tv brasileira. Por onde andamos, ouvimos alguém falando da garotinha. Todos os domingos, lá está ela no programa do Sivio Santos. Maísa é unanimidade. O problema é que eu detesto unanimidades. Não detesto a menininha. Mas detesto o que ela representa. Badalação e unanimidade fedem. Fedem a Big Brother. Fedem a celebridades acéfalas. Fedem a senso comum. E olha que sou um defensor do senso comum. Sem ele, enlouqueceríamos. Mas não podemos exagerar.
Esses fenômenos da mídia constituem um verdadeiro bombardeio. Bombardeio de exposição. Bombardeio comercial. Vai ter até vibrador da Maísa. Mesmo que ela não use vibradores (ainda). Afinal, não acredito também que a Eliana use o fogãozinho com sua marca. Ou usa? O mais nojento é que começará uma busca incessante por novas Maísas. Estabelecem-se padrões, e todos correm atrás da mina de ouro. Coitadas das menininhas. Ou "emaísam-se", ou viram ostras. Alguns pais e mães vão cobrar. Ah, vão!
É a maldição da mídia. Exposição de imagem, criação permanente de rótulos e de dever ser. E as pessoas, onde ficam? Tudo tem o seu espaço. A mídia sempre vai existir e influenciar. Mas, às vezes, ela abusa desse direito e brinca de Deus. Ela cria quem ela quer. Ela decide quem vai para o céu ou para o inferno. Ela decide o que vamos vestir, comer e beber. É uma violência. A mídia difunde seus dogmas subliminares indiscriminadamente. E as pessoas que não se adequam, são discriminadas. Um país como o Brasil, por exemplo, terá sempre os excluídos da onda. Porque há pessoas que não podem pensar em qual marca de chocolate vão comer. Ela têm que pensar no que vão comer. Se vão comer. É cruel essa realidade. Vivemos numa sociedade de paradoxos.
Maísa começa a constituir um padrão. As crianças serão pressionandas a seguí-lo. Maísa é talentosa em um ramo, assim como a grande maioria das crianças possui talentos. Menos midiáticos. Não menos valorosos. Seria bom que os pais esquecessem um pouco a Maísa e olhassem para suas pequenas meninas-prodígio. Eles talvez não precisem ultrapassar a hipnótica tela de plasma para verem suas filhas desenhando bem. Aprendendo a ler. Aprendendo a brincar. Utilizando o passaporte da infância, que para a pequena Maísa já expirou. E para tantas outras expirou, sem fama, sem glamour, sem badalação. Pela simples imposição da sobrevivência.
O padrão é oferecido. O padrão grita na porta. O padrão passa pela janela. O padrão não cala a boca na tv. O padrão toca no rádio. O padrão persegue. É onipresente. Mas, felizmente, não é onipotente.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Vazio

Dia de sol, Porto Alegre encontra-se com temperatura agradável. Tenho todos os motivos para estar radiante como o dia. Mas não estou. Gostaria de entender por quê. Tenho algumas coisas a fazer. Nenhuma delas, porém, me estimula o suficiente. Estou angustiado e confuso. Por isso, começo esse texto sem saber exatamente do que estou falando. Simplesmente estou escrevendo. Minha visão está nublada. Sinto-me como se fosse violentamente arremessado pela vida, de um lado a outro, contra as paredes. Não sei o que estou fazendo. Perdi o senso de onde eu quero chegar.
Há um vazio que ocupa minha mente. As idéias não fluem, mas ao mesmo tempo sinto necessidade de escrever, expressar essa falta de inspiração. Talvez eu tenha que dar uma saída e tomar uma cerveja. Talvez eu precise conversar um pouco. Não estou triste. Também não estou feliz. Apenas estou apático. Mal-humorado, talvez. Não estou revoltado. Muito menos saboreando esse momento. Apenas contemplo o que vejo pela janela. Sem idéias. Sem vontades. Gostaria de estufar o peito e tratar dos meus afazeres. Não consigo. Queria pelo menos ir até o bar mais próximo. Mas lá eu nunca encontro ninguém interessante. Não suficientemente interessante.
Sinto-me precisando esquecer de algo que não lembro. Eu sei que pra quem lê o que estou escrevendo, deve ser cansativo e irritante. Vazio de significado. Mas os significados sempre se escondem bem, nas entrelinhas. De mim, inclusive. Ser compreendido é uma causa a qual estou abandonando. Conto nos dedos as pessoas que conseguem, ou ao menos tentam, me entender. Elas apenas ridicularizam, em sua maioria. Talvez eu precise dormir. Talvez, retomando as energias, eu possa apreciar mais a beleza do dia. Mas, se eu dormir, quando acordar, o dia já estará desmaiando. Provavelmente eu ficaria mais melancólico.
Na verdade, todos nós temos nossos dias de cansaço. Simples cansaço. O dia-a-dia é uma luta para todos. Corremos atrás de algo que sempre parece estar à nossa frente. E esse algo não pára de correr. Ele sempre está próximo, mas está sempre mais veloz e incansável. Inalcançável. É óbvio que desistir de correr não vai adiantar nada. Mas preciso descansar por hoje.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O meu eu conservador

Li hoje que está em fase de maturação a substituição dos cds por cartões de memória. Seria uma forma de oferecer a mídia virtual para consumidores da mídia física. Seria a venda de MP3 em lojas. Muito moderno. Ótimo, a princípio. Mas sou um cara convencional. Sou avesso a mudanças. Talvez eu seja um conservador. Pelo menos nessa dimensão da tecnologia, eu sou. Na vida também sou. Não gosto de estranhos. Gosto de estar entre os meus. Sempre fui assim. Acho mais aconchegante. Fico mais à vontade para falar o que me vem à cabeça.
Sou excessivamente introvertido para me mostrar logo de cara. Até tenho experiências positivas ao conhecer novas pessoas. Mas elas têm que ter muita paciência comigo. Sou antipático a qualquer coisa que tenha uma possibilidade, mesmo que mínima, de me prejudicar. E o que eu não conheço pode me prejudicar. Parto dessa premissa. Sei que eu deveria pensar diferente. Mas não consigo. Os mais pacientes, os persistentes, acabam conseguindo me conhecer. E pelo menos parecem simpatizar comigo. É tudo questão de tentar entender o outro e não querer que o outro siga o mesmo padrão. Pena que muitas vezes eu mesmo não consiga colocar isso na prática. Paciência.
E é incrível quando nos deparamos com novidades que nos agradam. Muitas vezes, tais novidades nem são tão novas. Engenheiros do Hawaii não são nenhuma novidade. Mas para mim são. Só agora eu gosto de suas músicas. Era conservador. Mas ainda sou. Embora eu seja, progressivamente, uma pessoa à procura de elementos novos para a minha vida, meu lado conservador ainda possui certa ascendência sobre mim. Pelo menos naquilo que eu tenho como bom dentro da minha vivência. Sou egocêntrico. Estou conformado com essa verdade. Qualquer coisa que ameace as minhas certezas positivas me causa arrepios. Talvez seja da essência humana. Sou conservador ou revolucionário de acordo com minhas conveniências. No final, tudo o que resta são sempre os nossos anseios. O certo é o meu certo. Não há motivo para hipocrisia. Todos somos assim. Mesmo os que se julgam acima de si mesmos para pensar o todo, enxergam o mundo com seus próprios olhos. O vermelho só é vermelho para todos porque convencionamos chamá-lo assim. Mas, de fato, ninguém sabe se enxergamos a mesma cor, ou se vemos cores diferentes com a mesma nomenclatura. Por isso, tudo é convenção. Necessária convenção, diga-se de passagem.

domingo, 21 de setembro de 2008

Um assunto delicado: religião

Falar sobre religião é sempre delicado. Trata-se de crenças íntimas, que fazem as pessoas conferirem sentido às suas vidas. Por isso, realmente não é fácil tratar desta temática. Porém, a religião levada ao ponto do fundamentalismo é algo perigoso. Quem condena os muçulmanos e sua fé, não pode agir da mesma forma dentro do seu quintal. Por uma questão de coerência.
Existem pessoas que acreditam que sua matriz de pensamento religioso é a certa, e ponto. Não é assim.
Todas, absolutamente todas as correntes religiosas possuem certa coerência interna. Umas mais, outras menos. Por esse motivo, é bastante pretensioso pensar-se dono da verdade. Até o satanismo possui coerência interna. As pessoas não seguem o capeta por achá-lo um filho da puta. Seguem por acreditar ser ele melhor que Deus. Simples assim. É uma questão de prisma. É a escolha dos óculos com os quais se observa o mundo.
Não acredito, filosoficamente, que exista um Deus todo-poderoso. Até procuro, ultimamente, acreditar em algo transcendente. Questão de sobrevivência. Mesmo que não exista, talvez seja necessário conferir um sentido mais elevado à vida. Se exisitisse um Deus todo-poderoso, existiriam guerras? Existiria a fome? Dirão os espíritas que tudo é fruto do que se fez em vidas passadas. Dirão os católicos e evangélicos que Deus conferiu livre-arbítrio aos homens. Mas, se Deus é todo-poderoso ele poderia acabar com o sofrimento dos homens, independentemente do que fizeram no passado. Poderia incidir sobre o livre-arbítrio. Se ele é todo-poderoso, ele pode tudo. Não era pra ser assim? Se ele é todo-poderoso, ele poderia tirar um pouco do Bill Gates e dar um prato de comida para as crianças de Serra Leoa. Seria tão injusto?
E osa mitos? Maria teve filho com o espírito santo, é? Bom, se Deus é todo-poderoso, realmente pode fazer sentido. Se alguma mulher com quem transei aparecer grávida, não me acusem! Pode ser coincidência! Ela pode ser mãe do novo Messias! E se não acreditarem em mim, acusarei a todos de homens sem fé! Ah, se existisse exame de DNA naquela época... Consigo até imaginar a Maria quebrando o maior pau com o José no Programa do Ratinho! Ela falaria "salafrário, assume o teu filho!". Ele responderia: "essa mulher andou saindo até com o espírito santo!" Tudo se resolveria mais facilmente. E com picos de audiência! Talvez Carlos Massa batesse "A Favorita" no Ibope!
Não quero mexer com a crença de ninguém. Eu mesmo acredito que as coisas possuem um mistério, e talvez até exista, realmente, um Deus. Esse Deus muito possivelmente não tenha poder de julgar que só os filhos de determinada crença mereçam o céu. Talvez o raciocínio seja mais simples do que qualquer religião do alto de sua sabedoria imagine. Talvez o céu seja daqueles que simplesmente tentam fazer o que acreditam ser o certo. Talvez o paraíso esteja destinado àqueles que simplesmente são puros de coração. E provavelmente esse Deus não seja todo-poderoso. Talvez ele seja mais humano do que pensemos. Só assim para escolher um governador de planeta do naipe de George W. Bush...

sábado, 20 de setembro de 2008

Canhotos mágicos

Ontem não escrevi neste espaço pelo fato de ter sido convidado, de última hora, a bebemorar a transferência de agência bancária de uma amiga. Estou de volta e agradeço a compreensão dos poucos e heróicos leitores desse blog. O domingo reservará um jogo importante para os rumos do Inter no Campeonato Brasileiro. Ganhando, reacende-se de vez a esperança de estarmos na Libertadores no ano do centenário do clube. Perdendo, restará apenas a Sul-americana. A vaga na do ano que vem. O título na atual. Algo me diz que o jogo deste domingo será decidido pelos canhotos mágicos do Inter, D'alessandro, Guiñazu, Alex e, acreditem, Gustavo Nery. Há também Daniel Carvalho no banco, babando de vontade de jogar.
D'alessandro é o pop star do Inter. Que contratação! Talvez a mais arrojada do futebol brasileiro na década. O baixinho talentoso, de moicano, foi uma grande sacada. E nem precisa jogar nada. Jogando nada ele já faz a diferença. Não só dentro de campo. Ter uma estrela como D'alessandro coloca o Inter no centro das atenções do futebol das Américas. O Inter é falado. D'alessandro é craque. O que ele fez com o esforçado Leandro Guerreiro no domingo passado, jogador comum não faz. Está se entrosando e se soltando. É sempre esperança de uma jogada espetacular e um gol em momento de dificuldade. É um mágico pronto pra tirar o coelho da cartola. A qualquer hora.
Guiñazu é um e.t. Ele é um exemplo de dedicação, raça, entrega em campo. Ele se entrega em um jogo contra o Ipatinga com a mesma aplicação que ele joga contra a Inter de Milão, nossa xará menos famosa. Com ele em campo, o Inter não joga no 4-4-2. Com o cholo loco, jogamos em um inovador 4-8-2. Sim, pois ele corre o equivalente a quatro jogadores. É um fenômeno.
Alex é um jogador do qual nunca fui grande fã. Acho que ele desaparece "na hora da pomada". Mas é incontestável que ele está em ano iluminado. Ele ainda sente "desconfortos" na coxa, na panturrilha, quando o jogo está ruim para o Inter. Mesmo assim, vem sendo decisivo. Tecnicamente é bom jogador. Parece estar mais maduro do que aquele jogador que insistia em ser escalado na lateral para chegar à seleção. Jogando o que ele joga de lateral, poderia jogar na seleção, sim. De Honduras, caso se naturalizasse. Essa partida contra o time do Vitória é o tipo de jogo que o Alex gosta. Por isso, acho que ele pode fazer a diferença.
E Gustavo Nery? Esse jogador é um fenômeno. Era um jogador espetacular há três, quatro anos. No São Paulo, era tão completo que chegou a jogar improvisado como zagueiro, como volante, e como meia-esquerda. Quem sabe ele reencontra aquele futebol? Um lateral que sempre marcou boa quantidade de gols. Quem sabe amanhã ele não guarda um?
Daniel Carvalho estará no banco. Possui inegável qualidade, com capacidade de drible, boa finalização e bons cruzamentos. Não pode se queixar muito porque ainda não jogou nada em seu retorno. Mas poderia ter uma ajudinha do Tite. Poderia fazer companhia a Nilmar no ataque. Edinho poderia esquentar um banquinho. A bola nos seus pés sai feito aquelas bolas de borracha com as quais jogamos futebol no início da nossa infância. O fato é que joga Edinho e Daniel fica no banco. E está louco para entrar e provar que Tite está errado. Claro, se fizer gol, não pode esquecer de dar abracinho no treinador.
Assim, com o talento dos canhotos em campo, acredito em vitória sobre o Vitória. Tal qual uma fênix poderemos ressurgir em um campeonato que vem tendo reviravoltas importantes. E se nos deixarem subir, vamos incomodar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma busca interminável

Todos nós somos seres em constante busca de aprendizado e felicidade. Talvez a graça da vida resida exatamente nesse desafio que é o dia-a-dia. Porque, ou estamos lutando para encontrar um sentido para nossa vida, buscando algo que nos faça felizes, ou estamos lutando para nos mantermos felizes. E isso não é nada fácil. A felicidade talvez seja inalcançável em sua essência absoluta. Nunca estamos satisfeitos. Essa é a realidade.
Por vezes, conseguimos algo que nos alegra, algo que nos faz felizes. Mas essa felicidade não passa de um protótipo. Ela está sempre baseada no que está por vir, em nossas expectativas. Mesmo as coisas boas que nos acontecem não passam de condicionantes de um futuro que desejamos.
Claro que há exceções, há dias em que os momentos por si mesmos parecem fazer sentido. O dia em que o Inter foi campeão do mundo, por exemplo. Mas a vida tem a sua dinâmica, ela não pára e não nos dá tréguas. Tudo que nos sobra é tentar aproveitar, tirar cada gota dos bons momentos, e tentar superar as dificuldades da maneira mais rápida que for possível. Mesmo o que de ruim acontece, deve servir para algo. Já disse Nietzsche, "o que não me mata me fortalece".
Sou um ser humano em busca de aprendizado. Nem sempre teoria e prática andam juntas. São as emoções que nos fazem atribuir significado a tudo. A racionalidade pura nos levaria ao suicídio. A racionalidade pura faria vermos a nós e aos outros como pedaços vivos de carne, e nada faria sentido. Algum dia, alguma coisa terá que fazer algum sentido. Por mais que saibamos da inexistência da completude humana, temos que buscá-la, incessantemente. É só isso que nos faz mover. É só isso que faz levantarmos da cama todo dia, ao invés de permancermos deitados esperando a morte. É só isso que atribui algum sentido a esse mundo tão complicado, desprovido de lógica, baseado nos malditos verbos ter e parecer. Necessários, mas malditos. Por mais improvável e utópico que seja, desejo apenas que o amanhã seja melhor do que o hoje, sempre.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mulheres e frutas

Essa das mulheres-fruta é a mais nova onda da mídia dos que não têm o que fazer. Tem coisas, que pelo seu excesso, tornam-se ridículas. A mídia "marrom', essa que fala de novelas, produz manchetes estarrecedoras do tipo "Juliana Paes vai ao shopping", ou "Fotos exclusivas de Déborah Secco bebendo água", cria factóides e personagens em escala industrial. E o pior é que isso tem mercado. Essas notícias são consumidas. As pessoas perdem o sono! Por esse incentivo vindo de setores sociais que não têm nada de mais útil para saber, surgem e viram celebridades essas coisas.
Na verdade, essas mulheres-fruta são apenas uma versão vegetariana e mais famosa de algumas, fique claro, algumas, mulheres do dia-a-dia. Só que estas acabam constituindo uma dieta mais rica em proteínas. São as mulheres-pecuária. Ora, qual a diferença dessas mulheres-fruta para as mulheres-galinha, que povoam nosso cotidiano. E as mulheres-pelanca? Tem também as mulheres-lingüiça, muito conhecidas por certo centroavante dentuço.
Sejam hortifrutigranjeiros, sejam mulheres de açougue, não é isso o fundamental. Nada disso adianta se não houver cérebro. Não que o fator estético não tenha sua importância. Tem. Mas, bunda e seios se compram. A medicina avança nesses aspectos, e hoje seria capaz de transformar o Marquito em Gianecchini. O que a medicina ainda não consegue é colocar silicone no cérebro. Acho que nunca conseguirá. Por isso, apesar de ligar um pouquinho pra aparência (e quem, honestamente, não liga?), na minha concepção, mais importante do que ser bunduda ou peituda, é a pessoa ser cerebruda e coraçãozuda. Isso sim, é indispensável pra mim.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A pressa, a inércia e o tempo

Olá, navegadores!
A pressa é o pior dos inimigos que um homem pode ter. Assim, começo essa breve reflexão sobre a pressa. Ela é necessária, muitas vezes. Assim como a habilidade, o manuseio balanceado, o ritmo do tempo, também são necessários. O que todos devemos sempre nos questionar é o que nos faz sermos apressados em determinadas condições de temperatura e pressão. Simples, as condições de temperatura e pressão.
Um sujeito pressionado é a humanização da pressa. Um sujeito pressionado e repleto de experiências negativas causadas pela inércia, mais apressado será. Eu confesso que já pequei por inércia. A inércia é algo que mata qualquer coisa dinâmica. A inércia é destrutiva. Profundamente destrutiva. Mas, muitas vezes, escapamos de um tipo de inércia para outro. Segundo a física, grosso modo, a inércia é a manutenção de um corpo em estado de movimento. Esse estado de movimento pode ser o movimento em si, ou a ausência dele. Já pequei pelos dois tipos. O segundo é lamentável, pois é um acúmulo de nada, um acúmulo de planejamento sem execução que se auto-destrói pela dinâmica da realidade. O primeiro tipo, talvez seja menos frustrante. Muito provavelmente, mais assustador. A inércia da presença de movimento nos faz mergulhar, agir, agir sobre o agir, fazer as coisas fora da proporção imposta pelo tempo. Geralmente, ela também resulta em frustração. Ao contrário da outra, ela é a falta absoluta de planejamento e de linha de ação.
Ambos os estados de inércia, existencialmente falando, melhor ainda, humanamente falando, são resultado da insegurança. A inércia da física é ela por si só, portanto que fique claro, não é a ela que me refiro. Estou falando da inércia de seres humanos. Como eu dizia, os dois tipos inerciais são fruto da falta de convicção. A inércia da ausência de movimento é o pensar, pensar, pensar, pensar, replanejar, sem colocar em prática nada. E nada é colocado em prática pela falta de consolidação da convicção do sujeito. A inércia de movimento também é filha da insegurança. Sim, pois ela ocorre depois de um pontapé inicial pouco convicto. Como esse primeiro passo fora trêmulo, o sujeito dá outro, para aperfeiçoar ou corrigjr o primeiro. E assim ele vai agindo, desfazendo o mal-feito com outros mal-feitos, até o ponto em que ele destrói tudo. Ambos os estados inerciais desafiam, tola e bisonhamente, o tempo.
Por isso, faz-se necessário que tenhamos atitudes dentro da pré-determinação imposta pelo tempo. O relógio e o calendário são sábios. Ótimos conselheiros. Tudo tem um tempo. Tudo passa, sempre. O bom, e o ruim. É dessa forma que temos que tomar consciência da importância de dois valores, os quais adotei para a minha conduta, por experiência própria: esperança e humildade. Esperança, porque o que é ruim passa. Humildade, porque o que é bom também passa. E quando passa, todos os mitos de superioridade, que eram apenas o retrato de um momento passageiro e fugaz, valem tanto quanto uma nota de 100 reais vale para as baratas. O relógio não pára, e o mundo gira com sua regularidade. O tempo não pode ser aprisionado. Ele nos é fugidio permanentemente. O tempo não nos dá tempo. Jamais dará. Porém, isso não pode ser recíproco. Nós, sim, temos que dar tempo ao tempo. Tendo essa noção de troca desigual entre nós e o tempo, talvez encontremos o tempo certo para agirmos da maneira certa.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Engenheiros

Olá, navegadores!
Fiz uma descoberta que vai mudar o destino da humanidade. No último mês, um pouco mais, um pouco menos, descobri que Engenheiros do Hawaii é uma baita de uma banda. Até pouco tempo atrás, eu detestava Engenheiros. Conhecia pouco, mas não gostava. Era uma espécie de preconceito, não sei exatamente. Aliás, nem sei porque eu teria algum preconceito com Engenheiros, não vejo um motivo muito claro. Talvez eu simplesmente tenha colocado na minha cabeça que era chato.
Eis que hoje, 15 de setembro de 2008, sou um fã da banda. Rompi os preconceitos, resolvi ouvir sem ranso, e descobri uma banda incrível, com letras inteligentes e capazes de me causarem uma identificação de cara. Na vida, a exemplo da música, às vezes criamos barreiras e pré-concebemos coisas. Nem buscamos conhecê-las. Nem tentamos ver se de repente dá certo. Viramos prisioneiros de nossos próprios mitos e fechamos os olhos para a nossa própria felicidade.
Valorizemos o que temos de bom em nossas vidas. E que o desconhecido seja buscado sempre que o conhecido seja insuficiente.

domingo, 14 de setembro de 2008

Locos

Olá, navegadores!
Acabo de assistir ao documentário "Soy Loco por Ti Mundo", do colorado Louis Schroder. Está disponibilizado no You Tube, e vale muito a pena assistir. Além disso, pode ser comprado em dvd pelo Blog Vermelho (www.bolavermelho.blogspot.com). É um documento histórico, tão valioso quanto o oficial "Gigante- Como o Inter Conquistou o Mundo", mostrando a atmosfera daqueles momentos pela câmera de um torcedor, alternadas com reportagens na tv brasileira, do Jornal Nacional, do Milton Neves dizendo que o Inter iria levar de seis do Barcelona, dentre outras coisas.
Muito emocionante mesmo, cheguei a marejar os olhos. Aquele dia, 17 de dezembro de 2006, foi especial. Confesso que eu estava entre os que não acreditavam no título, por medo de ser feliz, receoso pelos inúmeros traumas de infância que o Inter me proporcionou, eliminação de Brasileirão com uma derrota para um rebaixado Bragantino, humilhação em semi-final de Copa do Brasil levando 4 a 0 do Juventude em um Beira-Rio lotado, enfim, o Inter por seu histórico de anos 90 e início de anos 2000, ainda me dava medo, e o fantasma dos vexames ainda não estava totalmente exorcizado. Mas esse clube é maravilhoso. Como escreveu Veríssimo, naquele dia 17 de dezembro, todo aquele passado entristecido, obscuro, parecia fazer sentido. Na verdade, era o roteiro do mais belo capítulo escrito no futebol mundial. O sabor daquele momento não teria sido o mesmo se as coisas fossem fáceis para o Sport Club Internacional. O sabor daquele momento não teria sido o mesmo se o Inter já tivesse uma Copa Intercontinental conquistada sobre um insosso Hamburgo. O sabor daquele momento não seria o mesmo se nossa torcida se julgasse uma raça superior, empanturrada com títulos importantíssimos, como a Copa do Brasil, conquistada por potências do futebol mundial como Santo André, Juventude, Paulista de Jundiaí e Criciúma. Nossas frustrações, a seca de grandes títulos, nos fez sentir aquela alegria como ninguém que não seja colorado pode sequer imaginar.
Os torcedores de outros times, infelizmente para eles, jamais sentirão aquele gosto. Porque aquilo foi único. Os torcedores de outros times dificilmente chegariam ao estado de transe em que nós, colorados, mergulhamos naquele dia. A história colorada, dentro de sua singularidade, e só por causa de sua singularidade, nos transformou em alegria. Sim, em 17 de dezembro de 2006, nós colorados não fomos seres humanos de carne e osso. Fomos energia. Fomos alegria. Fomos emoção pura. A cerveja daquele dia teve outro sabor, a carne assada estava especialmente palatável, o sonho fora realizado, estávamos completos. Fomos seres humanos privilegiados. Seres humanos estão sempre incompletos, por mais realizados que estejam. Naquele dia, fomos supra-humanos. Naquele dia, estivemos completos, preenchidos por vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, vontade de que aquele êxtase jamais acabasse. Sim, ficamos drogados, chapados, tivemos uma overdose!
Chego a ter receio de esquecer aquilo. Na verdade, gostaria de ter recolhido um pouco daquilo que senti naquele dia e guardado num vidro. Obrigado, Inter! E que retomemos nossa senda de vitórias em breve. Será maravilhoso o Bi Mundial. Serão incríveis o Tri, o Tetra, o Penta. Mas igual àquele 17 de dezembro de 2006, não será. Presenciamos a História. Somos aqueles que poderão dizer pra filhos, netos, bisnetos: "Eu vivi aquilo! Eu vibrei com o gol do Gabiru! Eu vi o Inter conquistar o Mundo."

sábado, 13 de setembro de 2008

Coerência e teimosia

Olá, navegadores!
É engraçado como a vida possui nuances e mudanças radicais de rumo, em todas as suas esferas. Digo isso porque estou passando por um momento de revisão de algumas coisas, abrindo novas estradas para caminhar. O grande problema é que eu mesmo me questiono se tais mudanças, que muitas vezes são abruptas e inesperadas, são coerentes. Convicções ferrenhas que tínhamos, viram fumaça; as nossas verdades tornam-se risíveis mentiras. Porém, não creio que isso se configure como incoerência.
Adotei como uma linha de ação na minha vida o pragmatismo. Desisti de perder tempo com coisas que não me darão os resultados que espero. É evidente que nem sempre é fácil ser pragmático, muitos aspectos da nossa vida escapam de uma dimensão mínima de racionalidade, e aí, por mais que apliquemos nossos pragmatismos e nossa razão, nos encontramos em uma teia da qual não conseguimos nos desvencilhar. Mas sempre vem um surto de lucidez. Quando menos esperamos, vemos que podemos alcançar aquilo que queremos por outros meios, aos quais não tínhamos atentado anteriormente. É nesse momento que a coerência fica em xeque. Para um pragmático como hoje eu sou, porém, seria um equívoco absurdo confundir coerência com teimosia. Creio ainda ser coerente. Teimoso, não.
É exatamente por isso que hoje não me constranjo em remanejar a minha vida ao meu bel-prazer, esquecendo, muitas vezes, o que eu disse e senti anteriormente. E tantas vezes quantas forem necessárias, mudarei meus rumos, até encontrar aquilo que me satisfaça. Incoerência é abrir mão daquilo em que se acredita realmente, daquilo de que ainda se espera algo positivo. Quando se vê que aquela semente não vai resultar em nada, e se continua apegado àquilo, isso é teimosia. É, acima de tudo, anti-pragmático.
Sinto-me como me libertando de certas amarras, e por uma felicidade imensa, por uma sorte ímpar, imediatamente encontrando aquilo que me serve. Não houve vazio na troca de convicção. Houve uma transferência imediata, abrupta, inacreditável. Tão inacreditável que até a carga emocional que sempre fundimos com as convicções, se transferiu. Isso é pragmatismo. O texto escrito é o mesmo. Eu apenas troquei a caneta que falhava, com a qual eu quase rasgava o papel, por uma caneta bonita, prática, confiável. Uma caneta que hoje é de estimação, e com a qual espero escrever muitos e muitos textos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Orangotangos

Olá, navegadores.
Ontem à noite tive a oportunidade de assistir um filme espetacular no cinema, ao qual recomendo a todos que assitam. Trata-se de "Ainda Orangotangos". O filme se dá num plano único de filmagem, ou seja, ele passa todo com a mesma câmera na mesma seqüência, sem cortes. Talvez por isso mesmo, tenha uma dinâmica muito boa, e não trata de um tema específico. É pura e simplesmente uma coleção de histórias pitorescas que se passam em Porto Alegre, com personagens que, em algum momento, se cruzam.
É um excelente retrato da vida metropolitana, da velocidade, da loucura, e da simultaneidade frenética das grandes cidades. Também, é um filme com a cara de Porto Alegre, acontecendo basicamente na região central, onde, como eu conversava com uma amiga após o filme, os porto-alegrenses parecem ser mais porto-alegrenses. Nessa região da cidade, os magrões são mais magrões; essa região da cidade é impregnada do jeito porto-alegrense de ser. E a fascinação que o filme me provocou vem porque não é extravagante, é uma simples composição de histórias factíveis ocorrendo em cenários conhecidos, com a atmosfera e o charme da capital gaúcha, passando uma diversidade de sensações quase que assustadora.
Pra quem curte filmes psicodélicos, fica a sugestão. É um passeio de montanha russa na poltrona do cinema.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Apocalíptico

Olá, navegadores!
Porto Alegre amanheceu apocalipticamente. Muita chuva e muita escuridão fizeram parte da manhã, e agora o dia recém começa a ficar com cara de dia. Feio, mas dia. Inevitável dizer o quão melancólico foi o amanhecer, e, por incrível que pareça, foi lindo. Sim, o dia tão pouco convidativo foi belíssimo. O mais feio dos dias desse ano foi de uma beleza ímpar.
Os dias ensolarados, caracterizados universalmente como belos, são monótonos. São aqueles dias que nos fazem dormir no ônibus, por um simples motivo: são dias habituais. E com isso não quero dizer que eles sejam desprovidos de beleza. São belos sim, mas de uma beleza previsível. Exatamente o contrário do amanhecer noturno de hoje, diferente, talvez assustador, e por isso mesmo, belíssimo. Na verdade, creio que a beleza possa ser encontrada nos extremos. O único espaço desprovido de graça e beleza é o espaço da mediocridade. A mediocridade é um não sobe nem desce, é uma salada de chuchu sem tempero, é a previsibilidade.
Talvez os dias ensolarados estejam mais próximos da mediocridade do que os dias apocalípticos. Talvez por isso, tenha me chamado a atenção a beleza do inesperado, do inquietante escuro às 8 e meia da manhã. E para quem estiver lendo, apegue-se a isso: veja a beleza do que você vê como tal. Não ache belo o que os outros acham, pelo motivo de os outros acharem. Ache beleza no que você quiser, no que lhe agradar, no que lhe fizer feliz. Ninguém, por mais especialista e sábio que seja, poderá dizer o que é belo para você. Ninguém poderá, jamais, determinar o seu gosto. Se a beleza que você procura está em ver a novela das 8, veja! Se a beleza que você procura está em comer um pão com ovo frito, coma! A vida é uma poesia que você escreve, uma receita na qual os ingredientes são escolhidos por você. Delicie-se, e procure sempre aquilo que agrada a... você!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Injustiças

Olá, navegadores.
Hoje o assunto tratado é bastante sério. Estava eu dando minha caminhada matinal obrigatória quando vi uma criança catando lixo com uma mulher que aparentemente devia ser sua avó, ou coisa que o valha. Geralmente esse tipo de coisa passa um pouco despercebido, já nos acostumamos, lamentavelmente, à crueldade da pobreza e das desigualdades sociais. Talvez pelo fato de ter ouvido pela manhã aquela música do Nenhum de Nós que diz "as pessoas que se enrolam nos jornais não são mais notícia; elas não esperam de um papel em duas cores nada mais que um pouco de calor", eu tenha ficado especialmente reflexivo e sensibilizado ao ver aquela cena.
Pensei no quão triste e injusto é este sistema, o sistema capitalista levado às últimas conseqüências, em que uma criança de aproximadamente 6 anos já não tem mais perspectiva, já vive para sobreviver, por mais chavão que isso possa parecer. Na verdade, não sei qual o sistema ideal, mas sei qual o sistema que não serve: este capitalismo que vemos aplicado em escala global. Ele permite que, simultaneamente, uns nadem em piscinas de champanhe enquanto outros não tenham um prato de arroz com feijão. E, queiramos ou não, o lucro dos grandes vem somente com o prejuízo dos pequenos, e isso não é segredo pra ninguém. O que é inaceitável é a margem de desigualdade que vemos! Não pode ser normal que milhões de pessoas passem fome, uma infinidade de crianças já nasçam sem perspectivas, tendo que trabalhar e lutar sem nem terem saído das fraldas direito, enquanto a cadela da Vera Loyola tem festinha de aniversário.
Tudo isso mudará algum dia, ou a história realmente acabou? A eliminação da fome no mundo, quando ocorrer, e se um dia ocorrer, não será mérito de ninguém: é obrigação moral de qualquer pessoa que veja a vida além das cifras. E foda-se a cadela da Vera Loyola...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Obras, intermináveis obras...

Olá, navegadores.
Estou gripado, louco pra deitar e dormir um pouco, mas tenho que falar sobre as obras da Avenida Baltazar. Quando se passa por ali, fica a impressão de que foram encontrados ossos de dinossauro, e os caminhões estão recolhendo materiais para os arqueólogos. Por aí, imaginem o tamanho do incômodo. E que coisa interminável! Deve-se notar que essas obras começaram há horas. Diz-se que o início delas remontam aos primórdios da humanidade, quando Hebe Camargo ainda não tinha nem 300 anos! O transtorno é inevitável, claro. Mas já devia ter acabado há muito tempo, e só agora, o processo de reformulação da querida avenida da zona norte de Porto Alegre parece se encaminhar para o fim.
Agora, avenidas e obras à parte, vou tratar de me recuperar dessa... aaa... aaaa... aaaa. aaaaaatchim!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O mundo das verdades

Olá, navegadores!
Estava eu imaginando a respeito de como seria um mundo em que só falássemos a verdade, tipo aquele filme do Jim Carrey, "O Mentiroso". Se todos sempre falassem a verdade e se despissem de todas as hipocrisias, como seria a vida?
Num primeiro momento, acredito que seria muito positivo, afinal de contas, as pessoas seriam como são, diriam suas verdades, suas vontades, e na base do diálogo tudo se resolveria. Claro que nesse mundo, presume-se, as pessoas teriam que ter uma mente muito aberta, elas teriam que esquecer o significado das palavras "ofensa", "mágoa". Sim, pois a verdade não possui apenas a face positiva, ela possui outra face, de mesmo tamanho, por assim dizer, negativa. Afinal de contas, teríamos, nesse mundo, não só que falar aquilo ques gostamos nas pessoas, mas também aquilo que não gostamos. E há muito disso. Às vezes, temos pessoas que consideramos demais, e por medo de magoá-las, não expomos nossas opiniões, positivas ou, principalmente, negativas. As positivas são aquelas como, aquela amiga que tu achas maravilhosa, és muitas vezes apaixonado, e não falas isso, por receio de um afastamento, do desmanche dos laços de amizade, ou por pensar que ela pode pensar que durante muito tempo tu só foste amigo dela por oportunismo ou vontade de "pegá-la". É, amigos, é delicado...
E as negativas? Nem se fala! Quem nunca teve um amigo que enquanto fala despacha uma cachoeira de saliva na sua cara? Seria terrível falar isso, realmente. Ou aquela amiga que tem uma voz insuportavelmente irritante? Também não seria recomendável. Ou então aquele tio sacana, que nos churrascos de domingo solta uma infinidade de piadas sem graça e crê que está abafando? Esse caso é até pior, porque ao invés de falarmos a verdade, alimentamos a mentira, rindo daquele monte de piada que não faria nem um telespectador do Zorra Total rir.
Quer saber? Talvez não devamos viver num mundo de sinceridade absoluta. A verdade é que não estamos preparados para recebermos as críticas de forma aberta. Eu não estou preparado. Claro que encaro como positivas as críticas que me fazem, mas sempre fica uma pontinha de frustração. Feliz, com uma crítica, jamais ficarei. Grato, isso sim, muitas vezes, pois só as críticas podem nos fazer evoluir de seres criticáveis para seres elogiáveis. Afinal de contas, só as críticas fazem com que corrijamos nossos rumos, e melhoremos aos olhos de todos.
No contexto atual, a sinceridade é como vinho. Aprecie com moderação, que vale a pena. E o abuso só servira para dar uma baita dor de cabeça...

domingo, 7 de setembro de 2008

Domingão...

Olá navegadores!
Domingo é um dia melancólico para se ficar em casa. Definitivamente, o frio vem me fazendo mal, e estou em casa moralmente obrigado, fazendo uma resenha de um texto sobre participação política na Colômbia. A garganta coça, como se me dissesse "amanhã tu tá f."
Me vejo em frente ao teclado, sem grandes inspirações para escrever, confesso. Aliás, a proposta que me fiz nesse blog é escrever somente quando estou a fim, sobre o que eu estiver a fim. Mas estou sentindo vontade de escrever, mesmo que seja somente por escrever, ou talvez esteja empolgado com esse espaço que me abri para expressar minhas idéias.
Bom, vou falar sobre meu time, o Inter. Mas nem isso me empolga. Vitória xoxa como a cara do técnico Tite, campanha do tipo "nem fede nem cheira", então, nada para dizer. Que caia o Tite... Só isso.
Pelo menos o Massa ganhou... no tapetão, mas ganhou! À moda Corinthians, como o plim plim gosta! Jamais vou esquecer do Galvão Bueno ao final do jogo do "timão" (sic), dizer que se o Campeonato Brasilero de 2005 tinha um legítimo campeão, este se chamava Corinthians. Anularam 10 jogos sem comprovação de manipulação, o Márcio Rezende não assinalou um pênalti no confronto direto entre os candidatos (expulsando, inclusive, o Tinga, que quase teve a perna amputada, por "simulação"), mas estes são detalhes insignificantes, afinal. Voltando à corrida, se a corrida de hoje teve um legítimo vencedor, este foi Felipe Massa, não é assim que funciona? Muito bom, de qualquer forma, pois finalmente voltamos a ter algum gosto de acordar domingo pela manhã e correr pra ligar a TV e ver a posição do nosso piloto. Viva Massa! Minha única esperança desportiva no ano de 2008!
Estou "ouvindo" Faustão, pois meu pai está, como bom Homer, assistindo a esta obra-prima da televisão mundial. Que bela merda!
Deixa eu continuar lendo sobre a democracia na Colômbia que ganho mais...

sábado, 6 de setembro de 2008

Confusões de uma sociedade em que tudo e nada se confundem

Olá a todos os navegadores deste novo blog, que se for um, hoje, já será uma honra para mim.
Inicialmente, quero falar sobre algo que me incomoda profundamente na sociedade atual: o que é que realmente vale em termos de relacionamentos homem x mulher?
Sim, porque devo ser um sujeito muito retrógrado e conservador. Hoje, algumas mulheres (e homens) não vêem nada demais em andar de braços dados, darem sorrisos enigmáticos, dentre uma série de outras coisas. A dificuldade que eu encontro é definir, afinal, o que que realmente vale? Hoje em dia, nada nos dá a certeza da existência de um sentimento, qualquer que ele seja! Que me desculpem os pós-modernos, mas creio que um pouco de uniformidade iria bem! Seria bem mais fácil, para homens e mulheres, que os sujeitos agissem como realmente querem agir. Mulheres, se vocês gostam de um cara, demonstrem que gostam! E se não gostam, não fiquem enganando e fazendo joguinhos que a nada conduzem! Nesse sentido, nós homens somos bem mais previsíveis. Se demonstramos gostar de alguém, tnham certeza, realmente gostamos, ou pelo menos queremos um relacionamento. Nossos cérebros não funcionam com essa complexidade toda, em que a pessoa abraça, beija, dá mãozinha, pra depois dizer: "que ridículo, aquele cara pensou que eu tava dando mole pra ele!"
Só digo uma coisa: é dose.
Grande abraço.